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A CDC contou com 11 audiências públicas totalizando 62 convidados, entre eles 39 representantes dos empresários (63%). Os dados mostram que em todas as audiências da CDC em que estavam os empresários, foram debatidos projetos de lei de iniciativa da Câmara dos Deputados, ou seja, nenhuma proposta iniciada no Senado ou no Executivo.

Outros dados relevantes estão nas situações atuais das propostas: participação de 14 empresários nas audiências que tiveram projetos transformados em leis; 14 empresários nas audiências que têm projeto em tramitação; sete

empresários que estiveram debatendo proposta arquivada, e quatro empresários em proposta totalmente vetada pelo Executivo.

Diante do objeto de estudo desta pesquisa, esses dados mostram que as audiências que aconteceram na CDC são nítidos canais permeáveis de atuação para os empresários, não só por apresentarem alto índice da presença desses atores – 63% dos convidados –, mas por estarem diretamente relacionadas a iniciativas da Câmara dos Deputados. Além disso, nota-se que o número alto de empresários em audiências que tiveram propostas em andamento ou transformadas em lei sustenta a participação em audiência como uma possibilidade de efetivação dos interesses.

Tabela 22: Número de Empresários por discussão de propostas e suas atuais situações

Executivo Câmara dos Deputados Senado Federal

Arquivada - 7 -

Transformada em lei - 14 -

Tramitando - 14 -

Vetada totalmente pelo Executivo - 4 -

Total de empresários - -

Fonte: Elaborado pela autora.

Dos 39 empresários presentes, 25 representaram associações, sete confederações e federações, e sete empresas privadas. As confederações com maior frequência de participação foram a FECOMERCIO e a FENASEG, mas também estiveram presentes a CNI, a CNF e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. Enquanto as associações mais participativas foram a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e a Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro (ACRJ).

Além de 15 outras associações setoriais, como a Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (ABRAFIX) e de outros estados, como a Associação de Lojistas de Shopping de PE (ALOSHOP) e a Associação Comercial dos Lojistas da Bahia (ACLBahia). Os números mostram uma concentração maior de representantes tanto das associações quanto das confederações e federações que ocupam cargos de presidente e vice-presidente. Contabiliza-se também nessa amostra a presença de sete empresas privadas – Grupo Bandeirantes, Brascan, Globosat, Abril, NET Brasil, Grupo Rede Energia e

Indústria de Biscoitos Zadimel – que estiveram representadas por gerentes, diretores, membros de representação e apenas dois vice-presidentes.

Tabela 23: Disposição dos empresários convidados conforme entidades e cargos

Entidades Confederações/ Federações Associações Outras Cargos C N F F E C O M É R C I O F E N A S E G C N I C D L A C E L A B R A F I X A B R A D E A B T A A B R A S C E A B I T R I G O M P A A B I P A B A M A C L B A H I A A L O S H O P A L O S E R J A C R J N E O T V A B P I C B C A B E R T A B R A T E L A B F 7 Presidentes 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 Vice- presidentes 1 1 1 1 1 Grupo Bandeira ntes/Bras can/ Diretores 1 1 1 Globosat/ Abril/ NET Conselheiros 2 1

Representantes 1 1 1 1 Energia Rede

Advogados 1 Gerentes 1 1 Zadimel Assessores 1 Total de frequência em plenário 1 2 2 1 1 1 1 1 3 4 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 Total por entidades 7 25 7 Total 39

Fonte: Elaborado pela autora.

A primeira audiência foi uma iniciativa da Câmara, e foi arquivada. Ela aconteceu no dia 18/10/2001 e tratou “da veiculação de programas estrangeiros nos canais de televisão por assinatura com congênere no exterior”. Entre os três convidados, dois eram empresários. Nas funções de requerente e relator estava o deputado e empresário sr. Milton Barbosa (PFL/BA). Para a função de presidente, o deputado e jornalista sr. Celso Russomano (PPB/SP).

A audiência foi requerida pelo deputado Milton Barbosa, propondo a presença de representantes dos empresários da Associação Brasileira de Propaganda (ABP), da Associação Brasileira de Emissoras e Radio e Televisão, da Motion Picture Association (MPA) e da Globosat. Entretanto, não estiveram em plenário os representantes da ABP e da ABERT e, somado ao representante da MPA, confirmou presença o representante das Organizações Globo. Após ampla discussão do relator do projeto com os representantes, o deputado Milton Barbosa (antes mesmo de confeccionar o relatório da comissão) abandonou o cargo de relatoria. No ano seguinte a audiência, a deputada Ana Catarina (PMDB/RN) foi designada para a posição, devolvendo o projeto sem manifestação de emendas, sendo consequentemente arquivado.

