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SINAV GİRİŞ BELGESİ VE SINAV SONUÇLARININ DUYURULMASI

Constituído pelas comunidades de Alto Alegre, Vila Nova, Alto do Estrela e Cajueiro da Malhada, todas localizadas no distrito de Queimadas, o território quilombola de Horizonte passa, desde o segundo semestre de 2007, por um processo de demarcação geográfica, realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Essa região está localizada a aproximadamente cinco quilômetros do centro de Horizonte, sendo fronteira com o município de Pacajus. Devido à dificuldade de encontrar, ou à inexistência, de publicações e fontes oficiais sobre a história dessa região no que diz respeito à descendência negra, as informações apresentadas neste tópico foram obtidas através de conversas informais com moradores e de atividades realizadas pelas mulheres do projeto social de que trata essa pesquisa.

Ainda que a história da resistência e da cultura negra não seja completamente difundida entre os residentes desse território, é sabido que há pessoas que descendem de negros que foram escravizados em outros tempos naquela região.

A própria visão da localidade difundida entre os horizontinos remete, mesmo que de forma bastante irônica e preconceituosa, às origens desse povo, pois ainda hoje são comuns comentários como “Alto Alegre só tem negro”, “fulano mora na terra dos branquinhos”, entre outros.

A história da descendência negra de Horizonte não se encontra bem definida. São poucos os registros oficiais ou publicados que contam as origens das famílias que lá habitam, e os próprios moradores, com exceção dos mais velhos, demonstram não ter muito conhecimento acerca dos seus antepassados, ou não estão interessados em difundi-los.

Os indícios apontam para a habitação da região cerca de quatro ou cinco gerações anteriores às dos atuais adultos. Quanto à fundação, os moradores são unânimes em afirmar que se deve a um sujeito chamado Cazuza, que foi um escravo fugitivo de áreas próximas à atual Barra do Ceará, em Fortaleza, em direção à cidade de Pacajus. Naquele período, Cazuza conheceu uma descendente indígena, com a qual

constituiu uma família, instalou-se na localidade e deu início ao povoado, quando outros escravos também fugitivos foram se juntando ao casal e formando a comunidade de Alto Alegre.

A origem desse nome, apesar de haver controvérsias, é delegada ao fato de que, no início da formação do povoado, as pessoas eram bastante festivas e faziam muitas comemorações. Uma festa de casamento, por exemplo, segundo contam, chegava a durar três dias e três noites seguidos. E o local onde geralmente aconteciam essas festividades ficava em um lugar alto, de forma que, aos poucos, a região ficou conhecida popularmente por Alto Alegre.

Sobre a escravidão no estado do Ceará, Sousa (2006, p. 89) afirma que:

Por muito tempo, o negro trabalhou duro, limpando o que o branco sujava nas casas das fazendas e das cidades; carregando nas costas sacos de rapadura dos engenhos de Aquiraz, Pacajus, das localidades como “Olho D´Água”, atual Horizonte, Dourado, para abastecer Pacoti, Fortaleza e outras localidades.

Contudo, ainda hoje os resquícios do trabalho escravo podem ser observados em Horizonte. O povo de Alto Alegre e adjacências diz que, até pouco tempo atrás, era explorado pelos grandes proprietários de terra do atual Distrito de Queimadas, membros de famílias tradicionais do local. Em determinados momentos, durante conversas com os moradores mais velhos da região, sente-se certo rancor destes com relação a seus antigos patrões, pois as relações de trabalho pareciam ser injustas, e também há relatos de que alguns trabalhadores eram castigados quando faziam algo que desagradava seus superiores. Há boatos inclusive de assassinatos por parte de um dos senhores, que matava os escravos quando o trabalho não era bem feito, enterrava-os de cabeça para baixo e, em seguida, plantava uma bananeira em cima da cova para esconder os corpos.

As principais atividades laborais realizadas nesse período aconteciam em casas de farinha, no roçado, na cozinha das casas grandes, e não se realizava a remuneração em forma de dinheiro. Os homens trabalhavam em troca de alimentos e moradia, ou recebiam parte da produção através do sistema de meia, no qual o proprietário fornece a terra, as sementes e as condições para o plantio, enquanto o trabalhador se responsabiliza por todo o processo de plantação e colheita, recebendo como pagamento, ao final, metade daquilo que foi produzido.

