1.4. HOMER İLE SİSTEM TASARIMI
1.4.1. Simülasyon
Na Espanha o documento de autodeterminação recebeu o nome de instrucciones previas. O interesse por regulamentar o instituto surgiu por iniciativa da Associación Pro Derecho a Morir Dignamente que, em 1986, elaborou um modelo do documento, que anos depois, após intensa discussão, foi incluída no ordenamento jurídico espanhol.19
O Código de Ética Médica espanhol, cuja lei vigora desde 1999, já demonstrou indícios de regulamentação das instrucciones previas, vez que seu art. 27 estabelece que quando o estado do paciente não lhe permitir tomar decisões quanto aos procedimentos médicos, a equipe médica deverá respeitar e valorar os desejos manifestados anteriormente pelo paciente, assim como seus representantes e responsáveis legais.20
Todavia, o marco inicial legislativo foi decretado apenas uma década e meia mais tarde, no ano 2000, com o advento da Convenção sobre os Direitos do Homem e a Biomedicina na Espanha, ou Convênio de Oviedo, como é mais conhecida a convenção.
O Convênio de Oviedo, em seu art. 9.º estabeleceu que deverá ser considerada a vontade do paciente, que tenha se manifestado anteriormente sobre uma intervenção médica, caso no momento da intervenção esteja incapacitado de expressar o seu desejo.
O Convênio ganhou grande importância por reconhecer o direito do paciente à autodeterminação, considerando que em razão da constante evolução do conhecimento e da tecnologia biomédica novos procedimentos possam ser desenvolvidos, fazendo com que as determinações constantes na manifestação de vontade percam validade. Outro ponto que merece destaque é o fato de ter sido o primeiro documento legislativo internacional que vinculou juridicamente os países que o subscreveram, ainda que seja necessária a edição de normas específicas para cada país.
Contudo, mesmo com a previsão das instrucciones previas no ordenamento jurídico espanhol, as diretivas precisaram ser normatizadas, por meio de leis locais com vigência e competência relacionada a cada uma das comunidades autônomas espanholas. Andaluzia, Aragón, Catambria Extremadura, Galícia, La Rioja, Madrid, Navarra e Valencia, são algumas
19 CANTERO MARTÍNEZ, Josefa. La autonomia del paciente: del consentimiento informado al testamento vital. Albacete: Bomarzo, 2005.
20 ESPAÑA. Organización Médica Colegial. Código de Etica y Deontología Médica. Madrid, 10 set. 1999. Disponível em: < http://www.unav.es/cdb/ccdomccedm1999.html>. Acesso em: 2 jun. 2014 - Art. 27: “[…] y cuando su estado no le permita tomar decisiones, el médico tendrá en consideración y valorará las indicaciones anteriores hechas por el paciente y la opinión de las personas vinculadas responsables.”
comunidades autônomas que regularam o instituto, cujas disposições legais guardaram as linhas mestras, mas também apresentam grandes distinções21, as quais são destacadas:
a) existe um total de 16 (dezesseis) comunidades autônomas que regulamentaram o tema, sendo que 11 (onze) comunidades utilizam a nomenclatura voluntades antecipadas e somente 5 (cinco) fazem uso do termo instrucciones previas;
b) a Andaluzia, Navarra e Valencia estabelecem que a legitimidade para elaboração do documento está restrita ao discernimento, permitindo sua elaboração por pacientes menores de idade;
c) a norma editada em Madrid faz distinção entre instrucciones previas e mandato duradouro, enquanto que a legislação de Navarra diferencia entre as declarações prévias para o fim da vida e as Diretivas Antecipadas de Vontade;
d) todas as comunidades exigem a forma escrita e anexadas ao prontuário do paciente, bem como a existência de procurador ou representante;
e) um percentual considerável das comunidades permitem ao outorgante dispor sobre temas como doação de órgãos e destino do cadáver.22
Sobre este assunto, grande parte da doutrina brasileira considera que disposições sobre doação de órgãos e destino do corpo, após o falecimento, são temas estranhos às Diretivas Antecipadas de Vontade, devendo ser dispostos em documento próprio.
Apenas dois anos depois, no final de ano de 2002, foi editada a ley 41/200223, que dedicou seu art. 11, dotado de cinco itens, às instrucciones previas. A norma se preocupou em estabelecer as linhas gerais do instituto, consignando que as instrucciones previas são destinadas à equipe médica, manifestando a vontade do subscritor a não ser submetido a tratamentos fúteis que busquem prolongar sua vida de modo artificial. Essa lei reafirmou a possibilidade do outorgante dispor sobre doação de órgãos e sobre o destino de seu corpo, após seu falecimento. A lei ainda permite ao declarante nomear um representante, um procurador para saúde, por meio de um mandato duradouro, bem como a revogação do documento a qualquer tempo.
