1. BÖLÜM
4.1. Scardinius elmaliensis’e Ait Meristik ve Morfometrik Özellikler
A identificação das características definidoras dos consórcios de empresas conduz ao questionamento sobre o significado de tal configuração. Partindo do pressuposto de que estas características não são fortuitas, elas necessariamente configuram alguma funcionalidade instrumental própria aos consórcios. Ou seja, supõe-se que eles sejam criados com a intenção de produzir resultados econômicos e/ou sociais específicos dentro da orientação estratégica de cada um dos seus membros (KOZA e LEWIN, 1999). Dessa forma, o consórcio constitui uma opção racional que se mostra vantajosa em relação a outras modalidades de associação empresarial, em determinadas situações conjunturais e/ou estruturais.
A delimitação de escopo que caracteriza os consórcios de empresas normalmente corresponde a operações menos vultosas e, conseqüentemente, menores inversões de recursos financeiros e gerenciais são necessárias para se constituir e manter um arranjo desse tipo (EVAN e OLK, 1990). Entre outras, esta é uma das características dos consórcios de empresas que os configuram como uma forma de associação particularmente interessante para as empresas de menor porte, ou seja, as micros, pequenas e médias empresas (MPME).
Assim, em termos mais abrangentes, os consórcios se configuram como um instrumento importante para a realização de políticas públicas destinadas a incrementar a competitividade das MPME, que é uma questão mundialmente crítica, principalmente entre as economias menos desenvolvidas. A Commission on Enterprise, Business Facilitation and Development da UNCTAD já se manifestou favoravelmente aos arranjos cooperativos como um “instrumento útil para incrementar a competição global e promover a capacitação tecnológica e a inovação, que são fatores essenciais para o desenvolvimento e o crescimento das empresas, particularmente as pequenas e médias” (UNCTAD, 1998c; tradução nossa) No mesmo documento, se reconhece também a importância do favorecimento à criação de
arranjos cooperativos em países em fase de desenvolvimento, nos quais a participação das unidades produtivas de menor porte contribui de um terço à metade do Produto Nacional Bruto desses países. A associação em redes cooperativas ajuda as MPME a superar suas maiores fraquezas e elevar seu potencial competitivo possibilitando economias de escala e de escopo, da mesma forma que representa uma estratégia para corresponder aos novos desafios impostos pela globalização e liberação econômica. À idéia de que os agrupamentos cooperativos tendem a surgir espontaneamente, se opõe o argumento quanto às reais possibilidades de que um arranjo formado por pequenas unidades produtivas consiga autonomamente aparecer do nada em condições competitivas com base apenas nos benefícios da eficiência coletiva. (UNCTAD, 1998a). Falhas de mercados restringem o acesso destas empresas a recursos financeiros, informação, tecnologia e mercados, justificando-se dessa maneira a intervenção pública na forma de políticas específicas, programas e estruturas institucionais para ajudar as MPME superar tais falhas. (UNCTAD, 2004).
No âmbito das unidades produtivas, as associações estratégicas entre empresas, formatadas como alianças ou redes, são reconhecidas por sua flexibilidade. Em certas circunstâncias, elas são uma forma de usar o compartilhamento de custos, riscos e resultados para atingir os benefícios da integração vertical, sem absorver os encargos econômicos e burocráticos correspondentes e os consórcios não contrariam esta lógica. Como destaca Kanter (1990), a obtenção de novas capacidades por desenvolvimento autônomo ou por aquisições, muito freqüentemente implica investimentos significativos de recursos e de tempo. E, além disso, a integração vertical pode criar uma rigidez organizacional que dificulta processos de inovação ou torna difícil manter o mesmo passo da indústria se a tecnologia envolvida se encontra em fase de evolução acelerada. Assim, além de evitar estes impactos nos custos e níveis de risco das empresas, os arranjos que asseguram aos membros a sua independência nominal, oferecem também o benefício da propriedade sobre a respectiva parte do conjunto sem incorrer em prejuízos de identidade, como os processos de fusão e incorporação costumam resultar.
Do compartilhamento de custos e riscos decorre outro conjunto de vantagens mais específicas em favor deste tipo de arranjo. Os consórcios permitem que pequenos possam competir com grandes por viabilizar empreendimentos além dos recursos de qualquer um dos seus membros e que proverá benefícios a todos eles (KANTER, 1990).
