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Sigorta Yükümlülükleri ve Reasürans Varlıkları (devamı)

De acordo com Lima (2007), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 48,61% dos votos válidos no primeiro turno e com mais de 60% no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, não era prevista e foi considerada improvável pela quase unanimidade dos principais analistas e colunistas da grande mídia. Surpreendente também foi o fato de o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) ter obtido menos votos no segundo turno (39,17%) do que no primeiro (41,64%).

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O autor afirma que a crise política de 200513 e as eleições presidenciais de 2006 marcaram uma ruptura na relação histórica entre a grande mídia e a política eleitoral no Brasil. Análises da cobertura dos meios de comunicação, apresentadas por dezesseis autores na obra “A mídia nas eleições de 2006” (LIMA, V. A. de (org.), 2007), indicam que o processo eleitoral brasileiro desse ano será lembrado e estudado pelo forte desequilíbrio na cobertura jornalística dos principais candidatos à Presidência e pelo fato de o candidato eleito não ter sido o preferido pelos principais grupos de mídia do país. Lima recorda que, após o segundo turno das eleições, havia faixas nas ruas com os dizeres “O povo venceu a mídia”, e há avaliações que consideram a grande mídia a principal derrotada no processo eleitoral.

O OBM (Observatório Brasileiro de Mídia) analisou a cobertura que a mídia impressa fez dos principais candidatos a presidente da República nas eleições 2006. O levantamento foi feito entre os dias 6 de julho (data do início oficial das campanhas eleitorais) e 27 de outubro (véspera do segundo turno das eleições). Além de quatro revistas semanais de informação, foram observados os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Correio Braziliense.

Ao final do levantamento, observou-se que havia um número significativamente superior de matérias negativas sobre o presidente Lula e o candidato Lula como concorrente à reeleição em relação ao candidato de oposição, Geraldo Alckmin, conforme pode ser verificado nas tabelas a seguir:

Tabela 1. Participação negativa nos cinco jornais – primeiro turno (%). Fonte: Jakobsen, 2007, p. 43

06/07 a 07/07 08/07 a 14/07 15/07 a 21/07 22/07 a 28/07 29/07 a 04/08 05/08 a 11/08 12/08 a 18/08 19/08 a 25/08 26/08 a 01/09 02/09 a 08/09 09/09 a 15/09 16/09 a 22/09 23/09 a 29/09 Alckmin 15 11,3 20,4 25 27 38,7 29 57,6 45,3 38,9 32,7 20,6 22,1 Lula 54,8 26,8 40,3 39,3 49,3 42,2 57,8 55,7 51,8 52,8 51,8 62,5 58,2 Lula Presidente 61,4 45,5 51,5 48,9 55,1 38 46,1 48,5 52 54 49,6 57,6 59,6

Tabela 2. Participação negativa nos cinco jornais – segundo turno (%). Fonte: Jakobsen, 2007, p. 51

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Uma grave crise política teve início no dia 14 de maio de 2005, a partir da divulgação pela imprensa de uma gravação de vídeo em que Maurício Marinho, ex-chefe do DECAM (Departamento de

Contratação e Administração de Material) da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), solicitava e também recebia vantagem indevida para beneficiar ilicitamente um falso empresário interessado em negociar com os Correios. Na negociação estabelecida com esse falso empresário, Marinho descreveu detalhadamente o esquema de corrupção de agentes existente naquela empresa pública. Roberto Jefferson, então deputado federal (PTB-RJ), foi citado como responsável pelo esquema e posteriormente delatou o que ele próprio denominou de “mensalão”.

02/10 a 06/10 07/10 a 13/10 14/10 a 20/10 21/10 a 27/10

Alckmin 30,7 42,4 43,1 26,2

Lula 41,9 45,1 42,2 42,1

Lula Presidente 52,4 73,3 66,7 35,7

No primeiro turno das eleições, Geraldo Alckmin teve percentual negativo maior que o de Lula em uma única semana (entre os dias 19/08 e 25/08). No restante do período, Alckmin manteve percentual negativo sempre menor do que Lula, com destaque para as duas últimas semanas que antecederam a votação, quando o número de reportagens negativas do candidato do PSDB caiu significativamente, enquanto o percentual do candidato do PT subiu também de maneira significativa.

