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Para a compreensão desse adolescente que tem a sua disposição, amplos e variados recursos da tecnologia para a busca de informação profissional, considerou-se apropriado analisar um procedimento de intervenção em Orientação Profissional realizado em processos grupais presenciais. A seguir algumas vantagens serão abordadas para justificar tal escolha.

No grupo presencial de Orientação Profissional, os integrantes trocam informações, relatam experiências e, assim, um pode contribuir com o outro. Além disso, na situação grupal é possível utilizar técnicas dramáticas e expressivas, facilitadoras para os adolescentes, pois favorecem o compartilhamento de sentimentos, problemas e vivências semelhantes entre eles, enriquecendo a sua gama de possibilidades reflexivas. Para Carvalho (1995), o atendimento em grupo traz vantagens extremamente relevantes “uma vez que a participação grupal leva a experiências profundas de autoconhecimento, conhecimento do outro e interação” (CARVALHO, 1995, p.81).

Outro ponto importante da intervenção em grupo, como ressalta Melo-Silva e Jacquemin (2001) é que o grupo propicia o convívio habitual do adolescente em turmas e o papel facilitador desempenhado pelos demais integrantes de um grupo. Destacam os autores que há:

[...] necessidade de serem desenvolvidas formas alternativas de ampliação do atendimento na modalidade grupal, visando o acesso a um número cada vez maior de jovens à Orientação Vocacional / Profissional. Além das vantagens apontadas, os atendimentos em grupo ampliam o alcance dos serviços, possibilitam a relevância social do serviço prestado à comunidade (MELO- SILVA; JACQUEMIN, 2001, p. 85).

Para Niles e Harris-Bowlsbey (2005), as pesquisas em sua maioria concordam que existem algumas vantagens nas experiências de Orientação Profissional em grupo. Primeiro pela orientação em grupo se mostrar eficiente em alcançar seus objetivos, ela maximiza o tempo do orientador por atender um maior número de clientes. E o mais importante é que nesse tipo de intervenção os integrantes do grupo têm a oportunidade de aprender novas informações na troca entre eles, recebem suporte social e emocional dos demais integrantes e aprendem a compartilhar as experiências similares. As intervenções em grupo oferecem a oportunidade para os integrantes de dividir as pesquisas realizadas e as idéias de cada um, podendo maximizar as oportunidades para aprender novas estratégias.

As trocas de experiências em grupo na Orientação Profissional aumentam quando o orientador tem a habilidade de fomentar a cooperação e o sentimento de inclusão grupal no qual os integrantes podem focalizar objetivos comuns. Para tanto é fundamental que o grupo possa se vincular, estabelecendo interações além de desenvolver um conhecimento interpessoal. Na medida em que tem o mesmo objetivo, a escolha da profissão, o grupo pode se fortalecer ao compartilhar as angústias e dúvidas vivenciadas no processo.

Na presente investigação, o referencial teórico que fundamenta a intervenção de Orientação Profissional, foco deste estudo, é a análise do processo grupal que se fundamenta na abordagem de Grupo Operativo de Enrique Pichon-Rivière (1994,1995). Esse referencial compreende o homem como um ser de necessidades, inserido em uma sociedade e em uma relação dialética com o mundo. “Entendo o homem como se configurando em uma atividade transformadora em uma relação dialética mutuamente modificante com o mundo, relação esta que tem seu motor na necessidade” (QUIROGA, 1994, p.69).

A proposta de “aprender a pensar” em um diálogo, elaborando obstáculos, resolvendo tramas internas, resolvendo medos, aprendendo a pensar em grupo e a conviver com ele de maneira harmoniosa e em busca da criatividade grupal, consiste em ver os distintos aspectos de um problema, de diferentes perspectivas, de uma maneira dialética, que permite a compreensão dos pares contraditórios, e não dilemática (o que obstaculiza o processo). Nesse sentido, para se estudar a contribuição da informação nas escolhas profissionais de adolescentes, parece adequada a abordagem de Grupo Operativo, por promover uma adaptação ativa à realidade, proposta por Pichon-Rivière, potencializando as comunicações (trocas) entre os adolescentes em um contexto sócio-histórico determinado, mutuamente modificante e criativo.

