46 14 Nakit ve Nakit Benzerleri
17 Sigorta Yükümlülükleri ve Reasürans Varlıkları (devamı)
estratégia interacional
Assim como no lide interrogativo, Medina (1978) e Hohenberg (1962) também apresentam essa tipologia de lide, que é denominado por eles de lead
envolvente e lead pessoal, respectivamente.
O lide com interlocutor determinado é aquele que estabelece uma relação imediata e direta com o seu leitor:
Para entender por que Rupert Murdoch está adquirindo o controle da operadora de televisão por satélite DirecTV, pergunte aos fãs dos times americanos de basquete Orlando Magic ou Minnesota Timberwolves. A emissora de tevê a cabo Fox, de Murdoch, detém os direitos de exibição de ambos os times. Quando a Time Warner Cable se recusou a pagar o preço determinado pela Fox, a empresa manteve os jogos fora do cabo
durante dez semanas da temporada. (KIRKPATRICK, David D. Murdoch encarece esporte na TV. The New York
Times. In: OESP: Economia. 15 abr. 2003. p. B7)
Este lide é um evidente exemplo de texto que privilegia criar um envolvimento com o enunciatário e não exclusivamente com o tema, minimizando, então, também como nos outros dois tipos de lide, a distância espaço-temporal existente entre os interlocutores, e criando a impressão de que ambos estão conversando e muito próximos um do outro.
A impressão de conversa entre jornalista e leitor, neste caso, concretiza-se pela utilização dos termos “para entender” e “pergunte”. Nesses dois verbos, o jornalista pretende dirigir-se ao leitor, sugerindo-lhe um caminho para descobrir o motivo pelo qual Murdoch está assumindo o controle da DirecTv.
Além desse indício, uma estratégia interacional utilizada pelo jornalista para aproximar os interlocutores é a instauração de um leitor invocado ou apostrofado. Embora esse locutor não utilize explicitamente o termo você ou o leitor, ele está subentendido no momento em que afirma ou convida seu leitor para entender o fato ocorrido.
No exemplo abaixo, a jornalista, explicitamente, ao contrário do outro lides, dirige-se a um leitor:
Você não vai precisar mais acompanhar as enfadonhas ‘provas do líder’, nem as festinhas ‘temáticas’, cheias de fantasias de teatrinho escolar e alguns porres indigestos. Também não terá de ouvir a baianinha Elane ‘cantando’ qual taquara rachada, tampouco acompanhar as intermináveis sessões de malhação dos desocupados enquanto engorda comendo pipoca e chocolate na frente da tevê. Vença quem vencer o Big Brother na noite de hoje, quem vai sair ganhando será o telespectador, já que ficar livre do dia-a-dia daquele monte de anônimos que viram celebridades de uma hora para outra não deixa de ser um alívio. Melhor: a despedida de hoje é a última, e não haverá mais aqueles abraços tão falsos quanto as torcidas. (BRESSER, Deborah. R$ 500
mil ao campeão e alforria para você. JT: Variedades.
Nesta notícia, o leitor instituído ou apostrofado já é destacado logo no título. Ao longo de seu lide, além de a jornalista dirigir-se diretamente ao leitor, chamando-o por “você”, ela instaura um leitor-modelo que possua uma das competências postuladas por Maingueneau (2001): o conhecimento enciclopédico. Tendo esse conhecimento, Bresser passa a mostrar sua opinião acerca do Big Brother e institui um leitor-modelo que compartilhe tais gostos e opiniões. Dessa forma, tanto a jornalista quanto seu leitor ficarão livres das “enfadonhas ‘provas do líder’”, das “festinhas ‘temáticas’”, das canções da “baianinha Elane” e das “intermináveis sessões de malhação dos desocupados”.
Em um outro lide com interlocutor determinado, a jornalista, assim como no anterior, trabalha com o conhecimento enciclopédico de seu leitor-modelo:
Imagine a cena: centenas de socialites vestindo modelitos chiquérrimos, som de música ambiente, garçom e muito drink – em uma casa que ocupa quase um quarteirão em pleno Jardim América. Na porta, a maioria dos carros parados era de modelos BMW e Audi.
Os presentes aguardavam o lançamento do perfume Sensi da Armani. O evento tinha tudo para dar certo... quando começou um som insuportável, no último volume, tocando funks da Egüinha Pocotó, de MC Serginho e Lacraia, Bonde do Tigrão, e o pior: uma gravação de choro de bebê.
O responsável pela ‘saia justa’ geral foi um vizinho. Enfurecido com as baladas que, segundo moradores da região, acontecem com freqüência na casa de número 324 da Rua Canadá, Jardim América, zona sul, ele resolveu radicalizar. (HADDAD, Camilla. Vizinho ‘terrorista’ acaba com festa chique.
JT: Cidade. 04 abr. 2003. p. A18)
Ao se dirigir ao leitor pedindo-lhe para imaginar a cena, além de criar a impressão, como nos lides anteriores, de que os interlocutores mantêm uma conversação face a face, a jornalista cria uma certa expectativa, pois seu leitor desejará saber de que cena ela está falando e mais atentamente seguirá com sua leitura.
