5714. Nakit ve Nakit Benzerleri (devamı)
17. Sigorta Yükümlülükleri ve Reasürans Varlıkları (devamı)
ENTRADA ESTRATÉGICA DOS PARTIDOS POLÍTICOS NAS ELEIÇÕES MAJORITÁRIAS ESTADUAIS SOB A REGRA DA VERTICALIZAÇÃO
E provável que os partidos ajustem suas estratégias nacionais [depois da verticalização], nem que seja pela informalidade, às correlações de forças reais nos estados. Vão ‘estadualizar’ as eleições presidenciais e não nacionalizar as estaduais, como presume os neolegisladores do TSE. A força dos interesses reais se imporá apesar da camisa-de-força, como ocorre sempre que se tenta amarrar agentes econômicos e políticos.
Sérgio Abranches, Veja, 06.03.2002
Este capítulo aborda a questão da entrada estratégica dos partidos nas eleições de governador sob a norma da verticalização das coligações eleitorais estabelecida por interpretação do TSE. A regra vigorou nas eleições de 2002 e 2006. Serão comparadas as duas eleições em que vigorou a obrigação legal com a eleição imediatamente anterior (1998), quando os partidos tiveram liberdade plena para negociar suas estratégias de entradas nos distritos eleitorais. A intenção é verificar como as elites partidárias reagiram a uma decisão que limitou as possibilidades de maximização de ganhos eleitorais ao se defrontar com um jogo onde as estratégias de competição dos partidos nos distritos teriam que incluir necessariamente os parceiros da arena nacional.
A hipótese central que orienta a análise é a de que a verticalização das coligações transformou a competição presidencial de um jogo de negociação com payoffs variáveis em um jogo nacional com equilíbrios dominantes que somente interessava aos atores partidários com recursos capazes de transpor a elevada barreira de
entrada (Tsebelis, 1998; Cox, 1998). Como notamos antes (ver introdução), a interpretação dada pelo TSE transformou a eleição majoritária nacional em “[...] moldura dentro do qual os partidos [...] poderão administrar as suas convergências [...]” nas demais níveis de competição.21O pressuposto mostra-se equivocado. Os partidos têm de administrar suas divergências e não suas convergências, pois o processo de competição eleitoral no Brasil constitui um exemplo inequívoco de caso de jogos ocultos marcado por competição simultânea em múltiplas arenas e expectativas distintas de payoffs dos atores partidários. Na verdade, ao transformar a competição nacional em “parâmetro inafastável“22para a formatação de coligações criou-se um cenário de competição semelhante ao que Tsebelis (1998, p. 24 e 66) denominou de “jogo gigantesco”. Este jogo pressupõe uma racionalidade agregada e, por isso, não dá conta de explicar as injunções dos contextos de competição eleitoral (arenas), nem a racionalidade das escolhas dos atores envolvidos; ou, ainda, a dimensão temporal das escolhas partidárias (ver Cap. I). Dito de outra forma, o jogo eleitoral foi moldado por um ângulo que não contempla todas as perspectivas; centra atenção na arena principal (presidencial) e despreza o fato de os atores partidários estarem envolvidos em uma rede de jogos mais ampla que configurara uma situação de jogos ocultos. Nesta situação de jogos em múltiplas arenas os partidos adotam estratégias contingentes porque o jogo é interativo e os fatores contextuais (arenas) influenciam a definição dos prêmios em cada nível de disputa (ibidem, p. 68).
O processo de eleições simultâneas no Brasil é um exemplo de jogos em múltiplas arenas em que as decisões de entrada das elites partidárias nas arenas de competição caracterizam-se pela busca de payoffs variáveis. Embora a competição possa ser encetada em uma arena principal (presidencial), sofrerá influências da dinâmica da competição em outras arenas. Nesse sentido, a dinâmica da eleição presidencial está subordinada a uma série de injunções da dinâmica dos subjogos das múltiplas arenas, tais como magnitude dos payoffs auferidos pelo conjunto dos atores partidários, a comunicação entre os atores envolvidos e a continuidade do jogo no tempo (ibidem, p. 227).
