6114. Nakit ve Nakit Benzerleri (devamı)
17. Sigorta Yükümlülükleri ve Reasürans Varlıkları (devamı)
candidatura presidencial com grandes chances eleitorais, caso de Lula em 2006, não atraiu aliados, como ocorreu com a reeleição de FHC em 1998.
Em suma, a verticalização das coligações produziu um desalinhamento dos subsistemas partidários estaduais que pode ser verificado a partir das escolhas irracionais tendo como parâmetro as escolhas na arena presidencial. Como corolário, dotou o pleito de 2002, vis-à-vis ao de 1998 e 2006, de grande instabilidade. A alternativa que cada partido lançou mão para “nacionalizar” a competição eleitoral nos estados variou entre a intervenção (caso do PT e PSB) e a liberação dos diretórios estaduais (caso das coligações PSDB/PMDB e PPS/PDT/PTB). Tanto num caso como no outro, o feito não impediu que a dinâmica eleitoral nas eleições de 2002 se caracterizasse por um jogo altamente instável, por conta da existência de coligações impostas ou informais. Este fato submeteu a competição nas múltiplas arenas a um alto grau de conflito e incerteza no que concerne ao jogo de aliados nas demais áreas do jogo. O desempenho dos candidatos na arena presidencial nas pesquisas de opinião (casos de Ciro Gomes, Anthony Garotinho e mesmo Serra) moldou o jogo dos aliados nos estados. A única candidatura nacional estável em termos de apoios regionais foi a de Luis Inácio Lula da Silva porque seu desempenho nas pesquisas de opinião manteve- se sem muitas alterações no decorrer da disputa; isso induziu a estabilidade das alianças forjadas em torno dele. Agrega-se a isso o poder de coação da direção nacional do PT sobre os diretórios estaduais.30
A imposição de candidaturas irrelevantes nos estados provocou intensos conflitos na campanha de Anthony Garotinho. Por um lado, a bancada federal queria a renúncia do candidato presidencial, por outro os candidatos “laranjas” nos estados, lançados com o único objetivo de dar tempo de rádio e TV a garotinho, renunciaram em número considerável no decorrer da campanha.31 Em muitos estados a obrigação de reproduzir a coligação nacional não impediu que o PMDB desse apoio informal, porém
30A aliança do PT com o PR/PL estava em curso neste momento e se tornou quase impossível de ser concretizada. A coligação foi praticamente imposta por Lula e José Alencar aos dois partidos. No entanto, a Direção Nacional teve de fazer várias intervenções nos Diretórios Regionais para impor a coligação nacional. Os casos mais polêmicos foram os de Minas Gerais e Alagoas. Ver O Estado de São Paulo, 18 do 06 de 2002, p. A7 e A6; Folha de São Paulo, 10 do 07 de 2002, p. A8.
31 Os casos mais notáveis de renúncias foram os de SP, BA, PE e GO. Ver Folha de São Paulo, 25 do 07 de 2002, pg-A7; Folha de São Paulo, 26 do 07 de 2002, pg-A5; O Estado de São Paulo, 01 do 08 de 2002, pg-A8; O Estado de São Paulo, 14 do 08 de 2002, p. A6.
militante, a outros candidatos presidenciais.32 À medida que seu candidato presidencial, José Serra, apresentava fraco desempenho eleitoral nas sondagens de opinião o PMDB “desembarcava” da candidatura tucana e aderia à campanha de Lula ou de Ciro Gomes.33
Os conflitos entre a arena presidencial e as demais disputas também foi verificada nas eleições de 2006, embora de menor monta. Neste pleito, os partidos tiveram tempo para racionalizar suas escolhas nos distritos e boa parte destes conflitos naturais entre a lógica da eleição nacional e das eleições regionais fora sanados no processo de barganha pré-eleitoral.
As dificuldades do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, ocorreram na região nordeste, onde apresentava fraco desempenho eleitoral nas pesquisas de intenção de voto. Por seu turno, o Presidente-Candidato, Luiz Inácio, gozava de elevados índices de aprovação e intenções de voto na região. A imagem do presidente Lula foi extensivamente utilizada tanto por partidos aliados como por partidos de oposição. O presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, praticamente sumiu da propaganda eleitoral em muitos estados nordestinos.
