O menor custo de implantação em relação ao confinamento é apontado na literatura como a principal justificativa para a adoção do SISCAL (TEXAS, 2000; BERGER, 1996; COSTA, 1996).
Na implantação de projetos de grande porte e alta produtividade, como os simulados nesse estudo, as estimativas de custos, menores para o SISCAL, confirmam aquela vantagem, mesmo quando os custos da terra e das instalações de confinamento para leitões nas fases de crescimento e terminação são incluídas (Tabela 19).
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Tabela 19. Participação percentual dos itens de custo de implantação para os cenários com alta produtividade, conforme o número de matrizes, e relação desse custo por matriz instalada, em reais
Item SISCAL Confinamento
200 700 1500 200 700 1500 Terra 5,6 6,0 6,0 - - - Piquetes 6,2 6,6 7,0 - - - Reprodutores 20,9 21,1 22,6 17,4 17,0 17,5 Instalações/equipamento Cerca elétrica 3,4 3,7 2,9 - - - Instalações p/ animais Central de I.A. - 1,2 1,0 - 1,0 0,9 Reprodução 0,4 0,1 0,1 1,3 0,1 0,1 Gestação 0,9 1,0 1,0 13,9 15,6 16,0 Maternidade 3,0 3,4 3,4 9,5 10,6 8,3 Creche 3,3 4,2 2,8 9,1 8,0 9,1 Terminação 31,2 34,2 36,4 25,7 28,7 29,4 Quarentenário 0,9 0,7 0,6 0,8 1,2 0,5 Anexos 7,5 5,3 4,9 7,9 6,7 5,8 Outros (instalações) 2,1 2,1 2,1 2,5 2,6 2,5 Outros (equipamentos) 0,7 0,2 0,2 0,6 0,4 0,2 Fábrica de ração 4,5 2,9 2,9 3,7 2,4 2,3 Veículos 9,4 7,1 5,9 7,8 5,8 7,4 Custo de implantação por matriz (R$) 1.891,80 1.696,96 1.586,06 2.280,38 2.106,36 2.044,29
As áreas calculadas para os cenários do SISCAL com 200, 700 e 1500 matrizes foram 25 ha., 85 ha. e 170 ha., respectivamente, superiores em até 20 vezes as áreas para o confinamento. Por isso, tal insumo não pode ser excluído das análises econômicas, especialmente quando o objetivo é comparar alternativas tecnológicas.
Observando os resultados mostrados na Tabela 19, a aquisição da área para a implantação do SISCAL repr esentou cerca de 6% dos investimentos, tomando-se o preço médio das terras de pastagens na região do Alto Paranaíba como referência. Assim, nesse estudo, o custo da terra não seria um fator limitante para a adoção do sistema. No entanto, segundo a análise dos preços históricos das terras no Brasil feita pela Fundação Getúlio Vargas (FNP, 1999), embora tenha sido estimada uma desvalorização média de 6% no preço das terras no período de 1991 a 2000, a variação em 1999 foi positiva em 6% para todos os tipos de terra, com tendência à
recuperação dos preços, especialmente devido às terras de pastagens (+8,84%), em função da expectativa de expansão da exploração pecuária.
Os piquetes, formados com o capim coast-cross, representaram 6 a 7% dos custos. A formação através de mudas, embora seja mais cara do que a feita através de semeadura, permite o maior e mais rápido enraizamento, essencial para suportar o pisoteio dos animais.
Os cuidados previstos na planilha de custo de formação dos piquetes condizem com uma das principais recomendações para o SISCAL, que é a conservação do solo (SILVA, 1999). O que se observa nos SISCAL implantados em Minas Gerais, é a degradação das pastagens e exposição do solo, o que compromete a sustentabilidade do sistema. Nesse sentido, a formação dos piquetes, embora tenha uma participação representativa nos custos, não deve ser negligenciada, ainda mais nas regiões de Cerrado e Campos de Cerrado, como as recomendadas para o SISCAL nesse estudo.
A aquisição do plantel de reprodutores representou cerca de 21% dos custos de implantação do SISCAL e de 17% do confinamento. Como não há, no Brasil, material genético desenvolvido para o SISCAL, considerou-se o mesmo material utilizado comercialmente para o confinamento, a preços médios de mercado.
Dentre os itens de instalações e equipamentos, a cerca elétrica representou menos de 4% dos custos de implantação do SISCAL.
COSTA E MONTICELLI (1996) relatam problemas no uso da cerca elétrica originados pelo mau dimensionamento da potência, por falhas no isolamento dos fios ou pela má qualidade do produto. Nesse estudo, estimou-se o custo da cerca eletrificada a energia solar a partir de uma planilha-base que, para um projeto mais específico, precisaria ser ajustada ao desenho do sistema, conforme as divisões e topografia da área. Na região de referência, embora a distribuição de chuvas ao longo do ano permita a implantação do SISCAL, o aterramento da cerca elétrica em um local mais úmido evitaria problemas na época de estiagem. Os aparelhos de alta potência, como o previsto nesse estudo, facilitam o isolamento dos fios com menor uso de mão-de-obra para a capina ao longo da cerca.
O maior item de custo de implantação para ambos os sistemas foi o dos galpões para o confinamento dos leitões nas fases de crescimento e terminação. Para o SISCAL, nenhum outro estudo incluiu tal custo pois, tanto no Sul do Brasil quanto na Europa, a venda dos leitões à saída da creche ou à desmama é possível pela
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existência de produtores terminadores. Em Minas Gerais, SILVA (1997) encontrou menos de 3% de terminadores, e uma simulação que não considerasse o ciclo completo não representaria a realidade do Estado. Em função disso, embora seja difícil comparar os custos de implantação para o SISCAL nesse trabalho com os dados de literatura, tais comparações são possíveis entre os 18 cenários simulados, o que permite alcançar os objetivos da pesquisa.
Sem os custos dos galpões, os custos de implantação, por matriz, para os cenários seriam de R$ 1.301,36, R$ 1.116,55 e R$ 1.008,84 para o SISCAL, e de R$ 1.694,40, R$ 1.501,37 e R$ 1.443,25 para o confinamento, com 200, 700 e 1500 matrizes, respectivamente. Nesse caso, os custos do SISCAL seriam comparáveis às médias citadas por McGLONE (2000), de 500 a 1.000 dólares, nos Estados Unidos , para os SISCAL de grande porte, com diferentes níveis de automação. No Sul do Brasil e na Europa, onde o tamanho médio dos plantéis no SISCAL não ultrapassa as 100 matrizes, os resultados não são comparáveis (SANTOS FILHO E COSTA, 1999; EDWARDS, 1996 b).
As diferenças de 17%, 19,4% e 22,4% entre os custos de implantação do SISCAL e do confinamento com 200, 700 e 1500 matrizes, respectivamente, não justificariam a opção pelo SISCAL como forma transitória para a entrada de empresários na atividade. Os custos fixos, embora menores que os do confinamento, representam um grande investimento que determina uma opção definitiva, de longo prazo, pelo sistema de criação de suínos ao ar livre.