Portanto, a competição presidencial (arena principal) é intermediada por fatores contextuais que os partidos precisam considerar no cômputo dos equilíbrios. Nas palavras de Tsebelis (ibidem, p. 68): “[...] a utilidade [da aplicação do modelo] dos
21Ver TSE, Cta n° 715, julgado, 26/06/2002, p. 22.
jogos em múltiplas arenas reside no estudo de situações em que o contexto político é importante e a situação é tão complicada que se torna necessário referir-se a fatores externos.”Portanto, em contexto de informação completa, a racionalidade das estratégias dos atores partidários só pode ser compreendida quando analisada a rede de jogos ocultos em que os fatores exógenos (contextuais) determinam e reflete a variação dos payoffs. Desse modo, os jogadores têm a possibilidade de maximizarem suas escolhas quando consideram a dimensão destas variações, pois os payoffs a serem auferidos na arena principal são resultados da situação prevalecente nas demais arenas dos jogos. Isso significa que a variação nos payoffs é a variável chave para compreender as estratégias dos jogadores em contextos de escolhas correlacionadas (contingentes) em um jogo eleitoral interativo.
Ademais, competições com estas características são jogos de negociação nos quais as concessões em determinadas arenas eleitorais (ou de outra natureza, conforme a aplicação do modelo) não configuram equilíbrios dominantes, mas representam prováveis ganhos em outras arenas de competição, no contexto de uma rede de jogos (Cox, 1997, p. 252)
Vimos no capítulo 1 que a decisão de entrada dos partidos na competição em arenas isoladas constitui um jogo de equilíbrios dominantes em que perdas e ganhas não são intermediadas por instrumento eficiente de coordenação eleitoral (idem, p. 253). Por esse motivo é que em jogos em múltiplas arenas o movimento de um ator partidário em uma arena tem implicações em toda a rede de competição em que esta inserida. A racionalidade de uma escolha em um contexto de competição (arena) pode não se refletir em outros porque não é um jogo com equilíbrio dominante. De modo que, quando se observa apenas um jogo pode-se considerar alguma escolha como irracional; no entanto, tal escolha pode ser racional dentro de um jogo mais amplo de negociação. O partido pode escolher uma estratégia aparentemente irracional em um determinado distrito se essa estratégia possibilitar a maximização de seus payoffs quando considerada toda a rede de competição eleitoral (Tsebelis, ibidem, p. 24).
Portanto, um contexto de competição eleitoral em que impera a regra da verticalização das coligações as elites partidárias que querem participar da eleição presidencial (ou necessitam) se defrontam com uma situação semelhante à de um jogo isolado com equilíbrio dominante, por conta da obrigação legal de incluir a eleição presidencial nos cálculos de entrada dos subjogos distritais. De modo que, as vantagens que as elites partidárias obtêm ao negociar entradas em um mercado nacional alteram-se
completamente. Isso porque, a existência de um mercado nacional de entrada que inclui a competição presidencial deixa de ser um incentivo coletivo para os partidos maximizarem ganhos e minizarem perdas, evitando, assim, entradas duplas em equilíbrio nos distritos. Os custos para os partidos chegarem a um acordo nacional de retiradas recíprocas se tornam tão elevados em um contexto de competição sob a regra da verticalização que até mesmo os partidos que pleiteiam a presidência encontram incentivos para trabalharem pela retirada dos atores partidários desta arena.
Os custos de uma negociação em bases nacionais são elevados porque os partidos necessitam considerar os equilíbrios das demais arenas eleitorais; em outras palavras, precisam levar em conta os fatores contextuais para a conformação do equilíbrio na arena principal. Como o jogo se dá em um ambiente de competições cruzadas, os partidos consideram o valor dos payoffs em cada arena na determinação das estratégias de entrada. De acordo com Tsebelis (ibidem, p. 227): “jogos em múltiplas arenas descrevem a situação em que um ator está envolvido ao mesmo tempo em dois ou mais jogos, o que é equivalente, situações com fatores externos (grifos nosso). Os eventos ou ações de um terceiro jogador numa arena influenciam os payoffs dos jogadores na arena principal, e a magnitude dos payoffs determina as estratégias dos jogadores.” Desse modo, os partidos acham mais confortável negociar a entrada nos distritos em bases regionais (porque os partidos possueem nichos de relevância regional), invertendo-se o pressuposto de Cox (1997, p. 253) segundo o qual o mercado de entrada torna-se mais líquido quando as negociações são feitas no plano nacional. Sob as condições da verticalização, podemos afirmar que o mercado de entrado é mais líquido quando as negociações são realizadas em bases distritais ou no máximo no âmbito regional.
