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2.3. İlgili Araştırmalar

2.3.1. Siber Zorbalık ile İlgili Yapılan Araştırmalar

O debate sobre a indispensabilidade da Justiça do Trabalho para o modelo de relações de trabalho no país tem sido sempre presente. Mas, nos anos noventa, este debate foi estimulado por teses pró-mercado a favor de soluções não estatais, como a arbitragem. Essa posição teve como porta-vozes membros do governo Fernando Henrique Cardoso, alguns juristas, líderes sindicais e mesmo membros da Justiça do Trabalho.

No entanto, apesar dessa pauta e de mudanças institucionais no seu Poder Normativo, a Justiça do Trabalho mantém-se como uma instituição definidora de mudanças do direito do trabalho no Brasil, tendo inclusive aumentado suas competências. Para explicar o processo de político que, na linguagem institucionalista, cultivou a manutenção da instituição, devemos

focar na reforma do Judiciário, que se iniciou no começo dos anos 90, e que culminou na Emenda 45/2004. Esta emenda estabelece que um conflito coletivo pode ser apresentado à Justiça do Trabalho apenas se ambas as partes concordarem. Com isso, a Justiça do Trabalho tornou-se uma instituição de arbitragem pública que irá decidir sobre o conflito apenas se as partes a elegerem.

Koerner (1999) identifica três posições centrais na reforma do Judiciário: corporativista conservadora, Judiciário democrático e Judiciário mínimo. A posição corportativista conservadora entende a crise do Judiciário a partir de problemas internos de funcionamento que poderiam ser solucionados com modernização do equipamento do Judiciário e aumento das prerrogativas corporativas e do controle das instâncias superiores sobre as inferiores. Para o Judiciário democrático, a crise seria de legitimidade, diante da não transparência do Judiciário e do seu afastamento em relação à sociedade. Propõe, assim, formas de controle externo e ampliação do acesso da sociedade ao Judiciário. O Judiciário mínimo entende que a crise tem sua origem na intervenção estatal, de modo que a transferência dos conflitos para outras formas de solução que não as judiciais se apresentariam como menos custosas e mais favoráveis à economia.

Podemos dizer que, desde final da década de 80, a partir do legado deixado pelo seu ex- presidente Marcelo Pimentel, o TST tem imprimido na instituição as lógicas das posições corporativista conservadora e do Judiciário mínimo, ainda que com aberturas para a lógica do Judiciário democrático em períodos mais recentes.

As posições do presidente do TST Marcelo Pimentel refletem as concepções das posições conservadora corporativa e do Judiciário mínimo. A posição conservadora corporativa pode ser encontrada na defesa do papel do TST de uniformizador da jurisprudência durante os trabalhos do processo constituinte (FREITAS, 2006, p. 132). A posição do Judiciário mínimo no discurso de Pimentel encontra-se na crítica da ampliação do Poder Normativo pela Constituição e na defesa da definição pelo TST de uma política destinada a racionalizar seus trabalhos e tolher novos congestionamentos (PIMENTEL, 1989, p.584, apud SILVA, 2008, p.306). Para o autor, quanto mais normas coletivas produzir o tribunal, mais lides estará propiciando (PIMENTEL, 1989, p.584, apud SILVA, 2008, p. 366). Assim que o tribunal deveria exercer o Poder Normativo de “forma indutora da negociação” e “educativa das partes” “e orientadora da conciliação e arbitragem” (PIMENTEL, 1989, p.587, apud SILVA, 2008, p. 367). Ainda, Marcelo Pimentel também exortou a racionalização das decisões em dissídios individuais. A uniformização dessas decisões reforçaria o papel do TST

de interpretar o direito e de educar os agentes econômicos em direção a formas extrajudiciais de solução dos conflitos (PIMENTEL, 1989, p.589, apud SILVA, 2008, p. 368)

Tais posições foram adotadas por presidentes posteriores a Pimentel, de modo que o TST passou a adotar uma política de gestão de suas decisões de modo a controlar a demanda de conflitos através da Justiça do Trabalho. E o exemplo mais claro de implementação dessa política foi a adoção da Instrução Normativa n.4/1993, que limitou o Poder Normativo do tribunal.

Essa política de gestão de conflitos também foi também foi apresentada no âmbito externo da instituição. Segundo o presidente do TST Ministro José Ajuricaba da Costa e Silva, soluções para o problema do congestionamento da Justiça do Trabalho seriam apresentadas através de anteprojetos que proporiam a criação de um Conselho da Justiça do Trabalho com o objetivo de coordenar os serviços dos tribunais pela cúpula do Judiciário Trabalhista; reformas processuais, condicionamento do ajuizamento das reclamações trabalhistas à apreciação dos órgãos externos de conciliação e arbitragem; recusa ao fim do poder normativo, apresentando como solução a mencionada Instrução Normativa n. 4/93 (COSTA E SILVA, 1993 apud SILVA, 2008, p. 369).

Desde então, o Judiciário Trabalhista, na figura de sua cúpula, pôde oferecer propostas conectadas com os rumos que a Reforma do Judiciário tomaria, uma vez que essa envolveu, através do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ações centradas em formas de controle administrativo dos tribunais, aparelhamento do Judiciário e metas de levantamento e solução mais rápida de demandas. Apesar de alguns avanços sobre a execução trabalhista, a litigância de má fé por parte de empregadores ainda é um tema em aberto. Também em discussão estão as demandas por democratização na seleção das cúpulas e pelo acesso da sociedade ao Judiciário através do aprofundamento na defesa de interesses coletivos .

Para o Banco Mundial, o problema da Justiça do Trabalho continua sendo a existência da mesma. Resenha feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) indica que, para aquela instituição, apesar dos juízos trabalhistas serem produtivos em alguns aspectos – leia-se: alcançar metas de julgamento de recursos nas instâncias superiores- o problema seria do investimento incorreto do ponto de vista do “custo Brasil” que o governo brasileiro e os empregadores fazem no sistema, o qual deveria ser direcionado para soluções extrajudiciais15.

15AMB. sem data. “Resenha do relatório do Banco Mundial feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Brasil: fazendo com que a Justiça conte”.

Benzer Belgeler