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Variações dos metabólicos sanguíneos em vacas leiteiras no período de transição e início de lactação, permitem estimar o processo de adaptação metabólica a novas situações fisiológicas ou de alimentação. Estudos apontam resultados variados com relação aos efeitos da suplementação de lipídeos nas rações sobre o metabolismo de ruminantes. A absorção intestinal, transporte, metabolismo sistêmico, secreção e deposição de gordura no organismo são aspectos diretamente ligados ao metabolismo de lipídios e podem influenciar os parâmetros sanguíneos em animais recebendo dietas com lipídeos (CHRISTENSEN et al., 1994).

Vacas no período de transição e início de lactação que estão em balanço energético negativo há uma grande mobilização de reservas corporais, fazendo com que aumente AGNE na circulação, além dos AGs advindos da alimentação que são absorvidos no intestino e transportados na forma de quilomicrons e VLDL no sangue. Jenkins e Jenny (1992) concluíram que uma maior concentração de lipídeos no sangue é explicada pelo aumento da gordura absorvida no intestino e/ou por aquela proveniente da lipólise.

O fígado é um órgão de grande importância no metabolismo das gorduras, pois capta do sangue os AGS presentes nos quilomicrons e VLDL que estão presentes em abundância durante a absorção intestinal e os ácidos graxos da mobilização de reservas corporais. Ele pode oxidá-las totalmente e usar como forma de energia; pode oxidá-las parcialmente a corpos cetônicos (acetoacetato, -hidroxibutirato e acetona) com menor produção de energia; ou reesterificar formando triglicerídeos, que, por sua vez, podem ser exportados para o restante do organismo na forma de VLDL (CADORNIGA-VALIÑO et al., 1997).

Em ruminantes, grande quantidade de corpos cetônicos ( -hidroxibutirato) são produzidos na parede do rúmen, durante a absorção do butirato produzido pela fermentação ruminal. Em vacas bem alimentadas, a produção ruminal é considerada a principal fonte de - hidroxibutirato plasmático (HEITMANN et al., 1987). No entanto, durante períodos de baixa

ingestão de matéria seca ou balanço energético negativo, os corpos cetônicos plasmáticos são originados principalmente da cetogênese hepática (HEITMANN et al., 1987).

Em vacas lactantes no período de transição, a produção de corpos cetônicos hepáticos se eleva em 50%, enquanto a produção de CO2 se mantém constante (DRACKLEY et al., 1991). Esses dados mostram que, mesmo com o aumento da cetogênese hepática, a oxidação total dos AGNE se mantém em animais em balanço energético negativo. Em experimento realizado por Cadorniga-Valiño et al. (1997), observou-se que a cetogênese hepática aumenta com o maior fornecimento de lipídeos na dieta, sugerindo que a cetogênese pode ser regulada pela disponibilidade de substrato. Portanto, quanto maior a concentração de AGNE, maior poderá ser a produção hepática e as concentrações plasmáticas de corpos cetônicos. Onde o aumento da ingestão de ácidos graxos para 1 kg/dia resulta em aumento da concentração de AGNE em 81µM em vacas de lactação e 1mM ou mais durante o período de transição (DRACKLEY, 1999).

Mandebu et al. (2003) compararam a suplementação de lipídeos na forma de Ca-AGs sendo que as concentrações de AGNE e -hidroxibutirato durante as duas primeiras semanas pós-parto não sofreram efeito das dietas (Ca-palma e Ca-soja), e os níveis estavam dentro dos limites normais para espécie (DRACKELY et al., 1998; GARCIA-BOJALIL et al., 1998), resultado semelhante foi observado por Calderas-Torres et al. (2011) porém os autores avaliaram dietas com Ca-Ácido trans-octadecenoico e Ca-óleo de cártamo e sem adição de lipídeo. Porém, Ballou et al. (2009) observaram que a suplementação lipídica tendeu a diminuir a concentração plasmática de AGNE, e a concentração plasmática de - hidroxibutirato foi menor durante o pós-parto para as vacas suplementadas com lipídios (saturados ou insaturados). No entanto o grau de saturação do suplemento lipídico não teve influência sobre os metabólitos sanguíneos. Chen et al. (2015), ao suplementar vacas do período seco até início de lactação com dieta com ou sem inclusão de Ca-AGS, observou um aumento tanto no pré como no pós-parto nas concentrações de AGNE e -hidroxibutirato plasmático.

