Nos termos dos Decretos-Lei n.º 41 492 e n.º 42 073, de 31 de Dezembro de 1957 e 1958, respectivamente, que previam que em caso de emergência ou em tempo de guerra o Ministro da Defesa Nacional pudesse, com sanção do Presidente do Conselho de Ministros, constituir outras unidades, determinando-lhes os convenientes efectivos. O BCP 1271 foi
constituído pela Portaria n.º 22 260 de 20 de Outubro de 1966 “na dependência do Comando da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné e com sede em Bissau” (Diário do Governo, 1966: 1723). Contudo, de acordo com Boina Verde (1991: 58) “só foi activado em Dezembro desse ano”, aquando da chegada por via aérea ao aeroporto de Bissalanca, localizado a 8 km de Bissau, de alguns militares pára-quedistas, entre os quais o Tenente- Coronel Costa Campos72, nomeado comandante73. Nesta mesma data foi publicada a
70 Devido a exigências operacionais é criado o Regimento de Caçadores Pára-quedistas na mesma
sede do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas em Tancos, que é então extinto pelo Decreto n.º 43 663 e Portaria n.º 18 462, ambos de 5 de Maio de 1961, integrando o Batalhão de Instrução e o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas nº 11. O Regimento de Caçadores Pára-quedistas é extinto a 5 de Julho de 1975.
71 Ver apêndice P – N.º 12: A razão de ser. 72 Ver anexo Q
Capítulo 3: Os Caçadores Pára-quedistas
primeira ordem de serviço, na qual constava a criação de três subunidades, a Companhia de Caçadores Pára-quedistas (CCP) n.º 121, a CCP n.º 122 e a Companhia de Pessoal74.
Fazendo parte das forças de reserva atribuídas ao Comandante-Chefe da Guiné, o BCP 12 iniciou a sua actividade operacional, conforme o relatório do treino operacional n.º 1 do BCP 12, em 3 de Janeiro de 1967. Como consequência, a Esquadra Mista deixou de contar com os efectivos pára-quedistas que foram adicionados ao quadro orgânico do batalhão. Face à deficitária logística inicial, a nova unidade estava grandemente dependente da Base Aérea (BA) n.º 12 que assegurava, à semelhança de outros apoios externos, diversos serviços tais como: Conselho Administrativo, Oficinas, Serviço de Saúde e Paióis75.
Desde o início da sua actividade operacional e até à chegada do Brigadeiro Spínola, o BCP 12 actuou predominantemente como força de intervenção do Comandante-Chefe76.
Após a tomada de posse de Spínola, os caçadores pára-quedistas passaram a integrar os recém-criados COP’s, ficando sob o comando do comandante deste, juntamente com outras forças militares sendo assim forças de intervenção, mas do sector. Havia, porém, uma companhia permanente em Bissalanca, que era simultaneamente reserva do Comandante- Chefe e da região aérea.
O ano de 1969 é assinalado pela chegada da CCP 123, comandada pelo Capitão Loureiro Costa, a 30 de Junho. Esta foi atribuída como reforço temporário aos efectivos do BCP 12 por um período de três meses, findo o qual regressou à metrópole.
Tal como nos anos anteriores, 1970 contou com inúmeras operações no decurso das quais os pára-quedistas capturaram materiais e guerrilheiros77. A 21 de Julho o BCP foi
completado com a sua terceira companhia, a CCP 123, que permaneceria até à extinção da unidade em 1974.
A partir de 1971, com as companhias de caçadores pára-quedistas atribuídas aos COP’s que se iam activando, o comandante do BCP 12 esforçava-se por levar a cabo
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De acordo com N. C. Bernardes (comunicação pessoal, 03 de Julho de 2011) “os oficiais do quadro permanente que optavam pelas tropas pára-quedistas viam a sua carreira limitada ao posto de Coronel. Porém, a vontade e o orgulho de pertencer a esta força falavam mais alto. Só em 1974 é que abre a primeira vaga para um oficial General pára-quedista”.
