• Sonuç bulunamadı

5 SHIBORİ VE STENCİL BASKI TEKNİĞİNİN BİRLİKTE

5.1 Shibori Kıyafet Örnekleri

Não nos propusemos, desde o início, explicar o temperamento da Sra. Orides de Lourdes Teixeira Fontela através do que ela deixou escrito em vida - ou seja, compreender a escritura como sintoma de uma personalidade - , mesmo vez ou outra tendo feito uso discreto de dados advindos da biografia. O que intentamos foi tão somente demonstrar como seu discurso poético organizou algumas imagens integrantes do patrimônio imagético coletivo, num arranjo detentor de uma extraordinária coerência, que vai ao encontro do que teorizaram alguns pensadores.

De resto, talvez tenha se configurado, ao longo da leitura, ou do trabalho, ou dos poemas apostos no corpo da tese, o latejar de uma pergunta: por que ela teria escrito assim e não de outra forma, que impulsos condicionaram essa mulher de origem humilde e vida difícil - até afeita a comportamentos que causavam grandes constrangimentos em público, como se não tivesse nada a perder - a deixar para a história da literatura em língua portuguesa uma das grandes contribuições no domínio do gênero poesia? Em suma, o vitalismo encontrado ostensivamente ao longo dos cinco preciosos livros da poeta não somente perdura como um índice de qualidade mas também marca uma diferença em relação à poesia contemporânea publicada paralela à sua.

Façamos nossas as palavras de um pensador que não quis enquadrar pura e simplesmente o que aqui, de maneira bastante livre e sem maiores questionamentos teóricos, podemos chamar de natureza humana. Parece que, para o antigo discípulo de Sigmund FREUD, uma dos nossos teóricos eleitos para ancorar nossa proposta de trabalho, a condição humana não é matéria dúctil o suficiente para se enquadrar em categorias pré-estabelecidas, com fumos assemelhados aos das ciências naturais. Vejamos como C. G. Jung tenta explicar o fenômeno estético:

A forma visionária rasga de alto a baixo a cortina na qual estão pintadas as imagens cósmicas, permitindo uma visão das profundezas incompreensíveis daquilo que ainda não se formou. Trata-se de outros mundos? Ou de um obscurecimento do espírito? Ou das fontes originárias da alma humana? Ou ainda do futuro das gerações vindouras? (JUNG, 1991, p. 79)

Ou de tudo isso junto? O erudito mestre de suiço parecia ter mais perguntas que respostas.

De resto, havemos que especular, se assim o desejarmos, se a organização de símbolos, através do discurso poético, numa homogeneidade notável, não teria sido uma espécie de função compensatória das imagens. Ou seja, a situação vivenciada empiricamente, através do nível consciente da mente, foi buscar um repouso ou pouso, um lenitivo ou alívio, nas camadas mais profundas do inconsciente?

O certo é que não desejamos, ao longo da nossa modesta contribuição à exegese da poesia de Orides FONTELA, simplesmente atribuir a ela uma poesia e uma poética com alto vigor estético e reflexivo lançando explicações às fronteiras da vida pessoal de uma mulher. Num certo sentido, até podemos pensar numa espécie de purificação através das imagens do fogo, da água, do silêncio e do ar, imagens obsessivas em toda a sua poesia, que transcendem a natureza física das coisas, deixando subentendido um desejo de se livrar do que a pungia.

Contudo, não podemos olvidar as relações que toda obra estabelece com sua época, que aquilo falado por um indivíduo capaz de plasmar em arte emoção ou memória pode ser que seja a fala desejada por uma dada coletividade, pelo espírito que paira sobre uma época. Enfim: diga-me o que tu dizes, ó poeta, e eu te direi quais são as dores / humores de tua época.

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia 2. ed. Tradução coordenada e revista por Alfredo Bosi com a colaboração de Maurice Cunio et al. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

ANDRESEN, Sophia de Mello Bryner Andresen. Musa. 3. ed. Lisboa: Editorial Caminho, 1994.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os Pensadores)

BACHELARD, Gaston. O direito de sonhar. 2. ed. Tradução José Américo Pessanha et al. São Paulo: DIFEL, 1986.