Após instaurar, o leitor apostrofado, utilizando o verbo imaginar, a jornalista passa, então, a descrever a cena em dois parágrafos. No primeiro, ela,
contando com o conhecimento enciclopédico de seu leitor, que conhece como é o ambiente no Jardim América – tanto que se refere ao bairro utilizando a expressão “em pleno Jardim América”, mostrando que ele não é um bairro simples e comum da cidade de São Paulo – descreve uma festa destinada à classe alta da cidade, fazendo referência às roupas dos convidados, aos seus carros e ao ambiente da festa de maneira geral. Ainda instituindo um leitor-modelo que possua tal conhecimento enciclopédico, a jornalista espera que ele consiga perceber diante desses indícios que se trata de uma festa de alto nível.
No segundo parágrafo, a jornalista ainda descrever a cena e, portanto, o lide continua a ser desenvolvido. Entretanto, nesse momento, ela passa a descrever um outro fato que rompe com a harmonia desta cena, e anuncia este fato utilizando reticências e um “quando”, que justamente têm a função de aumentar a expectativa, de criar um suspense, de anunciar algo diferente: o funk e o choro de um bebê. Novamente, a jornalista conta com o conhecimento enciclopédico de seu leitor, uma vez que ela espera que esse leitor seja capaz de perceber que esses dois elementos não combinam com uma festa no Jardim América para um público pertencente à classe alta. A jornalista faz da curiosidade, um estranhamento.
Ainda no segundo parágrafo, Haddad, além de misturar elementos descritivos a um lide com interlocutor determinado, emite sua opinião acerca do ocorrido: primeiramente “o evento tinha tudo para dar certo” e logo em seguida, além de se ouvir um som “insuportável” que tocava funks, o choro de bebê era “o pior” que poderia ter acontecido nessa festa. Tais impressões a respeito do evento servem para minimizar esse distanciamento entre os interlocutores e aumentar a intimidade existente entre eles, intensificando assim, a noção de que ambos mantêm um diálogo face a face.
Apenas no terceiro parágrafo, a jornalista passa a explicar exatamente o que aconteceu. Ela já conseguiu a atenção do leitor, já criou a ambientação por meio dos parágrafos descritivos e neste ela esclarece a situação, falando quem é o autor
do fato e por que tal situação ocorreu.
A utilização da descrição também é, como vimos anteriormente, um recurso interacional recorrente no lide jornalístico, cujo objetivo é o mesmo dos lides anteriores: envolver o leitor, o interlocutor, fazer-lhe criar uma imagem a respeito do fato e despertar-lhe algum tipo de sensação.
Julgamos necessário, contudo, pontuar neste momento, que o que procuramos mostrar até agora vai de encontro ao que Marcuschi (1999: 146-7) postula. Segundo ele, a notícia jornalística tem como principal objetivo a informação e, por esse motivo, a principal preocupação desse gênero de discurso é com seu envolvimento com o tema. Ainda, de acordo com ele, elementos interacionais que estabeleçam uma relação imediata com o seu leitor só são comuns na notícia jornalística caso pretendam romper com esse gênero de discurso e buscar o sensacionalismo.
Entretanto, nomeamos esse segundo tipo de lide interacional, o lide com
interlocutor determinado, justamente fazendo referência ao indícios de orientação
diretiva para um interlocutor determinado de Marcuschi (1999). Como
assinalamos, neste e nos outros dois tipos de lide anteriores, o locutor, no caso o jornalista, produz seu texto tendo em mente um leitor-modelo, que já conhece muitas das notícias publicadas pelo jornal, pois estas foram anteriormente dadas no telejornal no rádio ou divulgadas pela internet, que são meios de comunicação muito mais imediatistas. É com esse leitor-modelo que o jornalista pretende interagir.
Desta forma, além de noticiar, ele tem o objetivo de fisgar a atenção de seu interlocutor, e, por esse motivo, ou lhe desperta a curiosidade, construindo uma imagem da cena em sua mente e desenvolvendo-lhe sensações agradáveis ou não, ou dirige-se diretamente a esse leitor, procurando criar a impressão de que leitor e jornalista mantêm uma conversação face a face.
A notícia jornalística, por uma questão de reduzido tempo para produção, montagem e fechamento do jornal, freqüentemente faz uso da pirâmide invertida e do lide tradicional por uma questão de praticidade e facilidade, pois, como pontuamos no segundo capítulo, tal padronização agiliza o trabalho do jornalista.