74 Os serviços essenciais à vida do Batalhão, tais como: Secção de Subsistência com refeitórios
conjuntos para oficiais, sargentos e praças; Secção de Operações e de Informações; Secção de Justiça; e outros, foram também activados na mesma data. Em Julho de 1968 a Companhia de Pessoal passou a designar-se Companhia de Material e Infra-estruturas (CMI), englobando os vários serviços de apoio logístico e administrativo do batalhão e também o Destacamento de Precursores e Ligação Aeroterrestre.
75 N. A. Mira Vaz (comunicação pessoal, 04 de Agosto de 2010) refere que
“por serem especialistas da Força Aérea, os caçadores pára-quedistas dispunham de um subsídio monetário que proporcionava uma maior autonomia. Isto possibilitava, por exemplo, no respeitante à alimentação, diversificar os conteúdos quer no aquartelamento, quer no “mato”, onde substituíam as vulgares rações de combate por leite, latas de fruta, etc.”.
76 Ver apêndice Q
– O armamento e equipamento do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas N.º12.
77 No que respeita aos materiais, onde se incluem armas e munições superiores à das nossas tropas,
salientamos a sua utilização em operações por parte das tropas pára-quedistas. Relativamente aos guerrilheiros, uma vez capturados, eram sujeitos a interrogatórios para a obtenção de informações.
Capítulo 3: Os Caçadores Pára-quedistas
operações independentes, pois eram aquelas que mais e melhores resultados asseguravam.
Durante o ano de 1972 as tropas pára-quedistas não demonstraram, nas palavras de J. M. Calheiros (comunicação pessoal, 29 de Janeiro de 2011), “grandes resultados operacionais dado que o inimigo, por razões que se desconhecem, mas muito provavelmente pela grande tensão então existente no seio do PAIGC entre os guineenses, normalmente combatentes, e os cabo-verdianos dirigentes, revelou pouca agressividade naquele período”. Esta situação alterou-se em 1973 após a morte de Amílcar Cabral. De acordo com as actas da reunião de comandos de 13 e 15 de Maio de 1973, materializa-se desde o início do ano um aumento de potencial do PAIGC, que se traduz na introdução de novas armas e na passagem para acções de tipo convencional que visavam o aniquilamento de guarnições isoladas. Com efeito, destacamos a utilização massiva de artilharia, que era agora empregue dia e noite78, e a introdução do míssil terra-ar Strella, que condicionou a
utilização de meios aéreos79.
Em 1974 a situação militar agravou-se com o crescendo de actividades do PAIGC. Este facto, aliado ao prolongamento das guerras em África e às consequências que as mesmas estavam a ter na sociedade portuguesa, culminou com as acções político-militares, desencadeadas a 25 de Abril, que derrubaram o regime. Neste seguimento, e após a substituição das principais chefias militares, a actividade operacional do BCP 12 foi praticamente suspensa, passando “a vigorar então uma situação mal definida, próxima de um cessar-fogo, que no entanto era bem aproveitada pelo PAIGC para introduzir, a partir dos países limítrofes, grupos de guerrilheiros armados, em número incontrolado” (Jacinto & Rodrigues, 1987: 232). As conversações entretanto levadas a cabo entre o Governo Português e os dirigentes do PAIGC culminaram com o reconhecimento da independência da Guiné. Sendo a sua governação assumida por aquele partido, assumiram reciprocamente cessar as operações militares, devendo as tropas metropolitanas abandonar o território até 31 de Outubro de 1974.
Atendendo ao Decreto-Lei n.º 765/74 de 31 de Dezembro de 1974, o BCP 12 é extinto com data de 15 de Outubro de 1974. Conforme a relação dos militares mortos apresentada por Jacinto & Rodrigues (1987: 315-319), sofreu 56 mortes em campanha, das quais se contabilizam 47 praças, 6 sargentos e 3 oficiais, e 9 mortes por acidente ou doença, de entre as quais 5 praças, 3 sargentos e 1 oficial. Pelo Decreto n.º 48 328 de 10 de Abril de 1968, foi condecorado com a medalha de cruz de guerra de 1.ª classe.
78 Ver anexo R – Gadamael-Porto: Vidas debaixo de fogo. 79 Ver anexo S
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