A técnica de Grupo Operativo foi elaborada por Pichon-Rivière a partir da sua prática profissional em Hospitais Psiquiátricos, na cidade de Rosário, Argentina, nos anos 50 do século passado. O Grupo Operativo de Enrique Pichon-Rivière fundamenta-se na Psicologia Social. Esse referencial se apóia em uma concepção de sujeito, entendido como o emergente de uma complexa rede de vínculos e relações sociais. O sujeito é social e historicamente produzido em constante dialética com o ambiente em que vive, ou seja, constrói o mundo e nele se constrói. Para Pichon-Rivière, um grupo pode ser compreendido como:

Um conjunto restrito de pessoas, ligadas por constantes de tempo e espaço, articuladas pela mútua representação interna, que se propõe, de forma explícita e implícita, uma tarefa, que constitui sua finalidade, interatuando através de complexos mecanismos de assunção e atribuição de papéis (QUIROGA, 1994, p. 78).

Cada indivíduo se encontra com o outro e, nessa concepção de grupo, o vínculo não se esgota em uma experiência externa, mas na possibilidade de interiorização desta relação, uma internalização recíproca. Ao permanecerem em comunicação, os sujeitos do grupo estabelecem vínculo, constroem a trama das relações, o que Pichon-Riviére denomina de mútua representação interna, ou seja, ocorre o processo de internalização recíproca, com a conseqüente transformação dos sujeitos implicados. Nessa abordagem o grupo é centrado na tarefa, toma como problemática central as relações entre os integrantes para a realização da tarefa. Focaliza-se no modo como os indivíduos se organizam e interagem, como se relacionam com os objetivos propostos, com a finalidade de aprender a pensar. As concepções teóricas que fundamentam a abordagem de Pichon-Rivière são organizadas em um modelo denominado de Esquema Conceitual Referencial Operativo (ECRO). Ele permite a compreensão do sistema social e do sujeito inserido na sociedade. Por essa razão esse referencial foi considerado apropriado para este estudo, tanto para subsidiar a intervenção quanto para nortear a análise dos dados relativos ao processo grupal.

Muitas vezes, durante o processo grupal os integrantes se deparam com dificuldades, ansiedades ou angústias que são vivenciadas no grupo. O processo em Grupo Operativo tem como eixo uma tarefa ou várias que visam a finalidade da constituição do grupo. Na realização da tarefa o grupo trabalha, explicitamente com os objetivos para a sua constituição e, implicitamente, os conteúdos que emergem em decorrência das dificuldades.

O processo de estruturação do grupo se faz através da interpretação do caráter implícito do ato de assumir e atribuir papéis, que aparecem no grupo como uma forma de manejar as ansiedades e os medos básicos presentes na nova situação grupal. O grupo distribui funções que têm como objetivo a produção grupal, sua coesão e sua manutenção. Estes papéis são vivenciados em duas dimensões: implícita e explícita.

O Grupo Operativo no contexto atual pode ser utilizado como uma tecnologia no sentido de poder desenvolver no grupo a gestão do conhecimento do pensamento crítico, no qual “as intervenções grupais possuem um caráter potencializador, cooperativo e oportuno quanto à possibilidade de gerir um novo conhecimento, isto é, pensar em recursos e instrumentos potencializadores de mudanças, ante a dura realidade do tempo presente” (CIAMPONE, 2000).

O grupo de Orientação Profissional pode favorecer ou potencializar o desenvolvimento no adolescente de uma prontidão para receber as informações profissionais e utilizá-las como ferramentas na escolha da profissão. Para Sampson e Lumsden (2000), as pessoas são diferentes na prontidão para a escolha de carreira, e eles precisam de diferentes

tipos de intervenção baseados no grau de prontidão para o processo de escolha de profissão. Os indivíduos com um alto grau de prontidão para a decisão profissional são beneficiados pelas intervenções tipo auto-ajuda (programas na intenet, leitura de guias, conversas com profissionais, dentre outros). Enquanto que aqueles com baixa prontidão têm maiores dificuldades e precisam ser auxiliados, apresentam ansiedade elevada para a escolha profissional, instabilidade na perseverança de suas escolhas e expectativas negativas.

A maturidade para a escolha da profissão, de acordo com Niles e Harris-Bowsbey (2005), representaria a capacidade de enfrentar as exigências tanto sociais como pessoais, e de integrar dentro de si a escolha de um papel profissional e pessoal dentre os vários possíveis. Assim sendo, refletir sobre a prontidão dos adolescentes para a escolha da profissão, principalmente com a possibilidade cada vez maior de se ter acesso a informações sem a intervenção de um orientador profissional, parece instrumental, neste estudo, buscar nas Teorias do Desenvolvimento de Carreira o conceito de maturidade desenvolvido por Super.

1.5 A Maturidade para a escolha profissional na perspectiva da Teoria

Benzer Belgeler