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Seramik Çamurlarında Perlit Kullanımına Yönelik Çalışmalar

1.7. PERLİTİN TARİHÇESİ VE KULLANIM ALANLAR

1.7.5. Seramik Alanında Perlit Kullanılarak Yapılan Çalışmalar

1.7.5.1. Seramik Çamurlarında Perlit Kullanımına Yönelik Çalışmalar

Depois de perambular pelo Brasil e ser acusado em Porto Alegre, São Paulo e Niterói de roubar, assaltar, explorar e agredir mulheres, usar identidade falsa e desertar do Exército e da Polícia e voltar ao Rio de Janeiro, o gaúcho Francisco Manço de Paiva Coimbra andou espreitando Pinheiro Machado por algum tempo, convencido – segundo disse à Polícia105, pela leitura dos jornais – da “malignidade” do senador. E também de que lhe cabia eliminá-lo da vida dos brasileiros.

Filho de um português chegado à cidade de Rio Grande na antepenúltima década do século XIX, que acabou por se estabelecer na vila de Cacimbinhas106

, o rapaz foi expulso de casa na adolescência, circulou por empregos em que permanecia pouco tempo – por alegação de mau comportamento (SANTOS, 1917).

Em setembro de 1915, estava no Rio de Janeiro pela segunda vez há já um mês, vivendo de serviços eventuais, residindo numa pensão da Rua Bento Lisboa, nas proximidades do Catete - registrado com a identidade falsa de João Dias Régis. Tinha acesso aos jornais graças às amizades com funcionários das bancas próximas, nos longos tempos livres de que dispunha. Incomodado com a influência de Pinheiro

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As informações deste trecho são baseadas nos depoimentos de Manço de Paiva à Polícia e à Justiça, publicadas por Jacinto Ribeiro dos Santos em 1917 – ver referências ao final desta tese.

106 Cacimbinhas, município a 350 quilômetros ao Sul de Porto Alegre, teve o nome mudado para Pinheiro

Machado em outubro de 1915, por ato individual do intendente provisório Ney de Lima Costa - o que acabou por deflagrar um conflito armado municipal que se estendeu aos meses iniciais de 1916.

Machado no governo de Hermes da Fonseca, e vendo o presidente anterior retornar à vida pública através do Senado, engajou-se nos protestos e indignou-se com a repressão policial – conforme Santos (1917):

(...) que o ódio que tinha ao General Pinheiro Machado desde a campanha para a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca, fôra sempre augmentando em face dos actos praticados no Governo passado, pois o declarante estava convencido, e ainda está, de que o General Pinheiro Machado era o unico responsável e que precisava morrer pelo bem da Pátria (SANTOS, 1917, p. 29).

Manço de Paiva também assistia às sessões da Câmara e do Senado. Numa dessas ocasiões, segundo disse, só não agrediu Pinheiro Machado por vê-lo acompanhado de duas senhoras. A 8 de setembro de 1915, porém, percebeu a circulação do automóvel do senador gaúcho entre as ruas do Catete e do Flamengo e viu-o estacionar em frente ao Hotel dos Estrangeiros. Dirigiu-se também ele para lá, passando despercebido pelos funcionários da portaria e viu o político gaúcho subindo uma escadaria que dava acesso ao segundo andar, acompanhado de dois outros homens.

De acordo com Santos (1917), Manço de Paiva firmou convicção de que deveria ser ele o autor do ato para livrar o Brasil da influência de Pinheiro Machado:

(...) tomando a resolução de exterminar o General Pinheiro Machado, tratou de pol-a em pratica, no que se sentia fortalecido pelas palavras incendiadas de deputados e senadores, e por artigos de jornaes que lia com vivo interesse; que ha cerca de 4 dias, estando no largo do Machado, vira um negro offerecendo uma faca-punhal á venda e deante do que lia nos jornaes sobre o reconhecimento do Marechal Hermes, entendeu que era indispensavel assassinar o General Pinheiro Machado, e com este designio adquiriu a referida faca-punhal por 600 réis; que depois de ter adquirido a faca esteve prestes a se empregar, e por isso desistiu de seu intento (SANTOS, 1917, p. 30-31).