Uma segunda questão que pede explicação diz respeito ao “pressuposto de racionalidade” que orienta a conduta dos partidos enquanto atores motivados por objetivos instrumentais e que, por isso, atuam para maximizarem seus interesses eleitorais (Tsebelis, 1998, p. 22 e 221-222). Como notamos (ver introdução), a ação de um partido “[...] é uma adaptação ótima a um ambiente institucional e [...] a interação [entre os partidos] é uma resposta otimizada na relação recíproca entre ambos (ibidem, p. 51).” Desse modo, este pressuposto mostra-se mais evidente na presença de dois fatores: 1) quando as identidades e os objetivos dos partidos estão solidamente estabelecidos; e 2) quando as instituições que regulam a competição eleitoral são precisas e conhecidas pelos partidos. Na medida em que [...] os objetivos dos atores
tornam-se confusos, ou à medida que as regras da interação tornam-se mais fluidas e imprecisas [...] (ibidem, p. 45)’ o pressuposto de racionalidade mostra-se menos evidente.
O “pressuposto de racionalidade” avança na explicitação da competição em múltiplas arenas com payoffs variáveis que caracteriza as eleições com calendário sincronizado no Brasil. Assumir que em um processo eleitoral desta natureza os contextos políticos (múltiplas arenas) determinam as estratégias dos atores partidários significa afirmar que os mesmos fazem escolhas racionais em ambientes específicos. Em outras palavras, impor uma regra institucional que torna as decisões de entrada nos distritos condicionadas à arena presidencial significa assumir que todos os atores partidários são motivados por um pressuposto de racionalidade global e os contextos não têm qualquer importância na determinação das estratégias adotadas por aqueles. A abordagem assemelha-se, para retomarmos a discussão dos jogos ocultos, a um jogo do tipo convencional (jogo gigantesco). Esse tipo de jogo não prevê duração no tempo, as regras e os payoffs de cada competidor são fixados antecipadamente; desse modo, tudo que os atores precisam fazer é escolher uma estratégia de jogo que maximize seus ganhos em uma série de estratégias disponíveis; não há escolhas contingentes porque o jogo não é interativo (Tsebelis, ibidem, p. 62-68).
Uma abordagem de grande poder analítico no contexto brasileiro, que coaduna com o enfoque dos jogos múltiplas arenas, é a que concebe os partidos como dotados de racionalidade contextual, proposto por Lima Jr. (1983, p. 61-82) para estudar a lógica das coligações eleitorais no regime de 1945-1964. O autor qualificou as hipóteses até então em voga sobre a racionalidade das escolhas coligacionais dos partidos ao atentar para a variação no tamanho dos partidos e a prática de coligações. A hipótese corrente no início dos estudos partidários sobre o período era a de que o fenômeno das coligações eleitorais fora uma resposta racional ao ambiente institucional e social do país (Soares, 1964, p. 121; Campello de Souza, 1976, p. 156-157). Assim, as barreiras de entrada constituíam um forte incentivo para que os pequenos partidos recorressem com mais frequência à prática de coligações a fim de garantir representação mínima.
Segundo Lima Jr. (1983, p. 76), de fato o tamanho do partido constitui uma variável importante para compreender a estratégia de formação de coligação. Todavia, esta não pode ser uma definição a priori, pois o tamanho dos partidos variou conforme o tempo, entre os estados e em relação ao nível de competição eleitoral. A correção proposta pelo autor é que se transforme, de fato, o tamanho do partido em uma variável
e, assim, substitua a definição à priori do que seja partidos grandes e partidos pequenos. Nas palavras de Lima Jr. (idem, p. 77): “[...] Isto quer dizer, em outras palavras, que o comportamento partidário seguiu uma estratégia de racionalidade contextual: as decisões partidárias de formar alianças foram racionais porque tinham como principal objetivo maximizar o apoio eleitoral e foram contextuais porque tomadas localmente (grifos meus), à luz dos resultados da eleição prévia, e não de acordo com uma estratégia partidária nacional. A força local relativa de um partido constitui-se, assim, no determinante principal de qualquer decisão sobre formação de alianças.”
