4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.2. Sedimentte Tespit Edilen Ağır Metaller
Para a reenturmação dos alunos, o primeiro objetivo a ser cumprido na reunião do dia 28/02, seria tomar como referência o teste elaborado pela supervisora e aplicado nas turmas pelas professoras.
O teste apresenta nove questões, distribuídas em três páginas, como se pode ver na FIG. 7. As atividades propostas no teste possibilitam avaliar se a criança sabe: 1) escrever o nome completo; 2) discriminar as vogais; 3) identificar a letra inicial de palavras a partir do desenho; 4) contar letras; 5) escrever palavras; 6) desenhar a família; 7) reconhecer o que é um animal; 8) fazer discriminação visual e 9) fazer cópias.
Ao analisar o teste, fiz as seguintes indagações: Qual é a natureza das questões? O que elas avaliam em relação à escrita? Que conhecimentos medem? Por que esse tipo de teste é aplicado no final do mês? Qual é o sentido de adiar um mês para fazer uma avaliação para “conhecer os alunos”?
Na atividade 1, propõe-se a escrita do nome completo do aluno. Saber escrever o nome completo é mais difícil do que saber o primeiro nome. Evidentemente, tal saber pressupõe o contato direto com esse tipo de informação. Até o dia 23 de fevereiro, quando o teste foi aplicado, não se observou nenhuma proposta da professora que se relacionasse à escrita do nome completo e que, portanto, pudesse ser avaliada como saber desenvolvido ao longo do período que antecedeu a avaliação. O fato de alunos escreverem o nome completo deveu-se a experiências anteriores. Já que se avaliavam conhecimentos anteriores, por que fazer a avaliação no final do mês e não nos primeiros dias de aula?
A atividade 2 demanda do aluno conhecimento sobre a classificação das letras em vogais e consoantes. Sabe-se que muitos alunos são capazes de ler e escrever sem, contudo, saberem distinguir a categoria das letras – se são vogais ou consoantes. Trata-se, aqui, de reconhecer se os alunos possuem um conhecimento metalingüístico considerado pela escola importante para o processo de alfabetização.
Na questão 3, pede-se à criança que escreva a letra que inicia o nome de cada desenho. Dessa forma, busca-se avaliar possíveis conhecimentos por parte do aluno entre língua oral e escrita.
O que se solicita à criança na questão 4 é uma contagem e, em seguida, que ela marque qual palavra tem mais letras.
Na questão 5, pede-se ao aluno que dê nome aos desenhos. Tal questão possibilitaria identificar certos padrões de escritas indicativos de suas concepções e hipóteses sobre o sistema de escrita.
Na questão 6, pede-se à criança que desenhe sua família. Durante a reunião, nas poucas vezes em que se comentou sobre o teste, a supervisora disse que o desenho não receberia a correção da professora, porque desenho não se corrige, mas indicou que seria um importante elemento para avaliar o emocional do aluno e suas as relações familiares, se os pais são presentes ou não.
Supervisora: porque é desenho/ desenho /você não valoriza
desenho/ você não atribui nota/desenhar é uma arte/e um menininho da Gisele mesmo/ me chamou muito a atenção/ ele desenhou plantas/
Diretora: não desenhou ele nem ninguém/
Supervisora: então, nós vamos trabalhar esse desenho da família/ Doroti: o meu desenhou a mãe [inaudível]/
Supervisora: deve ser a mãe distante /a mãe ausente/
A supervisora e a diretora, por meio dessa conversa, demonstram atribuir problemas aos alunos e suas relações familiares, como demonstra a conclusão da supervisora a respeito do desenho de um aluno: se não desenhou ninguém é porque “a mãe deve ser ausente”. A abordagem psicológica é usada para confirmar certa visão dos alunos por parte dos profissionais. Desconsidera-se o risco de fazer inferências apressadas e inadequadas sobre os alunos e suas famílias.
A questão 7 é uma atividade, segundo a supervisora, que envolve conceitos matemáticos.
Na questão 8, solicita-se aos alunos que utilizem estratégias de comparação. Por fim, na questão 9, verifica-se a capacidade da criança de realizar cópias utilizando a letra cursiva bem bonita.
O caráter secundário que o teste assumiria para o processo de enturmação foi explicitado pela supervisora:
o segundo foi o teste/ é/ que não deixa de ajudar/ se é pra ver como estão/ devemos medir as mesmas coisas/ em todas as turmas/ eu fiz até um quadro/ trazendo hoje já o resultado/ quantos meninos acertaram a primeira questão/
Em nenhum momento da reunião fez-se referência à apresentação geral dos resultados. Durante a reunião do dia 28/02, o teste foi mencionado poucas vezes. Ele foi utilizado para dar legitimidade à observação das professoras quanto à avaliação de um aluno como fraco ou forte.
Como eu estava presente na sala da professora Mirtes durante a realização do teste, foi-me possível observar que alguns alunos e a professora não se sentiam confortáveis com a aplicação dele. Nesse dia, dois alunos enturmados posteriormente na Fase Introdutória chegaram mais retraídos e resistentes. Um deles começou a chorar pela segunda vez, e a professora, depois de acalmá-lo,
comentou, referindo-se ao teste: “Vamos terminar logo que isto é muito enjoado de fazer”.
Os alunos sabiam que aquele dia seria destinado à avaliação. Tal fato e a forma como lhe atribuíram significado podem ter ajudado a configurar o estresse. A professora Doroti, que ficava na sala ao lado e que também aplicava a avaliação, apareceu à porta e fez um comentário com Mirtes sobre achar inútil a aplicação do teste, pois seus alunos, de Fase Introdutória, não tinham condições de fazê-lo. O grau de aprovação da realização desse teste parece ter sido baixo por parte desta e de outras professoras. Ele foi aplicado no dia 23 de fevereiro, corrigido pelas professoras e utilizado na reunião do dia 28 de fevereiro.