As análises xilológicas foram realizadas com o objetivo de tentar identificar as madeiras presentes nas estruturas das mesas de encostar. Nesta análise optou-se por recolher apenas amostras dos tampos e das estruturas principais, dispensando a recolha de amostras de madeiras que se revelavam claras intervenções anteriores.
As amostras foram designadas alfabética e numericamente, sendo que a letra corresponde à mesa de onde foram recolhidas as amostras (mesa A e mesa B) e os números correspondem ao número da amostra – vd. Fig. 26.
61 Vd. PASCUAL, Eva e Miro – Restauro de Madeira: A técnica e a arte do restauro de madeira
explicadas com rigor e clareza. 1ª ed. Lisboa, Portugal: Editorial Estampa Lda., 1999. ISBN: 972-33-
Fig. 26 – Identificação das áreas de recolha das amostras para xilologia: A1. Canto anterior direito da
mesa A; B1. Interior do avental posterior da mesa B; A2. Tampo da mesa A; B2. Tampo da mesa B. Fonte: de elaboração própria.
A análise xilológica foi realizada com base no protocolo disponibilizado pelo Laboratório de Química do Instituto Politécnico de Tomar (IPT ESTT) – vd. Anexo 6, p.
269-272.
Nos parágrafos que se seguem apresentam-se os resultados especulados para as amostras:
Amostra A1 (estrutura principal): Através da comparação das imagens obtidas com imagens de referência, disponíveis numa base de dados62,
62 Vd. INSIDEWOOD – JUGLANDACEAE Juglans Regia. [Em linha]. Estado da Carolina do Norte,
USA: NC State University. [Consult. 21.03.2016]. Disponível em WWW: < http://insidewood.lib.ncsu.edu/description?10>.
conclui-se que se trata de uma madeira proveniente da família arbórea
Juglandaceae e cuja espécie se identifica como Juglans Regia63. – vd. Fig.
27. A referida madeira tem distribuição geográfica na Europa oriental e na
Ásia oriental64. Em Portugal esta madeira encontra-se abundantemente na região do Alto Minho (Norte de Portugal) e é designada como Nogueira comum65.
Fig. 27 – Microfotografia com luz transmitida de três secções de madeira da espécie Juglans Regia: a)
secção transversal da amostra de madeira analisada (40 µm); b) secção radial da amostra de madeira
analisada (100 µm); c) secção tangencial da amostra madeira analisada (100 µm); d) secção transversal da
amostra de madeira de referência (40 µm); e) secção radial da amostra de madeira de referência (100 µm); f) secção tangencial da amostra de madeira de referência (100 µm). Fonte das fotografias da amostra recolhida: Laboratório de Física, Química e Rx (IPT). Fonte das fotografias de comparação:
INSIDEWOOD.
63 Vd. CARVALHO, Albino de – Estrutura anatómica Propriedades Utilizações. In Madeiras Portuguesas
1ªed. Lisboa, Portugal: Direcção-Geral das Florestas, 1997. ISBN:972-8097-26-3. Vol. II. p. 216.
64 Vd. MEIER, Eric –English Walnut. In The Wood Database. [Em linha]. Estados Unidos da América:
USDA. [Consult. 21.03.2016]. Disponível em WWW: <URL: http://www.wood-database.com/lumber- identification/hardwoods/english-walnut/>.
65 Vd. CARVALHO, Albino de – Estrutura anatómica Propriedades Utilizações. In Madeiras Portuguesas
1ªed. Lisboa, Portugal: Direcção-Geral das Florestas, 1997. ISBN:972-8097-26-3. Vol. II. p. 395.
a) b) c)
Amostra B1 (estrutura principal): Através da comparação das imagens obtidas com imagens de referência, disponíveis numa base de dados66, conclui-se que se trata de uma madeira proveniente da família arbórea
Rosaceae e cuja espécie se identifica como Prunus avium L. – vd. Fig. 28.
A referida madeira pertence a uma espécie nativa da Europa e utiliza-se para a produção de mobiliário na região do distrito de Viana do Castelo e interior Norte67. É conhecida como madeira de Cerejeira.
