Segmentos operacionais podem ser definidos como os componentes de uma Companhia sobre quais informações financeiras segregadas devem estar disponíveis para avaliação regular por parte dos gestores ao decidir como alocar recursos e medir desempenho.
Um segmento operacional é um componente de uma Companhia que trabalha em atividades financeiras de onde obtém receitas e incorre em despesas (incluindo transações com outros componentes da mesma entidade), cujos resultados operacionais são regularmente revisados pelos gestores para decidir sobre recursos a serem alocados ao segmento e avaliar o seu desempenho, e para o qual informações financeiras separadas são disponíveis.
Geralmente, um segmento operacional tem um gestor diretamente responsável que mantém contato regular com o CEO - Chief Executive Officer -, com um grupo de diretores executivos ou algo similar. Um gestor pode ser responsável por mais de um segmento operacional. A identificação dos segmentos deve seguir os mesmos critérios utilizados pela gerência da empresa para tomar decisões sobre alocações de recursos para um segmento e avaliação de performance.
A norma IFRS 8 traz a novidade de também considerar na identificação do segmento o componente de uma entidade que venda principalmente ou exclusivamente para outros segmentos da mesma entidade. Os diferentes estágios de integração vertical não eram inclusos na determinação de um segmento pela norma IAS 14.
Na norma americana, SFAS 131, quando uma entidade possuía mais de um critério utilizado na identificação do segmento, ou seja, quando a sua estrutura era em forma matricial, a segmentação deveria ser feita com base nos seus produtos e serviços. Tal determinação foi eliminada com a IFRS 8, pois contrariava a visão do management approach.
Hermann e Thomas (2000) analisaram as demonstrações financeiras de empresas antes e depois da SFAS 131, e descobriram que dois terços da amostra redefiniram os seus segmentos devido à aplicação da nova norma. Com a introdução do SFAS 131, houve, de acordo com os autores, um aumento no número de empresas divulgando informações por segmento e no número de itens por segmento divulgado. Além disso, o número de informações por áreas geográficas reduziu drasticamente.
Na IAS 14, os segmentos eram identificados por dois critérios: 01- produtos e serviços (Business Segment); e 02- áreas geográficas (Geographical Segment). A norma ainda fazia definições dos segmentos, por exemplo:
Business Segment (segmentos de produtos e serviços) visa a prover informações correlacionadas a produtos e serviços ou grupos de produtos e serviços sujeitos a riscos e retornos diferentes de outros segmentos de negócios, compreendendo:
Natureza dos produtos e serviços; Tipo ou classe dos clientes;
Método usado na distribuição de produtos e serviços; O ambiente regulatório.
Geographical Segment visa a prover informações correlacionadas a produtos e serviços ou grupo de produtos e serviços oferecidos em ambientes econômicos específicos, com riscos e retornos que são distintos de outros ambientes econômicos em que a entidade atue:
Similaridade de condições políticas e econômicas; Riscos associados a operações em áreas específicas; Controle de política de câmbio.
Havia ainda, na norma IAS 14, a segregação entre segmentos primários e secundários. O segmento secundário era aquele com menor grau de disclosure. A empresa deveria decidir se usaria a linha de “produtos ou serviços” ou “áreas geográficas”, na determinação do segmento primário baseada nas suas avaliações de risco e retorno, ou seja, se a companhia avalia os riscos e retornos com base nos produtos e serviços ou com base nas regiões em que atua.
A justificativa para a eliminação dessas definições e a substituição, no processo de identificação dos segmentos, por critérios gerenciais foi a de que os segmentos eram identificados, em muitos casos, de uma maneira que não refletia a condução dos negócios, resultando em uma necessidade de se produzir uma informação por segmento que não era usada para nenhum propósito. O maior benefício do enfoque gerencial seria perdido com as definições anteriormente utilizadas.
De acordo com o EFRAG, é muito mais útil segmentar o negócio seguindo a mesma estrutura adotada gerencialmente, pois os gerentes farão a segmentação de uma forma que reflita a essência de suas atividades e da melhor maneira que elas possam ser interpretadas.
O enfoque gerencial possibilitará um maior detalhamento da estrutura interna de uma organização e o conhecimento dos riscos e oportunidades que os gerentes consideram importantes. Essa forma de segmentação pode melhorar a capacidade dos usuários das informações contábeis em fazer previsões sobre as ações e reações da gerência, o que poderá afetar significativamente as suas estimativas de fluxo de caixa futuro.
Um aspecto relacionado à divulgação de informações por segmentos utilizando-se de critérios gerenciais é que as empresas poderão identificá-los de diversas maneiras além do critério geográfico, tais como tipos de clientes, órgãos reguladores, serviços prestados, etc. A preocupação existente é se poderá haver uma diminuição no número e na qualidade das informações divulgadas.
Um estudo similar foi feito por Emmanuel et al (1999) com demonstrações financeiras de empresas britânicas. Notou-se uma queda no detalhe das informações, principalmente no número de segmentos reportados, e também nas informações de áreas geográficas. Os autores concluíram que há poucos, mas grandes segmentos divulgados.
Para Hope (2008), informações por áreas geográficas são úteis em avaliar as ações gerenciais e o valor da firma, e a falta dessas informações pode causar um impacto muito grande nas análises dos investidores, principalmente em um cenário de complexidades internacionais, incluindo diferenças de cultura, oportunidades de crescimento, competição, regulação governamental, relações trabalhistas, leis tributárias, práticas de negócio e condições de mercado. Mande e Ortman (2001) consideram que a não divulgação de informações geográficas está relacionada ao fato de as empresas quererem evitar práticas de dumping e aumentos nos impostos relativos a preço de transferência, mas que os analistas consideram tais informações, juntamente com as dos principais clientes, importantes.
Nichols e Wilder (2002) analisam as mudanças trazidas pelo SFAS 131 e seu management approach no setor petrolífero. Os autores consideram muito importante a divulgação por região geográfica para avaliação de risco e retorno, análise do potencial de lucros futuros, além de conhecer os riscos políticos e econômicos de cada região geográfica em que uma empresa atua. Quanto maior o nível de desagregação da informação, melhor a análise. Para eles, o ideal seria informações por país de atuação. O artigo faz ainda um “ranking” do nível de desagregação de informações geográficas. Os setores com informações mais desagregadas são o de petróleo, químico e de manufatura. Os setores de comida e têxtil apresentam informações muito agregadas, dificultando a análise.