9. SINIF MESLEK DERSLERİ VE KAZANIMLARI
6.5. SEÇMELİ MESLEK DERSLERİ
6.5.2. SEÇMELİ MESLEK DERSLERİ TABLOSU
Em Women, Fire and Dangerous Things (1987), Lakoff cita como exemplo de MCI do tipo metafórico a metáfora do canal de Reddy: "A metáfora do canal para a comunicação mapeia o nosso conhecimento sobre a transmissão de objetos em recipientes para a compreensão da comunicação como transmissão de ideias em palavras." (LAKOFF, 1987, p. 114, tradução nossa)10
Reddy foi o primeiro a demonstrar, através de estudos linguísticos e da análise de vários exemplos de expressões em inglês utilizadas pelas pessoas no dia-a-dia, o que ele chama de metáfora do canal. Em seu artigo The conduit metaphor: A case of frame conflict in our language about language, o autor chega à conclusão de que
(1) a linguagem funciona como um canal, transferindo pensamentos corporeamente de uma pessoa para outra, (2) na fala e na escrita, as pessoas inserem seus pensamentos e sentimentos nas palavras, (3) as palavras realizam a transferência ao conter os pensamentos ou sentimentos e transmiti-los aos outros, e (4) ao ouvir ou ao ler, as pessoas extraem os pensamentos e sentimentos das palavras mais uma vez. (REDDY, 1993, p. 170, tradução nossa)11
Investigando a questão da comunicação em Inglês, Reddy, através da análise de diversos enunciados, propõe que a língua é concebida como um canal através do qual são transferidos, corporeamente, os pensamentos de uma pessoa para outra. Os pensamentos e sentimentos são inseridos nas palavras que são conduzidas de uma pessoa A para uma B. A pessoa B, ao ler ou ouvir as palavras, delas extrai os sentimentos e pensamentos. Alguns exemplos dados por Reddy (1993) são:
Você sabe muito bem que eu te dei essa ideia.
É muito difícil passar essa ideia num ambiente hostil.
Da próxima vez que escrever, envie ideias melhores.
É muito difícil colocar este conceito em palavras.
O estudo de Reddy acerca de como conceptualizamos a comunicação através da metáfora do canal abriu caminho para vários outros autores que passaram a investigar o
10―
The conduit metaphor for communication maps our knowledge about conveying objects in containers onto an
understanding of communication as conveying ideas in words.‖ (LAKOFF, 1987, p. 114)
11
(1) language functions like a conduit, transferring thoughts bodily from one person to another; (2) in writing and speaking, people insert their thoughts or feelings in the words; (3) words accomplish the transfer by containing the thoughts or feelings and conveying them to others; and (4) in listening or reading, people extract the thoughts and feelings once again from the words. (REDDY, 1993, p. 170)
pensamento metafórico e como este molda as nossas ações e pensamentos. Segundo Lakoff (1993, p. 203-204, tradução nossa),
Reddy fez muito mais nesse ensaio do que ele modestamente sugeriu. Com um único exemplo cuidadosamente analisado, ele nos permitiu ver, ainda que de forma restrita, que o inglês utilizado no dia-a-dia é em grande parte metafórico, dissipando de uma vez por todas a visão tradicional de que a metáfora é primordialmente linguagem figurada utilizada na poética. Reddy mostrou, através de um único, mas significativo caso, que o locus da metáfora é o pensamento e não a língua, que a metáfora é parte indispensável da maneira com que convencionalmente conceituamos o mundo, e que nosso comportamento cotidiano reflete uma compreensão metafórica de nossas experiências.12
No ano de 1980, com a publicação do livro Metaphors we live by (traduzido para português em 2002 como Metáforas da vida cotidiana), George Lakoff e Mark Johnson deram um novo impulso aos estudos sobre metáfora.
De acordo com Assunção e Sperandio (2011, p. 510), o lançamento desse livro ―produz uma revolução nos estudos sobre metáfora, por assumir como tese central a pressuposição de que a metáfora é onipresente e essencial na linguagem e no pensamento‖.
Kovecses (2005) afirma que Lakoff e Johnson não foram os primeiros a afirmar isso, mas foram os primeiros a fazê-lo de maneira sistemática, generalizável e experimental. Já Deignam (2005) explica que, ao contrário do que apregoa a visão tradicional, Lakoff e Johnson afirmam que a metáfora não é um fenômeno apenas linguístico, mas sim mental, indispensável tanto para o pensamento quanto para a linguagem.
