3. SOSYAL GÜVENLİK REFOR- REFOR-MU SONRASI DÖNEMDE KENDİ
3.1.2. Sigortalıların Tamamına Yakını Prime Esas Kazanç
Trata-se do segundo caso clássico de autoria mediata. Inicialmente, calha destacar a principal diferença entre as hipóteses de autoria mediata por coação e por erro: enquanto naquela o sujeito de trás domina as decisões volitivas encampadas pelo autor direto, neste ocorre uma supradeterminação da situação pelo autor mediato em relação ao executor. Em outras palavras, o homem de trás se torna senhor do fato por saber alguma circunstância relevante para o acontecer típico, a qual o executor direto desconhecia.
Nesse diapasão, Roxin74 divide o domínio do fato em quatro graduações, que refletem o nível de consciência/ignorância que os agentes detém em relação ao delito analisado concretamente.
O primeiro grau se refere aos elementos do tipo: caso o erro do executor direto recaia sobre um desses elementos, exclui-se o dolo e, portanto, a autoria. Cite-se como exemplo o de um médico que, desejando a morte de um paciente internado no hospital em que trabalha, entrega à enfermeira seringa contendo solução letal para que lhe faça infusão na veia, mas afirma tratar-se de um simples antibiótico. Embora a conduta causadora do evento morte tenha sido levada a cabo pela enfermeira, ela o fez em razão do erro determinado pelo médico, o qual, de fato, queria o resultado e deve ser responsabilizado a título de autor mediato. Tendo agido isenta de dolo, a enfermeira não era senhora do fato de primeiro grau e, portanto, não era autora.
Na verdade, não há falar propriamente em “domínio da vontade” pelo homem de trás em relação ao executor direto, pois depende apenas do seu livre arbítrio desempenhar ou não a conduta desejada pelo autor mediato. Uma vez que sua compreensão da realidade é que se encontra eivada de vício, o agente imediato não age com uso da razão, qualidade especificamente humana, mas como mero fator causal-cego. Tal circunstância aproxima, de certa forma, a presente hipótese de domínio da vontade ao próprio domínio da ação.
No segundo grau, incluem-se as hipóteses daquele que toma parte em um acontecer típico no qual o agente direto atua sem conhecimento de sua antijuridicidade, ou seja, sob erro de proibição. Necessariamente, o homem de trás deve ter consciência da
ilicitude do fato, à qual se contrapõe a ignorância do executor: enquanto aquele é senhor do fato de segundo grau, este só o é em nível de primeiro grau. Para identificar a autoria nos referidos casos, impende distinguir se o erro alcança tão somente a antijuridicidade formal ou se açambarca também a antijuridicidade material.
Caso o autor direto conheça o caráter de reprovabilidade moral ou social da conduta praticada (antijuridicidade material), ignorando apenas a contrariedade da conduta em relação à lei positiva (antijuridicidade formal), aquele que lhe determinou o erro será mero partícipe, enquanto o próprio executor será autor imediato, cuja culpabilidade sofrerá mitigação. Entretanto, caso se opere total desconhecimento da ilicitude, inclusive no âmbito da antijuricidade material, o executor terá sua culpabilidade eliminada (será, logo, um autor exculpado), ao passo que o domínio do fato recairá sobre o autor mediato. Dessa forma, basta a consciência de praticar uma conduta moralmente reprovável para que seu executor seja reputado senhor do fato de segundo grau. A doutrina brasileira faz pouca ou nenhuma menção ao discrímen entre antijuridicidade formal e material, dada sua reduzida relevância: de fato, conforme aduz Bitencourt75, “com a evolução do estudo da culpabilidade, não se exige mais a consciência da ilicitude, mas sim a potencial consciência".
Em sequência, o terceiro grau de domínio do fato, acerca do qual o agente pode incorrer em erro, aborda as hipóteses de falsa crença de circunstância excludente de culpabilidade. Não são frequentes no direito brasileiro, bem como no direito alemão, do qual se pode tomar de empréstimo o exemplo do estado de necessidade exculpante. Imagine-se a hipótese de um naufrágio, na qual A, não obstante vislumbrar ao longe a chegada de um barco de resgate, faz que B acredite encontrar-se em estado de necessidade para que mate a C, com o fito de subtrair-lhe a tábua em que se apoiava. Embora B detecte a ocorrência das circunstâncias típicas (primeiro grau) e compreenda o desvalor jurídico de matar um inocente, ainda que para salvar-se (segundo grau), falta-lhe compreensão exata dos elementos de reprovabilidade jurídica do fato (terceiro grau), os quais são do conhecimento de A. Destarte, deve A ser responsabilizado na qualidade de autor mediato. Perceba-se que o tratamento dispensado aqui é idêntico ao das hipóteses de erro sobre a antijuridicidade (erro de proibição).
O erro de quarto grau desponta nos casos em que o agente atua típica, antijurídica e culpavelmente, com plena consciência acerca desses três requisitos, porém executa o delito de maneira diferente da que desejava, condicionado por informação errônea transmitida
dolosamente pelo autor mediato. São exemplos os erros sobre o sentido concreto da ação, como o erro sobre a pessoa, e o erro sobre o risco, no qual o sujeito de trás incute no executor a crença de que é diminuta a possibilidade de um resultado danoso vir a ocorrer como consequência de uma conduta que este se vê impelido a realizar, sabendo-a maior. Há, na hipótese, dois senhores do fato: um de terceiro grau, autor direto, o qual atua de forma típica, antijurídica e culpável; outro, de quarto grau, autor mediato, o qual atua de forma típica, antijurídica, culpável e, demais disso, detém relativa supradeterminação em virtude do fato de seu espectro de informações ser mais abrangente em comparação ao do autor imediato.