Interessante ressaltar, com relação às atividades de trabalho, que os mais velhos geralmente consideram os mais jovens (seus filhos e netos), como pessoas

preguiçosas, que não gostam de trabalhar e que ficam à espera do surgimento de empregos, não valorizando sequer as oportunidades, que eles não tiveram, de estudar e fazer cursos.

Outras tradições dos mais velhos parecem não ter sido transmitidas de pais para filhos, como fabricação de artesanatos de palha (tapetes, chinelos, esteiras) e de coco (pintura de tecidos, objetos de enfeites), uma vez que são poucos os conhecedores dessas habilidades manuais na atualidade. Alguns elementos tradicionais, porém, ainda se fazem presentes, como fogão a lenha, panelas de barro, comidas (tapioca, mugunzá, produtos de milho).

Mesmo com toda a miscigenação que vem acontecendo nos últimos anos na cidade de Horizonte, com a migração de milhares de família em busca de emprego, o território quilombola ainda possui uma tradição familiar bastante forte. Alguns sobrenomes se destacam e estão presentes no registro civil da maioria das pessoas cujas raízes são da região, pois o casamento entre parentes era bastante valorizado, com finalidade de dar continuidade à linhagem, ao passo que a união com “brancos” era rejeitada pelos chefes de família.

Muito interessante é a forma como grande parte dos descendentes dessas famílias veio ao mundo: com a ajuda de uma senhora que até pouco tempo atrás ainda atuava como parteira. Jovens com menos de trinta anos, em Alto Alegre, vieram ao mundo com o auxílio dessa senhora, ainda viva no período desta pesquisa e carinhosamente chamada de mãe por seus “filhos”.

Contudo, a questão do desconhecimento da história e das origens do povo da comunidade de Alto Alegre parece ser uma realidade em fase de mudança, visto que, de alguns anos para cá, inúmeros estudiosos das ciências humanas e sociais e outros visitantes vêm se interessando pelo contexto daquela região e fazendo pesquisas históricas, bem como os próprios moradores vêm demonstrando cada vez mais interesse em buscar e fortalecer suas raízes.

O reconhecimento oficial da localidade enquanto ex-quilombo certamente contribui bastante para essa questão. Porém, anterior a esse período, a Prefeitura Municipal de Horizonte já vinha realizando atividades no sentido de resgatar a história e a identidade cultural das comunidades daquela região, através, por exemplo, do incentivo à organização dos moradores; busca de parcerias e intercâmbios com outros municípios e estados, visando à melhoria das condições e oportunidades de crescimento

para a localidade; convites e recepção de pessoas e instituições ligadas ao movimento negro.

Aspectos da cultura negra que estavam esquecidos nesse cotidiano estão ganhando destaque, especialmente com relação à dança. Há alguns anos, para se praticar capoeira, as pessoas tinham de se dirigir ao centro de Queimadas, mas atualmente há grupos treinando todos os dias nas mediações de Alto Alegre, no pátio do Posto Municipal de Saúde e nas escolas. O maculelê7 e a dança do fogo contam com grupos

que se apresentam nas festividades da região e em outras cidades.

Outro exemplo de valorização da cultura negra na localidade está no fato de que, no ano de 2008, Horizonte foi a única cidade do Nordeste e uma das três do Brasil que implantaram devidamente a Lei Federal Nº 10.639 de 2003, que inclui na Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e institui o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”. Dezenas de professores da rede pública de ensino do município foram capacitados para essa tarefa, bem como, há pelo menos seis anos, a prefeitura vem realizando eventos no período dessa data comemorativa.

Em 2003, foi oficializada a Associação de Remanescentes de Quilombos de Alto Alegre e Adjacências (ARQUA). Mesmo não possuindo sede própria, a associação, constituída somente por moradores da região, busca, através de parcerias e apoios externos, melhorias para a comunidade. O início da execução do projeto “Alinhavando Sonhos / Construindo Realidades” foi dado com o auxílio dessa instituição, que contribuiu principalmente com a divulgação da iniciativa e a captação de pessoas interessadas.

