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Sigorta ve Finansal Riskin Yönetimi (Devamı) 2 Finansal Risk Yönetimi (Devamı)

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4. Sigorta ve Finansal Riskin Yönetimi (Devamı) 2 Finansal Risk Yönetimi (Devamı)

Se a unidade deve ser participada pela multiplicidade, é preciso observar de qual natureza é esta unidade da qual a multiplicidade participa. Além da natureza do princípio, é importante verificar sua quantidade, porquanto a própria multiplicidade deve ter algo de uno, sendo ela, de algum modo, também una. A multiplicidade é unidade enquanto totalidade e cada uma de suas partes também é una, não sendo absurdo estabelecer mais de dois elementos como Princípio, se estes forem compreendidos como sendo, cada um, uma unidade. Proclo, então, segue duas direções para demonstrar a transcendência do Uno: primeiro, ele argumenta sobre a necessidade de uma causa e; segundo, que essa causa deve ser uma. Para provar que tudo o que existe procede de uma só causa, são levantadas três possibilidades além da existência de uma

causa única, a saber: de todos os seres serem incausados (οὐδενός αἰτία), de eles terem um

número de causas determinadas, de modo a serem circular (κύκλῳ περίεισι τὰ αἴτια) e, por fim,

de as causas serem infinitas (ἄπειρον αἰτία )249.

A hipótese de os seres serem incausados é descartada pela ideia de ordem. Acontece que é a causa que estabelece uma compreensão de primeiros e segundos, dos que geram e que

248 Aqui é interessante uma observação relativa ao termo Uno: primeiro é preciso compreender que ainda que o

título da obra procleana remeta a uma teologia, o termo theologia não aparece nenhuma vez no tratado e o próprio termo Theos só começa a aparecer na proposição 113. Ademais, o tratado recebe o nome de Elementos de

Theologia por versar sobre os princípios que rege a ordem do real Cf. CHARLES-SAGET, Annick. L’architecture du divin: mathématique et philosophie chez Plotin et Proclus. Paris: Les Belles Lettres, 1982. p. 208. (Tradução nossa).

são gerados, ou seja, é a causalidade que permite a ideia de uma progressão. Se os seres fossem incausados, não haveria ordem. Porém, por meio de uma análise indutiva, se vê que toda a realidade é marcada por uma ordem e a ordem é o que proporciona a ciência. Para o Bizantino

“A ciência é o conhecimento das causas”250, deste modo, a existência da ciência é a evidência

de que os seres possuem causas. A segunda hipótese a ser estudada é a da circularidade das causas. Admitir que as causas são de um número determinado e circulares significa cair em sérias aporias. Proclo afirma, neste caso, que um objeto seria superior e inferior a seu efeito, mesmo que se postulasse causas intermediárias, assim, admitir uma circularidade de causas também se mostra absurda. Resta, somente, a possibilidade de haver uma única causa ou de as causas serem infinitas. Entretanto, se as causas fossem infinitas também não haveria ciência, pois seria sempre necessário voltar a uma causa anterior, não havendo ciência de nada. Uma vez que existe ciência, não é possível que as causas sejam infinitas.

Na proposição 11 é afirmada a existência de um só Princípio para todas as coisas e a proposição 22 reforça tal ideia ao argumentar que o que existe preliminarmente em cada ordem é tão somente um. Se fossem dois ou mais, ou seriam os dois princípios separados ou unidos. Sendo unidos seriam um e não dois. Se fossem separados ou estariam no mesmo nível, ou seriam iguais ou derivariam um do outro. Se fossem iguais, significaria que eles teriam a mesma natureza, sendo um e não dois; se derivassem um do outro, o princípio seria somente um. No caso de estarem no mesmo nível e não serem iguais, significaria que nenhum dos dois é princípio, mas que há um terceiro do qual ambos participariam e este seria o primeiro. Deste modo, pode-se dizer que: “tudo o que existe preliminarmente e originalmente em cada ordem é

um e não dois ou mais que dois, mas somente um.”251

O Princípio Primeiro de todas as ordens é aquele que nas traduções é posto como

Uno. Todavia, já na proposição 12 é dito que “tudo o que existe tem o Bem como seu princípio

e causa primeira.”252 Ao afirmar o Bem como primeira causa, após ter demonstrado que a causa

primeira deve ser somente uma e ter indicado que ela seria o Uno, como explicar que o Bem seja a causa e princípio dos seres? Esta dificuldade é desfeita quando se pensa que há uma mesmidade entre o Uno e o Bem e se leva em consideração os aspectos inefáveis do Primeiro Princípio. Neste sentido, a primeira coisa que se deve ter em mente é que o Primeiro Princípio,

250 ἡ γὰρ τῶν αἰτίων γνῶσις ἐπιστήμη τῶν ὄντων οὐδενός. PROCLO, Elementos de Teologia, prop. 11. (Tradução

nossa).