A força eleitoral de Lula mostrou-se impressionante em estados como Bahia, Ceará e Pernambuco, onde os candidatos a governador usaram intensamente sua imagem e tiveram êxito eleitoral. Mesmo quando não tentavam vincular-se à imagem de Lula, os candidatos aos governos estaduais não assumiam a condição de oposição ao governo federal. Na Bahia, por exemplo, o candidato à reeleição, Paulo Souto (DEM/PFL), empreendeu uma batalha judicial contra o concorrente do PT, o ex- ministro do trabalho do governo Lula, Jacques Wagner, contestando o uso excessivo da imagem que ele fez do presidente em sua campanha, ao mesmo tempo em que se recusou a dar palanque, seja físico ou eletrônico, a seu aliado nacional, Geraldo Alckmin.34 No Ceará ocorreu o contrário, Lúcio Alcântara (PSDB), além de não aceitar
32O PMDB apoiou Lula em SP, M G, PR e PB. Nos Estados do CE e PI PSDB e PMDB, respectivamente, prestaram apoio a Ciro Gomes. No PA o PMDB deu apoio a garotinho do PSB. Ver Folha de São Paulo, 10 do 06 de 2002, p. A4.
33O crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas (Julho e Agosto) de opinião e a enxurrada de apoios que teve imediatamente das elites regionais, ou mesmo o recuo destas logo após este cair nas intenções de voto, é um dos muitos exemplos de como a verticalização levou os partidos a não ter qualquer compromisso com candidatos nacionais.
34Em sua defesa o candidato do PT usou um argumento de fato muito pertinente; segundo ele “o TSE decidiu pela verticalização das coligações e agora não deixam verticalizar as campanhas. É um absurdo.(...) Quem fingir que lula não tem lado é estelionato eleitoral (...)
vincular sua candidatura a de Alckmin apoiou abertamente a reeleição do presidente Lula. Lúcio Alcântara usou intensamente a imagem de Lula em seu programa eleitoral depois que seu principal adversário na competição, Cid Gomes (PSB), despontou nas pesquisas de intenção de voto aproveitando o apoio do governo federal.35
Portanto, a verticalização não coordenou eficientemente as estratégias eleitorais dos partidos, como supunham os ministros do STF. Ao contrário, observou-se uma inflexão regional nas estratégias de entrada dos partidos, nos dois pleitos disciplinados pela norma. No segundo pleito sob a regra, os partidos se retiraram por completo do jogo na arena presidencial e preferiram maximizarem suas escolhas nas arenas estaduais. Na verdade, como viemos mostrando ao longo do capítulo, para a arena presidencial constituir-se em um eficiente mecanismo de coordenação é necessário que integre um jogo mais amplo com prêmios variáveis; precisa manter sua característica de jogo de negociação sem equilíbrio dominante (Cox, 1997, p. 252). Em outras palavras, os partidos que disputam o jogo na arena presidencial precisam levar em conta os fatores contextuais para a conformação do equilíbrio nesta arena porque eles determinam o valor dos payoffs de cada jogador.
CONCLUSÕES
O capítulo abordou a questão da entrada estratégica dos partidos nas eleições majoritárias estaduais sob a regra da verticalização das coligações eleitorais estabelecida por interpretação do TSE nos eleições de 2002 e 2006. O objetivo foi verificar de que forma a elite política reagiu ao constrangimento legal que limitou as possibilidades de nossos adversários é que não assumiram nada e esconderam o candidato deles (Oesp, 29.09.2006, p, A17).”
O caso da Bahia é um exemplo de vinculação, Jacques Wagner, até meados de setembro não havia chegado a 16% das intenções de voto, contra 52% do candidato à reeleição, Paulo Souto (DEM/PFL). Depois de uma campanha intenção de vinculação a Lula Wagner elegeu-se no primeiro turno.
35A vinculação a Lula também fez a diferença na campanha de Cid Gomes no Ceará. O candidato do PSB derrotou o candidato à reeleição Lúcio Alcântara do PSDB. Essa vitória deveu-se também ao fato de Alcântara ter sido rifado pelos principais lideres do PSDB local, tais como Tasso Jereissati e Ciro Gomes. Esses lideres, contraditoriamente, apoiaram Cid Gomes que era candidato do governo Lula. Alcântara do PSDB chegou a protagonizar uma cena no mínimo curiosa, quando apareceu num encontro com o presidente Lula com o intuito de gerar imagens para ser usada no programa eleitoral de sua campanha (o encontro foi no dia 28.08.2006) quando o candidato do seu partido era Alckmin.
racionalidade instrumental dos atores partidários, já que se defrontaram com um jogo onde as estratégias de competição nos distritos teriam que incluir necessariamente os parceiros da arena nacional.
