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Os participantes que pretendem ofertar energia nos leilões de energia nova, devem inicialmente submeter seus projetos de empreendimentos novos à avaliação da EPE, cuja aprovação ocorre por meio da emissão de habilitações técnicas.

22 Encargo de Serviço do Sistema (ESS): Valores a serem pagos pelos consumidores destinados à

recuperação dos custos incorridos pelos geradores na manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema para o atendimento do consumo e que não estão incluídos na formação do PLD.

Com a habilitação do empreendimento, o proponente vendedor deve solicitar sua participação no leilão à ANEEL, inscrevendo-se conforme as regras dos editais elaborados pela agência.

Os Editais dos Leilões estão previstos no artigo 19 do Decreto nº 5.163, de 30 de julho de 2004, e estabelecem as seguintes condições para a participação e habilitação de agentes vendedores e para a assinatura de CCEAR:

I - aporte de Garantia de Participação do Leilão;

II - aporte de Garantia de Fiel Cumprimento dos Contratos; e III - requisitos mínimos de Qualificação Econômico-Financeira.

Dessa forma, como parte das regras dos editais, além de fornecer os dados do empreendimento e da empresa representante, o proponente vendedor deve aportar garantias de participação, que podem ser materializadas em diversas modalidades, tais como: caução em dinheiro, fiança bancária, seguro garantia, certificado de depósito bancário (CDB) ou títulos públicos federais.

Esta garantia é exigida com o objetivo principal de inibir a desistência dos vendedores, que negociaram no leilão, para a assinatura do CCEAR. Além disso, outras obrigações do vendedor estão contempladas por esta garantia como:

I. deixar de ratificar sua proposta de lance, no prazo determinado e em conformidade com o edital do leilão;

II. não apresentar, no prazo determinado e em conformidade com o edital do leilão, a documentação necessária para sua habilitação, para a adjudicação e homologação do leilão e, quando couber, para o recebimento da outorga de geração;

III. não apresentar a garantia de fiel cumprimento, no prazo determinado e em conformidade com o edital do leilão;

IV. desistir de outras obrigações e compromissos decorrentes de sua participação no leilão previstos no edital.

Nos leilões realizados até o momento, para empreendimentos totalmente novos, ou seja, que não possuem documento de outorga de geração emitido pelos órgãos reguladores, o proponente deve aportar um por cento do valor a ser investido na construção do empreendimento. Já para proponentes que possuem empreendimentos com outorga e que pretendem ofertar no leilão a ampliação destes empreendimentos, é exigido o aporte de garantia representado por um valor em reais a cada lote de energia que o proponente pretende estar apto a ofertar no leilão. Estes aportes são realizados em uma instituição financeira contratada pela ANEEL ou pela CCEE, conforme delegação da ANEEL, para custodiar as garantias de participação.

Outra garantia que também faz parte das regras estabelecidas pelos editais dos leilões de energia nova é a chamada garantia de fiel cumprimento. Esta garantia tem o objetivo principal de inibir a desistência do vendedor na construção do empreendimento. As infrações que podem motivar a execução desta garantia são:

I. atrasar, em relação aos prazos definidos no edital do leilão, qualquer um dos marcos de implantação do empreendimento constantes do cronograma estabelecido no ato de outorga, conforme habilitação técnica da EPE;

II. desistir da outorga de geração a ser emitida em decorrência da comercialização de energia no leilão;

III. deixar de aportar, mesmo que parcialmente, as garantias financeiras para a liquidação do MCP decorrentes da outorga de geração;

IV. estar inadimplente com suas obrigações na liquidação financeira das operações do MCP da CCEE decorrentes da outorga de geração; ou V. descumprir outros compromissos e obrigações decorrentes de sua

participação no leilão, previstos no edital.

Na hipótese do vendedor não cumprir com as obrigações previstas no edital, a ANEEL utiliza o mecanismo de execução da garantia de participação, cujo

emolumento será destinado a conta de energia de reserva (CONER)23 e destinado à redução do encargo de energia de reserva (EER)24, conforme estabelece a Portaria do

MME nº 554, de 7 de setembro de 2011.

Neste caso, a energia descontratada poderá ser objeto de mecanismos de compensação de sobras e déficits (MCSD), de declaração de necessidade de compra em outros leilões previstos no Decreto nº 5.163/2004 ou, em último caso, de tratamento de exposição involuntária da distribuidora.

Em alguns casos, a ANEEL ainda poderá nomear como vendedor, em substituição ao que descumpriu com as obrigações do Edital, um participante que tenha sido classificado no resultado do leilão com o próximo preço mais competitivo do certame, ou seja, aquele cuja oferta tenha sido imediatamente posterior ao atendimento da demanda.

Como exemplo desta prática, podemos citar o 1º Leilão de Energia de Reserva, realizado em agosto de 2008, no qual a venda da UTE Tropical foi substituída pela UTE Ipaussu, mantendo a quantidade e preço ofertados no certame. A usina Tropical teve sua garantia de participação executada.

23 Conta de energia de reserva (CONER): conta corrente específica administrada pela CCEE para realização de operações associadas à contratação e uso de energia de reserva, sendo esta destinada ao aumento da segurança no fornecimento de energia ao SIN.

24 Encargo de energia de reserva (EER): encargo específico destinado a cobrir os custos decorrentes

da contratação de energia de reserva, incluindo os custos administrativos, financeiros e tributários, a ser rateado entre usuários no SIN, nos termos da Lei nº 10.848, de 2004, e do Decreto nº 6.353, de 2008.

Benzer Belgeler