Na mesma linha estão os benefícios de escala (EVAN e OLK, 1990) e todos aqueles que seguem a lógica da união que faz a força: a provisão coletiva de serviços e informações põe ao alcance das empresas de menor porte algo que não poderiam acessar individualmente (SENGENBERGER e PIKE, 1999); o conjunto pode assim alcançar volumes de produção as capacidades físicas individuais de seus membros. Da mesma forma que contribui para elevar o nível de competitividade e proporcionar maior poder de negociação com terceiros, principalmente fornecedores comuns. Os efeitos de escala também têm espaço para emergir da estrutura operacional enxuta que caracteriza os consórcios, constituída de poucos profissionais, porém com grande capacidade técnica e relacional, além de conhecimentos profundos dos membros, seus ambientes e os mercados (CASAROTTO FILHO e PIRES, 2001).
Estas vantagens se potencializam ante a possibilidade de se obter também maior diversificação. Membros pertencentes ao universo das MPME geralmente respondem com maior agilidade às mudanças ambientais dos mercados onde atuam. Quando o arranjo prevê a divisão de trabalho entre os membros com base em algum critério de especialização individual, essa especialização e a integração das partes possibilitam a diversificação de produtos e impulsionam a eficiência pela diminuição de custos e aperfeiçoamento da qualidade, ao mesmo tempo em que se mantém a independência de cada um (CASAROTTO FILHO e PIRES, 2001). O conjunto desses benefícios é compatível com o que Human e Provan (1997) denominaram de resultados transacionais, indicando as melhorias conseguidas na aquisição de recursos ou ganhos em desempenho inerentes ao ato de associar-se.
Uma segunda vertente de vantagens ligadas aos arranjos consorciados se dirige a aspectos menos tangíveis e mais difíceis de serem controlados, tais como oportunidades de aprendizado coletivo, desenvolvimento de novas capacitações e incentivos ao desenvolvimento de habilidades gerenciais e estratégicas como, por exemplo, a inovação tecnológica e comportamento colaborativo (CASSAROTTO FILHO e PIRES, 2001).
Human e Provan (1997) categorizam estes benefícios como resultados transformação, ou mudanças nas mentalidades e/ou atitudes das gestões das empresas envolvidas e que, em relação aos resultados do tipo transacional, apresentam maior variabilidade.
Além de melhorias no desempenho financeiro e maior acesso a novos recursos, que reforçam os benefícios de escala já mencionados, os autores identificaram avaliações positivas dos membros em termos de melhorias:
a) nas trocas interorganizacionais, referindo-se ao incremento no número e na intensidade de transações internas ao arranjo, desde a simples troca de informações ao desenvolvimento conjunto de projetos;
b) na credibilidade organizacional, identificada na percepção de que a associação contribui para o reconhecimento institucional do arranjo e seus membros no meio externo;
A questão das trocas interorganizacionais é também tratada por Sengenberger e Pike (1999) quando analisam os distritos industriais italianos e sugerem que a disposição em partilhar informações e idéias sobre tecnologias e produtos seja uma conseqüência possível da proximidade social e institucional entre as empresas participantes, que por sua vez, responde à identidade setorial dessas empresas.
A credibilidade organizacional está diretamente relacionada com a questão da legitimidade conferida pelo arranjo às empresas principalmente no que se refere à capacidade de elevar as condições de negociação dos membros com os governos para a definição de políticas públicas favoráveis ao setor econômico correspondente.
Human e Provan (1997) identificam que a maioria dos resultados encontrados pelas empresas na associação em consórcio refere-se a impactos sobre o nível de desempenho das empresas que são indiretos ou de longo prazo, o que permite uma expectativa de entendimento das redes consorciadas mais próxima de uma orientação estratégica do que ocasional e imediatista.
A prevalência das redes consorciadas entre as MPME se explica pela escassez de recursos que lhes é característica, uma vez que, como defendem vários autores, os consórcios muitas vezes representam a única oportunidade de acesso ao empreendimento compartilhado e cuja restrição à liberdade individual é restrita ao escopo do contrato formalizado entre as partes (KANTER, e etc). Em outras palavras, a opção que estas empresas normalmente têm que pela frente não é entre alternativas de organização para o empreendimento desejado, mas de aceder ou não a ele.