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Maculelê: dança de origem afro-indígena, constituída pela mescla de elementos trazidos pelos africanos com a cultura dos índios brasileiros. Assim como a capoeira, o maculelê era mais uma maneira de luta contra a escravidão, em que as músicas evidenciavam o ódio e eram cantadas em forma de dialetos para que os feitores não entendessem o sentido das palavras, e os passos ensaiavam golpes de luta. (VOLPATTO, 2009).

4 PERCURSO METODOLÓGICO DA INVESTIGAÇÃO

De acordo com Quivy e Campenhoudt, “uma investigação é, por definição, algo que se procura; é um caminhar para um melhor conhecimento e deve ser aceite como tal, com todas as hesitações, os desvios e as incertezas que isto implica”. (1992, p. 29).

Para a realização dessa jornada, é necessário um planejamento do caminho do pensamento e da prática exercida na abordagem da realidade. Minayo (1994) afirma que “a metodologia inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a construção da realidade e o sopro divino do potencial criativo do investigador”. (p. 16). São necessários parâmetros para caminhar no conhecimento, ao passo que a criatividade do investigador não pode ser desvinculada desse processo.

Rey (2002, p. ix) apresenta a pesquisa como sendo um “processo constante de produção de idéias que organiza o pesquisador no cenário complexo de seu diálogo com o momento empírico” e defende a especificidade da produção do conhecimento nas ciências antropossociais, em que se produz conhecimento sobre um “objeto” de pesquisa idêntico ao pesquisador. Assim como Minayo, o autor enfatiza a importância da inserção do investigador na produção do conhecimento, uma vez que este se orienta por suas próprias idéias, intuições e opiniões. Não se pode deixar de mencionar ainda o caráter também ativo do próprio objeto do conhecimento, que atua sobre esse processo muito além da própria consciência do pesquisador.

A partir dos aspectos apresentados, optou-se pela abordagem qualitativa nessa investigação. Rey (2002) atenta que o qualitativo constitui via de acesso a dimensões do objeto inacessíveis ao uso que em nossa ciência se tem feito do quantitativo. Em Minayo (1994), observa-se que essa abordagem envolve um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

No final de 2007, a presente pesquisa e sua proposta metodológica foram devidamente submetidas e aprovadas no Comitê de Ética em Pesquisa da UFC.

O campo de pesquisa foi selecionado por conveniência, diante da participação da pesquisadora no projeto “Alinhavando Sonhos / Construindo Realidades”, exercendo as funções de coordenadora co-executora e de facilitadora de

oficinas de crescimento e desenvolvimento interpessoal, dentre outras atividades. Essa atuação possibilitou um maior contato com as pessoas abordadas nesta pesquisa, no caso, mulheres envolvidas no projeto acima referido. Dentre as 25 integrantes, entrevistamos sete.

A primeira técnica utilizada foi a observação participante, que se insere no que Montero (2006) denomina de método participativo. Este busca preservar a integridade dos eventos do mundo social. Para a autora, a observação participante é:

[...] la actividad metodológica realizada en el transcurso de la vida cotidiana de personas o de grupos específicos, a fin de conocer, desde esa posición interna, eventos, fenómenos o circunstancias a los cuales no se podría acceder desde una posición externa no participante. Produce una forma de teorización que surge a partir de la experiencia. (MONTERO, 2006, p. 205).

Montero complementa dizendo que a técnica pode implicar em o pesquisador ter que desempenhar algum papel na comunidade, participar de tarefas comunitárias e seguir os ritmos da comunidade, mas sem ocultar o papel principal de investigador.

No caso desta pesquisa, isso ocorreu tanto através da já mencionada coordenação, como também de visitas periódicas ao território quilombola nas mais diversas situações: festas juninas, eventos religiosos, reuniões da associação comunitária, comemorações, desfiles etc. Na condição de coordenadora, foi possível à autora o acesso a todas as informações oriundas das fichas de inscrição e de avaliação das integrantes, a observação e o acompanhamento de todo o processo de desenvolvimento das propostas do projeto.