Em Metáforas da vida cotidiana, Lakoff e Johnson defendem que a metáfora é uma operação mental básica, através da qual nós entendemos o mundo. Elas não apenas estruturam o que percebemos, mas também a maneira como agimos e nos relacionamos com os outros.
[...] a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza. (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 45)
A metáfora é vista como uma operação mental por meio da qual nós compreendemos o mundo. Para os autores, os conceitos estão metaforicamente estruturados em nossas mentes.
12
Reddy did far more in that essay that he modestly suggested. With a single, thoroughly analyzed example, he allowed us to see, albeit in a restricted domain that ordinary everyday English is largely metaphorical, dispelling
once and for all the traditional view that metaphor is primarily in the realm of poetic ―figurative‖ language.
Reddy showed, for a single, very significant case, that the locus of metaphor is thought, not language, that metaphor is a major indispensable part of our ordinary, conventional way of conceptualizing the world, and that our everyday behavior reflects our metaphorical understanding of experience.
Lakoff e Johnson (2002 [1980], p. 303) afirmam que ―A metáfora é um dos mais importantes instrumentos para tentar compreender parcialmente o que não pode ser compreendido em sua totalidade: nossos sentimentos, nossas experiências estéticas, nossas práticas morais e nossa consciência espiritual.‖
As metáforas são resultado de mapeamentos mentais: utilizamos domínios por nós conhecidos para explicarmos domínios desconhecidos. Esses, que desejamos conceptualizar, são chamados de domínio-alvo (target domain), enquanto aqueles, de domínio-fonte (source domain).
A metáfora não é apenas uma questão de linguagem, mas do pensamento e da razão. A linguagem é secundária. O mapeamento é primário na medida em que ele sanciona o uso de padrões linguísticos e de inferência do domínio-fonte para conceitos do domínio-alvo. (LAKOFF, 1993, p. 208, tradução nossa)13
Lakoff e Johnson (2002 [1980], p. 48, grifo dos autores) afirmam que ―A essência da metáfora é compreender e experienciar uma coisa em termos de outra.” Partindo de nossa experiência corporal, nós mapeamos elementos de um domínio mais concreto, domínio-fonte, para um domínio mais abstrato, domínio-alvo. Esse mapeamento é unilateral, ou seja, conceptualizamos o domínio-alvo em termos do domínio-fonte.
[...] sugerimos que há direcionalidade na metáfora, quer dizer, entendemos um conceito em termos de outro. Especificamente, tendemos a estruturar os conceitos menos concretos e inerentemente mais vagos (como aqueles para expressar emoções) em termos de conceitos mais concretos, os quais são mais claramente delineados em nossa experiência. (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 201)
É importante frisar que, como afirmam Lakoff e Johnson (2002 [1980]), a tendência é estruturar conceitos mais abstratos em termos de conceitos mais concretos. Embora tradicionalmente as pesquisas sobre metáfora conceptual afirmem e demonstrem que nós conceptualizamos o abstrato em termos do que é concreto, as metáforas também podem ser utilizadas para conceptualizar entidades concretas em termo de outras entidades concretas ou, como afirma Forceville (2009, p. 79, grifo do autor, tradução nossa): ―apesar de uma das propriedades mais salientes da metáfora ser ajudar a nossa compreensão do que é mais
13
The metaphor is not just a matter of language, but of thought and reason. The language is secondary. The mapping is primary, in that it sanctions the use of source domain language and inference patterns for target domain concepts. (LAKOFF, 1993, p. 208)
abstrato via o que é mais concreto, isso não exclui a possibilidade de ambos domínio-fonte e alvo serem concretos em certas metáforas.‖14
Forceville (2009) afirma que como a Teoria da Metáfora Conceptual dá bastante ênfase às metáforas que conceptualizam entidades abstratas como concretas, a possibilidade de uma metáfora que conceptualize concreto como concreto não tem recebido muito atenção por parte dos pesquisadores. Porém, ele afirma que essa possibilidade se torna particularmente relevante quando saímos do escopo do puramente verbal. Forceville (2009) afirma que em muitos textos visuais e em textos multimodais, as metáforas são do tipo OBJETO A É OBJETO B.
No mesmo sentido, Goatly (2007) explica que o corpus por ele utilizado – o METALUDE (Metaphor At Lingnan University Department of English)15 – inclue várias metáforas que, sistematicamente, conceptualizam objetos como objetos como, por exemplo, SER HUMANO É COMIDA.
