2. GENEL BĠLGĠLER
2.11. Sigara, Alkol ve Kafein
A outra abordagem que procura explicar a elaboração da doutrina militar é a corrente cultural. Com uma epistemologia construtivista emerge como uma crítica às abordagens racionalistas, elucidando que as normas e as crenças constituem a identidade do indivíduo ou do grupo (HUNTER, 2001) e que essas variáveis interferem deliberadamente na condução da elaboração da doutrina. As organizações militares são formadas por pessoas que integram a sociedade, que é construída e solidificada por
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simbologias e suas interpretações. Impossível separar a cultura da doutrina (SLOAN, 2012).
Kier (1995) argumenta que a escolha das doutrinas é mais bem compreendida de uma perspectiva cultural, e por isso raramente é uma resposta cuidadosamente calculada para o ambiente externo. Os políticos civis têm crenças sobre o papel dos militares na sociedade e são essas crenças que orientam as decisões de como os militares deverão se organizar.
Para Kier (1995) é preciso conhecer a cultura de um ator para que suas escolhas tenham sentido. As preferências das organizações militares são reflexos da cultura organizacional (valores, normas, crenças e conhecimento formal e informal compartilhado) e não somente das necessidades funcionais das organizações (IRONDELLE, 2003).
Para Farrell (2002), as normas são crenças enraizadas e reproduzidas por meio da prática social, regulando a ação pela definição do que é apropriado para a norma social e o que é efetivo de acordo com a ciência, assim, quando a ideia se transforma em norma, também tende a ser tornar ação. As normas internacionais dão legitimidade à prática institucional do país e permite que os outros Estados reconheçam o significado desse comportamento institucional.
Mas Kier (1995) assegura que os civis estão mais preocupados com a distribuição interna de poder do que levar em consideração os incentivos internacionais, podendo afetar o desenvolvimento das doutrinas quando, por meio da deliberação, os civis resolverem constranger, de alguma forma, a organização militar. Ainda que seja o contrário, as organizações militares não dão preferência a doutrinas ofensivas, pois o que ocorre é que são coagidas pela cultura de restrições promovida pelos políticos. Assim, é coerente destacar que Kier (1995) pesquisou a origem dos fatores que influenciam na doutrina, e a encontrou dentro do próprio Estado, enquanto que Farrell (2002) e outros pesquisadores culturalistas também vêm encontrando indícios de que algumas normas que são institucionalizadas na estrutura e prática organizacional militar são originadas de fora do Estado (FARRELL, 2002).
As restrições, apresentadas pela teoria de Kier (1995), impostas pelas decisões políticas, não determinam as escolhas entre defensiva e ofensiva, mas sim a forma como a cultura organizacional militar irá responder a essas limitações. Farrell (2008), também reconhece que a política constrange e a cultura militar interpreta esse constrangimento
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na elaboração da doutrina, e assim a variável dependente sofre a mediação da cultura organizacional (KIER, 1995).
Por isso, Kier (1995) propõe estudar o papel das forças armadas dentro Estado, ou pelo menos, o que os civis acreditam que deva ter, pois a balança de poder no ambiente doméstico pode afetar a elaboração da doutrina, caso seja percebido, pelos civis, um fortalecimento da casta militar, que é visto como ameaça pelas elites civis. Em alguns Estados é percebida uma redução das organizações militares em recursos, influência e estatura pelo temor a um possível golpe de estado (PION-BERLIN, 2001).
A ideia de Kier (1995) é argumentar que o número de subculturas afeta a função de causa da cultura da política militar. Se existem subculturas concorrentes serão como ideologias que desempenham papel direto e visível na determinação da política militar. Com apenas uma subcultura político-militar será como senso comum, livre de obter consenso com outra subcultura. Avant (1993) compartilha, reconhecendo que a ausência de divisão entre as lideranças civis reduz as oportunidades de desenvolvimento de doutrinas desalinhadas com as preferências civis.
