2.1 Çalışmanın Genel Şeması ve Sentez Planı
2.1.1 Sentez Planı-1
Os pontos divergentes na doutrina, apesar da escassez do tema, suscitam polêmica e merecem ser avaliados no presente trabalho. São estes:
a) O relacionado ao ponto comercial que para alguns, como Fábio Ulhoa Coelho, é inexistente, enquanto para outros, como Aldemario Araújo Castro, em virtude de o Código Civil ser silente em relação à obrigatoriedade do espaço físico, um site poderia ser considerado um ponto comercial;
b) O do nome de domínio e endereço eletrônico, que suscita a discussão se este é relacionado ao título de estabelecimento ou não.
Analisar-se-á primeiramente sobre a questão do ponto comercial. Como observado, para Fábio Ulhoa Coelho, o ponto comercial, local onde o estabelecimento se encontra, seria inexistente no estabelecimento virtual, pois este não é um lugar físico, sendo necessária uma abstração para entendê-lo como ponto comercial. Segundo o autor:
Em razão do tipo de acessbilidade, as duas espécies de estabelecimento diferenciam- se quanto ao ponto, elemento inexistente no virtual, embora muito comum no físico. A localização do estabelecimento é importante para grande parte dos negócios que dependem do fácil acesso da clientela, como, por exemplo, os de vendas a varejo em geral, escolas e posto de abastecimento de combustível. Para os estabelecimentos virtuais, a localização do imóvel em que se encontra instalada a empresa não tem a mesma relevância, já que o acesso do consumidor ou do adquirente não é feito por deslocamento no espaço.186
Este fato reflitiria na renovação compulsória do contrato de aluguel, direito negado jurisprudencialmente para os depósitos fechados, que poderiam se assemelhar nestes casos ao estabelecimento virtual.
Por outro lado, autores como Aldemario Araújo Castro, entendem que como o Código Civil é silente sob a forma a ser adotada pelo estabelecimento virtual, seria possível considerar o ponto comercial como elemento do estabelecimento virtual. Além disso, explicita o autor que:
Entre as acepções aceitas para o termo local identificamos a noção de ponto. Esse não necessariamente exige uma localização física ou geográfica, principalmente quando constatamos que cada site possui um endereço próprio na rede mundial de computadores. De outro giro, como advogamos ao longo desse trabalho, as definições de índole material ou física devem ser aceitas e adaptadas ao novo mundo virtual, sempre que possível. Nesse particular, não vemos óbices insuperáveis na medida que cada site pode ser encontrado e identificado por meio de um endereço eletrônico (no protocolo IP - Internet Protocol).187
Entende-se como mais correto o entendimento de Aldemario Araújo Castro, em virtude de que o estabelecimento virtual não deixa de ser acessível para o consumidor, pois ele é feito de forma virtual, bastando adaptar-se ao raciocínio deste mundo abstrato. Pensando-se assim, o direito de renovação compulsória ou tutela jurídica específica deve recair não somente sobre o prédio físico em si, mas também sobre o endereço eletrônico da loja virtual, pois este será o local em que ela será conhecida e encontrada. Some-se a isto que é necessário manter uma certa segurança jurídica sobre o local físico do estabelecimento virtual em que ele é registrado, pois na pior das hipóteses, este será o local em que os responsáveis pelo comércio virtual serão encontrados.
Com relação ao nome de domínio e ao endereço eletrônico poderem ser comparados ao título de estabelecimento, necessário se faz, primeiramente, tecer considerações sobre o que vem a ser o nome de domínio, ou endereço eletrônico:
Os nomes de domínio surgiram através de Jon Postel, cidadão norte-americano que criou de forma particular, mas de âmbito global, esta estrutura. Por questões de segurança nacional esta articulação foi apropriada e regulamentada pelo governo estadunidense, transferindo a responsabilidade para o Iccann, uma instituição que não possui fins lucrativos.
No Brasil, os contatos nesta área com os norte-americanos foram feitos pela comunidade científica, sendo a primeira rede brasileira de Internet a Rede Nacional de Pesquisa, que conectava os cientistas brasileiros e suas instituições com todo o globo, sem balizas normativas. Tal pioneirismo das instituições científicas, rendeu reconhecimento do Governo brasileiro que transferiu para a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) o controle dos nomes de domínio em um primeiro momento. A
187 CASTRO, A. A. Os meios eletrônicos e a tributação. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 48, dez. 2000. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1813>. Acesso em: 30 jul. 2010.
responsabilidade da FAPESP foi transferida em 2005 para o NIC.br como estudado acima, vindo este a regular os registros dos nomes de domínio no Brasil.
