2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE ve İLGİLİ YAYINLAR
2.6. Sesin Fizyolojisi
2.7.1. Sesin ve Konuşmanın Bir Ezgisi var mıdır? Sesin ve Konuşmanın
A professora e pesquisadora Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva (2005), no papel de avaliadora das condições de oferta de cursos de Letras,50 traçou um novo perfil dos cursos de licenciatura em Letras, a partir de suas experiências e, para tal, fez um breve recorte histórico acerca das Legislações para os cursos de Letras no Brasil. Segundo ela, a primeira proposta de currículo mínimo para esses cursos foi aprovada em 19 de outubro de 1962, pelo então Conselho Federal de Educação, a partir do parecer nº 238, de Valnir Chagas. Até essa época, os currículos de Letras eram muito densos, incluindo, por exemplo, a aprendizagem de cinco línguas com suas respectivas Literaturas. Na prática, tais currículos acabavam por apresentar resultados duvidosos. O texto legal dizia o seguinte:
Artigo 1º - O currículo mínimo dos cursos que habilitam à licenciatura em Letras compreende 8 (oito) matérias escolhidas na forma abaixo indicada, além das matérias pedagógicas fixadas em Resolução Especial:
1. Língua Portuguesa; 2. Literatura Portuguesa; 3. Literatura Brasileira; 4. Língua Latina; 5. Lingüística;
Três matérias escolhidas dentre as seguintes: a) Cultura Brasileira;
b) Teoria da Literatura;
c) Uma língua estrangeira moderna;
d) Literatura correspondente à língua escolhida na forma da letra anterior; e) Literatura Latina;
f) Filologia Românica; g) Língua Grega; h) Literatura Grega.
Como se pode constatar, das 5 (cinco) matérias obrigatórias, 2 (duas) eram ligadas à área de Literatura: Literatura Portuguesa e Brasileira e, das 8 (oito) matérias oferecidas para escolha do aluno, das quais ele deveria obrigatoriamente cursar 3 (três), havia 4 (quatro) disciplinas ligadas à Literatura: Teoria da Literatura, Literatura de Língua Estrangeira (de acordo com a língua escolhida pelo aluno), Literatura Latina e Literatura Grega. Percebe-se, pois, uma valorização da área Literária no contexto dos cursos de Letras, mas nenhuma relação de tais disciplinas com a Educação, como ocorria com as demais matérias. Predomina, utilizando-me de expressão de Faria (1987), o “velho veso do eruditismo” ou o que Oliveira (1982) denominou de “beletrismo”, resultando em uma ausência de relação entre a Literatura
e a realidade, na visão das duas pesquisadoras que se debruçaram sobre questões relacionadas à Literatura e seu ensino em cursos superiores.
A Literatura foi responsável por certa sofisticação do Ensino Superior de Letras. Como um dos eixos da formação burguesa humanista, ela gozou, durante muito tempo, de um
status privilegiado perante as outras disciplinas. Ela era, pois, um sinal distintivo de cultura.
Ter lido Camões, José de Alencar, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Rui Barbosa, dentre outros autores, considerados clássicos, representava, não só conhecimento, mas, sobretudo, erudição. A “elegância” de se fazer Letras e o culto à erudição histórica sempre estiveram ligados à área literária, e a Retórica, a arte do “bem falar”. Isso explica, de certa forma, a visão que muitos professores têm da Literatura nos dias de hoje – considerada como “perfumaria”51
principalmente em cursos de licenciatura em Letras – em tempos de massificação de ensino.
Voltando à legislação de 1962, Paiva explica que, somente sete anos depois da primeira proposta de currículo mínimo, Valnir Chagas incluiu a formação pedagógica, quando a resolução nº 9, de 10 de outubro de 1969, determinou que:
Artigo 1º - Os currículos mínimos dos cursos que habilitem ao exercício do
magistério, em escolas de 2º grau, abrangerão as matérias de conteúdo fixadas em cada caso e as seguintes matérias pedagógicas:
a) Psicologia da Educação (focalizando pelo menos os aspectos da Adolescência e Aprendizagem);
b) Didática;
c) Estrutura e Funcionamento de Ensino de 2º Grau.
Artigo 2º - Será obrigatória a Prática de Ensino das matérias que sejam objeto de
habilitação profissional, sob forma de estágio supervisionado que deverá desenvolver-se em situação real, de preferência em escola da comunidade.
Artigo 3º - A formação pedagógica prescrita nos artigos anteriores será ministrada
em, pelo menos, um oitavo (1/8) das horas de trabalho fixadas, como duração mínima, para cada curso de licenciatura.
Artigo 4º - As disposições dessa resolução terão vigência a partir do ano letivo de
1970, revogadas as disposições em contrário.
Esse currículo mínimo, que demorou por incluir as disciplinas pedagógicas – uma espécie de apêndice das disciplinas consideradas, de fato, da área de Letras –, vigorou por trinta e quatro anos e, segundo a mesma pesquisadora, até hoje, influencia os projetos pedagógicos, tal é a dificuldade de se pensar em uma organização curricular que preveja um diálogo constante e sistematizado entre Letras e Educação. Particularmente, entre Literatura e
51
Expressão de uma professora da área de Linguística Aplicada à Língua Portuguesa, em ocasiões em que discutíamos o currículo do Curso de Letras do Unileste-MG, onde exerci, por longo período, o cargo da Coordenação.
Educação esse diálogo também é muito difícil. É o que salienta a professora Maria Alice Faria (1987, p. 79):
A bem da verdade é preciso dizer que, de um modo geral, os professores universitários de Literatura professam um auto-isolamento como se a atividade literária numa Faculdade de Letras não devesse sair da especulação teórica e a pesquisa dita pura. Parece que, quando se trata de formação de professores de português o assunto não tem nada a ver com eles.
O artigo de Paiva, embora focado no estudo da relação entre Língua Inglesa e seu Ensino, leva-nos a entender a problemática que envolve a parte pedagógica em cursos de Letras. São palavras da pesquisadora:
Participei, desde 1991, de várias comissões de avaliação de condições de oferta de cursos de Letras designadas pela SESU-MEC e pude verificar que, na grande maioria das instituições de Ensino Superior do país [referindo-se às particulares e também às públicas – as Universidades federais, que passaram também a ser avaliadas] [...] a parte pedagógica é um vazio em muitos desses currículos. Apesar da resolução de 1969 prescrever a obrigatoriedade para a prática de ensino de matérias que sejam objeto de habilitação profissional sob a forma de estágio supervisionado, rara era a Instituição que se preocupava com a formação profissional do aluno. Na maioria dos casos, a formação do professor de língua estrangeira, e até de língua portuguesa52, ficava a cargo de pedagogos sem nenhuma qualificação específica para a tarefa (2005, p. 2, grifos meus).
A autora (2005, p. 2) afirma que “no caso das universidades públicas, o problema era menos grave, mas a disputa entre os departamentos de Letras e os de Educação deixava uma falha nos currículos, evidenciando falta de integração entre os departamentos e até políticas de formação incompatíveis”. Complementa (2005, p. 3), ainda, que, “em muitas universidades públicas, o corpo docente dos Departamentos de Letras se eximia de participar da formação docente, alegando que isso era competência dos pedagogos”.