Todos os convidados para esse debate foram contrários à proposta, inclusive o representante da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Pode-se considerar que os dois empresários influenciaram a decisão, pois a proposta foi retirada de plenário logo após a audiência. O sr. José Francisco Lima discursou em defesa da sua empresa – Organizações Globo –, enfatizando o controle de alguns setores. Dessa forma, posicionou-se contrário ao projeto sobre regulamentação da TV por assinatura justificado pelo prejuízo ao setor. O empresário mencionou contatos anteriores, inclusive participação em audiência pública no Senado Federal. Nesse contexto, ele discursou a favor das audiências como espaço de diálogo para a confecção de leis sobre o setor de comunicação, em detrimento de iniciativas do Executivo, enfatizando que posições contrárias são levadas em consideração no espaço das audiências públicas.

No debate, o autor foi bastante interceptado e criticado no que se refere ao relacionamento com clientes devedores. Ele respondeu às acusações demonstrando proximidade aos parlamentares e em nome da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, a qual o sr. José Francisco também representava.

O vice-presidente de operações na América Latina da Motion Picture Association mostrou-se mais preparado para a audiência, iniciando sua fala com uma lista de projetos de lei em andamento no Congresso sobre o setor de TV por assinatura. Após isso, o representante apresentou críticas pontuais ao projeto em discussão, destacando o trabalho da MPA e o envolvimento dos setores de comunicação. Também apresentou críticas à sobreposição do Executivo, por meio

de medidas provisórias, em decisões sobre temáticas muitas vezes desenvolvidas sem entidades representativas terem acesso.

O sr. Steve Slot foi o responsável por levar ao debate a questão do mercado internacional televisivo que existe no Brasil.

Há uma intervenção direta do Governo nesse mercado, com a eliminação de focos de mercado. E também no mesmo erro do passado, os estrangeiros, o maior player, ou seja, quem paga as contas, não tiveram participação na elaboração desse documento, o que é lamentável porque, talvez pudéssemos ter oferecido informações sobre outros países, isto é, outras alternativas de arrecadação e estímulo ao cinema nacional – não foi o caso. Queremos, com a ajuda do Congresso Nacional, fazer emendas à essa medida provisória, oferecer mudanças para a sua regulamentação e também – por que não? – apresentar novo projeto de lei nesse sentido. Então, acredito que esta Casa poderia contribuir muito para abrir essa discussão, estudar emendas possíveis a essa medida provisória e deixar as entidades afetadas participarem dessa discussão. (Nota Taquigráfica, CDC, 18/10/2001).

De iniciativa da Câmara, a segunda audiência aconteceu no dia 19/06/2002 e teve a proposta vetada totalmente pelo Executivo. A proposta em debate tratava da “obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca refinada, de raspa de mandioca ou fécula de mandioca à farinha de trigo”. A audiência pública que visava discutir o Projeto de Lei n. 4.679, de 2001, contou com três empresários e o sr. Edson, da Indústria Zadimel, que não estava na lista de convidados, mas ganhou espaço para discursar em plenário.

Também considera-se que houve uma nítida centralização dos cargos de relator, presidente da audiência e requerente pelo deputado Inácio Arruda (servidor/ PCdoB/CE). Após a audiência que foi dividida entre as distintas opiniões dos empresários sobre o projeto, houve a abertura de prazo de emendas, sendo nenhuma apresentada. Houve a devolução da matéria devido à saída do relator da comissão. O projeto retomou tramitação via CAPADR com requerimento de audiência solicitando novamente a presença do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM). Também nessa fase foi esgotado o tempo regimental sem emendas apresentadas. Após oito anos de tramitação, o

Executivo, por meio de Mensagem, vetou totalmente a proposta sustentado pelas dificuldades da aplicabilidade da lei78.