Mas, como se dá tecnicamente a vinculação do nome de domínio na internet? Como é possível digitar algumas palavras e estas serem encontradas nessa ampla rede mundial? De forma técnica, a sistematização dos nomes de domínio a serem registrados se define da seguinte forma:
O sistema de nomes de domínio (ou Domain Name System – DNS), é uma estrutura de identificação hierárquica, que foi designada para garantir que cada nome seja globalmente único e que corresponda a um valor numérico distinto. Ele resolve um nome de domínio, como “stf.gov.br”, em um endereço IP único, um nome numérico, que contém quatro blocos de até três dígitos cada, como 32.104.87.2, que irá apontar para apenas um lugar na Internet. O DNS foi designado, primariamente, como um mecanismo mnemônico que faz com que as pessoas se lembrem do “endereço” das páginas da Web mais facilmente.188
Anote-se que a estrutura dessa hierarquia se baseia em domínios separados, em que uma entidade administrativa mantém controle de cada nível. Quando o usuário digita um domínio, o pedido se dirige ao servidor DNS, operado normalmente por um provedor de serviços Internet (Internet Service Provider – ISP), que localizará no banco de dados de cada subdomínio, da direita para a esquerda. O servidor DNS, localizará então um host/servidor, para localizar a página buscada, retornando a mensagem para o computador originário.189
Assim, de posse deste entendimento e sabendo da importância que o nome de domínio tomou para os países e de que sua sistematização foi criada para permitir uma vinculação única, permite-se partir para a discussão doutrinária jurídica.
Como se sabe o título de estabelecimento, diferentemente do nome empresarial, não se vincula ao nome de uma pessoa, estando relacionando à parte objetiva da empresa, não tendo este proteção jurídica no mundo real.
188 KAMINSKI, O. Conflitos sobre nomes de domínio: a experiência com o Judiciário brasileiro. In: LEMOS, R; WAISBERG, I. (Org.). Conflitos sobre nomes de domínio: e outras questões jurídicas da Internet. São Paulo: Revista dos Tribunais: Fundação Getúlio Vargas, 2003. p. 244.
189 Ibid., p. 245. Explicita Kaminski, que: “Aproximadamente 250 domínios de primeiro nível regionais (country-code TLDs – cc TLDs) são operados de maneira independente pelos administradores locais em cada país correspondente. Os ccTLDs aparecem como uma série composta de dois caracteres no sufixo do nome de domínio, cada país tem o seu, e alguns estão sendo comercializados como se domínios mundiais fosse, como por exemplo o .TV, da ilha de Tuvalu, e o.LA, de Laos.”
O nome de domínio também se relaciona com a parte objetiva da empresa, pois a sua vinculação ocorrerá se o nome escolhido for o primeiro e não desrespeitar o disposto no parágrafo único do art. 1º da resolução n. 008/2008:190
Art. 1º - Um nome de domínio disponível para registro será concedido ao primeiro requerente que satisfizer, quando do requerimento, as exigências para o registro do
mesmo, conforme as condições descritas nesta Resolução.
Parágrafo único - Constitui-se em obrigação e responsabilidade exclusivas do requerente a escolha adequada do nome do domínio a que ele se candidata. O requerente declarar-se-á ciente de que não poderá ser escolhido nome que desrespeite a legislação em vigor, que induza terceiros a erro, que viole direitos de terceiros, que represente conceitos predefinidos na rede Internet, que represente palavras de baixo calão ou abusivas, que simbolize siglas de Estados, Ministérios, ou que incida em outras vedações que porventura venham a ser definidas pelo CGI.br.
Assim, observa-se que o título de estabelecimento realmente pode ser comparado ao nome de domínio, pois nenhuma exigência de vinculação ao nome pessoal do empresário é necessária para seu registro.
As ressalvas existentes estão listadas no parágrafo único e dizem respeito, principalmente, interpretando-se o normatizado, a não vinculação de marcas famosas, por exemplo, ao endereço eletrônico de uma empresa completamente diferente, o que acabaria por induzir o consumidor a erro.
O nome de domínio, inclusive, se mostra mais protegido juridicamente do que o título de estabelecimento, refletindo neste também, pois as ressalvas descritas nas resoluções permitem uma segurança jurídica maior com relação aos nomes de domínio, além de fazer uma vinculação com o mundo físico, ao obrigar o respeito à legislação vigente, ao não permitir violação de direitos de terceiros etc, sendo que tudo isto está relacionado, por conseguinte, aos títulos de estabelecimento do mundo real. Some-se também o fato do art. 2º, da resolução 008/2008, exigir que as empresas estejam legalizadas para solicitar o registro.
Fábio Ulhôa Coelho expressa o mesmo entendimento aqui exposto, mas de forma mais simplificada, lecionando que:
190 CGI.BR. Resolução n. 2008/08. Procedimentos para registro de nomes de domínio. Disponível em: <http://www.cgi.br/regulamentacao/resolucao2008-008.htm>. Acesso em: 2 abr. 2011.
Todo estabelecimento virtual é identificado pelo nome de domínio. Uma de suas funções equivale à do título de estabelecimento em relação ao físico: identifica o ‘lugar’ em que o consumidor ou adquirente pode comprar o produto ou serviço. Outra função do nome de domínio é realizar a conexão entre emissor e destinatário das informações veiculadas pela internete (tem, então, a mesma função do número de telefone do destinatário). Ele é, assim, o endereço eletrônico, que o consumidor ou adquirente devem digitar no navegador para acessar o estabelecimento virtual.191
Por fim, interessante se faz anotar que o legislador havia buscado relacionar o nome empresarial ao nome de domínio, através das resoluções revogadas n. 001/2006,192 que alterou o art. 10, III, b, da resolução 002/2005.193 Mas isto não se mostrou frutífeto, pois tal
normatização é inexistente na resolução n. 008/2008. Isto reforça ainda mais a idéia de que o nome de domínio é correlato ao título de estabelecimento.