Quando estudamos a metáfora conceptual, alguns aspectos importantes devem ser observados: as metáforas são convencionais; muitas delas têm o corpo humano como sua origem (corporificação) e elas são culturais, ou seja, refletem a maneira de ver o mundo de um grupo de pessoas.
Para a teoria da metáfora conceptual, algumas conceptualizações já estão metaforicamente estruturadas em nossa mente e podem ser acessadas através da linguagem, via expressões linguísticas que as manifestam, ou seja, expressões metafóricas: são as metáforas convencionais.
As metáforas convencionais se refletem na nossa linguagem do dia-a-dia e estruturam o sistema conceptual ordinário de nossa cultura. Nós não nos damos conta de que as utilizamos e o fazemos de forma insconsciente.
Como exemplo de metáfora convencional, temos A MENTE É UM RECIPIENTE, presente nos enunciados:
Não consigo tirar isso da minha cabeça.
Sua cabeça está cheia de ideias.
Bote isso na cabeça de uma vez por todas!
14
although helping our understanding of the most abstract via the most concrete is one of the most salient properties of metaphor, this does not rule out the concreteness of both the source and target in certain metaphors. (FORCEVILLE, 2009, p. 79, grifo do autor)
15
Vale frisar que o Metalude é um banco de dados composto por itens lexicais metafóricos convencionalizados, ou seja, ele trabalha com metáfora verbais. Mesmo assim, foram encontradas metáforas cujos domínios-fonte e alvo são entidades concretas. Para maiores informações sobre o metalude, ver: http://www.ln.edu.hk/lle/cwd/project01/web/introduction.html.
Outro exemplo é a metáfora AMOR É VIAGEM, com as expressões metafóricas
Veja até onde chegamos em nosso relacionamento.
Trilhamos um caminho sem volta.
Esse namoro não vai chegar a lugar algum.
Em oposição às metáforas convencionais, existem as metáforas novas, ou seja, aquelas que se encontram fora do nosso sistema conceptual, que são fruto da criatividade e imaginação humana. Tais metáforas, segundo os autores, podem dar novo sentido a nossa experiência. De acordo com Lakoff e Johnson (2002 [1980], p. 235), ―Essas metáforas são capazes de nos dar uma nova compreensão de nossa experiência. Desse modo, elas podem dar sentido novo ao nosso passado, às nossas atividades diárias, ao nosso saber e às nossas crenças.‖
Como exemplo de metáfora nova, os autores citam o caso de um aluno iraniano que estava assistindo a um seminário sobre metáforas que eles estavam ministrando. Quando em Berkeley, o aluno escutou a expressão a solução dos meus problemas e a entendeu como ―uma grande quantidade de líquido, borbulhante e fumegante contendo todos os seus problemas em processo de dissolução, ou em forma de precipitação, com catalisadores dissolvendo constantemente alguns problemas (do momento) e precipitando outros‖ (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 240). Os autores chamam essa metáfora como vista pelo iraniano de metáfora QUÍMICA e argumentam que ela dá uma nova visão dos problemas: os problemas são coisas que não se resolvem de uma vez por todas e nunca desaparecem completamente.
Vereza (2007) afirma que, para a teoria cognitiva, a metáfora nova, assim como a convencional, é licenciada por metáforas conceptuais subjacentes. A autora explica que a
expressão ―fulano é uma mala (já convencionalizada), mas sicrano é uma mochila de náilon‖
(VEREZA, 2007, p. 492) pode ser criada – através de desdobramentos, novos mapeamentos ou correspondências – devido à existência das metáforas A VIDA É UMA VIAGEM e DIFICULDADE É PESO.
Como dissemos anteriormente, uma questão fundamental para a Teoria da Metáfora Conceptual, conforme Lakoff e Johnson (2002 [1980]), é a base experiencial que as metáforas possuem. Os autores afirmam que ―nenhuma metáfora pode ser compreendida ou até mesmo representada de forma adequada, independentemente de sua base experiencia l” (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 68, grifo dos autores).
De acordo com a visão experiencialista, o nosso sistema conceptual é fruto de nossas experiências corpóreas e nossas experiências culturais, ―de nosso agir constante e bem sucedido em nosso ambiente físico e cultural‖ (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 288).