Fig. 28 – Microfotografia com luz transmitida de três secções de uma madeira da espécie Prunus avium
L.: a) secção transversal da amostra de madeira analisada (40 µm); b) secção radial da amostra de madeira analisada (40 µm); c) secção tangencial da amostra madeira analisada (40 µm); d) secção transversal da
amostra de madeira de referência (100 µm); e) secção radial da amostra de madeira de referência (50 µm); f) secção tangencial da amostra de madeira de referência (50 µm). Fonte das fotografias da amostra
66 Vd. SCHOCH, W., HELLER, I., SCHWEINGRUBER, F. H., KIENAST, F. – Prunus avium L.. In Wood
anatomy of central European Species. [Em linha]. Suiça: Birmensdorf Eidgenössische Forschungsanstalt
WSL. [Consult. 21 Mar. 2016]. Disponível em WWW: <URL:
http://www.woodanatomy.ch/species.php?code=PNAV# >.
67 Vd. CARVALHO, Albino de – Estrutura anatómica Propriedades Utilizações. In Madeiras Portuguesas
1ªed. Lisboa, Portugal: Direcção-Geral das Florestas, 1997. ISBN:972-8097-26-3. Vol. II. p. 227.
a) b) c)
recolhida: Laboratório de Física, Química e Rx (IPT). Fonte das fotografias de comparação: Wood
anatomy of central European Spieces.
Amostra A2 e B2 (tampos): Através da comparação das imagens obtidas com imagens de referência, disponíveis numa base de dados68, conclui-se que se trata de uma madeira proveniente da família arbórea Pinaceae e cuja espécie se identifica como Pinus Sylvestris. – vd. Fig. 29 e Fig. 30. A referida madeira tem distribuição geográfica na Europa e norte da Ásia69. Em Portugal esta madeira encontra-se abundantemente na região do Alto Minho (Norte) 70 e é designada como Pinho Silvestre ou Casquinha71 – é o que se refere também como Pinho Comum.
68 Vd. SCHOCH, W.; HELLER, I.; SCHWEINGRUBER, F. H.; KIENAST, F. – Pinus Sylvestris L.. In
Wood anatomy of central European Species. [Em linha]. Birmensdorf, Suíça: Swiss Federal Research
Institute WLS. [Consult. 21.03.2016]. Disponível em WWW: <URL:
http://www.woodanatomy.ch/species.php?code=PISY>.
69 Vd. MEIER, Eric –English Walnut. In The Wood Database. [Em linha]. Estados Unidos da América:
USDA. [Consult. 21.03.2016]. Disponível em WWW: <URL: http://www.wood-database.com/lumber- identification/softwoods/scots-pine/>.
70 Vd. CARVALHO, Albino de – Estrutura anatómica Propriedades Utilizações. In Madeiras Portuguesas
1ªed. Lisboa, Portugal: Direcção-Geral das Florestas, 1997. ISBN:972-8097-26-3. Vol. II. p. 395.
Fig. 29 – Microfotografia com luz transmitida de três secções de madeira da espécie Pinus Sylvestris: a)
secção transversal da amostra de madeira analisada (40 µm); b) secção radial da amostra de madeira
analisada (100 µm); c) secção tangencial da amostra madeira analisada (40 µm); d) secção transversal da
amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida); e) secção radial da amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida); f) secção tangencial da amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida). Fonte das fotografias da amostra recolhida: Laboratório de Física, Química e Rx (IPT).
Fonte das fotografias de comparação: Wood anatomy of central European Spieces.
a) b) c)
Fig. 30 – Microfotografia com luz transmitida de três secções de madeira da espécie Pinus Sylvestris: a)
secção transversal da amostra de madeira analisada (40 µm); b) secção radial da amostra de madeira
analisada (100 µm); c) secção tangencial da amostra madeira analisada (40 µm); d) secção transversal da
amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida); e) secção radial da amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida); f) secção tangencial da amostra de madeira de referência (ampliação desconhecida). Fonte das fotografias da amostra recolhida: Laboratório de Física, Química e Rx (IPT).
Fonte das fotografias de comparação: Wood anatomy of central European Spieces.