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Savunma Alınmasına Gerek Olduğuna Dair Görüşler

Poder-se-á afirmar que a totalidade dos Enfermeiros Especialistas que exercem funções em serviços de internamento de psiquiatria, ao longo da sua prática clínica, lida e cuida, cada vez com maior frequência, com utentes com comportamento parassuicidário. Os motivos apontados maioritariamente pelos enfermeiros, como sendo a justificação que os utentes dão para tal comportamento, prende-se com a problemática conjugal/familiar, problemática socioeconómica, entre outras, prova disso será haver afirmações como:

“A minha experiência com este tipo de utentes é substancial e cada vez mais com o passar do tempo neste momento estamos a ver cada vez mais, as pessoas ficam deprimidas e têm tendência a ter este tipo de comportamentos, nota-se que realmente existe um aumento da frequência das pessoas que são internadas devido a esses motivos.”

(Entrevista 3)

“Desde há cerca de 15 anos de exercício profissional que lido com utentes com esta problemática de ideação suicida e comportamento parassuicidário, não posso precisar quantos mas foram já bastantes.” (Entrevista 7)

Tais afirmações são corroboradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que considera o suicídio como sendo um grave problema de Saúde Pública, correspondendo a mais de metade das mortes violentas no planeta. Estudos desenvolvidos pela OMS revelam que, associado ao aumento da frequência do comportamento suicidário, implica que ocorram mais gastos com o suicídio (em

2011, aproximadamente 1.8% do que foi gasto com as doenças no mundo. Para 2020, a projecção é para um crescimento significativo, atingindo 2.4% dos gastos).

Ainda de acordo com dados da OMS, em 2004 foram contabilizados mais de um milhão de suicídios no mundo, o que representa uma média de um suicídio a cada 35 segundos. Para cada suicídio consumado estima-se a existência de 15 a 25 tentativas.

Durante a realização das entrevistas foi possível verificar-se alguns aspectos relevantes, nomeadamente porque a maioria dos enfermeiros refere que o comportamento suicidário está muitas vezes associado a doença psiquiátrica, verificando-se de forma mais frequente nos quadros de depressão, seguidos por esquizofrenia, perturbações de personalidade, consumo de drogas e por fim as demências;

“Também, pode haver, nomeadamente nas perturbações da personalidade, nas dependências, esquizofrenias, em determinadas fases da esquizofrenia.” (Entrevista 6)

“É evidente que o comportamento parassuicidário indica que o indivíduo tem algum problema psiquiátrico mais ou menos grave associado a um mal-estar que pode ser uma depressão efectiva, pode ser uma depressão não muito pronunciada, pode ser um distúrbio de personalidade, … é sempre alguém que não está a conseguir muito bem lidar com os problemas que tem no momento.” (Entrevista 12)

O comportamento parassuicidário não implica que a pessoa possua um transtorno psiquiátrico. Porém, verifica-se que a grande maioria das pessoas que atentam contra a própria vida, encontram-se seriamente angustiadas e deprimidas. A depressão poderá ser exógena (quando se deve a factores externos ao indivíduo, como situações traumáticas, perda de um ente querido, entre outros, não dependendo da personalidade da própria pessoa) ou endógena (quando não se deve a factores externos à pessoa, dependendo apenas de elementos da sua personalidade).

Diamond (2003, p.55) caracteriza a depressão como o “resultado de alterações na concentração de químicos no cérebro que regulam o estado de espírito, a energia, o sono e o apetite”. Os sintomas desta perturbação incluem diminuição da energia e consequentemente implicam o aumento da fadiga, bem como a perda de interesse para participar em actividades que anteriormente geravam prazer.

Segundo um estudo de De Leo e colaboradores (2005, cit. in Peixoto et al., 2006) a depressão aumenta até três vezes o risco de experimentar ideação suicida. A depressão constitui uma perturbação comum, com um peso considerável na prevalência do suicídio (Pinto da Costa, 1989, cit. in Silva, 2002a).

Mais tarde, Pinto da Costa (2004, p.92) vem referir que “por uma profunda depressão, pode haver alteração do instinto de conservação da vida, com atracção para a morte. Pode a tristeza tornar-se intolerável, acabando o indivíduo por decidir, em estado de opção, pelo suicídio (…) O deprimido sente-se directamente atraído para o suicídio”.

Também é importante referir que a maioria dos enfermeiros mencionam ser habitual estar internado, em simultâneo, mais que um utente com comportamento parassuicidário e, mesmo durante o internamento já tem ocorrido novas tentativas de suicídio com recurso a cintos, corte de pulsos, ingestão de substâncias tóxicas, entre outras.

“O que ele fez foi ingerir substâncias tóxicas ou potencialmente tóxicas como sabão, sabonete líquido e medicação que o doente também conseguiu reunir, não tomar, esconder e depois tomar essa medicação.” (Entrevista 7)

“ … as pessoas fazem novos atentados contra a própria vida durante o internamento recorrendo a meias, cintos de robes ou outros objectos que escondem.” (Entrevista 11)

Quando questionados sobre quais os contributos que os Enfermeiros Especialistas têm no contacto com os utentes com comportamentos suicidários, existem duas respostas distintas.

Cerca de 50% dos enfermeiros entrevistados referem que o contacto com utentes com comportamentos suicidários nada lhes traz de benéfico, nem sequer aprendem nada com estes utentes, pois o facto de não concordarem com tais actos como forma de resolução de problemas, implica não colocarem a hipótese de adoptar um comportamento com o qual não concordam. Além disso, referem que sendo ―pessoas normais‖ há outras formas de resolução de problemas sem recorrer ao comportamento suicidário.

“Não me ajudam a enfrentar os meus problemas pois não me parece que a atitude que tem na resolução de problemas seja a mais correcta … por mais difícil que seja um determinado problema este terá sempre solução e não é pondo em causa a própria vida a melhor forma de o resolver.” (Entrevista 12)

Os restantes 50% dos enfermeiros entrevistados referem aprender algo de novo, quando contactam com utentes com comportamentos suicidários. Contudo, embora aceitem que o comportamento adoptado não seja o mais correcto para a resolução de problemas, pelo contrário, só implica o agravamento da situação, os enfermeiros referem muitas vezes recorrer a estratégias que ensinam ao doente no sentido de minorar ou ultrapassar situações de maior ansiedade e o stress na sua vida.

“É assim, as estratégias que eu lhes passo, também quando preciso faço uso delas. Os problemas têm que se tentar resolver, temos de tentar gerir o stress, se for preciso respirar fundo, é uma expressão que nós utilizamos muito e, aqui aplica-se e o respirar fundo também me acalma no dia-a-dia. Portanto, as experiências deles de certa forma ajudam sempre pois utilizo as técnicas que lhes passo.” (Entrevista 6)

“… eu acho que todas as experiências quer profissionais quer pessoais vão-nos sempre ajudar a nós próprios a ter estratégias de defesa, de mecanismos de acção para nós desenvolvermos no dia-a-dia de forma mais eficaz.” (Entrevista 10)

Benzer Belgeler