O vice-presidente, sr. Reino Rae, se apresentou em nome da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (ABITRIGO) e mencionou participações anteriores em plenário para a discussão de produtos da mandioca. Além disso, o empresário citou a elaboração das mais de três dezenas de projetos de lei de interesse de diversas indústrias visando à adição de outros produtos ao trigo, sendo nenhum deles aceitos. O seu argumento sustenta-se na inconstitucionalidade do projeto de lei, inviabilizando sua aprovação na Comissão de Constituição e Justiça. Embora o sr. Reino tivesse falado em nome da Associação, ele apresentou trechos em que ressaltou os interesses do setor da triticultura. Para ele, o projeto visava justamente reduzir a proteína do segmento da sociedade mais carente, já que o amido de mandioca não contém proteína, ou seja, do ponto de vista da CDC, bastava-se pensar na relação entre meio ambiente e minorias para que o parecer fosse contrário ao projeto. Por fim, o empresário foi enfático no pedido de arquivamento do projeto.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), sr. Marcos Salomão, representando sua entidade se posicionou contra a obrigatoriedade da matéria. Para ele, a proposta desencadearia prejuízos da cadeia produtiva, principalmente, aos pequenos e médios empresários, bem como seria inconstitucional. O representante mencionou contatos com os Ministérios da Saúde e da Educação para inserção do pão na merenda escolar.

O presidente da ABAM, sr. Maurício Yamakawa, discursou em nome do deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP) e a favor da matéria. Também negou a inconstitucionalidade da lei e a necessidade da sua aprovação imediata.

Sr. Maurício Yamakawa: Isso, o setor da mandioca, a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca, vem apresentar aqui hoje a posição totalmente favorável à lei. Esperamos que esse relatório possa promover as mudanças necessárias, como, por exemplo, não exigir que somente 10% da farinha possa ser pura. Deve haver flexibilização. Temos que oferecer oportunidade ao consumidor de ter uma farinha com 10%, 20%, 30%, 40%, porque temos exemplos – e vamos ouvir aqui o relato de um fabricante de biscoito que usa de 8% até 40%. É possível, é viável; precisamos apenas ter vontade. Devemos

78 A mensagem de veto total do Executivo está disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Msg/VET/VET-760-08.htm>. Acesso em: 25 set. 2016.

parar com a conversa do surdo que não é mudo. Vamos conversar e fazer com que o Brasil possa ser beneficiado, sem demagogia, mas com vontade realmente de favorecer a agricultura brasileira e dar direito de escolha ao consumidor (Nota Taquigráfica, CDC, 19/06/2002) .

A proposta do empresário estava expressa de forma bastante similar no relatório final da Comissão em análise, tal como:

Na busca de alcançar um consenso, foi sugerido que o percentual de comercialização de farinha de trigo pura, que, nas proposições em exame, era estabelecido em dez por cento do total de farinha comercializado por cada estabelecimento, fosse aumentado para cinquuenta por cento79.

O gerente, sr. Edson Batista, da empresa Zadimel não estava entre os convidados, mas ganhou espaço para discursar em plenário. Embora tenha veemente defendido o projeto de lei justificado pela necessidade de promover a agricultura e a agroindústria brasileiras, criando alternativas de cultivo ao pequeno produtor e gerando mais empregos no campo, o representante também apresentou sua empresa produtora de biscoitos de fécula de mandioca. Pode ser interpretado como um respaldo à decisão dos deputados que, a posteriori, desencadeou a manutenção da matéria.

A terceira audiência ocorreu no dia 23/10/2003 e foi sobre a “locação de imóveis urbanos, especificamente shopping centers”. O debate da proposta de iniciativa da Câmara e em tramitação contou com 10 convidados, sendo oito empresários (dentre os seis convidados, dois foram inseridos pelo deputado Júlio Lopes (PPB/RJ) durante o debate).

Bastante influente ao debate foi o parlamentar e empresário que ocupou os cargos de relator e requerente, Ricardo Izar (PTB/SP), enquanto a função de presidente ficou para o deputado e comerciante Givaldo Carimbão (PSB/AL). Além desses, foi anunciada a presença de vários representantes de sindicatos e houve manifestações durante os discursos. Destaca-se uma divisão de interesses entre empreendedores de shoppings centers e lojistas, bem como uma subdivisão entre

79 BRASIL. Projeto de Lei n. 4.679, de 2001. Dispõe sobre a obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca refinada, de farinha de raspa de mandioca ou de fécula de mandioca à farinha de trigo.

Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. Brasília, 2002. Disponível em:

<http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=108930&filename=Tra mitacao-PL+4679/2001>. Acesso em: 25 set. 2016.

pequenos, médios e grandes comerciários. Não houve apresentação de relatório na comissão, mas entende-se que o resultado refletiu o embate do plenário e, principalmente, a influência dos interlocutores dos empresários administradores das redes de shoppings. Foi lembrada a ausência do empresário da Associação de Lojistas de Shopping Center, Nabil Sahyoun, por motivo de viagem.