Em situações como festas, eventos religiosos entre outras, as informações foram importantes para a compreensão determinadas atitudes, comportamentos, valores, crenças e outros aspectos da população local, na qual está inserida o grupo de mulheres abordadas nesta pesquisa.

Nesse sentido, e seguindo a proposição de Rey (2002) de que “a realidade é constitutiva da subjetividade humana, não podemos seguir identificando-a como dimensão externa em relação à subjetividade”. (p. 136), buscamos chegar a novos territórios do real, inacessíveis em termos de informações objetivas imediatas.

Tal forma de trabalho se torna expressiva pelo fato de que há interesse não somente no que as pessoas pensam e expressam, mas, também, em como elas pensam e porque pensam o que pensam.

O principal instrumento de coleta de dados utilizado foi a entrevista, que consiste em uma técnica que permite a produção do sentido. Pinheiro (1999) entende a entrevista como sendo uma prática discursiva, ou seja, “como uma ação (interação) situada e contextualizada, por meio da qual se produzem sentidos e se constroem versões da realidade”. (p. 186).

As entrevistas foram abertas semi-dirigidas, utilizando-se um roteiro estruturado (Apêndice A) que contém 19 tópicos divididos em cinco temas principais: Trabalho, Horizonte, Território Quilombola, Vida Pessoal e “Alinhavando Sonhos / Construindo Realidades”. Respeitando a abordagem selecionada, essas perguntas funcionaram como um guia, de forma que nem todas as questões foram utilizadas em todas as entrevistas.

As interrogações foram realizadas em três momentos distintos, dois deles com a participação de duas mulheres e o terceiro com três, sendo todos gravados e transcritos. Optou-se por uma abordagem coletiva das mulheres com o intuito de proporcionar uma interação entre elas e enriquecer o diálogo.

Em uma ocasião estavam presentes os familiares de uma das entrevistadas, que inclusive opinaram sobre os assuntos conversados. Visando proporcionar mais personalidade à história de vida das mulheres, foram nomes femininos comuns para cada identificação fictícia, e a transcrição das falas não passou por correção gramatical nem semântica. O mesmo ocorreu com os nomes atribuídos às fábricas mencionadas.

A seleção de seis dentre as vinte e cinco mulheres participantes do projeto se deu por conveniência, pela facilidade de acesso a elas e pela sua disponibilidade em participar da pesquisa. Completando o grupo pesquisado, foi entrevistada ainda a assistente técnica do núcleo Horizonte, dado o seu comprometimento com o projeto, o fato de ter nascido na comunidade e a participação, sempre que possível, nas atividades também como aluna e não somente como organizadora. Todas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice B).

O quadro da página seguinte apresenta características básicas do grupo de mulheres entrevistadas:

QUADRO 1 - Caracterização das mulheres entrevistadas. N om e F ic ci o Id ad e E st ad o C iv il E sc ol ar id ad e F ilh os M or ad ia e m H or iz on te (a no s) C as a Si tu ão L ab or al A tu al Si tu ão L ab or al A nt er io r Q ui lo m bo la 1 Crisália 33 Casada 3ª

série 3 8 Própria Dona-de-casa, trabalhos avulsos (lavagem de roupas, unhas)

Quatro anos em grande empresa seis anos atrás Não 2 Virgínia 33 Separada 8ª

série

2 13 Própria Dona-de-casa, trabalhos avulsos (lavagem de roupas, vendas de salgados), recebe pensão

Três anos em grande empresa 10 anos atrás

Não

3 Lucimar 32 Casada 6ª série

3 09 Própria Zeladora em empresa de tecidos

Artesã de tapetes de fiapos nove anos atrás

Não 4 Rosalba 35 Casada 7ª

série

4 09 Própria Dona-de-casa, vendedora autônoma

Três anos em grande empresa cinco anos atrás

Não 5 Mirtes 19 Casada 3ª série 2 19 Própria Funcionária da Pré- fabricação da Sapatos Sim 6 Valquíria 24 Casada 6ª série

1 24 Própria Dona-de-casa, artesã Dois meses em grande empresa dois anos atrás

Sim 7 Letícia 26 Casada Ensino

Médio

0 26 Própria Dona-de-casa, artesã Sete anos em grande empresa seis anos atrás

Importante salientar que, de acordo com Rey (2002), o conhecimento científico, a partir do ponto de vista qualitativo, não se legitima pela quantidade de sujeitos a serem estudados, mas pela qualidade de sua expressão.