______. A poética do devaneio. Tradução Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

______. A chama de uma vela. Tradução Glória de Carvalho Lins. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

______. O ar e os sonhos. Tradução Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1990a.

______. Fragmentos de uma poética do fogo. Tradução Norma Telles. São Paulo: Brasiliense, 1990b.

______. A terra e os devaneios da vontade. Tradução Paulo Neves da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

______. A poética do espaço. Tradução Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

______. A formação do espírito científico. Tradução Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

______. A água e os sonhos. Tradução Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

______. A psicanálise do fogo. 2. ed. Tradução Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

BARBOSA, João Alexandre. A metáfora crítica. São Paulo: Perspectiva, 1974.

BARTHES, O prazer do texto. 3. ed. Tradução J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 1993. ______. Aula. Tradução Leyla Perrone-Moisés. 7. ed. São Paulo: Cultrix, 1997.

______. Mitologias. 10. ed. Tradução Rita Buongermino e Pedro de Souza. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

______. O grau zero da escrita. Tradução Mário Laranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

BASTIDE, Roger. A propósito da poesia como método sociológico. In: ______. Sociologia. Organização de Maria Isaura Pereira de Queiroz. São Paulo: Ática, 1983. (Coleção Grandes Cientistas Sociais, 37)

BAUDELAIRE, Charles. As flores do Mal. 7. impressão. Tradução Ivan Junqueira, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Obras escolhidas; v. 1)

BENSE, Max. Pequena estética. Tradução J. Guinsburg et al.. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1975.

BÍBLIA SAGRADA. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1988. (Tradução na Linguagem de Hoje)

BLOOM, Harold. Um mapa da desleitura. Tradução Thelma Médici Nóbrega. Rio de Janeiro: Imago, 1995.

______. O cânone ocidental. Tradução Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1995.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1988. ______. O ser e o tempo da poesia. 6. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 2. ed. Tradução Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

BRITO, Mário da Silva. Jogral do frágil e do efêmero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

CAMPBELL, Joseph. Mitologia na vida moderna. Tradução de Luiz P. Guanabara. Rio de Janeiro: Record/Rosa dos Tempos, 2002.

CAMPOS, Augusto de. Poesia (1949-1979). São Paulo: Brasiliense, 1986. ______. et al. Teoria da poesia concreta. São Paulo: Brasiliense, 1987. ______. despoesia. São Paulo: Perspectiva, 1994.

CAMPOS, Haroldo (org.). Ideograma: Lógica, Poesia, Linguagem. 3. ed. São Paulo: EDUSP, 1994.

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, v. 1. 6. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.

______. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 7. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1985.

______. A educação pela noite & outro ensaios. 2. ed. São Paulo: Ática, 1989.

CARA, Salete de Almeida. Alba, poesia que exige olhos para ver. Jornal da Tarde, São Paulo, 15 de julho de 1983.

CORREIA, Natália. Cantares dos trovadores galego-portugueses. Lisboa: Editorial Estampa, 1978.

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Tradução Vera da Costa et al. 7. ed. Rio de Janeiro : José Olympio, 1993.

CUNHA, Euclides da. Os Sertões. 23. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1954.

DELAS, Daniel; FILLIOLET, Jacques. Lingüística e poética. Tradução Carlos Felipe Moisés. São Paulo: USP;Cultrix, 1975.

DUCROT, Oswald; TODOROV, Tzvetan. Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem. Tradução Alice Kyoko Miyashiro et al. São Paulo: Perspectiva, 1988.

DURAND, Gilbert. Beaux-arts et archétypes. Paris: PUF, 1989.

______. A fé do sapateiro. Tradução de Sérgio Bath. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995.

______. Introduction à la mythodologie. Paris: Albin Michel, 1996.

______. As estruturas antropológicas do imaginário. Tradução Hélder Godinho. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

_____. Campos do imaginário. Tradução Maria João B. Reis. Lisboa: Instituto Piaget, 1998. ______ A imaginação simbólica. Tradução Carlos Aboim de Brito. Lisboa: Edições 70, 2000.

