• Sonuç bulunamadı

SEKTÖRÜN DIŞ PİYASALARDAKİ DURUMU

A partir da queda do Muro de Berlim e do desaparecimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas deu-se certa hegemonia do modo de sistema capitalista fundado nos princípios do liberalismo econômico, com a roupagem ‘neoliberal’, e dos princípios democráticos a

ele relacionados. No entanto, uma profunda recessão se anunciou nas principais estruturas econômicas mundiais, gerando crescente desemprego a gerar graves dificuldades e propostas inimagináveis, nos ditos ‘países desenvolvidos’, a exemplo da diminuição da semana de trabalho.

A democracia, o regime de governo eleito pela grande maioria de pessoas e países tem avançado a tropeços, como as guerras fratricidas, o renascer das xenofobias e do racismo, avanços incríveis no conhecimento científico e tecnológico, ao mesmo tempo em que surgem questões inquietantes a respeito da ordem no equilíbrio ecológico e ético, a exporem risco à dimensão vital da própria sociedade humana.

Enquanto isso, e ainda mais, nos ditos ‘países em desenvolvimento’, em especial os dos continentes latino americano e africano, os flagelos assumem grandes proporções com o sofrimento social, o número de pessoas que passam a viver na miséria aumenta a determinar migrações impostas pela necessidade de sobrevivência, a fome e as enfermidades decorrentes da desnutrição e do analfabetismo, a precariedade das condições básicas de vida da maior parte das crianças do mundo: é o descaso e a marginalização ao tratar o desenvolvimento do ser humano de forma superficial pelos governos da maioria desses Estados46.

46 Vide a respeito os sites: http://www.onu-brasil.org.br e http://www.um.org em especial nas páginas da UNICEF e do PNUD.

A respeito, interessante e pertinente reportagem publicada na revista VEJA aos 16/02/2005, no. 1892, noticiando a arrancada e o desenvolvimento sócio-econômico da Coréia do Sul a partir do investimento maciço na educação, a saber:

7 LIÇÕES DA CORÉIA PARA O BRASIL – O que o país pode aprender com o bem sucedido modelo de educação implantado na Coréia do Sul:

1. Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental – e não na universidade – enquanto a qualidade nesse nível for sofrível

A internacionalização de todos os campos do Planeta, face ao ‘novo’ sistema geo-econômico mundial, a chamada globalização, vem tornando todos esses problemas ainda mais complexos e muitas das soluções incertas, pois determina a sensibilidade de cada outra parte do Planeta ao que ocorre em uma47, o que presenciamos em vários países onde se estabelecem crises pela volatilidade dos investimentos estrangeiros.

De fato, debilitam-se os sistemas econômicos nacionais com o ‘remédio econômico’ do modelo FMI-Banco Mundial, a gerar conseqüências econômicas sociais devastadoras, além do descuido para com os excluídos, famintos, por fim, a falta de investimento público nas áreas sociais.

O ressentimento planetário pela exploração

desordenada, predatória e incompatível com a regeneração dos recursos naturais, como base e condição da vida.

Ainda e mais, o Direito, como instrumento de controle social e político do estado nacional passa a sofrer forte influência internacional, a orientar substancial e formalmente as constituições de acordo com o interesse de uma nova

2. Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento.

3. Racionalizar os recursos para dar melhores salários aos professores 4. Investir em pólos universitários voltados para a área tecnológica

5. Atrair o dinheiro das empresas para a universidade, produzindo pesquisa afinada com as demandas de mercado.

6. Estudar mais. Os brasileiros dedicam cinco horas por dia aos estudos, menos da metade do tempo dos coreanos.

ordem econômica mundial, alterando-se o eixo de produção e de fontes jurídicas, onde mais e mais espaço vai sendo ocupado pelos interesses das organizações e corporações internacionais; uma mão invisível a manipular o poder político de forma direta ou indireta com a visão simplista de que o mundo é um grande mercado, apenas; mantendo os que não são capazes para o consumo, longe do pretenso auge para a civilização, excluídos inclusive de toda a evolução e desenvolvimento tecnológicos e científicos dos últimos séculos48.

Naturalmente, como animal político49 que é, o ser humano reage e aspira mais intensa e generalizadamente uma real participação nos sistemas políticos, onde o povo possa crer numa democracia genuína e tenha controle de seu próprio destino50.

47 KLIKSBERG, Bernardo. UNA AGENDA ESTRATÉGICA, no livro ‘El rediseño del Estado ..., obra citada, páginas 09/10.

48 SANTOS, Marcelo Fausto Figueiredo. TEORIA GERAL DO ESTADO, Editora Atlas, São Paulo, 2.001, páginas 48 e seguintes.

49 ARISTÓTELES. POLÍTICA, Editora UNB, 3a. Edição, Tradução de Mário da Gama Kury, páginas 14/16: Ensina Aristóteles ser o homem um ser naturalmente social por viver, inicialmente, em família, em seguida, povoados a formar comunidades políticas que evoluem até a definitiva formação da cidade, estágio final e caracterizador do homem em sua formação, como parte do todo; é a maior evolução em organização pela autosuficência que traz em condições de garantir a vida e proporcionar vida melhor a todos que nela vivem.