Kier (1995) não acolhe a proposição das respostas e preferências doutrinárias pelo Estado em resposta a imposições do sistema internacional, argumentando que, raramente os civis irão intervir diretamente na escolha entre uma ou outra orientação, mesmo sob ameaça internacional.
De acordo com a lógica funcional, doutrinas ofensivas garantem prestígio, autonomia e certeza, levando os militares a optarem por essa orientação. Mas as doutrinas defensivas também podem reduzir a necessidade de improviso e receberem menos influência dos civis. Os civis, especialmente de escritórios estrangeiros, podem interferir no planejamento militar, caso as operações incluam ataques ofensivos e invasão em território de país vizinho (KIER, 1995), para administração de serviços públicos dos países que tiveram o poder político neutralizado.
Assim, na ótica da abordagem cultural define-se que a análise funcional e estrutural não explica adequadamente escolhas entre doutrinas, é preciso conhecer a subcultura político-militar dos civis e a organização cultural dos militares. A estrutura do sistema internacional não dita à orientação doutrinária, e as preferências políticas de certos setores da sociedade devem ser consideradas, pois limitam as opções de doutrina, e, além disso, deve-se reconhecer que a responsabilidade pela escolha doutrinária pertence aos militares (KIER, 1995).
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O interesse em apresentar explicações, por meio da abordagem construtivista, para as inovações em assuntos militares avançou com as pesquisas de Farrell (2010). Ele argumenta que os padrões culturais no contexto da inovação militar fundamentalmente modelou a reação das organizações militares (GRISSOM, 2006). Farrell (2010), em suas análises, sugere que a cultura pode impactar nas inovações militares, mas entendendo que essa variável não é uma insuperável barreira para a mudança (HUNTER, 2001) como reconhecem os racionalistas.
Adamsky (2010) argumenta que somente a cultura não seria suficiente para promover a inovação, mas sim a sua interação com a estrutura e a tecnologia, apontando não somente os fatores culturais como também os fatores cognitivos que afetam a variável resposta, em outras palavras, a inovação também iria variar conforme a percepção dos formuladores da doutrina militar.
Por outro lado, Farrell (2002) orienta sua teoria por três caminhos, entendendo que por meio da transformação os líderes da organização buscam institucionalizar as mudanças pela transformação da cultura militar para um constante mudar e inovar, com o propósito de assegurar a internalização do processo de mudança na burocracia (WINTER, 2009), e que por meio dos choques externos que podem remodelar a cultura, assegurando um campo fértil para a inovação, e que por meio do contato entre as diferentes organizações militares beneficia a troca de informações levando-as a emulação uma com a outra (GRISSOM, 2006).
De acordo com essas definições, as mudanças podem ser determinadas pela dimensão de seu caráter. A inovação militar é entendida como uma institucionalização de uma nova doutrina, uma nova estrutura organizacional ou uma nova tecnologia. A inovação pode ser revolucionária, ou seja, ocorrer uma quebra de paradigmas e mudar rapidamente, mas também pode ser evolucionária, ou seja, ocorrer cadenciadamente como na maioria dos casos (FARRELL, 2010).
A inovação evolucionária se apresenta conforme as mudanças de ambiente forem aparecendo e na medida em que o desempenho for diminuindo, assim, as organizações percebem a necessidade de se adaptarem de forma contínua, resultando em uma mudança significativa com o passar do tempo (FARRELL, 2010). A adaptação envolve ajustes doutrinários se distinguindo como mudanças de menor dimensão.
Outra forma de mudança de menor proporção apontada por Farrell é a emulação, conceito dado pela importação de ideias e equipamentos empregados em batalhas por outras organizações militares (FARRELL e TERRIFF, 2002).
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Contudo, as formas de mudança delineadas por Farrell e Terriff (2002) sugerem que as inovações sejam analisadas pelo ponto de vista das razões pela mudança, pelos impedimentos e facilidades por essa mudança, nas dimensões da cultura da política e da tecnologia.