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2.3 Benlik

2.3.4 Benlik saygısı

A importância das redes de relacionamento na sociedade do conhecimento já foi inicialmente debatida na seção 2.3. Na era da informação na qual o ambiente torna-se cada vez mais dinâmico e complexo, nenhuma empresa é capaz de dominar sozinha a totalidade dos conhecimentos exigidos atualmente. É preciso se apoiar nas competências de outras empresas para se sustentar e crescer.

Adicionalmente, o conhecimento tácito, ainda mais relevante que o conhecimento codificado e disponível (internet, livros, revistas, etc), somente é adquirido num contexto de redes de relações onde se obtém o processo de aprendizado interativo (Lemos, 1999)

Foi visto, ainda, que a relevância deste tema implicou no surgimento no meio acadêmico de um novo foco de atenção nos estudos de estratégia, que é a estratégia relacional. Como o objetivo desta nova teoria é analisar os modelos de formação de redes interorganizacionais que compõem

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importante fator de alavancagem competitiva, ouso denominá-la como estratégia competitiva relacional.

A segregação deste ativo intangível integrante do Capital de Relacionamento no modelo de Deutscher (2008) para fins de aprofundamento teórico é justificada pela expectativa de fornecer subsídios para amparar a proposta de atuação do BNDES como agente catalizador da formação de redes de relacionamento envolvendo pequenas e médias empresas brasileiras, como propõe o objetivo secundário deste estudo.

O tema é encontrado na literatura sob várias denominações, tais como: organização em rede, redes organizacionais, networking, organizações sem fronteiras, teias, formas colegiadas, etc.

Diversas também são as definições dadas ao temas. Pinçando algumas interessantes temos:

• Segundo Miles e Snow (1992), redes são agrupamentos de firmas ou unidades especializadas, coordenadas por mecanismos de mercado, ao invés de relações hieráquicas tradicionais.

• Segundo Powel (1990), são formas híbridas de organização ou arranjos organizacionais cooperativos que se estruturem na forma de rede.

• Segundo Hakansson e Snehota (1995) as redes de negócios são um conjunto de relacionamentos entre atores no qual as empresas se tornam ao mesmo tempo interconectadas e interdependentes entre si. As organizações integrantes desta rede influenciam e são influenciadas.

Observa-se pelas definições acima que a formação de redes guarda relação direta com uma negociação do tipo ganha-ganha, na qual duas ou mais partes unem esforços em prol de interesses convergentes.

A capacidade de formação de redes interorganizacionais é uma competência organizacional que traz uma série de benefícios, que serão abordados mais adiante, os quais ajudam a desenvolver outro ativo intangível que é a gestão empresarial. Por mais importante que seja a capacitação formal dos gestores, não há livro que seja capaz de transmitir o conhecimento tácito decorrente da experiência. Para a aquisição desta capacidade, só mesmo a formação de redes de relacionamento, formais ou informais. O Quadro 2 descreve sucintamente as mais praticadas formas de relacionamento interorganizacional.

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Quadro 2 – Formas de relacionamento inteorganizacionais

As três primeiras modalidades nas quais as empresas estabelecem uma ligação próxima são relacionamentos estabelecidos formalmente. Já as três últimas, pela distância mantida entre as empresa são usualmente uma forma de relacionamento mais informal.

Não há uma fórmula pré definida que indique às empresas a melhor modalidade de estabelecer um relacionamento interorganizacional. Cada empresa deve avaliar os prós e os contras de cada uma delas e, ainda mais relevante, deve avaliar se esta estratégia competitiva relacional tem forte perspectiva de gerar resultados para a empresa.

Silva Junior (2009) cita que em recente pesquisa divulgada no Encontro da Comunidade Ampliar (2007) realizada pela Fundação Dom Cabral junto à 47 empresas de médio porte que realizaram parcerias ou alianças estratégicas ficou claro que o maior objetivo ao adotar este tipo de relacionamento é o de aumentar o faturamento. A Tabela 1 demonstra os principais resultados desta investigação: Forma interorganiza- cional Proximidade de ligação Descrição

Joino venoure Ligação próxima

Uma entidade que é criada quando duas ou mais empresas reúnem uma parte de seus recursos para criar uma organização separada, de propriedade conjunta.