Os autores afirmam que, embora as metáforas possuam uma base física e uma cultural, fazer a distinção entre essas duas bases é tarefa bastante difícil, já que é a cultura que faz com que nós tenhamos certa visão de mundo ou mesmo certa interpretação de nosso corpo e do ambiente em que vivemos. É a cultura que faz com que priorizemos alguns valores, crenças e atitudes básicas e desprezemos outras. Ou seja, ―Seria mais correto dizer que toda a nossa experiência é totalmente cultural e que experienciamos o ‗mundo‘ de tal maneira que nossa cultura já está presente na experiência em si.‖ (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 129, grifo dos autores)
As metáforas são representações mentais, abstratas, e um dos meios pelas quais elas tomam forma é através de expressões linguísticas. A metáfora, na visão conceptual, não é uma expressão linguística. É uma operação mental. Porém, por ser uma operação mental, como podemos estudar as metáforas conceptuais? Como elas podem ser verificadas?
De acordo com Lakoff e Johnson (2002 [1980]), nós não temos plena consciência do nosso sistema conceptual, ou seja, geralmente agimos e pensamos de maneira mais ou menos automática, inconsciente. Desse modo, uma das maneiras que os autores veem para que possamos descobrir como conceptualizamos as coisas é observando a linguagem. O estudo das metáforas pode ser feito através da análise de expressões linguísticas que as veiculam. Essas expressões, chamadas de expressões metafóricas, não são a metáfora conceptual em si, mas sim, a manifestação do pensamento metafórico.
Uma vez que expressões metafóricas em nossa língua são ligadas a conceitos metafóricos de uma maneira sistemática, podemos usar expressões metafóricas linguísticas para estudar a natureza de conceitos metafóricos e, dessa forma, compreender a natureza metafórica de nossas atividades (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 50)
Kovecses (2000), do mesmo modo, explica que, como não podemos observar diretamente a mente, nós podemos estudar as metáforas através de uma de suas manifestações mais complexas, elaboradas e extensas: a língua. Através da língua podemos ter acesso a como a mente trabalha, ou seja, a língua é um instrumento confiável na identificação de padrões conceptuais e esses padrões podem nos dar pistas sobre o que acontece em nossa mente.
Um exemplo de metáfora conceptual dado por Lakoff e Johnson (2002 [1980]) é DISCUSSÃO É GUERRA. Eles nos mostram várias expressões metafóricas (em itálico) que realizam essa metáfora: Seus argumentos são indefensáveis; Ele atacou os pontos fracos da minha argumentação; Suas críticas foram direto ao alvo; Se você usar essa estratégia, ele vai esmagá-lo; Ele destruiu todos os meus argumentos.
Segundo os autores, nós experienciamos uma discussão, que é um conceito abstrato, como se fosse uma guerra. Isto é verdade não apenas na nossa maneira de falar sobre discussão, mas em nossa forma de pensar e agir quando estamos em uma discussão. Nós mapeamos discussão em termos de guerra, ou seja, os participantes da discussão são os oponentes, a atividade de discutir é a própria luta/batalha, e as armas são as palavras. Nós ganhamos ou perdemos uma batalha do mesmo modo que somos vencidos ou derrotamos nossos oponentes numa discussão, fazendo-os aceitar nossos argumentos.
No que diz respeito aos tipos de metáforas, em Metáforas da vida cotidiana (2002 [1980]), os autores classificam as metáforas conceptuais em estruturais, orientacionais, ontológicas. Como subtipo das metáforas ontológicas, temos, ainda, a personificação.
As metáforas estruturais são aquelas nas quais um conceito é estruturado metaforicamente em termos de outro. Como exemplo, temos a metáfora TEMPO É DINHEIRO, na qual compreendemos o tempo como sendo algo que podemos gastar, desperdiçar, investir (bem ou mal), poupar. Ou seja, o tempo, conceito abstrato, é experienciado como sendo dinheiro, entidade concreta. Algumas expressões metafóricas bastante comuns e que trazem à tona essa metáfora são:
Você está desperdiçando tempo.
Eu não tenho tempo para isso.
Você deveria gastar o seu tempo com algo mais interessante.
Reserve um tempo do seu dia para relaxar.
Vamos poupar tempo.
