2. MEKANİK ÇORAP ÖRME MAKİNALARININ FİZİKSEL YAPISI
2.9. Çift Silindirli Mekanik Çorap Örme Makinelerinın Parçaları
2.9.3. Silindire Bağlı Olmayan Parçalar
Tratando do tema, Joseph Stiglitz (2003, p. 9) contextualiza a globalização como sendo, fundamentalmente, a integração entre países e pessoas ocasionada pela redução de barreiras materiais (transporte e comunicação) e artificiais (obstáculos, por exemplo, à circulação de mercadorias, serviços, capitais, conhecimento e pessoas). Enfatizando a dimensão técnico-informacional do fenômeno, caracteriza René Armand Dreifuss (2004, p. 261), de modo bastante peculiar:
A globalização por entrecruzamentos transnacionais marca a ascendência dos capacitadores de conteúdo tele-info-nano-bio-computrônico-satelitais, dos tecnobergs e dos sistemas digitais sobre o mundo industrial e mecânico (de horizonte nacional e de relacionamento internacional). Capacitadores de conteúdo que se traduzem em constantes inovações tecnológicas, que contribuem para viabilizar redes globais e transnacionais de intercâmbio de dados. [...] Neste sentido, a globalização é marcada por uma crescente diferenciação entre bens – produtos
comercializáveis – e trunfos – facilidades intangíveis de produção que permitem a
geração de riqueza material.
Em uma perspectiva mais acercada da análise econômica, a globalização deveria importar em uma alavancagem geral do padrão de vida em países mais pobres, com a garantia de acesso aos mercados internacionais para propiciar, a princípio, a entrada de bens e serviços, seguida de um fluxo desimpedido de investimentos internacionais para a produção de produtos novos e mais baratos. Por fim, o processo culminaria no relaxamento das fronteiras para facilitar a circulação de pessoas. Assim, aqueles naturais desses países poderiam se qualificar em Estados desenvolvidos, de modo que pudessem retornar a seus países natais, sustentar suas famílias e financiar novos negócios, gerando estabilidade social e riqueza econômica (STIGLITZ, 2006).
À revelia dessa concepção ideal e programática da globalização, a evidência das últimas décadas inspira uma perspectiva pessimista. Na última década do século XX, “apesar
31 Cf. em Milton Santos (2001).
32 No presente trabalho, tratam-se o fenômeno da expansão das fronteiras de interação humana (junto à consequente problemática da interferência de agentes transnacionais na soberania e identidade dos Estados nacionais) e o fenômeno da hegemonização da ideologia de mercado em face da ação política sob o bojo do termo “globalização”. Contudo, contudo, como adverte Ricardo Marcondes Martins (2011, p. 160), há quem diferencie entre os fenômenos citados, como o faz Ulrich Beck. Para o pensador, o primeiro é denominado
das repetidas promessas de redução da pobreza […], o número real de pessoas vivendo na pobreza aumentou em quase 100 milhões. Isso ocorre ao mesmo tempo em que a renda per capita mundial cresceu em uma média de 2,5 por cento anualmente” (STIGLITZ, 2003, p. 5)33. Na primeira década do novo milênio, persiste a observação do aumento das desigualdades socioeconômicas a nível global. A respeito das pesquisas empreendidas pela World Comission on the Social Dimension of Globalization, publicadas em relatório de 2004, destaca Stiglitz (2006) que 59% da população mundial se localiza em países nos quais se verificou aumento da desigualdade, em contraste com apenas 5% da mesma população que habita países com desigualdade decrescente. Aponta-se ainda que mesmo em nações desenvolvidas e industrializadas desponta crescente a distância entre ricos e pobres.
Uma década após a advertência de Stiglitz, pouca coisa se alterou no cenário mundial. Em conformidade com o último relatório anual da Oxfam International, ao longo dos últimos 25 anos, aqueles 1% localizados no topo ganharam mais que a metade de toda a população mundial34. Toda essa riqueza, em vez de se difundir para as camadas mais baixas da sociedade, tem sido reabsorvida já pelas parcelas mais ricas em um ritmo alarmante (HARDOON, 2017, p. 3)35. Não obstante, uma rápida consulta aos dados públicos do Banco Mundial revela que o PIB global tem apresentado índice variável de crescimento, entre 2% e 4%, desde o início do século XXI36. Em termos absolutos, o PIB mundial cresceu em torno de 48% de 2002 a 2016 (WORLD BANK, 2017).
Ilustrativamente, aponte-se o paradoxo da fome mundial. Jean Ziegler (2012) chamava atenção para o fato de que dezenas de milhões de pessoas morram, a cada ano, em decorrência da subnutrição. Estimava ainda que, a cada cinco segundos, no mundo, morra de fome uma criança com menos de dez anos de idade. Essa realidade não é de todo desconhecida pelos Estados e pela mídia de massa. O dado que frequentemente se omite na avaliação do problema global da subnutrição, e que é enfatizado pela obra de Ziegler, é o fato de que, consideradas as condições técnicas atuais da agricultura global, cerca de doze bilhões
33 Tradução Livre. No original: “Despite repeated promises of poverty reduction […], the actual number of people
living in poverty has actually increased by almost 100 million. This occurred at the same time that total world income increased by an average of 2.5 percent annually”.
34 Piketty (2014, p. 247) reflete a respeito da tendência atual de segmentação econômica da sociedade em “decis, percentis, décimos e centésimos”. Apesar de abstratas e “sem poesia”, ela permite “traçar a correspondência da desigualdade entre épocas que, do contrário, seriam impossíveis de comparar, além de fornecer uma linguagem comum, em princípio aceita por todos”.
35 No caso do Brasil, há diversos fatores particulares e estruturais que contribuem para acirrar esse fenômeno. Cf. nesse sentido Katia Maia (2017).
36 A única exceção foi o ano seguinte à crise do mercado financeiro de 2008, em que se observou queda do PIB mundial em 1,735%.
de pessoas – quase o dobro da população mundial atual - poderiam se alimentar de modo satisfatório.
Para além do âmbito “estritamente econômico” – relacionado à fuga de indústrias e à diminuição de postos de trabalho nas economias mais desenvolvidas –, os países mais ricos também sofrem, cultural e socialmente, as mazelas da globalização a partir da proliferação de movimentos “identitários”, expressões das fissuras sociais que se aprofundam com o fenômeno da desigualdade. Na visão de Alain Badiou (2016), esses movimentos encontram solo fértil na “classe média” (Mittelschicht) dessas sociedades mais ricas. É sobre essa classe média que repousa a “espada de Dâmocles da realidade capitalista”, que separa aqueles que pouco têm, daqueles que nada realmente possuem. É esse extrato social que se sentirá contemplado pelo discurso de “defesa aos valores”, que no fim redundam na defesa do modo de vida ocidental37.
Em conclusão, a percepção do crescimento relativamente constante da riqueza a nível global associado a um aumento desproporcional da desigualdade e da miséria, bem como o reconhecimento da dissolução dos vínculos que sustentam a tessitura social apontam para a possibilidade de se enxergar a globalização também como um processo de “mundialização” daqueles aspectos relacionados à já estudada configuração da questão social, antes analisada de modo restrito às realidades nacionais. Propõe-se, assim, que a distinção da análise da questão social neste paradigma será o fato de que, partindo-se da visão global do problema, propor-se-ão “soluções” – melhor dizendo, medidas mitigadoras - a nível igualmente global. Logo, o que se examina são antes “novas soluções a uma velha questão”, que atingiu proporções alarmantes, do que propriamente uma “nova questão social”.