Conclui-se que a verticalização não coordenar eficientemente as estratégias de competição dos partidos. Contrariamente a pretensão do TSE, as mais elevadas taxas de coordenação das estratégias eleitorais dos partidos nas arenas eleitorais estaduais foram verificadas nas eleições de 1998, quando as regras eleitorais permitiam aos partidos encetar um jogo de negociação sem equilíbrio dominante, em que os partidos puderam realizar amplas coligações presidenciais que permitiam dar suporte regional aos competidores na arena nacional, ao mesmo tempo em que podiam racionalizar suas escolhas no nível local.
A eficiência da coordenação eleitoral foi comprometida porque os partidos foram obrigados a disputar, isolados ou com os parceiros nacionais, na maior parte dos distritos eleitorais para cumprir a regra eleitoral. Em muitos casos, as coligações nacionais tiveram de entrar nas competições estaduais com candidatos sem qualquer perspectiva de sucesso, lançados simplesmente para cumprir a “lei”. Isso teve como consequência o desalinhamento dos subsistemas partidários estaduais, que pode ser percebido pelas escolhas eleitorais instrumentalmente irracionais nas eleições majoritárias estaduais. Estes candidatos, lançados por força de lei, chamados pela imprensa de “laranjas”, motivou intensos conflitos no interior dos partidos e das coligações, dotando as eleições de 2002 de grande instabilidade, vis-à-vis às de 1998 e 2006, quanto à acomodação das elites estaduais.
Em outras palavras, ao transformar a disputa presidencial em um jogo isolado com racionalidade invariante e equilíbrio dominante o TSE elevou os custos de coordenação eleitoral em bases nacionais. Isso esta na base da explicação do fracasso da verticalização das coligações enquanto instrumento que visou nacionalizar a ação dos partidos políticos. Ou seja, com este constrangimento observou-se uma inflexão regional nas estratégias de entradas dos partidos nacionais nas eleições estaduais. O exemplo mais claro disso ocorreu em 2006, quando os partidos se retiraram quase por completo da arena nacional e preferiram instrumentalizarem suas escolhas nas eleições majoritárias regionais.
CAPÍTULO III
ENTRADA ESTRATÉGICA DOS PARTIDOS POLÍTICOS E GRAU DE COMPETITIVIDADE DAS ELEIÇÕES MAJORITÁRIAS ESTADUAIS SOB A REGRA DA VERTICALIZAÇÃO
[...] tenho dúvidas sobre se da decisão ora tomada não resulta, em nome do fortalecimento do ‘caráter nacional’ dos partidos, a perda da transparência do processo eleitoral, estimulando dissimulações de toda ordem
Sepúlveda Pertence,
Consulta 715, julgado, 2002, p. 14.
Este capítulo tem por objetivo verificar o padrão de competição nas eleições majoritárias estaduais com a vigência da regra da verticalização das coligações. Em outras palavras, pretende-se testar empiricamente até onde a obrigação legal de “alinhar” as decisões de entradas nos pleitos majoritários estaduais à arena nacional aumentou o grau de fragmentação nestes níveis de competição eleitoral.
A relação entre padrão de competição política e sistema eleitoral foi profundamente influenciado pelo modelo de equilíbrio duvergeriano. Em suas clássicas teses, Duverger (1970, p. 253 e 274) afirmou que os sistemas de pluralidade uninominal de uma só rodada tende a produzir um sistema bipartidário; por outro lado, nos sistemas de Representação Proporcional ou de pluralidade uninominal de duas rodadas a tendência é que se formem sistemas multipartidários. Estes postulados foram intensamente contestados, mas houve quem os testassem e requalificassem ao longo dos últimos 50 anos. Vejamos em linhas gerais o teor das críticas e reformulações do modelo de equilíbrio de competição partidária formulado por Duverger.
De uma perspectiva institucionalista, Sartori (1994, p. 39-65) reformulou as leis de Duverger no sentido de definir com maior precisão o efeito causal dos sistemas eleitorais sobre o formato partidário. Segundo o autor, é possível conceber os sistemas eleitorais como variáveis independentes e mostrar que seus efeitos não são incertos, como quer o enfoque de natureza sociológica.