Rede Ligação próxima Uma configuração de conjunto com uma empresa local organizando as interdependências de um complexo conjunto de empresas.

Consórcio Ligação próxima

Joino venoures especializadas, com diferentes arranjos. Consórcios são frequentemente grupos de empresas orientados para desenvolvimento de tecnologias e soluções de problemas.

Aliança Ligação distante Um arranjo entre duas ou mais empresas que estabelecem uma relação de troca, mas que não têm propriedades conjuntas envolvidas.

Associação de

negócios Ligação distante

Organizações (tipicamente não-lucrativas) que são formadas por empresas do mesmo segmento, para coletar e disseminar informações de negócios, apoio técnico e legal e treinamento especializado, e proporcionar plataforma para lobby coletivo.

Interlocking

Directorate Ligação distante

Ocorre quando um dirigente ou executivo de uma empresa toma assento no conselho de outra, ou quando duas empresas possuem dirigentes que também atuam no conselho de uma terceira. Serve, entre outras coisas, como mecanismo para compartilhamento de informações e cooperação entre empresas,

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Tabela 1 – Principais resultados alcançados com parcerias ou alianças

Um conceito introduzido em 2002 por Teixeira e Guerra (2002) é o de rede de aprendizado que significa “um conjunto de empresas, com algum grau de coordenação formalmente estabelecido, que se reúnem com o objetivo de aumentar o pool social de conhecimentos e informações”. Na definição dos autores, a formação de redes de aprendizado tem por objetivo principal o compartilhamento de conhecimento tácito entre os participantes, o que não impede a busca por resultados financeiros como os demonstrados na Tabela 1. Aliás, é possível inferir que sem a formação de rede de aprendizado que permite a apropriação do conhecimento tácito do outro, os benefícios apurados na Tabela 1 não são sustentáveis no longo prazo. O Quadro 3 demonstra os tipos mais comuns de redes de aprendizado.

Um aspecto importante da formação de redes de aprendizado levantado por Figueiredo (1990) é a questão da disseminação de informação útil capaz de contribuir para o desenvolvimento das empresas e, por conseguinte do País. Isto porque, para o autor, a informação somente tem valor se é útil aos usuários.

Outro aspecto interessante apontado por Lima, Pinto e Laia (2002) diz respeito à formação de inteligência coletiva o que permite que a informação seja processada, selecionada e recuperada por qualquer um que tenha acesso à rede que se formou.

Como o objetivo central da gestão estratégica é buscar meios de proporcionar vantagens competitivas sustentadas para as empresas e, para tal, é fundamental desenvolver competências organizacionais adequadas e aderentes è estratégia traçada, a formação de redes interorganizacionais

Aumento de faturamento 14,83%

Ampliação da linha de produtos em escala ou escopo 10,53%

Aumento da satisfação do cliente 10,53%

Inovação em processos e/ou produtos 10,05%

Melhoria da eficiência e produtividade 9,57%

Aumento de markeo share 8,61%

Fortalecimento da marca 8,61%

Redução de custos de produção e/ou distribuição 8,61%

Desenvolvimento de equipes e novos talentos 6,70%

Reforço do fluxo de caixa 5,26%

Acesso a melhores canais de distribuição 3,35%

Bloqueio de novos entrantes 3,35%

Total 100,00%

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que promovam benefícios reais e sustentáveis pode ser considerado como peça chave no contexto organizacional moderno.

Quadro 3 – Tipologia de redes de aprendizado

Lemos (1999) ratifica esse entendimento ao afirmar que o conhecimento, elemento crucial de criação de vantagem competitiva na era atual, não á facilmente transferível espacialmente, pois está enraizado nas pessoas e, portanto, a interação entre elas de forma a compartilhar o conhecimento específico é imprescindível para romper a barreira de geração de inovação por parte das empresas, países e regiões.

O Quadro 4 e o Quadro 5 demonstram, respectivamente, as vantagens e as desvantagens dos relacionamentos cooperativos.

Tipo de rede Alvo do Aprendizado Exemplos

Profissional Aumentar o conhecimento e as capacitações profissionais visando a atingir a melhor prática na área.

Rede organizada por entidade de categoria profissional

Setorial Melhorar a competência em algum aspecto de desempenho competitivo de um setor, por exemplo, conhecimento tecnológico.

