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2. GENEL BİLGİLER VE LİTERATÜR

2.4. Serbest Radikallerin Etkileri

Durante um dos períodos, um dos educadores sugeriu realizarmos uma atividade com as crianças na qual ele iria apresentar uma imagem para discussão. Este educador se propôs a fazer esta atividade com o objetivo de me ajudar, na tentativa de me oferecer mais um recurso para minha pesquisa. Logo após o meu aceite, fomos com cinco meninas e três meninos a um parque próximo à escola, logo após a assembleia ocorrer.

96 Ao chegarmos ao local, o educador propôs sentarmos em círculo para analisar uma foto que ele havia levado. De mão em mão, a imagem do filho do educador circulou. O menino estava carregando uma boneca, e sorria. Assim que todos observaram a foto, que retornou ao educador, este perguntou o que as crianças achavam daquilo.

No início, com discursos parecidos, meninas e meninos disseram “não acharem nada de mais” (registros do caderno de campo em 2-6-2014), que “não tinha mais essa de ter brinquedos de meninos e de meninas”, e que “era normal hoje em dia meninos brincarem com brinquedos de meninas e vice versa”. Mas em dado momento, uma das meninas comentou que “pensando bem, é mais fácil menina brincar com brinquedo de menino ou usar roupas pretas, azuis, do que menino usar rosa”, disse “inclusive menino fica horrível de rosa”. Perguntei por que e ela não soube me responder. Um dos meninos disse que concordava com seu ponto de vista.

Procurei neste momento não anotar as falas das crianças porque, como o grupo era pequeno, talvez essa atitude pudesse inibi-las ou não deixa-las à vontade. Como também não possuía permissão para gravar estas vozes, fiquei atenta a todas as reações e falas e após uma hora anotei esta experiência no caderno de campo. Abaixo segue o registro deste dia:

Após a assembleia, um dos educadores me sugeriu que eu fosse ao parque com ele e sua turma para analisarmos uma foto em que seu filho aparecia segurando uma boneca. Ele deixou explicito que tinha como intuito cooperar com a minha pesquisa. Fiquei feliz com este interesse dele e concordei em participar, como ouvinte pois não pretendi estabelecer com as crianças uma posição de educadora. Seguimos caminho ao parque, ao lado da escola, com 5 meninas e 2 meninos. Ao chegarmos ao local, sentamos em roda e o professor explicou que iria mostrar uma foto às crianças e gostaria de ouvir depois seus comentários a respeito dela. As crianças começaram dizendo que não achavam nada demais aquilo. Talvez minha presença tenha influenciado na fala inicial das crianças pois elas sabem que estou pesquisando as relações entre meninos e meninas. Passado este primeiro momento, as crianças começaram a ter falas mais espontâneas. Luiza disse que achava mais fácil menina brincar com brinquedos de meninos ou usar roupas azuis, preta, do que os meninos vestirem rosa. Ricardo concordou com ela. (registro no caderno de campo em 2-6-2014)

97 É possível que neste episódio, o início das falas das crianças tenha sido influenciado pela minha presença, pois as crianças sabiam que eu estava na escola observando as relações entre meninos e meninas. Portanto, tentaram mostrar o que sabiam sobre o assunto, de que forma entendiam que seria o caminho justo a ser seguido.

Sendo assim, a importância destas primeiras falas está na observação das informações que essas crianças incorporaram socialmente, e indica que as crianças pertencem a famílias progressistas que buscam relações mais igualitárias entre homens e mulheres, nas quais não deveria haver recriminação ou julgamento por causa de suas escolhas e vontades. Alguns citaram experiências próprias, dizendo sobre seus brinquedos e brincadeiras na casa dos avós, com seus primos, e que, nestas ocasiões, os meninos participavam das brincadeiras com as meninas e vice versa.

No segundo momento das falas das crianças, no qual uma das meninas confessa sua sensação de que é mais fácil para uma menina adentrar no universo dos meninos, fica explícito seu depoimento de acordo com suas experiências pessoais. Mas, quando esta fala obtém apoio de outras crianças, inclusive de um dos meninos, isto demonstra que essa experiência talvez possa fazer parte do universo escolar, familiar e coletivo delas.

A análise da fala das crianças parte da premissa de que na linguagem há um reflexo da construção de realidade, através da qual criamos as representações. A linguagem é um canal que constitui as relações sociais, o mundo social e as identidades. Ao pensar no discurso como uma prática social, constantemente construído, sua análise busca verificar o modo como os processos sociais participam na manutenção ou modificação das estruturas de opressão (NOGUEIRA, NEVES e BARBOSA, 2005).

Scott (1994) diz que os significados dos conceitos não estão fixos na cultura, mas são dinâmicos e estão em fluxo nos processos conflitivos, nas maneiras em que os conceitos de gênero ganham aparência de fixidez ou contestação, no jogo de forças presentes na sua construção. Segundo a autora, as palavras, as ideias e as coisas que elas significam têm uma história (1995). A História está em constante transformação, impulsionada pelos movimentos sociais que engendram novas ordens e que revisam uma determinada organização, reconstruindo as relações sociais.

98 Talvez as mudanças do papel social das mulheres ocorridas nas últimas décadas, impulsionadas pelos movimentos feministas, com as mulheres assumindo postos, atividades e comportamentos antes pertencentes apenas ao universo masculino, tenham proporcionado a representação do universo feminino mais flexível como demonstrado na conversa do grupo citado acima, quando a menina desabafa que é mais fácil a menina utilizar brinquedos e cores de meninos.

As falas das crianças sobre a imagem do menino brincando com uma boneca indicam que as representações dos sexos não estão mais marcadas por padrões sexistas rígidos, mas parece que ainda não encontram validação na ação concreta de meninos e meninas. Essa indicação é corroborada pelas observações que realizei das relações de conflito, e mesmo relações espontâneas nas quais há uma aproximação ou distanciamento condicionados a práticas, com identificações e reconhecimentos. Em outras situações parece que essas crianças não romperam completamente com paradigmas tradicionais, construídos histórica e socialmente sobre os padrões feminino e masculino, embora também sejam perceptíveis rupturas e inovações.

Benzer Belgeler