Mais recentemente, a abordagem da racionalidade contextual foi renomeada, mas a essência permanece a mesma. As análises referentes ao período da Nova República denominaram este trade-off entre as escolhas coligacionais em competição de múltiplas arenas de “federalismo partidário (Nicolau, 1996, p. 80; Braga, 2006, p. 240) ou “divisão do mercado eleitoral” (Cortez, 2008, p. 24). Segundo este argumento, os grandes partidos são motivados a entrar coligados em certos distritos devido à existência de ritmos distintos de relevância partidária na estrutura federativa. Desse modo, “[...] o federalismo partidário brasileiro, graças ao qual partidos relevantes em alguns estados são irrelevantes em outros, faz com que até os maiores partidos nacionais se beneficiem das coligações em estados onde são mais fracos em termos eleitorais (Nicolau, 1996, p. 80).” Ou seja, os partidos, mesmo os considerados grandes, possuem nichos eleitorais específicos e por isso compensam perdas em distritos onde têm uma performance menos competitiva entrando coligados com quem tem condições reais de vitória em troca de apoio em distritos onde consideram mais segura a vitória.23
Nem todos os partidos podem formular suas estratégias de competição considerando a possibilidade de conquistar os prêmios mais elevados, a presidência da republica ou a eleição de governador (Cortez, 2008, p. 24). Ou mesmo podem entrar isolada em todos os distritos e níveis de competição. Este comportamento é motivado pela avaliação dos custos de entrada decorrentes da magnitude dos distritos eleitorais. Em outros termos, custos elevados de entrada conduzem os partidos a retiradas estratégicas de certos mercados eleitorais e, consequentemente, à especialização em outros cujos custos de entrada não representam uma barreira intransponível (caso das eleições proporcionais) ou investem seus recursos em distritos “seguros”. As condições de racionalidade contextuais levam, portanto, a uma clara divisão do trabalho da
representação dos partidos no mercado eleitoral, seja entre níveis de competição (proporcional ou majoritário) ou entre os distritos eleitorais (idem, p. 24).
Portanto, seja qual for à definição que se queira imprimir a racionalidade contextual da ação partidária concebida por Lima Jr. (1983), a abordagem coaduna com parcimônia com o enfoque dos jogos em múltiplas arenas com prêmios variáveis. Na verdade, são as variações dos prêmios nos contextos (arenas) que determinam as estratégias de entradas dos partidos nas disputas eleitorais. Assim, somente alguns partidos com identidade nacional ou que possuem, a luz do eleitor e da elite política, expectativas de vitória neste plano, podem formular suas estratégias eleitorais imbuídos de uma racionalidade invariante (Lima Jr, idem, p. 62) que caracteriza a eleição presidencial com coligação verticalizada. Em outros termos, no contexto de coligações verticalizadas, estes partidos podem subordinar a entrada nos distritos à disputa presidencial.
Neste sentido, somente a clivagem PT-PSDB tem condições efetivas, hoje, para agir segundo a lógica da racionalidade global quando se trata de incluir necessariamente a arena presidencial no cálculo dos equilíbrios do jogo eleitoral, como previsto pela verticalização. Os dois partidos têm sido eficiente no processo de coordenação partidária nos estados graças à identidade nacional construída nas eleições presidenciais (Melo, 2006, p. 163-170). A entrada destes dois partidos na disputas estaduais está subordinada à competição na arena principal (Cortez, 2008, p. 17). Segundo o autor, por meio da entrada nas disputas estaduais com candidatos próprios ou apoiando outros partidos que se contraponham aos seus adversários, PT e PSDB têm reproduzido eficientemente o conflito nacional nas eleições estaduais. A estabilidade da clivagem PT-PSDB no plano nacional ao longo do tempo pode ser explicada, em parte, por conta de uma estratégia pré-eleitoral, que consiste em subordinar a entrada nos mercados eleitorais estaduais à competição pela presidência da República.
Nesse sentido, em situações em que exista a obrigação legal de incluir a arena presidencial nos cálculos de entrada nos distritos, estes partidos podem suportar o “ambiente estéril” em termos de racionalidade porque são motivados por objetivos de longo prazo (ver cap. 1). Em certo sentido, em termos de jogos ocultos, estes partidos manifestam o “fenômeno da irracionalidade motivada”, quando sacrificam ganhos imediatos nos distritos por um objetivo maior que é a conquista da presidência (Tsebelis, 1998; Cox, 1997). Portanto, escolhas estratégias dessa natureza só podem “[...] tornar-se inteligíveis apenas se forem estudados jogos iterativos com informação
incompleta, nos quais pode ser útil a longo prazo criar uma certa imagem (Tsebelis, 1998, p. 152).” Ou seja, a “irracionalidade motivada” que caracteriza a ação de PT e PSDB na busca pelo prêmio mais relevante no processo eleitoral brasileiro é parte de um comportamento estratégico cuja racionalidade possui um horizonte temporal mais longo. Dito de outro modo, esse comportamento nem sempre é compreensível quando considerado sob a ótica de um jogo simples de uma só partida.