Segundo Sartori, mesmo que o eleitor seja compelido a escolher entre dois candidatos no distrito em um sistema de pluralidade uninominal, isso não implica, necessariamente, a configuração de um bipartidarismo nacional. Isso porque, o eleitor esta limitado apenas do ponto de vista do distrito eleitoral. Qualquer que seja o sistema eleitoral, a configuração de um bipartidarismo nacional depende do fato de os dois partidos competirem em todos os distritos (Idem, p. 50). A relação causal pluralidade uninominal (segunda lei de Duverger) e bipartidarismo, não considerou uma variável necessária representada pelo grau de institucionalização do sistema partidário. Ou seja,“[...] não se pode avaliar corretamente os efeitos dos sistemas eleitorais sem avaliar, por sua vez, as características manipuladoras e canalizadoras do próprio sistema partidário” (ibidem, p. 51). De forma semelhante aos sistemas eleitorais, os sistemas de partidos podem ser considerados efetivamente fortes ou efetivamente fracos, dependendo do nível de estruturação (institucionalização).
Tomando o sistema partidário como variável independente (causal), ao lado do sistema eleitoral, Sartori constrói quatro combinações possíveis sobre a relação de efeitos recíprocos entre estas duas variáveis: 1) sistemas eleitorais fortes versus sistemas partidários fortes; 2) sistemas eleitorais fracos versus sistemas partidários fortes; 3) sistemas eleitorais fortes versus sistemas partidários fracos; e 4) sistemas eleitorais fracos versus sistemas partidários fracos. A redução dicotômica não elimina o continuum em termos de efeito redutor que caracteriza os sistemas eleitorais. Assim, entre os sistemas eleitorais fortes pode-se incluir não apenas a pluralidade uninominal, mas também os sistemas de Representação proporcional impuros. Quanto aos sistemas eleitorais fracos, pode-se incluir a RP relativamente pura e as formas impuras. O autor formula os seguintes enunciados com caráter de leis sobre a relação entre sistemas eleitorais e sistemas partidários:
Lei:1) A existência de um sistema partidário estruturado combinado a uma dispersão similar do eleitorado em todos os distritos (condições necessárias conjuntamente), os sistemas eleitorais de pluralidade produzem um formato
bipartidário. Por seu turno, a presença de um sistema partidário suficientemente forte é, per si só, uma condição substitutiva suficiente para a configuração do bipartidarismo;
Lei: 2) existindo um sistema partidário estruturado e na ausência de dispersão similar do eleitorado nos distritos, os sistemas eleitorais majoritários provocam a eliminação dos partidos que recebem votação menor que a pluralidade; mas permitem a presença de tantos partidos quanto à existência de concentrações que a superam;
Lei: 3) Na presença de um sistema partidário estruturado, os sistemas eleitorais de representação proporcional o efeito redutor é provocado (condição suficiente) pela extensão da proporcionalidade. Os custos de ingresso dos pequenos partidos na competição eleitoral aumentam ou diminuem em consonância com a falta ou não de pureza do sistema de representação proporcional.
Por seu turno, um sistema partidário fortemente estruturado por si só permite (condição suficiente) manter um formato partidário de existência anterior à introdução do sistema de representação proporcional;
Lei: 4) não existindo um sistema partidário estruturado e na presença de Representação Proporcional pura, o custo de ingresso torna-se igual para todos; neste caso, o formato partidário pode assemelhar-se à cota da representação (magnitude do distrito).
Defendendo um enfoque sociológico, Dieter Nohelen (1993, p. 334 a 342) propõe que os sistemas eleitorais somente podem ser entendidos levando em conta a interdependência de todas as partes constitutivas do sistema social do qual pertence. Assim, as leis de Duverger não podem sustentar-se cientificamente pelos motivos elencados: 1) limitações empíricas. Os efeitos atribuídos às leis eleitorais permitem um número demasiadamente grande de exceções; 2) limitações teóricas. Em vista de demasiadas exceções, torna-se necessário especificar as condições em que a validez das leis será verificável; 3) limitações metodológicas. Não se compara um sistema de pluralidade uninominal com um de representação proporcional, pois este pode desdobrar em múltiplas formas de sistemas eleitorais com efeitos diversos.