As informações obtidas em toda a investigação foram submetidas a dois procedimentos intimamente relacionados: análise e interpretação. Segundo Gil (1999), o primeiro tem como objetivo “organizar e sumariar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto na investigação” (p. 168), ao passo que a interpretação objetiva a “procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos”. (p. 168).

Para a efetivação desses processos, os elementos foram agrupados nas seguintes categorias: Experiências de Emprego nas Fábricas; Questões de Gênero e de Raça relacionadas ao Trabalho; Vivência do projeto “Alinhavando Sonhos / Construindo Realidades”: aprendizagem para além da costura; e Significados Atribuídos ao Trabalho. O estabelecimento dessas categorias emergiu a partir das entrevistas e teve a pretensão única de organizar as informações de modo a facilitar a leitura, jamais de engessar o seu conteúdo em grupos estabelecidos. Sendo assim, elas estão intimamente relacionadas umas às outras.

Silva (2004) considera que é possível contar uma história de muitas formas; naquela escolhida, o historiador revela-se pelos elementos que delimitam e confortam o que será contado, definindo os recortes que realçam alguns fatos.

5 PROJETO “ALINHAVANDO SONHOS / CONSTRUINDO

REALIDADES”

É uma coisa bem positiva pra mim, porque ele é um curso, não só um curso, aliás, foi um projeto, um curso que veio a me estimular a trabalhar minha auto-estima, eu não tinha sonhos, não sabia sonhar, aprendi a sonhar, aprendi uma coisa que eu sempre quis que era costurar, eu não tinha noção de costura, eu queria fazer esse curso mas eu não tinha condições de fazer, e o projeto veio e foi uma coisa gratificante, e vai chegar o dia que vai acabar e vai deixar muita tristeza pra mim. Tá certo que a gente tá dando continuidade, eu tenho certeza que não só eu, mas as meninas aprenderam um pouco de cada coisa que ensinaram. (Valquíria).

Antes de descrever o percurso realizado pelo projeto “Alinhavando Sonhos / Construindo Realidades”, é necessário contextualizar o panorama nacional que fundamentou a sua elaboração.

De acordo com Moraes (2005), a reemergência dos movimentos sociais no Brasil e no mundo, a partir de fins da década de 1970, produz e projeta no país uma outra concepção de cidadania, baseada no trabalho, na qualidade de vida e na luta social. Uma cidadania que busca enfrentar os problemas cotidianos da coletividade, em especial da exploração, da miséria e da desigualdade social, sempre presentes na formação social brasileira.

Respondendo às reivindicações históricas dos movimentos de mulheres e de negros de formulação de uma política sustentável de promoção de igualdade, o governo do presidente Luís Inácio Lula da SIlva criou, em 2003, importantes secretarias para viabilizar a implementação e concretização das novas políticas de governo, como a Secretaria de Promoção da Mulher e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Nos últimos anos, a qualificação profissional ganhou novos significados e importância. Isso se deve, por um lado, à introdução de novas tecnologias e novas técnicas gerenciais, inerentes aos processos de reestruturação produtiva, e, por outro, ao crescimento do desemprego e da heterogeneização das formas de trabalho, temas discutidos anteriormente.

O Plano Nacional de Qualificação (PNQ), lançado em 2003 e coordenado pelo Departamento de Qualificação da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do MTE teve como desafio principal a possibilidade de implementar uma política pública fundamentada na formulação de uma inclusão social pela via do trabalho e da educação.

As bases dessa nova política pública estão em consonância com as

Benzer Belgeler