O primeiro a falar foi o sr. Mário Cerveira Filho representando a Associação Brasileira de Arbitragem (ABAR). Ele relatou que no Brasil há uma luta desigual entre empreendedores e lojistas, em que o empreendedor, a parte economicamente mais forte, estaria prejudicando o lojista. O sr. Mário foi questionado pela deputada Ann Pontes (PMDB/PA) e a resposta foi pautada na extinção do art. 54 da Lei do Inquilinato:

O empreendedor não poderá cobrar do locatário em shopping center: a) as despesas referidas nas alíneas “a”, “b” e “d” do parágrafo único do art. 22, que são: a) obras de reformas ou acréscimos que interessem a estrutura integral do imóvel; b) pintura das faixadas, poços de aeração e iluminação, bem como as esquadrias externas; e d) indenizações trabalhistas e previdenciárias pela dispensa de empregados, ocorridas em datas anteriores ao início da locação. (Nota Taquigráfica, CDC, 23/10/2003).

O segundo empresário, sr. José Lira, foi influente ao representar a ABRASCE. Enquanto o empresário que o antecedeu foi contra a aprovação do projeto, o representante dos administradores de shoppings se posicionou a favor. Para ele, essa posição se justificaria pelo fato de que a legislação em vigor não estaria ultrapassada em razão da estabilização econômica brasileira. Durante a fala do empresário, houve reação contrária em plenário, prejudicando a transcrição com trechos inaudíveis.

O terceiro representante, sr. Oswaldo Ignácio Amador, da ACLBahia, foi a favor da proposta e não influente ao debate. O empresário entregou aos deputados um relatório em nome da Associação que representava contendo o exposto e a repercussão que a proposta teria aos empresários, em especial, aos abrigados nos 579 shoppings instalados e em funcionamento no Brasil.

O quarto empresário, o sr. Arthur Motta Parkinson, embora tenha se apresentado como vice-presidente da empresa privada Brascan Imobiliária e Incorporações, falou em nome dos 253 shoppings afiliados à ABRASCE. Durante

seu discurso, também afirmou ser sócio de uma rede de shoppings de Higienópolis, na cidade de São Paulo. Durante o debate foi interpelado pela deputada Zulaiê Cobra (PSDB/SP), mas sem enfrentamentos e discordâncias.

O presidente da ALOSHOP, sr. José Figueira, foi o quinto empresário a se pronunciar. Ele enfatizou a importância do espaço aberto para o diálogo com os lojistas na tríade completada por empreendedores e administradores. O empresário sugeriu para a diminuição dos custos de condomínio, uma contribuição da receita proveniente dos estacionamentos. Fato esse que foi criticado posteriormente pelos colegas lojistas e introduzido na questão da segurança dos shopping centers.

O sexto a falar foi o sr. Carlos Jereissat Filho como presidente da ABRASCE. O empresário teve um tempo maior de interlocução e de debate quando comparado aos outros apresentadores. Ele se posicionou como voz uníssona dos empreendedores de shoppings centers. Também falou sobre os chamados 14º e 15º salários envolvendo tipos de contratos entre empreendedores e lojistas, justificando que esse não seria um padrão utilizado por todas as redes – e usando sua empresa como exemplo no setor. O empresário concordou com o deputado Antônio Cambraia (PSDB/CE), embora esse não tivesse proferido nenhum argumento importante na audiência, mostrando uma possível articulação anterior entre eles.

O SR. DEPUTADO ANTONIO CAMBRAIA: Quero apenas dar a opinião de um observador. Pelo o que ouvi aqui, minha conclusão é a de que essa lei não resolverá essa questão. Só uma lei pode resolver: a lei da oferta e da procura. (Nota Taquigráfica, CDC, 23/10/2003).

O SR. CARLOS JEREISSATI FILHO: [...] Acho que o Deputado Cambraia, assim como outros, tocaram em questões fundamentais, ou seja, renda, oferta e procura etc. Isso, sim, rege o mercado e define se vamos funcionar ou não. (Nota Taquigráfica, CDC, 23/10/2003).