21 LEÃO, Thales Prestrêlo Valadares. Da (im)possibilidade do testamento vital no ordenamento jurídico brasileiro. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3626, 5 jun. 2013. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/24638>. Acesso em: 23 jun. 2014.
22 PENALVA, Luciana Dadalto. As contribuições da experiência estrangeira para o debate acerca da legitimidade do testamento vital no ordenamento jurídico brasileiro. In: CONGRESSO NACIONAL DO CONPEDI, 17, 2008, Brasília. Anais .... Brasília, DF: CONPEDI, 2008. p. 516-538.
23 ESPAÑA. Ley n. 41, de 14 de noviembre de 2002. Boletín Oficial del Estado, Madrid, 14 nov. 2002, n. 274, p. 40126-10132. Disponível em: <http://civil.udg.es/normacivil/estatal/persona/pf/L41-02.htm#C4>. Acesso em: 23 jun. 2014.
A forma escrita é obrigatória na constituição das instrucciones previas, porém poderá ser utilizado instrumento público ou privado, caso seja feita a opção por instrumento público será facultada a escolha de elaboração perante notário, em Cartório; ou por meio do Registro Nacional ou da Administração Pública, na eventualidade de se escolher a confecção por instrumento privado será obrigatória a participação de 3 (três) testemunhas.24
A lei é expressa ao estabelecer que não são admitidas disposições que contrariem o ordenamento jurídico, assim como as práticas contrárias à vontade do outorgante.
A Ley n. 41/2002 dispõe sobre a conjunção do critério etário ao discernimento para atribuir legitimidade ao autor das instrucciones previas, sendo assim menores de idade não podem elaborar o mencionado documento, opostamente ao que algumas comunidades autônomas estabelecem em suas legislações. Contudo a lei reitera a obrigatoriedade do documento ser anexado ao prontuário do paciente.25
Passados alguns anos, viu-se a necessidade de regulamentar o item 526, do art. 11 da Ley 41/2002, foi então editado o Decreto 124/200727, que estabeleceu a criação do Registro Nacional de Instrucciones Previas e do arquivo de dados de caráter pessoal.28
O Decreto estabeleceu que o acesso ao Registro Nacional de Instrucciones Previas será restrito ao subscritor das instrucciones previas, seu representante legal, ou terceiro designado pelo outorgante para este fim; aos responsáveis pelos registros autônomos; e às pessoas que a autoridade sanitária da comunidade autônoma correspondente ou o Ministerio de Sanidad y Consumo designar.29
O paciente, em comunidades autônomas em que não houve regulamentação do instituto, deverá recorrer à autoridade de sua comunidade, requerendo que seu documento de instrucciones previas seja remetido ao Registro Nacional, onde será feito uma inscrição provisória e, posteriormente, a devida notificação de tal inscrição à comunidade autônoma
24 DADALTO, Luciana. Testamento vital. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2013.
25 LEÃO, Thales Prestrêlo Valadares. Da (im)possibilidade do testamento vital no ordenamento jurídico brasileiro. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3626, 5 jun. 2013. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/24638>. Acesso em: 23 jun. 2014.
26 ESPAÑA. Ley n.º 41, de 14 de noviembre de 2002. Boletín Oficial del Estado, Madrid, 14 nov. 2002, n. 274, p. 40126-10132. Disponível em: <http://civil.udg.es/normacivil/estatal/persona/pf/L41-02.htm#C4>. Acesso em: 23 jun. 2014 - ”5. Con el fin de asegurar la eficacia en todo el territorio nacional de las instrucciones previas manifestadas por los pacientes y formalizadas de acuerdo con lo dispuesto en la legislación de las respectivas Comunidades Autónomas, se creará en el Ministerio de Sanidad y Consumo el Registro nacional de instrucciones previas que se regirá por las normas que reglamentariamente se determinen, previo acuerdo del Consejo Interterritorial del Sistema Nacional de Salud.”
27 Id. Real Decreto n.º 124/2007, de 02 de febrero de 2007. Boletín Oficial del Estado, Madrid, 15 fev. 2007, n. 40, p. 6591-6593. Disponível em: <http://www.boe.es/boe/dias/2007/02/15/pdfs/A06591-06593.pdf>. Acesso em: 24 jun. 2014.
28 DADALTO, op. cit. 29 LEÃO, op. cit.
correspondente. A execução do documento é obrigatória, a atuação da equipe médica é vinculada ao conteúdo do documento, independentemente da comunidade autônoma a que o paciente pertencer.30