No segundo turno, o presidente Lula teve os maiores percentuais de reportagens negativas, superiores a 50% nas três primeiras semanas. O número de reportagens negativas do candidato Lula superou o de Alckmin em três das quatro semanas analisadas, inclusive na última, quando as pesquisas de opinião indicavam a vitória do candidato do PT.

Lima destaca: “é necessário registrar que a cobertura negativa que a mídia impressa fez do candidato Luís [sic] Inácio Lula da Silva e depois do presidente Lula

não teve início no período da campanha eleitoral de 2006”. Segundo o autor, essa foi a tendência dominante da mídia brasileira desde maio de 2005, a partir das denúncias de corrupção dentro e fora do governo, “independentemente da indiscutível necessidade de sua cobertura jornalística e da existência dos fatos” (2007, p. 18).

Uma pesquisa mundial realizada pelo Instituto GlobeScan, em março de 2006, revelou uma crise na credibilidade da grande mídia. No Brasil, foram entrevistados, por telefone, mil adultos de nove regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), e constatou-se que mais da metade deles (55%) não confiam nas informações veiculadas pela mídia, sendo que 80% acreditam que há um exagero na cobertura de notícias ruins, e 45% não consideram que a cobertura da grande mídia seja acurada.

A atitude de hostilidade ao candidato Lula entre a maioria dos jornalistas da grande imprensa durante o ano de 2006 pode ser justificada, segundo Lima, por

fatores que incluem desde razões empresariais até o preconceito de classe. Em consequência disso, houve uma divergência entre a opinião dominante na mídia e a opinião da maioria dos eleitores, conforme destaca Kucinski:

O eleitorado não derrotou apenas Alckmin, derrotou também essa narrativa da imprensa brasileira e, junto com ela, todos os seus narradores, um por um, todos eles, desmoralizados. Não é coisa pequena a humilhação do jornalismo brasileiro na campanha de 2006. É tão grande, de tantos e profundos significados, que certamente será suprimida e para sempre negada por esse mesmo jornalismo (2007, p. 136).

O que teria levado a mídia a ser derrotada nas eleições de 2006, apesar de tanto esforço para desgastar a imagem de Lula? Lima propõe algumas explicações para esse fenômeno, como, por exemplo, a comunicação direta que Lula vinha mantendo com o povo brasileiro, por meio de viagens, discursos e um programa produzido pela Radiobrás, retransmitido semanalmente por mais de mil emissoras

de rádio. Mas o autor destaca que a principal explicação para esse descompasso é a emergência de uma complexidade de mediações oriundas da sociedade civil em expansão e consolidação no país, que teria relativizado o poder da cobertura da imprensa.

Para Kucinski, a explicação para o “fiasco da mídia” está em várias causas combinadas entre si, tais como: o declínio dos grandes jornais; o caráter elitista de sua circulação, tanto em números quanto em tipo de leitor; o deslocamento dos “formadores de opinião” em relação aos reais problemas da maioria do povo; seu alinhamento ideológico à agenda do neoliberalismo e uma pitada de arrogância e autossuficiência.

Kucinski (2007, p. 143) afirma que o “golpe midiático” não venceu, porque esse objetivo da mídia oligárquica estava deslocado dos interesses populares e, principalmente, dos interesses do capital financeiro, hegemônico nessa etapa da história do país e que se sentiu muito confortável com o governo Lula, já que ficou com o controle do Banco Central. “Na hora ‘H’, faltou vontade política para derrubar Lula. Não tanto por parte da mídia. Por parte da burguesia”.

“Em 2006 os brasileiros, pelo seu voto, sepultaram o que poderíamos chamar de ‘síndrome da Rede Globo’ – a mania da família Marinho de querer instituir a história do Brasil em vez de se limitar a relatá-la” (KUCINSKI, 2007, p. 144).

Passamos a seguir para as características dos debates políticos veiculados pela televisão.

Benzer Belgeler