Ainda que não estivessem entre os empresários convidados, falaram os srs. Gilberto Catran, da Associação de Lojistas de Shoppings Centers do Rio de Janeiro (ALOSERJ), e Daniel Piá, da Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro, introduzidos pelo deputado Júlio Lopes (PPB/RJ) para reforçarem as posições dos lojistas a favor da aprovação da proposta.

O SR. DEPUTADO JÚLIO LOPES: Sr. Presidente, pela ordem. Eu gostaria que fosse garantida a palavra a um companheiro da Associação

Comercial do Rio de Janeiro, que falará rapidamente sobre coeficiente de divisão de quotas condominiais.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Givaldo Carimbão): Pois não. Às suas ordens. (Nota Taquigráfica, CDC, 23/10/2003).

A quarta audiência pública da CDC também analisada foi sobre a “locação de imóveis urbanos, especificamente shopping centers” e aconteceu no dia 12/08/2009. Entre oito convidados, seis eram empresários. O relator foi o deputado José Carlos Araújo (administrador/PL/BA), a presidenta, a deputada Ana Arraes (advogada/PSB/PE) e como requerentes, os deputados Walter Ihoshi (administrador/PFL/SP); Celso Russomanno (jornalista/PP/SP); Dimas Ramalho (procurador/PPS/SP); Vital do Rêgo Filho (médico/PMDB/PB).

A pressão e o embate entre os lojistas e administradores de shopping centers estavam evidentes nos relatórios, e os atores buscavam conciliações entre os interesses envolvidos.

A primeira reunião ocorreu no dia 10 de novembro de 2009, sob a presidência da Deputada Ana Arraes. Este encontro serviu para abrir um diálogo mais objetivo entre os representantes dos lojistas e dos shoppings centers, os quais externaram seus posicionamentos. Em síntese, os lojistas se posicionaram contra o substitutivo e a favor do projeto original. Os representantes dos shoppings centers defenderam a aprovação do Substitutivo e discordaram do conteúdo do projeto original e dos apensados. [...] Assim, foi realizada, em 5 de maio de 2010, sob a Presidência do Deputado Claudio Cajado, com a participação deste Relator e de outros quatorze parlamentares, um novo encontro com representantes das áreas de shopping e lojistas (Abrasce e Conecs). Naquela ocasião foram retomadas as discussões sobre pontos específicos da aludida proposição. Daquele encontro ficou acertado que a entidade representativa dos lojistas deveria encaminhar, por escrito, à Comissão sua proposta contemplando os pontos específicos de seu interesse, para que a Presidência da Comissão a submetesse à apreciação da Abrasce e dos membros do Grupo de Trabalho. (Nota Taquigráfica, CDC, 08/12/201080).

A audiência foi diferente de outras que envolveram a mesma temática. Primeiro, porque ocorreu uma conclusão conjunta dos parlamentares: o debate foi estruturado como se houvesse um desequilíbrio entre os empreendedores e os lojistas dos shoppings centers, e também como se prevalecessem os representantes

80 BRASIL. Projeto de Lei n. 7.137, de 2002. Altera a Lei n. 8.245, de 18 de outubro de 1991, que dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a ela pertinentes. Comissão de

Defesa do Consumidor. Brasília, 2010. Disponível em:

<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=827714&filename=Tra mitacao-PL+7137/2002>. Acesso em: 25 set. 2016.

dos lojistas. Nesse quesito, também foram feitas indagações por parte do deputado José Carlos Araújo de que foram convidados representantes do mesmo setor, afirmação consequentemente respondida pelo presidente da audiência pública sobre como se deu a lista de convidados. Entretanto, com a análise de discurso foi possível perceber que nem todos proferiram em nome dos lojistas e que havia, na verdade, uma sobrerrepresentação da Associação Brasileira de Shopping Centers.

Segundo, porque o deputado Marcelo Itagiba (PMDB/RJ) solicitou a participação do representante da Associação Comercial do Rio de Janeiro, causando discussões por parte do empresariado que se considerou sub-representado. Pela análise do discurso, é possível perceber uma posição de defesa dos empresários dos

shoppings centers comandada pelo deputado Dimas Ramalho que respondeu às

ofensivas.

O terceiro destaque é o relato do deputado Vinícius Carvalho (PTdoB/RJ), de que no dia anterior à audiência, ele recebeu uma comissão dos representantes dos estabelecimentos comerciais em shoppings centers alertando-o de que havia um tratamento dispensado aos lojistas no projeto de lei. Nota-se um favorecimento, pelo menos por parte do relator, aos empreendedores dos shoppings centers.

Benzer Belgeler