Petit et al. (2002), avaliaram a suplementação de Ca-AGs, sementes de linhaça e soja micronizada como fonte de gordura nas rações de vacas leiteiras no início de lactacão com rações contendo cerca de 8,0% de EE. Estes autores observaram maior concentração de colesterol, um metabolito sintetizado a partir de AGs, para as vacas suplementadas com Ca- AGs, e baixa concentração para sementes de linhaça. Já Gonthier et al. (2005), observaram aumento do colesterol plasmático e das concentrações de AGNE no sangue para vacas suplementadas com fonte de lipídeo em relação as vacas do grupo controle (sem

suplementação lipídica). Já, Zachut et al. (2010b) não notaram alterações nas concentrações plasmáticas de AGNE.

Bauman e Lock (2006) reportaram que quando se avalia os parâmetros sanguíneos de vacas suplementadas com gordura, pode-se afirmar que durante o período de suplementação são esperados aumentos dos níveis de colesterol total, triglicerídeos, e nas frações de colesterol HDL, LDL e VLDL. Isso ocorreria em função do aumento do nível de lipídeos circulante, sendo estes a forma a qual são transportados na circulação sanguínea. Ingraham e Kappel (1988) enfatizaram que avaliar os níveis plasmáticos de colesterol seria parâmetro a ser utilizado para avaliar a capacidade da vaca em produzir mais leite, uma vez sua concentração reflete a capacidade de mobilização de gordura corporal e ingestão de gordura da dieta para lactogênese. Porém, Fuentes et al. (2007) ao alimentarem vacas no início da lactação com semente de linhaça não observaram alterações nas concentrações de colesterol, triacilglicerol e AGNE aos 40 dias pós-parto quando comparada com o grupo controle. Resultado semelhantes ao de Petit et al. (2004) que não encontraram diferenças nas concentrações de AGNE e colesterol entre vacas que receberam dietas isolipídicas suplementadas com semente de linhaça e Ca-AGs.

Barletta (2010) e Naves (2010) observaram um aumento no colesterol total e colesterol HDL nos parâmetros sanguíneos dos animais que receberam grão de soja cru. Segundo os autores, o aumento da concentração do colesterol total e colesterol HDL no lipidograma do soro pode ser justificado devido ao maior consumo de ácidos graxos nas rações, que proporcionou aumento das respectivas frações relativas ao metabolismo de lipídeos transportadas no sangue. Entretanto, é preciso considerar que além da fase de lactação, o nível de produção também reflete mudanças no padrão do perfil metabólico em vacas em produção. Gonzales e Rocha (1998) enfatizaram que vacas de alta produção apresentam níveis sanguíneos de colesterol significativamente mais elevados comparados com vacas de baixa produção.

Além dos metabólitos relacionados ao lipidograma, a determinação da concentração de nitrogênio e ureia circulante é importante para avaliação do balanço de nitrogênio da ração fornecida, pois reflete parte do metabolismo ruminal de proteínas, além de possibilitar avaliação do balanço de proteína/energia da dieta (GONZALES; ROCHA, 1998). Drackley et al. (1992) e Elliott et al. (1993) avaliaram a suplementação de gordura em vacas Holandesas e não observaram mudanças nas concentrações de uréia no sangue dos animais. De acordo com Schuff et al. (1992a), mudanças nas concentrações de ureia e nitrogênio plasmático poderiam ser atribuídas às baixas concentrações de nitrogênio amoniacal ruminal.

Benzer Belgeler