A educação é a base para a transformação do homem e, consequentemente, do lugar em que ele habita. O conhecimento permite ver além do básico e por isso cobra dos sujeitos uma ação refletida, uma prática concreta. É mister compreender que a educação é um direito humano e, portanto, leva as pessoas à produção de conhecimento e, consequentemente, à transformação da natureza e do que está ao seu redor. Para que isso aconteça, a educação – sobretudo a escolar – surge como elemento proporcionador do desenvolvimento humano.
Muitos são os desafios para que a educação básica e obrigatória garanta não apenas o acesso, mas, sobretudo, a permanência com qualidade no ambiente escolar. Para tanto, é fundamental que se invista na contínua formação dos docentes. Com isso, espera-se o
encontro do formar com o formar-se, ou seja, oportunizar ao professor o espaço e as condições necessárias para a sua qualificação profissional com vistas ao desenvolvimento de práticas pedagógicas significativas.
O professor é muito mais do que “aquele que professa ou ensina uma Ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina” (FERREIRA, 1988, p. 531). O professor é aquele que se preocupa com a boniteza de sua “própria prática, boniteza que dela some se não cuido do
saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar” (FREIRE, 1997, p. 116).
O professor é gente, com suas alegrias e tristezas, com uma história de vida permeada de muitas outras histórias. O professor também é um profissional com uma formação específica, com diversos saberes e práticas. O professor é o responsável pelo desenvolvimento de sua turma, planejando e organizando as atividades, executando-as e verificando a aprendizagem dos estudantes. Após a avaliação verifica os resultados de seu trabalho, ou seja, os resultados de seus estudantes e volta a planejar e colocar em prática outras estratégias para perseguir os seus objetivos.
Isso sinaliza a importância do professor para que a educação básica atinja suas
finalidades, quais sejam: “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum
indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e
em estudos posteriores”, conforme artigo 22 da LDBEN 9394/96 (BRASIL, 2013, p. 17).
O professor não pode apenas executar um programa, haja vista que, em grande
medida, o sucesso de seus estudantes “depende da margem de iniciativa em que ele cria sua maneira de dar aula” (CHARTIER, 2007, p. 160). O professor não trabalha com uma turma
homogênea, ele desenvolve o seu trabalho com crianças e jovens de origens e realidades diversas.
O professor da educação básica tem que atender à legislação vigente, buscando que o seu estudante tenha sucesso não apenas na escola, mas, sobretudo, na vida. Para isso, o docente também precisa de valorização e de uma contínua formação em que ele seja visto como sujeito, sua experiência profissional seja acolhida e junto com os seus pares possa escrever a sua história.
O último levantamento do Censo Escolar, de acordo com a Sinopse do professor (INEP 2009), apresenta um total de 1.977.978 professores no país. A figura da mulher é presença marcante na educação brasileira. Na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental mais de 90% do total de professores é do sexo feminino. As professoras
representam ¾ do total de docentes dos anos finais do ensino fundamental. No ensino médio as mulheres representam em torno de 65% do total de docentes. Os homens são maioria apenas na educação profissional, com um índice de pouco mais de 53%.
Os professores da educação básica apresentam uma idade média de 38 anos, variando de 35 anos na educação infantil a 40 anos no ensino médio. Cerca de 80% desses docentes trabalham em uma única escola. Em torno de 16% trabalham em duas escolas. O restante trabalha em três ou mais instituições. Aproximadamente 83% dos professores atuam na rede pública de ensino e pouco mais de 16% dos professores atuam exclusivamente na rede privada.
Os dados apontam que 20% dos docentes trabalham em pelo menos duas escolas, o que implica deslocamento do professor, adequação a contextos e realidades diferentes. É válido ressaltar que, geralmente, essa não é uma escolha do professor, mas se dá pela necessidade imposta pelo mercado. Considerando os professores dos anos finais do ensino fundamental e os do ensino médio, isso acontece para completar a carga horária, sobretudo nas disciplinas que têm menos aulas no currículo escolar. Consequentemente, o professor tem mais diários e documentos burocráticos para administrar.
Com relação à carga horária, cerca de 64% dos docentes trabalham em único turno. Aproximadamente 30% dos professores trabalham dois turnos e 6% trabalham nos três turnos. Os docentes da zona urbana equivalem a 83%. Na zona rural está um percentual de 15% dos professores. Há professores que atuam tanto na zona urbana como na zona rural, perfazendo um total de 2%.
Um terço dos docentes precisa trabalhar pelo menos dois turnos. Isso acontece em virtude dos baixos salários que são pagos, o que não favorece para quem tem a docência como única fonte de renda, trabalhar em apenas um horário. Há uma gradação em relação ao nível de formação dos professores da educação básica. Assim, da educação infantil, passando pelo ensino fundamental e chegando ao ensino médio, o percentual de professores com graduação vai aumentando.
Estudos internacionais apontam a qualidade do docente como influência fundamental na aprendizagem dos estudantes. É preciso lembrar, porém, que o professor precisa de valorização da profissão, contínua formação, suporte pedagógico, condições dignas para que o seu trabalho seja desenvolvido. O trabalho do professor não é algo isolado, portanto, sozinho, ele não pode ser responsabilizado pelo desempenho dos estudantes
(SETÚBAL, 2010). Ainda de acordo com a autora, “para que o desempenho escolar de nossos
comprometidos e apoiados pedagogicamente pela direção da escola e pelos órgãos centrais” (SETÚBAL, 2010, p. 19).
Se não houver um investimento estruturado na formação inicial e contínua dos docentes, valorização social e financeira, adequada infraestrutura escolar, investimentos em equipamentos, apoio da família, acompanhamento por parte das secretarias de educação municipal ou estadual, provavelmente, a tão propalada qualidade da educação permanecerá apenas nos discursos ou em ações isoladas pelo país.
Somente com o exercício da solidariedade, com os diversos profissionais da educação aceitando-se um ao outro, respeitando as suas opiniões e particularidades é que haverá verdadeiramente o diálogo, a comunicação que humaniza e transforma. Insisto que a qualidade da educação passa pela formação inicial e contínua e pela valorização dos profissionais da educação, aliada a uma prática docente com o apoio de gestores escolares e os diversos órgãos ligados à educação.