Rede organizada por sindicato patronal, associação de indústria ou entidade de pesquisa voltada para um setor

Regional

Aumentar o conhecimento sobre temas de interesse regional. Por exemplo, rede de pequenas e microempresas voltadas para exportação, difusão tecnológica, melhorias gerenciais, etc.

Cooperativas de aprendizado que podem levar à formação de clusoers

Cadeia de suprimento

Alcançar padrões de qualidade, custo e atendimento demandados por cliente(s) ao final de uma cadeia de suprimentos (supply chain ).

Redes de firmas que participam de uma cadeia de suprimento com grandes clientes finais Promovida pelo

governo

Iniciativas nacionais ou regionais visando melhorar o desempenho competitivo de grupos de empresa, em termos de conhecimento sobre novas tecnologias, exportação, marketing, etc.

Redes organizadas por agências regionais ou setoriais de desenvolvimento

Tópica Aumentar o conhecimento sobre uma nova técnica, em um campo particular e suas aplicações. Por exemplo, uma nova tecnologia de interesse comum de várias empresas.

Clubes de "melhores práticas"

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Quadro 4 – Vantagens dos relacionamentos cooperativos

Vantagens potenciais Descrição Abordagem teórica

Ganho de acesso a recursos partibulares

As empresas formam relacionamentos organizacionais para ganhar acesso a recursos particulares, tais como capital, conhecimento, mercado ou processos.

Teoria dos recursos, da dependência de recursos, do aprendizado, do capital social. Economias de escala

Em muitos segmentos, custos fixos altos requerem que as empresas encontrem seus parceiros para expandir seu volume de produção.

Teoria do custo de transação, da escolha estratégica, da

organização industrial. Compartilhamento de

risco e custos

Relacionamentos cooperativos permitem que duas ou mais empresas compartilhem os riscos e custos de dado empreendimento.

Teoria do custo de transação, da escolha estratégica, do

aprendizado, dos jogos. Ganho de acesso a

mercados externos

Estabelecer parcerias com uma empresa local é, frequentemente, a única maneira prática de se ganhar acesso a mercados externos.

Teoria do aprendizado, da dependência de recurso, teoria dos recursos.

Desenvolvimento de produtos e/ou serviços

Relacionamentos cooperativos proporcionam às empresas a oportunidade de juntar suas habilidades para desenvolver novos produtos e/ou serviços.

Teoria dos recursos, institucional, teoria dos jogos.

Aprendizado Relacionamentos cooperativos proporcionam à empresas

a oportunidade de aprender com outros parceiros. Teoria do aprendizado.

Velocidade ao mercado

Empresas com habilidades complementares (por exemplo: tecnologia de produção e acesso ao mercado) podem aliar-se para capturar as vantagens de entrar primeiro em um determinado mercado.

Teoria do custo de transação, da escolha estratégica, teoria dos recursos, teoria dos jogos. Flexibilidade Relacionamentos cooperativos proposcionm alternativa

valiosa para mercados e hierarquias. Teoria dos custos de transação.

Lobby coletivo

As organizações formam relacionamentos cooperativos para aumentar a sua capacidade de pressão coletiva sobre o governo, no sentido de que se adotem políticas favoráveis aos seus interesses.

Teoria do soakeholder e do capital social.

Neutralização ou bloqueio de competidores

Através de relacionamentos cooperativos, as empresas podem ganhar competências e poder de mercado suficientes para neutralizar ou bloquear os movimentos dos competidores.

Teoria dos recursos, da organização industrial, do aprendizado.

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Quadro 5 – Desvantagens dos relacionamentos cooperativos

Como já visto na seção 2.1.2, dois grandes problemas enfrentados por empresas de pequeno e médio porte são a deficiência de gestão e a dificuldade em obter informação de mercado qualidade, seja pelo custo de obtenção como também pela imaturidade de sua gestão. A formação de redes de aprendizado se insere neste contexto como um mecanismo de baixo custo minimizador destes problemas ao passo que possibilita a troca de informações e o aprendizado contínuo com impacto direto na gestão empresarial, além de impulsionar a obtenção dos benefícios listados na Tabela 1.

Benzer Belgeler