Mas o consórcio não garante por si a competitividade (CASAROTTO FILHO e PIRES, 2001), da mesma forma que a justaposição de empresas em arranjos de base geográfica não significa que se desenvolva cooperação entre elas (KNORRINGA e MEYER-STAMER, 1988). Lei e Slocum (1992) argumentam que os consórcios, como quaisquer outras formas de arranjo cooperativo entre empresas que visam compartilhamento de custos e riscos, também “criam janelas diretas e indiretas de oportunidades para ganhar acesso às habilidades dos parceiros, suas tecnologias, competências centrais e até mesmo seus direcionamentos estratégicos” ( p.84, tradução nossa).
Em outras palavras, os autores ponderam que o compartilhamento de custos e riscos implica também a difusão de habilidades e tecnologias e, assim, a aproximação e a convivência viabilizam a ampliação das capacidades de todos os membros pela disseminação de conhecimentos que, para os autores, é automática e inevitável. Ou seja, neste caso a associação funcionaria como uma ameaça aos recursos estratégicos da empresa, pois as informações tácitas são passadas adiante no contato diário e a negociação da aliança não tem como especificar o tipo, a taxa e a direção que o fluxo de informações seguirá.
Além disso, a cooperação também cria custos na medida que sua coordenação freqüentemente envolve dedicação de tempo e recursos (DYER, KALE e SINGH; 2001) em projetos de resultados incertos ou intangíveis e que comprometem algum nível de liberdade de ação (VAN DE VEN, 1976). Kanter (1990) também ressalta que a diversidade de membros pode tornar a gestão do consórcio uma tarefa bastante árdua, principalmente no que diz respeito a promover o acordo na definição de serviços que sejam igualmente benéficos a todos. Human e Provan (2000) acrescentam que essa multiplicidade de interesses pode amplificar as dificuldades na construção da legitimidade do arranjo como uma forma de interação possível e proveitosa a todos seus componentes.
Todas estas complexidades são inerentes à formulação de arranjos interorganizacionais e, para serem superadas, é importante que se perceba uma oportunidade de efetivar os apelos mais visíveis dos consórcios, que são as diminuições de custos e de outros recursos necessários para o desenvolvimento de produtos, tecnologias e mercados (LEI e SLOCUM, 1992). Quando isso não ocorre, as complexidades da associação podem constituir barreiras naturais à cooperação, representadas pela falta de confiança, supervalorização do sucesso individual e
medo de ser vítima de investidas oportunistas dos concorrentes, e a formação de arranjos consorciados exige a superação dessas barreiras.
Se o alijamento ao jogo cooperativo distancia a empresa do mercado e do desenvolvimento necessário para participar da evolução da indústria, a avaliação desajustada dessas complexidades pode comprometer equivocadamente o ciclo aprendizado-reavaliação-ajuste (DOZ, 1996) pelo qual o arranjo deve evoluir: expectativas que privilegiem os ganhos e sub avaliem os riscos e investimentos podem gerar desapontamentos; a superestimação das ameaças de perda de diferencial competitivo pode levar a uma dedicação insuficiente para o sucesso coletivo.
Dessa forma, como associações criadas para conquistar oportunidades unindo recursos e agindo coletivamente, os consórcios implicam a necessidade de mecanismos que regulem essa ação coletiva (GRANDORI, 1997). Em atenção a este aspecto, a escolha de parceiros à associação tem recebido destaque em alguns trabalhos, principalmente aqueles com orientação mais prescritiva. Kanter (1994) usa uma analogia com relacionamentos românticos para ilustrar o grau de participação de critérios subjetivos nesse processo. A autora afirma que, sem desprezar os critérios frios e objetivos ligados à situação e econômica e financeira das partes, a viabilidade da relação é também dependente da compatibilidade histórica, filosófica, e estratégica que existe entre eles e que se expressa em experiências semelhantes e na comunhão de valores, princípios e visões de futuro. Casarotto Filho e Pires (2001) destacam a importância de que os objetivos da associação sejam determinados pelos reais interesses dos participantes, recomendando assim que a homogeneidade de perspectivas em relação ao arranjo seja o critério para a definição do grupo de membros consorciados. Maciel e Lima (2002) consideram a seleção de associados como uma das fases mais difíceis e importantes na formação de um consórcio de empresas e recomendam critérios variados que vão desde aspectos mais concretos como tamanho, evolução de vendas e gama de produtos, como também considerações sobre os objetivos dos gerentes e a cultura das empresas.