_____. O imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. 2. ed., Tradução René Eve Levié. Rio de Janeiro: DIFEL, 2001.

ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos: ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. Tradução Sonia Cristina Tamer, São Paulo: Martins Fontes, 1991.

FAUSTINO, Mário. Poesia-experiência. São Paulo: Perspectiva, 1977.

FERREIRA, Letícia Raimundi. A lírica dos símbolos em Orides Fontela. Santa Maria: ASL: Pallotti, 2002.

FONTES, Joaquim Brasil Fontes. Eros, tecelão de mitos: a poesia de Safo de Lesbos. São Paulo: Estação Liberdade, 1991.

FRIEDRICH, Hugo. Estrutura da lírica moderna. Tradução de Marise M. Curioni. São Paulo: Duas Cidades, 1978.

HAMILTON, Edith. Mitologia. Tradução Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

HOUAISS, Antônio e VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001

JAKOBSON, Roman. Lingüística. Poética. Cinema. Tradução Francisco Achcar et al., São Paulo: Perspectiva, 1970.

______. Poética em ação. Seleção, prefácio e organização de João Alexandre Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 1990.

______. Lingüística e comunicação. Tradução Izidoro Blikstein et al., São Paulo: Cultrix, 1991.

JOYCE, James. Ulisses. Tradução Antônio Houaiss. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

JUNG, C. G. Psicologia e religião. Tradução Dom Mateus R. Rocha. Petrópolis: Vozes, 1978.

______. O espírito na arte e na ciência. 3. ed. Tradução Maria de M. Barros. Petrópolis: Vozes,1991.

______. Psicologia do inconsciente. 10. ed. Tradução Maria Luiza Appy. Petrópolis: Vozes, 1995.

______. A vida simbólica. Tradução Araceli Elman et al., Petrópolis: Vozes, 1997.

______. O homem e seus símbolos. 17. ed. Tradução Maria Lúcia Pinho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

______. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Tradução Maria Luíza Appy et al., Petrópolis: Vozes, 2000.

KAVÁFIS, Konstantinos. Poemas. 4. ed. Tradução José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

LACARRIÈRE, Jacques. Grécia: um olhar amoroso. Tradução Irene Ernest Dias e Véra dos Reis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

LAPLANTINE, François e TRINDADE, Liana. O que é imaginário. São Paulo: Brasiliense, 2003.

LEVIN, Samuel R. Estruturas lingüísticas em poesia. Tradução de José Paulo Paes. São Paulo: USP; Cultrix, 1975.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural (I). 5. ed. Tradução Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996.

LIMA, Luiz da Costa. Mímesis e modernidade. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1980.

LISBOA, Henriqueta. Obras completas: I Poesia Geral (1929-1983). São Paulo: Duas Cidades, 1985.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 6. ed. Rio de Janeiro: José Oliympio, 1981. LISPECTOR, Elisa. Corpo a corpo. Brasília: Rio de Janeiro: Antares; Brasília: INL, 1983. MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Tradução Bertha Halpern Gurovitz, Petrópolis: Vozes, 1996.

______. Elogio da razão sensível. Tradução Albert C. M. Stuckenbruck, Petrópolis: Vozes, 1998.

______. A conquista do presente. 3. ed. Trad. Alípio de Sousa Filho. Natal : Argos, 2001. ______. O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas. Tradução Rogério de Almeida e Alexandre dias. São Paulo: Zouk, 2003.

MALLARMÉ, Stéphane. Poemas. Org. e Tradução José Lino Günewald. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.

MÉNARD, René. Mitologia greco-romana. Tradução Aldo Della Nina, São Paulo: Opus,1991. (Três volumes).

MENDES, Murilo. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

MENDONÇA, Antônio Sérgio e SÁ, Álvaro de. Poesia de vanguarda no Brasil. Rio de Janeiro: Edições Antares, 1983.

MERQUIOR, José Guilherme. Crítica (1964-1989): ensaios sobre arte e literatura. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

______. Razão do poema: ensaios de crítica e de estética. 2. ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.

PAZ, Octavio. Conjunções e disjunções. Tradução Lúcia Teixeira Wisnik.São Paulo: Perspectiva, 1979.