251 Πᾶν τὸ πρώτως καὶ ἀπχικῶς ὂ καθ'ἑκάστην τάξιν ἕν ἐστι, καὶ οὔτε δύο οὔτε πλείω δυεῖν, ἀλλὰ μονογενὲς πᾶν.

Ibidem, prop. 22. (Tradução nossa).

ao ser causa de todas as coisas, é o que lhes assegura existência253. Porém, ele mesmo, enquanto

tal, não é causa. O que se quer dizer é que o Primeiro, por não participar da esfera do ser, não pode ser dito segundo nenhuma das categorias do real. Assim, tudo o que dele é dito o é a partir de seus efeitos.

São duas, como foi visto, a maneira de dar uma indicação sobre o Uno; pois dois são os nomes que Platão nos transmitiu desta causa inefável. Na República, em efeito, ele a denominou o Bem e mostra que ela é a fonte da verdade que unifica o intelecto e os inteligíveis; e no Parmênides, ele nomeou o Uno como Primeiro Princípio e revelou como ele faz existir as hénadas divinas. Novamente, entre estes nomes, o segundo é uma imagem da processão do universo inteiro, o primeiro, de sua conversão.254

Se os termos Uno e Bem são imagens do movimento de processão, tais termos se

referem mais aos efeitos do que ao Primeiro Princípio, do qual é dito ser inefável255 (ἄρρητος).

Assim, bem como já se revelara com Platão, na República, e com Aristóteles, na Metafísica, o bem de cada ser é seu objeto de desejo. Ao passo que o Primeiro Princípio é desejado por todos os seres, ele é o Sumo-Bem. Quanto ao termo Uno, este está fundamentado no Parmênides, e revela o princípio do qual todas as coisas têm sua razão de ser. Como afirma Trouillard: “A unidade não é uma propriedade do Princípio, mas sua maneira de agir, sua teofania primordial

e a mais alta perfeição dos derivados.”256 Como conversão e processão convergem no mesmo

ponto, Bem e Uno são o ponto de convergência de todos os seres. Logo, quando se fala da causa primeira, independente do aspecto de que se fale, se o faz a partir dos efeitos e da relação com que eles possuem com a causa.

Declara Proclo: “igualmente, se a unificação é um bem em si mesmo e o bem tem a capacidade de criar unidade, o Bem absoluto e o Uno absoluto se identificam, unificando e

253 Esta imagem do princípio como aquele que mantém e dá existência aos seres já se encontra na República de

Platão, quando o fundador da Academia apresenta sua analogia do Sol fazendo referência ao Bem. Cf. PLATÃO,

República, 508b-c.

254 Διττὸς οὖν, ὥσπερ εἴπορεν, ὁ τπόπος τῆς τοῦ ἑνὸς ἐνδείξεως· διττὰ γὰρ αὖ καὶ ὀνόματα παραδίδωσιν ἡμῖν ὁ

Πλάτων τῆς ἀρρήτου ταύτης αἰτίας. Ἐν Πολιτείᾳς μὲν γὰρ τἀγαθὸν αὐτὴν ἀποκαλεῖ καὶ τῆς αληθείας τῆς ἑνιζούσης τόν τε νοῦν καὶ τὰ νοητὰ πηγὴν επιδείκνυσιν· ἐν Παρμενίδῃ δὲ ἓν ἐπονομάζει τὴν τοιαύτην ἀρχὴν καὶ τῶν ἑνάδων ἀποφαίνει τῶν θείων ὑποστατικήν. Πάλιν δὴ οὖν τῶν ὀνομάτων τούτων, τὸ μὲν τῆς προόδου τῶν ὅλων, τὸ δὲ τῆς ἐπιστροφῆς ἐστιν εἰκών. PROCLO, Teologia Platônica, II, 40.2-10. (Tradução nossa).