A reformulação de Sartori esta distante de provar uma relação causal que explique a relação entre sistema eleitoral e sistema partidário. Ela simplesmente “[...] enuncia que, onde não existem as condições para a formação de um sistema bipartidário (falta de partidos estruturados, de minorias locais ou nacionais), tanto o sistema de maioria relativa quanto à representação proporcional podem coexistir com sistemas bipartidários” (Nohelen, p. 337). Embora os enunciados de Sartori estejam corretos,
possuem um conteúdo informativo limitado. Eles se limitam aos enunciados de Duverger, só elabora uma reavaliação dos efeitos dos sistemas eleitorais no sentido de estabelecer uma linha divisória entre os que têm efeitos e os que não tem. Esta linha divisória “se encontra entre os sistemas de maioria e a representação proporcional, mais especificamente entre o tipo no-effect da representação proporcional, por um lado, e o tipo effect da representação proporcional e o sistema de maioria relativa, por outro” (ibidem, p. 340). Nesse sentido, embora defenda Duverger, Sartori formula seus enunciados sobre os efeitos da RP de maneira semelhante a seus críticos. Como os sistemas de RP comportam desvios de proporcionalidade entre votos e assentos, o enunciado das leis (de Duverger) é modificado; de modo que “[...] das causas imaginadas dicotomicamente já não conduzem a dois resultados distintos e contrários (A conduz a X, B conduz a Z), mas dois casos com base no continuum no-effect-effect (A, B C) conduzem a um maior/menor efeito” (ibidem, 340).
As proposições que sustentam que os sistemas eleitorais têm efeitos sobre os partidos que se podem formular como leis não resistem a um tratamento teórico “diferenciado” nem uma revisão empírica adequada. De modo singular, os sistemas eleitorais são portadores de um princípio de representação. Assim, o sistema de maioria tem um efeito redutor mais acentuado que a RP. Nos sistemas de maioria relativa, em geral, “[...] os partidos pequenos somente têm possibilidades de êxito quando seus eleitorados se concentram regionalmente ou quando podem concluir pactos eleitorais com os grandes partidos e estes lhes cedem algumas circunscrições eleitorais” (ibidem, p. 341). No entanto, na maior parte dos sistemas de RP os pequenos partidos enfrentam custos de entrada elevados por conta das barreiras legais (claúsula de desempenho), o tamanho das circunscrições eleitorais (magnitude) ou ainda a dispersão geográfica do eleitorado dos partidos. Nesse sentido, “a distribuição das circunscrições e a dispersão do eleitorado conforme critérios políticos dos partidos são, na realidade, as variáveis mais importantes que possibilitam, segundo os paises, diferentes enunciados tendenciais, relativamente vagos sobre os sistemas eleitorais” (ibidem, p. 342).
Portanto, de acordo o autor, inexiste enunciado científico de alto valor informativo sobre os efeitos dos sistemas eleitorais que pense conjuntamente as relações políticas e sociais. De modo que, a homogeneidade ou heterogeneidade social de uma determinada sociedade tem tanta importância na estruturação do sistema partidário que não pode ser olhada de modo a-Histórico, como quer o determinismo institucional. Portanto, o enunciado básico do autor é: “quanto mais homogeneidade social haja, mais
razões há para optar pelo sistema de maioria relativa, para fomentar ou conservar o dualismo político, mas também é possível que se produza, sob um dualismo de representação proporcional, um sistema bipartidário ou um pluralismo limitado no número de partidos” (ibidem, p. 342); a probabilidade de introdução de um sistema de RP com multipartidarismo é maior em um contexto de fragmentação social consolidada; nesta situação, nem mesmo a maioria relativa uninominal conduzirá ao bipartidarismo.
Em uma abordagem que valoriza tanto o papel das instituições quanto as expectativas dos eleitores e as preferências das elites, Gary Cox (1997) afirma ser possível conciliar a perspectiva sociológica e institucionalista, sobre os efeitos recíprocos entre sistemas eleitorais e de partidos. Segundo o autor, supor que as proposições de Duverger estão corretas leva a conclusão inevitável de que os sistemas eleitorais incidem nos sistemas partidários. Isto é, se os partidos precisam manipular as regras eleitorais para incrementar sua representação, isso equivale a dizer que as regras eleitorais exercem efeitos sobre os partidos. Desse modo, os sistemas eleitorais conferem vantagens partidárias, ou ao menos os partidos acreditam que assim seja, pois somente assim se pode inferir que estes procuram mudar as regras. Em outras palavras, “não teria sentido buscar um novo sistema eleitoral si os sistemas eleitorais carecessem de importância” (idem, p. 36).
As instituições eleitorais definem em grande medida o jogo de coordenação eleitoral em que participam tanto as elites políticas quanto os eleitores. Elas determinam o conjunto das oportunidades viáveis para os atores negociarem os votos com o intuito de conquistar assentos. No entanto, as instituições eleitorais não definem por completo