______. O arco e a lira. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982 ______. Signos em rotação. 2. ed. Tradução Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Perspectiva, 1990.

PEREIRA, S. J. Isidro. Dicionário grego-português e português-grego. 5. ed. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa, 1976.

PESSOA, Fernando. Obras em prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986a. ______. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986b.

PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. 2. ed. Tradução José T. C. Neto, São Paulo: Perspectiva, 1990.

PIGNATARI, Décio. Semiótica & Literatura. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1987.

POWEL, James N. O Tao dos símbolos. Tradução Alípio de C. de F. Neto. São Paulo: Editora Pensamento, 1992.

QUADROS, António. Escrituras simbólicas do imaginário na literatura portuguesa. Lisboa: Átrio, 1992.

RÓNAI, Paulo. Não perca o seu latim. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas. 15. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. SILVA, Vitor Manuel de Aguiar e. Teoria da literatura. 5. ed. Coimbra: Livraria Almedina, 1983.

STAIGER, Emil. Conceitos fundamentais da poética. Tradução Celeste Aída Galeão. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.

SAUSSURE, Ferdinand. Curso de lingüística geral. 20. ed. Tradução Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. São Paulo: Cultrix, 1995.

CONTRIBUIÇÃO BIBLIOGRÁFICA

1 OBRAS DA POETA ORIDES FONTELA

1.1 poesia

Transposição. São Paulo: Instituto de Espanhol da USP 1969. Helianto. São Paulo: Duas Cidades, 1973.

Alba. São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1983. Rosácea. São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1986.

Trevo (1969-1988). São Paulo: Duas Cidades, 1988. (Coleção Claro Enigma). Teia. São Paulo: Geração Editorial, 1996.

Poesia reunida. São Paulo: Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006. (Coleção Às de Colete, v. 12).

1.2 poesia traduzida

Trèfle / Trevo. Tradução Emmanuel JAFFELIN e Márcio de Lima DANTAS. Paris: L’Harmattan, 1998.

Rosace. Tradução Márcio de Lima DANTAS e Emmanuel JAFFELIN. Paris: L’Harmattan, 2000.

1.3 prosa

Almirantado. Almanaque; Cadernos de Literatura e ensaios, n. 4, São Paulo, 1977.

Sobre poesia e filosofia – um depoimento, In: PUCHEU, Alberto (org.) Poesia (e) Filosofia. Rio de Janeiro: Sete Letras, 1998.

Nas trilhas do trevo. In: MASSI, Augusto (Org.). Artes e Ofícios da poesia. Porto Alegre : Artes e Oficios, 1991.

1.4 sobre a poeta

BRITO, Antonio Carlos Ferreira de. Parcimoniosa Opulência. Leia Livros, SP, ago. 1983. ______. Não quero prosa. (Cacaso). Organização e seleção de Vilma Arêas. Campinas, SP: Editora da UNICAMP; Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1997. (Coleção Matéria de Poesia). BUCIOLI, Cleri Aparecida Biotto. Orides Fontela: destecer/retecer, artifícios de uma poética. In: FERNANDES, Cleudemar Alves; SANTOS, João B. Cabral dos. Análise Literária: tendências contemporâneas. Uberlândia: EDUFU, 2003.

CANDIDO, Antonio. Prefácio. In: FONTELA, Orides. Alba. São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1983.

CARA, Salete de Almeida. Alba, poesia que exige olhos para ver. Jornal da Tarde, São Paulo, 15 de julho de 1983.

CARVALHO, Age de. Introdução e antologia de Orides Fontela. O Liberal, Belém do Pará, 10 de fevereiro de 1985.

1.5 revistas e periódicos

AMÂNCIO, Moacir. Poesia Reunida. Revista CULT, n. 103, ano 9, p. 26, São Paulo, Bregantini, jun. 2006.

MASSI, Augusto. Poesia, sexo, destino: Orides Fontela; Entrevista do mês. Revista LEIA, n. 123, p. 23-25, São Paulo. jan. 1989.

