4. ARAŞTIRMA BULGULARI ve TARTIŞMA
4.2. Optimizasyon Basamaklarının Bulguları
4.3.9. Serum örnekleri ile Çalışma bulguları
Considerando os componentes do modo de organização descritivo, a saber nomear e qualificar, iremos apresentar, nessa seção do trabalho, os resultados de nossas análises concernentes a esses componentes no que diz respeito ao estrato verbal. Dessa forma, objetivamos expor os modos pelos quais o sujeito descritor – aqui condizente ao sujeito enunciador – nomeia e qualifica as personagens e objetos cênicos do ponto de vista estritamente linguístico. Em suma, nessa parte procuramos responder à questão: como o sujeito enunciador (ou descritor) faz existir os seres da história de O Astro através de procedimentos e categorias linguísticas?
7.2.1. Nomear
Segundo Charaudeau (1992), nomear é dar existência a um ser por meio de uma operação de percepção de uma diferença no continuum do universo e, ao mesmo tempo, de uma classificação dessa diferença em uma semelhança. Trata-se, portanto, de uma operação que, ao classificá-los e etiquetá-los, identifica os seres de um determinado mundo, dando-lhes “vida”.
Assim, o componente nomear suscita um procedimento de identificação para a sua implementação no discurso, ou seja, para a sua implementação na mise en scène do ato de linguagem. De acordo com Charaudeau (1992), os procedimentos discursivos de identificação consistem em fazer existir os seres, nomeando-os, sendo que tal nomeação pode levar em conta a especificidade (identificação específica) do ser ou a sua generalidade (identificação genérica).
165 No caso de nosso corpus, observamos que há a predominância da identificação específica para as figuras actoriais, uma vez que todas elas apresentam um nome próprio que as identifica e as nomeia; e da identificação genérica para os objetos cênicos, já que a eles são atribuídos nomes comuns que os classificam como elementos pertencentes a uma certa classe de seres. Consideremos os exemplos abaixo:
Silvia: Eu tinha certeza de que ele viria, dona Clô.
Clô: É::::?!(..)Eu não:!
Exemplo 16 - Identificação específica (CAP01SEQ01)
Eustáquio: No lugar dos remédios, o senhor colocou u::m dos mais poderosos venenos, o polônio (...) no frasco de
antiácidos que o doutor Salomão: tomava regularmente
e que tomou(..)na noite da festa quando:: su:biu pra suíte.
Inácio: ((suspiro))É:::(1.4)eu::: (2.7)
eu não suportava o doutor Salomão
(2.3) não suportava a crueldade dele(...)
/ele é um homem/(...)um homem
(...)desalmado(...)cruel.
Exemplo 17 - Identificação genérica (CAP64SEQ10)
No exemplo 16, observamos o uso do nome próprio Clô (abreviação de Clotilde) para nomear (e, por conseguinte, identificar) uma das figuras actoriais centrais do plot selecionado para esse trabalho, uma vez que tal personagem é um dos assassinos de Salomão Hayalla; enquanto no exemplo 17, percebemos o uso dos nomes comuns venenos, polônio e frasco de antiácidos, para identificar uma das “armas” utilizadas para realizar o assassinato da vítima.
Segundo Charaudeau (1992), o nome próprio constrói, no interior do discurso, uma classe particular de seres na medida em que o seu uso permite exprimir a intenção de identificar de forma única e própria o ser designado. Logo, o nome próprio se constrói ao termo de uma operação de linguagem que consiste em extrair de uma classe de seres um de seus elementos para atribui-lhe um nome que o torna próprio.
No âmbito de uma narrativa como a nossa, essa operação de linguagem possui uma certa relevância, uma vez que, ao utilizar a categoria linguística do nome próprio para nomear uma figura actorial, o sujeito enunciador está “afirmando” que tal figura é um ser específico e único daquele mundo diegético. Assim, ao utilizar o nome “Salomão”, por exemplo, o EUe tem a intenção de dizer que, mesmo que em outras narrativas fílmicas
166 (seja um filme, uma minissérie ou mesmo uma telenovela), esse nome próprio apareça, ele não corresponde à figura actorial do mundo diegético de O Astro, uma vez que tal figura é específica desse mundo.
Já o nome comum inclui o ser designado em um conjunto composto por todos os seres da mesma espécie.
O quadro 14 abaixo evidencia as identificações específicas e genéricas recorrentes em nosso corpus, considerando as figuras actoriais e os objetos cênicos envolvidos no plot selecionado.
Identificação específica Identificação genérica
Salomão Hayalla Henri Sourrel Pistola/arma
Clô/Clotilde Hayalla Nelson Cerqueira/Cerqueira Tufo de cabelo Márcio Hayalla Adolfo Melo Assumpção/Assumpção Botão Youssef Hayalla Miriam Paranhos Frasco de antiácidos
Magda Hayalla Jôsi Melo Assumpção Veneno/Polônio
Amin Hayalla Amanda Melo Assumpção Jamile Hayalla Herculano Quintanilha
Samir Hayalla Inspetor Eustáquio
Magda Inspetora Elizabeth
Lili/Lilian Corrêa Lourdinha
Beatriz José/Zé
Sílvia Olavo
Inácio Ubiraci
Neco/Ernesto Ramires de Oliveira Zhang
Quadro 14 - Procedimento de identificação no estrato verbal
Através do quadro 14 acima, constatamos que há algumas figuras actorias que, no âmbito de nosso corpus, são predominantemente identificadas não por um nome próprio, mas por um apelido, como é o caso das figuras Clotilde Hayalla, predominantemente identificada por “Clô”; Lilian, identificada por “Lili”; Ernesto Ramires de Oliveira, identificado por “Neco”; Adolfo Melo Assumpção, identificado por “Assumpção”; e Nelson Cerqueira, identificado por “Cerqueira”. Consideremos alguns exemplos:
Salomão: CHEGA, CLÔ! CHE:::GA:::!
Clô: CHEGA DIGO E::::U::! (...) NÃO FALA MAIS COMIGO!
Exemplo 18 - Identificação específica: uso do apelido (CAP03SEQ05)
Ubiraci: Tu num vai precisá disso na festa Neco?
Neco: ((resmunga)) (2.3) >Nunca se sabe.<
167 De acordo com Charaudeau (1992), o apelido (surnom em francês) é um tipo de nome próprio que se sobrepõe ao nome ou ao nome patronímico para mascará-lo com fins diversos. Ele pode ser atribuído pelo próprio sujeito ou por outros sujeitos. Entretanto, no caso de uma narrativa televisiva como O Astro, a atribuição de um apelido a uma determinada figura actorial não é feita pelas demais figuras que povoam o mundo diegético, mas pelo sujeito que constrói esse mundo: o sujeito enunciador. Tal fato pode ser constatado pelas próprias chamadas (disponibilizadas na íntegra no DVD em anexo) exibidas durante algumas semanas antes da estreia da telenovela, que nomeiam algumas figuras não pelo nome próprio, mas pelo apelido que elas possuem. O exemplo 20 abaixo, que apresenta 3 imagens retiradas de 3 chamadas diferentes, evidencia o exposto:
(a) (b) (c)