No restante do capítulo daremos um tratamento empírico às estratégias dos partidos nas eleições de governador sob a regra da verticalização.
Para estabelecer a taxa de coordenação das estratégias partidárias nas eleições majoritárias estaduais sob a verticalização elaborei uma metodologia que considero mais apropriada que a simples contagem de vezes em que os partidos de uma determinada coligação nacional entraram unidos em um distrito. Para captar melhor a importância relativa de cada partido de uma coligação nacional, a primeira etapa do procedimento metodológico foi estabelecermos o peso das legendas com base na votação obtida para a Assembléia Legislativa na eleição imediatamente anterior.24 Por exemplo, para estabelecer o peso dos partidos nas eleições de 1998 usei dados da eleição de 1994; para 2002, dados de 1998 e assim sucessivamente. Houve casos em que foi preciso fazer alguns ajustes. Assim, quando os partidos eram recentes e não haviam participado de eleições, exemplo do PRB da coligação de Lula em 2006, optamos por considerar os resultados eleitorais da mesma eleição.
A segunda etapa do processo será tomar cada distrito eleitoral (estado) como unidade de análise. A presença de todos os partidos de uma determinada coligação nacional em uma arena estadual equivale a 1 inteiro. Nas situações onde apenas parte de uma coligação nacional entra na competição em uma determinada arena estadual, considera-se o peso relativo de cada partido, sendo que o resultado será menos que 1 inteiro. No entanto, se a coligação entrou com apenas um aliado na eleição estadual, não consideramos nos cálculos. Por exemplo, no estado de Minas Gerais nas eleições de 1998, a coligação presidencial de Fernando Henrique Cardoso entrou unida na competição ao governo estadual, o que equivale a 1 inteiro. No estado do Ceará, a mesma coligação nacional entrou parcialmente unida, e o peso estabelecido foi de
24Devo esta sugestão a Rafael Cortez, membro da banca de exame de qualificação. Eu havia estabelecido o peso relativo de cada partido componente de uma determinada coligação nacional com base na votação para a Câmara dos Deputados. Seu raciocínio é de que se vou estabelecer a importância relativa de cada partido em uma competição estadual, o mais adequado seria considerar seu peso regional.
0,897. Considerando ainda as mesmas eleições, a coligação de Fernando Henrique entrou com apenas um partido (PSDB) nas eleições majoritárias de Pernambuco, o que não foi considerado.
A terceira etapa do processo será somar os resultados encontrados para cada distrito e depois estabelecer um percentual com base nos 27 distritos eleitorais do país. Por exemplo, a coligação nacional de Ciro Gomes nas eleições de 2002 entrou unida em 10 disputadas majoritárias estaduais; em 11 das arenas estaduais a mesma coligação esteve parcialmente representada nas competições; em 5 distritos esta coligação não teve presença. De modo que, a soma total dos resultados de todos os distritos foi de 15,106, o que significa uma taxa de coordenação de 55,9%.
QUADRO 1
Taxa (%) de coordenação das estratégias partidárias nas eleições majoritárias estaduais (1998-2006)
Eleição
1998 2002 2006
Coligação TC Coligação TC Coligação TC FHC/PSDB (PFL/PPB/PTB/PSD) 61,2 Lula/PT (PL/PCdoB) 95,2 Lula/PT (PRB/PCdoB) 88,0 LulaPT (PDT/PSB/PCdoB) 68,0 Serra PSDB/PMDB 49,9 Alckimin PSDB (PFL) 57,0 - - Ciro/PS (PDT/ PTB) 54,0 - -
Fonte: TSE; Nicolau. Dados brutos. Cálculo realizado pelo autor.
No Quadro 1 temos os resultados dos cálculos para as três em eleições em estudo. Nos pleitos de 1998 as duas principais candidaturas, de Fernando Henrique e Luiz Inácio, alcançaram taxas de coordenação elevadas. A coligação nacional liderada