O homem tem o poder de falar, assim pode externar: a dor, o prazer, o conveniente e o nocivo, o justo e o injusto. Tem, ainda, o sentimento do bem e do mal, dentre outras qualidades morais determinantes das características da comunidade política, inclusive pelo seu natural impulso em dela participar, frente a sua insuficiência em solidão, assim, também é animal político, de fato não procura a cidade apenas se é um selvagem ou se é um deus, pois:

... o homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas também é o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois injustiça é a mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula. Por outro lado, a justiça é a base da sociedade, sua aplicação assegura a ordem na comunidade social, por ser o meio de determinar o que é justo.

Aí é onde acaba por dar de encontro com outros desafios: saber a verdade por trás da propaganda e vida política, orientada e estruturada sobre a ilusão do eleitorado na propaganda eleitoral a criar a imagem vista como ideal ao candidato do cargo político a ser ocupado, formulada a partir da manipulação do imaginário do eleitorado, em especial, na propaganda televisiva que prima por lidar com o emocional das pessoas, por onde tira do foco de observação o racional e o crítico ao cobrar a atenção do emocional51.

51 SWARZENBERG, Roger-Gérard. O ESTADO ESPETÁCULO, editora Difel, tradução de Heloysa de Lima Dantas, Rio de janeiro – São Paulo, 1978, onde às páginas 294/298 analisando a propaganda política:

Durante muito tempo, a propaganda foi uma questão de idéias e opiniões. Difundia doutrinas e programas. Apelando para a faculdade de julgamento e raciocínio do cidadão

Hoje em dia, a persuasão difunde mais imagens que idéias. Reduz a luta política a uma rivalidade entre pessoas. Substitui o difícil confronto das teses, a lenta comparação de argumentos, por uma espécie de jogo dramatizado e vedetizado. O poder personalizado finge sistematicamente a facilidade. Reduz o debate público a

formas elementares ou paródicas diretamente assimiláveis sem o menor esforço. Joga com o supostamente escasso gosto do público pelo exercício da reflexão, pela manipulação de conceitos abstratos e pela análise de argumentos puramente lógicos. ...

A direita, seja lá onde for, restringe suas ambições a gerir a sociedade tal como ela é. Criando falsas impressões através de algumas reformazinhas de nonadas. Por conseguinte, ela jamais brilha pela precisão doutrinal ou pela invenção ideológica. Seu programa passa, com freqüência de uma Carta aberta às pessoas felizes. A direita se empenha por isso, regularmente, em transferir o debate público dos programas para as pessoas. Como sucedeu nas eleições presidenciais de 1974 (em França).

Somam-se assim a falta de participação, a falta de programação e o que se poderia qualificar de “des-razão”. Emoções, intuições, impulsões: a política personalizada não se baseia nos componentes cognitivos e sim nos componentes efetivos das atitudes políticas. Ela deflagra um processo de “des-secularização cultural”. A paixão sobrepõe-se novamente à razão. E o critério racional se desvanece por trás dos sentimentos de atração ou de antipatia.

Em lugar de reagir a argumentos ou proposições fundamentais, atentamente examinadas, em lugar de se pronunciar a respeito de idéias e programas cuidadosamente cotejados, vota-se a favor de uma personalidade ou melhor de um personagem, habilmente composto. Assumem-se posições em função de seu carisma, de seu charme, de sua aparência agradável ou seu perfil atraente. Pelo menos como os exibem seus conselheiros políticos.

É de recordar, ainda que em tópicos a facilitar futura análise, das demais críticas e deficiências mencionadas anteriormente neste trabalho, a saber:

• O grau de complexidade do Estado ao necessitar do ponto de equilíbrio harmônico entre o Estado social e o Estado liberal;

• A mesma complexidade nos assuntos a serem objeto de decisões políticas, a exigir conhecimentos especializados distantes da massa de eleitores, absorvidos em suas profissões, a exigir a representação;

• A opção pelos representantes muito ‘mais formal que material’ por fundar-se na propaganda e campanha políticas, e não ações;

• Representação fictícia da vontade popular pela liberdade no mandato representativo;

• Falta de capacidade organizativa frente a falta de politização de grande parte da população;

• A redução do regime de governo democrático à regime político eficaz sustentado em soluções técnicas, apenas, e favorável à apatia política.

• A exploração entre classes sociais em âmbito nacional e internacional, fundada na separação entre dirigentes e executantes, determinada pela educação;

• No Brasil, ainda e mais, temos o autoritarismo social, a colaborar na criação da mentalidade de serem os representantes políticos escolhidos pelo povo como meros votantes;

• Os direitos, não sendo gerais, no sentido de beneficiar a todos, tornam-se privilégios de alguns.

Vimos, ainda, que a democracia, muito mais que uma forma de governo estática, é movimento, melhora e aperfeiçoamento, é um processo que tem como metas o estabelecimento da máxima liberdade privada e política para todos em igualdade de condições; na prática, o requisito a determinar que tal igualdade se dê é econômico, ainda que admitamos a desigualdade material humanizada, nunca a mecanizada, num modo de produção econômico neoliberal; já que impróprio ao atendimento dos pressupostos social e econômico da democracia, quais sejam: amadurecimento político de autogoverno pelo povo a partir do desenvolvimento econômico inclusivo a permitir-lhe, após a satisfação das necessidades corpóreas, a instrução em alfabetização e prática político democrática a criar-lhe capacidade política52; portanto muito mais que a ideologia neoliberal promete em teoria e prática.

Benzer Belgeler