Todavia, como defende, por exemplo, Hohenberg (1962), com o aparecimento de outros meios de comunicação, atualmente o lide precisa ser mais movimentado para que prenda a atenção do seu leitor, atraia-o, seduza-o, encante- o. Uma das formas de dinamizar o lide é justamente a de instituir um leitor
apostrofado e criar para o leitor empírico a idéia de que mesmo distantes locutor e
interlocutor mantêm uma relação imediata. Por esse motivo, e não por uma questão meramente sensacionalista, o jornalista dirige-se diretamente ao leitor também em uma notícia jornalística. E, foi isso, portanto, que procuramos demonstrar até aqui.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do presente trabalho, pretendemos demonstrar que não é exclusivamente o fato a única preocupação do jornal. Este se importa também, e primordialmente, com o seu leitor, que é o elemento motivador de toda a produção de uma notícia jornalística.
Por esse motivo, os jornais são estruturados e diagramados a fim de que facilitem e agilizem a leitura de seu interlocutor. Para conhecer melhor quem é o interlocutor de um determinado jornal, e para que este possa atender às expectativas de seu leitor, há uma pesquisa que levanta de maneira geral o perfil desses leitores. Não podemos nos esquecer de que este meio de comunicação vive da venda de notícias e que, por isso, precisa agradar ao seu público-leitor.
Deixemos de lado, entretanto, a questão meramente mercadológica do jornal e pensemos sob o ponto de vista lingüístico. Todo texto tem por objetivo envolver o seu leitor, pois é por meio dele que os interlocutores estabelecem uma relação dialógica interacional. Isso posto, podemos assinalar que seja o objetivo principal o fato, seja o enunciatário, a interação e o envolvimento são conseqüências naturais de qualquer gênero de discurso. Portanto, este é o caso do jornal.
Apontamos que, embora possua formulações dogmáticas e até certo ponto impositivas no momento de formulação de uma notícia, os manuais de jornalismo preocupam-se em envolver o leitor, em prendê-lo a ela. Para tal, utilizam como estratégia, ou a elaboração tradicional da notícia, cujo enfoque principal recai no
próprio fato, ou constroem primeiros parágrafos que se dirijam mais explicitamente ao leitor e, por esse motivo, privilegiem a interação, o envolvimento com esse leitor.
Nosso objetivo foi o de mostrar quais os mecanismos interacionais presentes em um lide cuja finalidade principal é, em um primeiro momento, o envolvimento com o interlocutor, ou seja, com o leitor. Ao apontarmos tais mecanismos, delegamos ao fato um segundo plano, ao menos no início da notícia.
Escolhemos especificamente a formulação dos lides das notícias pelo fato de serem eles, juntamente com a manchete, o elemento mais importante de uma notícia jornalística, pois são eles que abrem os fatos, que os contextualizam para o leitor, e que são os responsáveis diretos pela continuidade da leitura da notícia por parte desse leitor.
O leitor, embora tenhamos dado ênfase ao modo de construção do lide por parte do jornalista, é de fundamental importância, pelo fato de ser ele o alvo da notícia e o elemento responsável por recuperar e dar um significado a tudo o que está escrito.
Essa construção por parte do locutor, e reconstrução por parte do interlocutor só se faz possível graças à força e ao poder de comunicação da palavra. Ela é, na verdade, o elemento unificador que relaciona, que une, que faz dois ou mais interlocutores interagirem.
Desejamos apontar, também, por meio das análises, que o jornalista, para interagir com seu leitor, para seduzi-lo, pode utilizar basicamente dois recursos: ou mexer com o imaginário dele, construindo lenta e detalhadamente uma cena em sua mente, ou dirigir-se diretamente a ele, criando uma idéia de que os interlocutores mantêm uma conversação face a face.
No primeiro caso, encontramos três diferentes categorizações para o lide que estão fundamentadas na composição dessa imagem: o lide literário, em que o leitor é capaz de imaginar a cena narrada e envolver-se por ela; o lide
particularizante, em que esse leitor é convidado pelo jornalista a se colocar no
lugar do outro e envolver-se por sua história; e o lide descritivo, em que o interlocutor do jornalista é levado a imaginar uma determinada cena descrita com inúmeros detalhes.
No segundo caso, encontramos outros três categorias de lide: o lide
opinativo, em que o jornalista apresenta explicitamente sua opinião acerca de um
fato qualquer; o lide interrogativo, em que o leitor é questionado pelo jornalista sobre um determinado acontecimento; e o lide com interlocutor determinado, em que o jornalista produz lides que insiram seu leitor na notícia por meio da utilização de termos que se dirigem diretamente ao seu leitor.
Para chegarmos a essa idéia, adotamos como fundamentação teórica o dialogismo interacional proposto por Mikhail Bakhtin, as idéias acerca da função do leitor de Eco e Maingueneau e discutimos a questão do envolvimento entre os interlocutores.
Sob essa perspectiva teórica, tivemos embasamento suficiente para analisar a organização estrutural do lide que não segue a formulação tradicional e esta análise nos permitiu, então, levantar as estratégias interacionais presentes nesses lides que visam a construir o envolvimento do leitor na notícia jornalística impressa.
Posto isso, esperamos ter fornecido uma maior percepção e compreensão acerca do texto jornalístico impresso da imprensa paulista.
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