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4.1. Artikülâsyon Bozukluğu Yaşayan Bir Birinci Sınıf Öğrencisinin;

4.1.4. Sesleri Doğru Çıkarmanın Okuma Becerilerinin Gelişimine Katkısına Dair Bulgular

Outro elemento das narrativas policiais é a presença de herói que se manifesta em um detetive. Afirmam Lipovetsky e Serroy (2009) que um dos motivos para o sucesso das séries é o fato de elas se apoiarem em personagens

recorrentes, que ganham a simpatia do público. O espectador se afeiçoa a seu herói e espera a cada semana por um novo episódio.

Uma das razões desse triunfo é que ele se apoia em personagens recorrentes, encarnados pelos mesmos atores populares, presentes em cada novo episódio. Os telespectadores ficam curiosos de saber quais serão os desdobramentos da história, gostam de rever os “heróis” aos quais estão acostumados, com seus traços e seus ambientes específicos. O que mantém o público fiel é uma espécie de encontro marcado regular. (2009, p. 219).

Dispõe Jost (2012a) que a ligação do espectador com o herói é o que sustenta o sucesso da série. No entanto, o herói das séries policiais atuais precisa ser mais realista, ou seja, deve ser possível para o público se colocar no lugar dele. Além disso, ressalta o autor, é possível a existência de heróis coletivos como é observado com frequência no destaque dado à corporação onde trabalham os heróis das séries policiais. Isso significa que elas além de contar histórias sobre investigações retratam e discutem sobre os responsáveis e as instituições encarregadas de manter a segurança da sociedade, que também podem ser vistos como entidades-heróis.

Outro dado curioso dos heróis das séries policiais recentes é que muitos não fazem parte da força policial das instituições. Richard Castle (Castle - MARLOWE, 2009) é um escritor que trabalha como consultor para a polícia de Nova York e ajuda a desvendar a maioria dos crimes. Assim como Patrick Jane (The Mentalist - HELLER, 2008) que também é um consultor na CBI (California Bureau of

Investigation), Castle possui papel fundamental na resolução dos crimes, assim

como Temperance Brennan em Bones (HANSON, 2005) e Neal Caffrey em White

Collar (EASTIN, 2009).

Em todos os protagonistas supracitados existe uma relação controversa com a organização que eles prestam consultoria. Por não fazerem parte da força policial, podem burlar as leis para ajudar na investigação, como também fazem as vezes de questionadores das normas que existem e que muitas vezes são legais em seu sentido jurídico, mas injustas do ponto de vista da sociedade.

Um dos exemplos como os consultores podem trabalhar a margem da lei é no episódio 23º, Red Rover, Red Rover39, da quarta temporada de The Mentalist

(HELLER, 2008). Jane enterra vivo um suspeito de cometer um assassinato para arrancar uma confissão enquanto capta o seu som. O episódio, no entanto, termina com Jane sendo criticado pelo seu método, pois nenhum juiz aceitaria a forma como a confissão foi extraída. Enquanto Jane retruca: “Eu fiz justiça contra um psicopata40” (tradução nossa) e questiona se alguém acha que criminoso não

merece ser punido e que se ele não fizer de tudo para prender os bandidos, qual seria o sentido do trabalho policial.

A priori a identificação sempre se dá com o herói, mas hoje os bandidos/criminosos não são essencialmente maus, assim como ocorria com alguns criminosos dos filmes noir. Existe uma explicação por trás de cada comportamento, e algumas vezes, uma leve desculpa ao assassino. A série Criminal Minds (DAVIS, 2005) sobre uma equipe que traça perfis aborda em seus episódios o que levou o assassino a cometer o crime e, através das descobertas do seu passado, é possível supor qual será seu próximo movimento.

O personagem Dexter é um exemplo da relativização do mal. Apesar do protagonista ser um serial killer, é possível sentir empatia pelo personagem. Ele assassina indivíduos que também são assassinos, um problema para a sociedade. Assim, fica quase impossível para o público de certa maneira não torcer para que ele escape ileso dos seus assassinatos, pelo menos é o que se depreende de uma série que totalizou oito temporadas.

Esta série toca profundamente no imaginário de justiça da sociedade. O protagonista representa aquilo que muitos indivíduos sentem no seu íntimo e gostariam que fosse feito quando não se sentem contemplados pelo sistema judiciário, permitindo uma compensação simbólica através do produto televisivo.

Haveria uma humanização do criminoso quando ele passa a ser o herói da narrativa? Talvez. As relações entre o bem e o mal agora se situam em uma zona cinzenta. Um serial killer considerado herói (Dexter - MANOS, 2006). Um golpista (Neal Caffrey de White Collar - EASTIN, 2009) que presta consultoria para o FBI. Outro golpista que se passava de vidente (Patrick Jane de The Mentalist - HELLER, 2008) que também ajuda na resolução de crimes. Eventualmente, até uma redenção como no caso de Jane, que resolveu ajudar a polícia com seu dom após sua família

40 I gave an evil psychopath justice.

ser assassinada por um serial killler que se sentiu ultrajado pelas opiniões de Jane enquanto vidente em uma rede de televisão.

Mesmo as imagens dos policiais já não são imaculadas. São mais humanos, possuem conflitos internos. Ou seja, o bem e o mal estão presentes tanto no herói como no bandido. De acordo com Michel Maffesoli (2004), a cultura pode até domesticar nossa natureza “maligna”, mas ela continua existindo nos nossos maiores temores e nos desejos mais íntimos.

Os heróis das séries policiais em muitos casos tentam lidar com um passado traumatizante e buscar redenção na força policial. “Basta olhar um pouco mais de perto para constatar que os sentimentos mais elevados são permeados de seu contrário” (MAFFESOLI, 2004, p. 62). Estes medos e desejos se aproximam dos sonhos da sociedade revelados através do imaginário coletivo. Traumas recalcados no inconsciente, mas que, neste caso, encontram na ficção televisiva policial um meio para se manifestarem.

A força das séries americanas advém da contemplação de duas aspirações contraditórias: o desejo de explorar o novo continente, de ir rumo ao desconhecido, de descobrir o estrangeiro e, ao mesmo tempo, de encontrar nesses mundos que é também a nossa, as contradições humanas que conhecemos e, enfim, os heróis que, como o telespectador, chegam à verdade mais pela imagem do que pelo contato direto. (JOST, 2012, p. 32)

Portanto, as séries policiais, ao buscarem elementos no mundo real para compor sua obra ficcional, trazem para o espectador mais do que entretenimento, um espaço para reflexão sobre justiça e ética na sociedade, polarizando menos o bom e o mau e humanizando os policiais e os bandidos.

Benzer Belgeler