LÍSIAS, Ricardo, A conquista do incômodo. Revista ENTRE LIVROS, n. 14, ano 2, p. 16- 19, São Paulo, Duetto Editorial.

Revue Europe, n. 640-641, Paris. Août-septembre 1982. Revue Europe, n. 827, Paris. Mars 1998.

Revue Europe, n. 834, p. 266-267, Paris. Octobre 1998.

Cahier du CREPAL, n. 5, p.147-183, Paris, Presses de la Sorbonne Nouvelle. 1998. Emission Poésie Studio, Paris, Radio France Culture. [s/d.]

BORGES, Contador. A surpresa do ser. Revista CULT, n. 28, p. 38-44, São Paulo, Lemos Editorial & Gráficos, nov. 1999.

MASSI, Augusto. Uma poeta de leitores atentos; uma obra feita em espiral. FOLHA DE S. PAULO; Ilustrada, 09 de agosto de 1986.

DIAS, Maurício Santana. A felicidade feroz. FOLHA DE S. PAULO; Caderno mais, p. 3, 7 de maio de 2006.

NOTA SOBRE A TRADUÇÃO DE ORIDES FONTELA PARA O FRANCÊS

O meu sonho mais infantil é ser traduzida

Orides Fontela

Um pequeno esclarecimento sobre a metodologia empregada durante o processo de verter para a língua francesa os quatro primeiros livros de Orides FONTELA, organizados nos tomos TRÈFLE e ROSACE.

Não nos limitamos, eu e meu co-tradutor, a transpor palavra por palavra, embora sabendo que, tratando-se de línguas neolatinas, a percentagem de palavras cognatas é bastante alta. Procuramos mergulhar nessa poesia, deixando-nos desinteressadamente habitar por seu

pathos, por sua requintada atmosfera de melancolia e lucidez. E foi assim que aderimos com

enorme aquiescência a esse universo meio luminoso, meio amargo da poesia orideana.

Mais: o sentido íntimo de uma obra não é dado pelo encadeamento das palavras em frases, com suas imagens literárias, mas também requer, quem sabe, uma espécie de abertura possibilitadora de uma afinidade íntima para com o texto artístico. Sendo assim, o texto funciona como espécie de espelho, e traduzir fica como se fosse uma espécie de trair- se.

Considerando a existência de universais e invariantes nos fenômenos da cultura, os textos poéticos, com sua capacidade cognitiva própria, acabam por revelar a essência de tais fenômenos. O texto, em sua dinâmica de arrumar diversos procedimentos estéticos, constitui- se, assim uma modalidade de conhecimento oposta ao conhecimento lógico-discursivo, o conhecido como cartesiano, sem que perca seu valor epistemológico, sendo capaz não apenas de apresentar ou descrever, mas ainda, e sobretudo, de compreender a lógica interna de um fenômeno por meio de intuições expressas em metáforas constituidoras do discurso poético.

Com efeito, são os elementos invariantes que tornam possível o estabelecimento de um circuito da comunicação, na medida em que engendram uma estrutura conceptual básica, possibilitando tanto o processo de produção quanto o de recepção por parte do leitor. Desse modo, a arte transcende o tempo e o espaço da sua produção, ao possibilitar o efeito estético sobre os homens. Tais universais se organizarão não apenas no nível semântico do poema, mas também estarão presentes – e um leitor atento poderá localizar – em outros extratos, como, por exemplo, no nível lingüístico, pois a seleção do vocabulário para o

estabelecimento das metáforas pode denunciar recorrências e aproximações que só aparentemente são fruto da imaginação de um indivíduo; muitas vezes não passam de estruturas organizadas de uma outra forma e desde sempre presentes na literatura.

Em suma: o que queremos deixar claro é que, no processo de constituição de uma imagem poética, ocorre uma homogeneidade do significante e do significado, soldados que estão por uma dinâmica que os funde num todo, possibilitando um encantamento que emana de toda poesia de qualidade É assim que a poesia, muitas vezes sem a menor consciência, revela ou descreve constituintes da psicologia profunda que estavam adormecidos ou diluídos no nem sempre ordenado cotidiano.

Benzer Belgeler