Na análise dos delitos informáticos, temos, ainda, que dar atenção aos delitos que, por meio de sistemas, podem trazer prejuízos à administração pública, tanto os praticados por particulares ou pelos próprios funcionários públicos, sempre com atenção à possibilidade de coautoria, nos termos do artigo 30 do Código Penal.
Primeiramente, merece registro o delito acomodado no artigo 153, § 1º - A do Código Penal que nos traz a divulgação de informações sigilosas ou reservadas, contidas ou não nos sistemas de informação ou banco de dados da Administração Pública.
Tal informação será sigilosa ou reservada se assim definida por lei e pode estar contida ou não em sistemas de informação ou banco de dados da administração pública, tutelando-se, assim, a inviolabilidade da informação e a necessidade de que a administração resguarde o sigilo dos seus dados.
A ação privada para o citado delito será de ação penal pública condicionada, exceto se da conduta decorrer prejuízo à administração, caso em que a ação penal será pública incondicionada. Ainda, pela pena de detenção de um a quatro anos, cumulada com multa, cabe a suspensão condicional do processo, nos termos do artigo 89 da lei 9.099/95.
O delito acima examinado foi acrescentado ao código penal pela lei 9.983/2000, eis que nosso legislador sentiu a necessidade de que o delito de divulgação de segredo, já previsto em nosso ordenamento, tivesse também a previsão de que a conduta fosse efetivada com o acesso a bancos de dados ou sistemas eletrônicos, inclusive aqueles pertencentes à administração pública.
Temos que nos dias atuais os grandes bancos de informação encontram-se em sistemas informáticos, inclusive os bancos de dados físicos estão sendo transportados para
os meios digitais, os quais evitam perdas de dados, têm mais fácil manuseio e também são de melhor armazenagem, motivo que justifica a inclusão de mencionado dispositivo .
Prosseguindo o estudo no código penal, temos o delito insculpido no artigo 313 - A do estatuto citado. Tal capitulação incrimina a inserção de dados falsos em sistema de informação ou facilitação para que terceiro assim o faça. Também merece punição a alteração ou exclusão indevida de dados corretos nos sistemas informáticos ou banco de dados da administração pública, para que seja obtida vantagem indevida para o próprio funcionário ou para outrem, ou, ainda, com o objetivo de causar dano.
Tal preceito também foi incluído no código penal pela lei 9.983/2000, tendo em vista a necessidade de que seja resguardada a confiabilidade dos dados contidos nos sistemas de informação ou bancos de dados da administração pública.
Neste caso, os núcleos típicos são inserir, facilitar a inserção, alterar ou excluir. Nos primeiros dois preceitos ocorre a inserção de dados falsos. Nos dois últimos, ocorrem a alteração ou exclusão de dados corretos. Em qualquer das condutas a base de dados ou sistema informatizado pertence à administração pública.
O final da capitulação exige o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem, ou a intenção de causar dano.
O preceito em análise nos dá a pena de reclusão de dois a doze anos, cumulada com pena de multa.
Prosseguindo, temos a tipificação encetada pelo artigo 313 B do Código Penal, que incrimina a modificação ou alteração, feita por funcionário, de sistema de informações ou programa de informática, sem a autorização ou solicitação da autoridade competente.
A capitulação visa a proteção dos sistemas de informação ou programas de informática utilizados pela administração pública, os quais só podem ter nova formatação ou diferente da original quando autorizados ou solicitados pela autoridade competente.
A pena impingida é de detenção de três meses a dois anos, cumulativamente com a pena de multa. O parágrafo único traz causa de aumento de pena, de um terço até a metade, nos casos em que a alteração ou modificação trouxer algum dano para a administração ou para o administrado.
Neste dispositivo, o agente responderá pelo crime mesmo que a modificação ou alteração esteja correta, desde que lhe falte autorização para tanto. Se a inserção de dados resultar em dano, se praticado dolosamente, responderá pelo artigo 313 A; se culposamente, responderá pelo artigo 313 B, parágrafo único.
A análise efetuada no Código Penal encontra também o artigo 325, em seu § 1º, incisos I e II, também acrescentado pela lei 9.983.
O tipo traz o delito de violação de sigilo funcional e, em seu “caput”, incrimina aquele que revela fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a divulgação.
O parágrafo primeiro discorre que incide nas mesmas penas aquele que: i) permite ou facilita, com atribuição, fornecimento ou empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informação ou bancos de dados da administração pública; ii) utiliza-se, indevidamente, do acesso restrito.
No primeiro caso, o agente permite ou facilita que terceiro não autorizado tenha acesso a sistemas de informação ou banco de dados da administração pública através do fornecimento ou empréstimo de senha, ou qualquer outra forma.
Na segunda disposição legal, o agente se utiliza de acesso restrito, de forma indevida.
O preceito secundário veiculado para tal espécie delitiva é a pena de reclusão de dois a seis anos, e multa.
O dispositivo estudado mais uma vez mostra o zelo que se deve ter com o sigilo e a preservação dos bancos de dados e sistemas de informação da administração pública, sendo vedado o simples acesso de quem não tenha autorização para tanto.