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1. KĠTAP TAMĠRĠ YÖNTEMLERĠ

1.1. Sayfa Tamiri Gerektiren Kitaplar

O voluntarismo, fruto do pensamento filosófico do início do século XIX, apesar dos avanços no direito privado, não passou ileso das críticas provenientes do processo analítico do direito.

A referida teoria tinha como pedra fundamental a soberania da vontade individual dos contraentes, sendo a fonte primaria dos efeitos jurídicos, a força motriz criadora de obrigações.

O movimento de intensificação das relações econômicas, bem como o alargamento da tutela do negócio jurídico por diversos ordenamentos, mostrou que tal teoria não mais atendia, em sua forma pura, as necessidades sociais das relações que se desenvolviam.

O sistema voluntarista é altamente marcado pelo individualismo da vontade do declarante. A dinamicidade das relações, característica das economias modernas, se mostrava incompatível com as prerrogativas jurídicas da formação do negócio de maneira personalíssima.

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A sociedade da virada do século XX, portanto, exigia mais objetividade negocial, de maneira a tornar os atos jurídicos mais impessoais.78

Além das condições sociais, outros fatores contribuíram para o descrédito do voluntarismo naquele momento.

Isto por que, ao se centrar na vontade interna do agente, esta corrente peca por tornar onerosa a condição do declaratário, que fica à mercê dos ditames psicológicos do declarante. Na formação do negócio, este estava em total condição de vantagem, enquanto o outro teria sua condição desvalorizada, o que claramente atenta contra o princípio da justiça contratual.

Além disso, como bem lembra Paulo da Mota Pinto, possibilidade do regime da reserva mental, bem como a rejeição do "sistema da nulidade" como sanção à falta de vontade, levaram tal teoria ao afastamento dos principais ordenamentos em fins do século XIX e início do século XX.79

O dogma da vontade, à luz do emergente conceito de autonomia privada, também foi alvo de censuras por parte da doutrina, visto que não mais a vontade era o principal elemento formador negocial, mas deveria se conformar aos ditames impostos pelo ordenamento jurídico.

Neste sentido, o negócio jurídico deveria ser tido não como apenas fruto da vontade dos declarantes, mas como um fenômeno socialmente reconhecido pelo ordenamento.

Por isso, segundo Emilio Betti, em sendo a vontade algo desprovido de substancia física, não é nela que devem ser fixas as bases do negócio jurídico, mas tão somente naquilo que é reconhecido socialmente, qual seja, a sua expressão percebida no mundo fenomênico.

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Neste sentido, Enzo Roppo: "Num sistema caracterizado pela produção, distribuição e consumo de massa, o primeiro imperativo é, de facto, o de garanti a celeridade das contratações, a segurança e a estabilidade das relações: mas estes objectivos requerem, justamente, que as transacções sejam tomadas e disciplinadas na sua objectividade, no seu desenvolvimento típico; eles são, portanto, incompatíveis com a atribuição de relevância destisanda à vontade individual, às particularidades e concretas atitudes psíquicas dos sujeitos interessados na troca, numa palavra, com a teoria da vontade". ROPPO, Enzo. O Contrato, Coimbra, Almedina, 2009. p. 298.

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Segundo o autor, é através da declaração ou do comportamento que pode ser interpretado o animus negocial do agente, mas, para a ocorrência da análise da vontade subjetiva, esta precisa, necessariamente, ser exteriorizada, configurando-se um dado objetivo, algo palpável perante o ambiente social.80

Percebe-se, assim, que se buscou, claramente, a desconstituição do dogma da vontade como ente absoluto do negócio para, em prol da autonomia privada, atribuir novos fundamentos ao negócio jurídico, estes mais condizentes com o pensamento e a condição social do início do século XX.

Na mesma esteira, Antônio Junqueira de Azevedo acrescenta outras perspectivas negativas ao voluntarismo. O autor sustenta que, em verdade, a vontade não é elemento necessário à formação do negócio jurídico, visto que é possível a existência de negócio desprovido de vontade - o que se resolveria, a depender da legislação, como negócio nulo ou anulável, eficaz ou não, a depender da legislação, mas sempre existente.81

Fato é que, a teoria da vontade, nos moldes impostos pelo direito francês e escorada por juristas germânicos em meados do século XIX, encontra-se há muito superada. Não há mais espaço, atualmente, para se atribuir, como fonte primaria do negócio, o consenso das partes.

A conformação do negócio jurídico, verdadeiramente demanda muito mais do que a exclusiva análise e a interpretação da vontade real do agente: é necessária a verificação de todo o contexto negocial e o reconhecimento dado pela conduta do sujeito pelo ordenamento jurídico.

Contudo, não há de se fazer tabula rasa da vontade como elemento do negócio jurídico. Não se defende aqui uma aproximação à corrente em questão, mas

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Vale aqui, transcrever a opinião do autor: "Ora, esta dado elementar da experiência, é perdido de vista por quem, através de uma elipse inconsciente, descobre na <<vontade>>, tanto o objecto da interpretação como a essência do negócio jurídico. Na verdade, a <<vontade>>, como facto psicológico meramente interno, é qualquer coisa em si mesma incompreensível e incontrolável, que pertence, unicamente ao foro intimo da consciência individual. Só na medida em que se torne reconhecível no ambiente social, quer por declarações, quer por comportamentos, ela passa a ser um facto social, susceptível de interpretação e valoração, por parte dos consociados. Somente declarações comportamentos são entidades socialmente reconhecíveis e, portanto, capazes de poder constituir objecto e interpretação, ou instrumento de autonomia privada". BETTI, Emílio. Ob. Cit. p. 109.

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entendemos não ser possível mitigar o caráter volitivo dos negociantes no desempenho da avença. Esta é, em nosso ver, parte integrante e necessária ao negócio jurídico, discussão que será travada em momento oportuno.

Benzer Belgeler