As metáforas orientacionais são as que organizam um sistema de conceitos em relação a outro e têm como base a experiência física e cultural que possuímos. As metáforas orientacionais têm a ver com o nosso corpo e como ele funciona no espaço físico. Segundo os autores (LAKOFF; JOHNSON, 2002 [1980], p. 59) a maioria dessas metáforas ―tem a ver com orientação espacial do tipo: para cima-para baixo, dentro-fora, frente-trás, em cima de- fora de (on-off), fundo-raso, central-periférico‖. Como exemplos, temos FELIZ É PARA CIMA e, o oposto, TRISTE É PARA BAIXO. Quando estamos tristes, geralmente,
assumimos uma postura caída, ficamos cabisbaixos, enquanto que, quando estamos felizes, o contrário ocorre. As metáforas acima estão presentes em expressões metafóricas tais como:
Estou me sentindo pra cima.
Ela está meio pra baixo estes dias.
Pensar nela me levanta o ânimo.
As metáforas ontológicas são as geradas através da experiência com objetos físicos e substâncias. Através delas conceptualizamos eventos, atividades, emoções e idéias como entidades, substâncias, recipientes. Como exemplo temos a metáfora MENTE É UMA MÁQUINA, presente nas expressões:
A minha mente simplesmente não está funcionando hoje.
Estou um pouco enferrujado hoje.
Por fim, há ainda, dentre as metáforas ontológicas, a personificação. Na personificação, objetos físicos são concebidos como pessoas. Lakoff e Johnson (2002 [1980]) dão o exemplo da metáfora INFLAÇÃO É UM ADVERSÁRIO, com as expressões:
A inflação nos colocou contra a parede.
A inflação roubou as minhas economias.
O dólar foi destruído pela inflação.
De acordo com Espíndola (2011, p. 15), a personificação é um tipo especial de metáfora ontológica, através da qual conceptualizamos experiências subjetivas como pessoas. Sobre a metáfora acima citada INFLAÇÃO É UM ADVERSÁRIO, Espíndola (2011) explica que ela pode ser atualizada tanto por expressões que caracterizam ações de um ser humano – que ela chama de humanização – quanto por ações que são características de um ser vivo, mas não humano – que ela chama de animação. Como exemplo, a autora cita:
A inflação está devorando nossos lucros.
No exemplo acima, a inflação é tratada como um ser vivo, uma entidade, mas não necessariamente como um ser humano, já que devorar é mais uma característica dos animais do que de um ser humano.
Não nos deteremos nessa classificação das metáforas, pois não é nosso intuito neste trabalho. Porém, gostaríamos de destacar que em 2003 foi publicada uma nova edição de Metaphors we live by. Nela, os autores acrescentaram um posfácio no qual fazem uma revisão do que está colocado no livro frente aos novos estudos e descobertas no campo da metáfora conceptual.
No posfácio, os autores esclarecem que a classificação das metáforas em orientacionais, ontológicas e estruturais foi modificada. Segundo Lakoff e Johnson (2003, p. 265, tradução nossa), ―Todas as metáforas são estruturais (na medida em que mapeiam estruturas com estruturas), todas são ontológicas (pois criam entidades no domínio-alvo), e muitas são orientacionais (pois mapeiam esquemas imagéticos orientacionais).‖16
Segundo os autores, as pesquisas que surgiram após o livro deles estabeleceram, de uma vez por todas, que nós pensamos metaforicamente e que a metáfora tem natureza conceptual. Eles afirmam que, com os estudos sobre a metáfora conceptual, quatro grandes mitos que historicamente prevaleceram no mundo ocidental foram derrubados, ou seja, hoje, (1) sabemos, de maneira conclusiva, que a metáfora não é uma questão apenas linguística, mas cognitiva; (2) que ela não está baseada na similaridade, mas sim em correlações entre domínios diferentes; (3) que até mesmo os nossos conceitos mais profundos são compreendidos através de metáforas; e, ainda, (4) que o sistema de metáforas conceptuais não é arbitrário, mas corporificado e de base cultural.
Como dissemos, no posfácio acrescentado na edição de 2003 do livro Metaphors we live by, os autores reafirmam alguns aspectos da Teoria da Metáfora Conceptual e fazem uma revisão de outros. Um dos aspectos da Teoria da Metáfora Conceptual revisitado foi a própria concepção do que é metáfora. A metáfora, inicialmente, era entendida como sendo um mapeamento entre dois domínios: tomavam-se as características do domínio-fonte e aplicava- se a um novo domínio, domínio-alvo. Segundo os autores, esse mapeamento era matemático