255 Cf. REEGEN, Jan Gerard Joseph ter. Deus não pode ser conhecido. A incognoscibilidade divina no Livro dos XXIV Filósofos (XVI e XVII) e suas raízes na tradição filosófica ocidental. In: Mirabilia: Revista Eletrônica de História Antiga e Medieval. N° 2, 2002. pp. 150-170. Disponível em:

https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=2226909. Acesso em: 06 de Agosto de 2018. p. 160-16: a mais profunda expressão da inefabilidade do Uno no pensamento procleano se encontra no Hino ao Princípio Primeiro, que outrora foi atribuído ao Gregório de Nazianze. No citado hino há uma ladainha de negação que manifesta a absoluta transcendência do Uno. Cada ordem do ser tem seu objeto de conhecimento específico, mas o Uno não pode ser alcançado por ordens inferiores, devido sua transcendência, de modo que nada pode ser afirmado a respeito dele em sentido estrito. Sobre isso, o hino expressa: “Palavra nenhuma é capaz de Ti expressar./ Nenhuma inteligência pode perceber-Te/ Nenhuma inteligência pode captar-Te/ Somente Tu és impronunciável”. PROCLO,

Hino ao Princípio Primeiro. Apud. Ibidem, p.160.

envolvendo simultaneamente as coisas que existem.”257 Se Bem e Uno são inefáveis, ao ponto

de serem ditos só a partir de seus efeitos e dizerem respeito a um único princípio, tem-se a

justificativa para a primeira tradução do termo ἕν, o Uno corresponde ao princípio que, sendo

fundamental para todos os seres, está também separado de todos eles. Este Uno, segundo Charles, marca um espaço ontológico que permite o desenvolvimento do sistema do Bizantino, na medida em que é o imparticipado do qual toda multiplicidade participa, permitindo que todas

as relações e diferenças posteriores sejam possíveis258. Mas, fica aqui um questionamento: se

este princípio é separado e imparticipado, como a multiplicidade dele participa? É ao dissolver

esta aporia que será possível compreender os demais modos de traduzir ἕν.

4.2 As Hénadas como elementos possibilitadores da processão

A participação no Uno é indispensável por dois motivos: primeiro, porque faz com que todas as coisas sejam uma unidade; e, segundo, porque é a unidade que ocasiona a

existência259. Assim, ainda que as determinações só sejam constatadas nos seres, i. é, nos

elementos que detêm algum grau de complexidade, elas têm por fundamento a unidade. A participação da multiplicidade na unidade se dá, então, pela presença de intermediários, o que leva à necessidade de recorrer ao movimento de processão. Pela processão a realidade composta por ordens seriais se justifica ao ser afirmado que toda processão se dá pela semelhança do

produto com produtor260. No entanto, a semelhança apresenta algumas dificuldades, porque a

relação entre o que produz e o que é produzido carrega consigo a dificuldade relativa à transcendência do Primeiro Princípio, que é posto como separado de tudo o que existe. O

primeiro é imparticipado261, de modo que fica a questão: se o Uno é imparticipado, pode a

multiplicidade dele participar? Se ele é separado e fora de qualquer relação262, como dá

existência aos seres?

257εἰ δὲ καὶ ἕνωσις ἀγαθὸν καθ'αὐτὸ καὶ τὸ ἀγαθὸν ἑνοποιόν, τὸ ἀγαθῦνον τὰ ὄντα. PROCLO, Elementos de Teologia, Prop. 13. (Tradução nossa).

258 Cf. CHARLES-SAGET, Op. cit., 1982, p. 223. 259 PROCLO, Teologia Platônica, II, 4.8-22. 260 Cf. PROCLO, Elementos de Teologia, prop. 28

261 Cf. Ibidem, prop. 116 (Tradução nossa): “Todo deus é participável, exceto o Uno. Que em primeiro lugar ele é

imparticipável, pois se fosse participável, receberia unidade de um particular e cessaria de ser causa das coisas existentes e dos princípios primeiros do ser”. (Πᾶς θεὸς μεθεκτός ἐστι, πλὴν τοῦ ἑνός. ὅτι μὲν γὰρ ἐκεῖνο ἀμέθεκτον, δῆλον, ἵνα μὴ μετεχόμενον καὶ τινὸς διὰ τοῦτου γενόμενον μηκέτι πάντων ὁμοίως ῇ τῶν τε προόντων καὶ τῶν ὄτων αἴτιον).