Naquele 8 de setembro de 1915, Pinheiro Machado não chegou a ultrapassar todos os degraus que o levariam ao andar superior do Hotel dos Estrangeiros. Alcançado por Manço de Paiva e sem perceber a presença do estranho, recebeu duas estocadas nas costas, tendo tempo apenas de virar-se e esbravejar: “Covarde! Apunhalaste-me!” (CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 09/09/1915, p. 1), sendo, de imediato, amparado pelos acompanhantes, enquanto o agressor fugia. O socorro ao senador não foi capaz de salvar-lhe a vida e menos de 15 minutos depois do atentado ele já era declarado morto.

Perseguido pelas ruas próximas, Manço de Paiva foi detido em flagrante quase

ao mesmo tempo, ainda portando o punhal que usara minutos antes. “Matei um caudilho – e salvei a República!”, exclamou ele ao ser preso (CORREIO DA MANHÃ, Rio de

Janeiro, 09/09/1915, p. 1). Também disse aos policiais que havia retomado a ideia do crime ao ler, naquele mesmo dia, artigo da Gazeta de Notícias, tendo por alvo o ex- presidente Hermes da Fonseca, embora não referisse o seu nome, preferindo tratá-lo pronominalmente:

Elle surgiu de um deslocamento do eixo nacional, de uma desgraça tamanha que, nella, a própria Morte foi apenas um incidente secundário: surgiu e foi subindo porque, se de um lado a Natureza o deixara com as pernas pouco agigantadas, em compensação o braço do Sr. Pinheiro Machado, e longo é esse braço, impulsionava-o com alma (...) Sua candidatura pelas vagas pampas gauchas, para a dita do Sr, Assumpção, no Senado, foi um acontecimento nacional. Todo o Brasil, do Acre até o Caty, discutiu-a. Aqui mesmo tivemos meetings, discursos, artigos... Os jornais duplicaram as vendas, o comandante da Força Policial teve um pretexto para reformar os uniformes e exgotar a verba; varias carreiras políticas se encaminharam pela veemencia dos protestos contra a sua eleição (GAZETA DE NOTÍCIAS, Rio de Janeiro, 08/09/1915, p. 1).

Já na Delegacia do Sexto Distrito Policial, para onde foi levado após o flagrante, o assassino depôs aos policiais:

(...) que hoje, lendo na Gazeta de Notícias um artigo sobre a candidatura do Marechal Hermes, sentiu novamente a necessidade de assassinar o General Pinheiro Machado; que cerca de 4 horas da tarde de hoje estava o declarante no largo do Machado conversando com um motorneiro da Light..., quando, pouco depois, viu parar na frente do declarante um carro fechado, que reconheceu ser do General Pinheiro Machado; que este carro é um automóvel escuro, fechado e dentro, ao que suppunha, trazia o General Pinheiro Machado; que o declarante, vendo o automóvel, parado por causa do transito, reaccendeu-lhe a idéa de assassinar o mesmo General Pinheiro Machado, pelo que entrou precipitadamente em uma casa de bilhetes, no largo do Machado, e ahi escreveu um bilhete que nesta delegacia apresentou ao Dr. Chefe de Polícia e que reconhece ser o proprio que neste acto lhe é mostrado, e entregue em sua presença, por aquella autoridade ao Delegado que preside o presente auto; que sahindo da casa de bilhetes, no largo do Machado, verificou que o automóvel do General Pinheiro Machado seguia em direção á Botafogo, pelo que o declarante a passos precipitados procurou acompanhal-o; que chegando á praça José de Alencar, verificou que o mesmo automóvel estava parado próximo ao Hotel dos Extrangeiros, e por isso para lá se dirigiu apressadamente (SANTOS, 1917, p. 31-32, grifos originais).

Rapidamente, as redações dos principais jornais do Rio de Janeiro foram acionadas por testemunhas do crime ou por quem soube dele em seguida. Da mesma forma, os políticos encarregaram-se de contar uns aos outros o que acabara de acontecer

e membros da bancada gaúcha na Câmara e no Senado emitiram telegramas informando suas bases no Rio Grande do Sul, onde o presidente em exercício era Salvador Pinheiro Machado (irmão do senador assassinado). O assunto tomaria corpo nas edições dos dias seguintes, com duas vertentes: uma, nacional e liderada pelo Correio da Manhã, tentando resumir o episódio a um crime comum, cometido por um desequilibrado; outra, conduzida por A Federação e regional, investindo na versão de que Manço de Paiva foi apenas o executor de um crime sob encomenda – o que será tratado a seguir, na Análise Formal ou Discursiva (AFD) que compõe a segunda etapa do que propõe Thompson (2002) com a Hermenêutica de Profundidade.