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SARMAN KEDİ VE PEYNİRLİ BÖREK

Nas sociedades ocidentais modernas o processo de urbanização tem sido acompanhado pelo florescimento de grupos e culturas urbanas, que demarcam identidades e práticas inovadoras de comportamento e de idéias.

A proposta deste trabalho foi a de analisar algumas destas culturas que vem acompanhando o recente processo de urbanização na cidade de João Pessoa.

Ela vem passando por um rápido crescimento - principalmente nos últimos 20 anos, configurando-se um expressivo processo de urbanização. E ao lado deste processo, emergem novas formas de relações econômicas, sociais, culturais e artísticas. Têm surgido novas maneiras de se relacionar com outros indivíduos, com a sociedade em geral, e também com próprio espaço urbano que nos cerca. Certos grupos e manifestações que anteriormente não estavam presentes ou então estavam em um estado latente começam a ganhar destaque.

Na Paraíba foi a partir do fim década de 80 e inicio da década de 90 que começam a aparecer certas produções que podem ser interpretadas como os embriões das pixações e grafittis atuais. Neste primeiro momento os seus agentes vão promover estas atividades de forma individual e aleatória, poucos grupos iniciam pequenas articulações e passam a desenvolver suas atividades apenas nos próprios bairros onde moram. Nos anos 2000 esta atividade se expande, diversos grupos surgem (alguns de forma temporária outros de forma mais permanente) atuando por toda a cidade. E hoje em dia é muito comum encontrar nos trajetos percorridos da vida cotidiana alguma destas formas de intervenção.

Os pixadores e os grafiteiros surgem como autores não convocados, não autorizados, cujas intervenções modificam os sentidos usuais de equipamentos e localidades urbanas. Ambos produzem novas linguagens, outras significações do espaço, outro modo de ver a arte, de pensar como se comunicar dentro do cenário urbano. São formas distintas de se relacionar com o mundo e com as pessoas, ou seja, pruduzem outro universo de significados e de valores com suas regras próprias. Estes movimentos expressam novos conflitos e inovam os fluxos simbólicos e comunicacionais.

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A pixação e o graffiti vão estar se inserindo de maneira “desordenada”, se propondo a inovar as formas de comunicação, de apropriação, de perceber o que é ou não arte deixando de lado certos códigos estáticos. Produzindo um significado próprio destes códigos, ou seja, produzindo uma nova cultura, uma cultura extrema que transforma significados estáticos, em significados móveis.

Estas manifestações possuem afinidades muito grandes, devido a sua gênese muitas vezes elas são vistas como sendo uma coisa só. Ambas se valem de anonimato relativo já que as intervenções são assinadas por pseudônimos que são chamados de Tags (raramente se assina o nome original). A utilização de outro nome é uma maneira de não ser descoberto pelo poder público e também pelos proprietários sobre a autoria da “obra”. Mas entre eles a autoria é reconhecida, já que eles partilham do mesmo universo de significados.

Existem momentos de tensão e conflito entre estas duas manifestações (até porque de certa forma elas disputam espaços da cidade). Seus agentes vão divergir em relação a prática da outra atividade, temos grafiteiros a favor da prática da pixação, mas também encontramos indivíduos que assumem um discurso social de rejeição à pixação, vista como sinônimo de vandalismo. Do outro lado também encontramos os que enxergam o graffiti como algo negativo, que assume uma posição preconceituosa em relação a seus adeptos, assim como encontramos os pixadores que admiram o graffiti e vêem neste uma espécie de evolução, para a qual podem migrar, e podem vir até mesmo a ganhar algum beneficio econômico.

Existe um processo de aceitação, de institucionalização do graffiti, onde este tem apoio cada vez maior de setores do Estado e da iniciativa privada. Esta aceitação auxilia na obtenção do material. São também comuns a promoção de oficinas de graffiti em instituições de caráter educativo, que acabam por passar uma imagem de “legalidade” desta manifestação. Na contramão, isto gera uma visão preconceituosa da pixação que começa a ser combatida pela sua própria “arte irmã”. Em fevereiro foi aprovada e sancionada uma lei municipal de combate a prática da pixação. Esta mesma lei incentiva que seja usado o graffiti como um remédio no combate a pixação. Ao lado do processo onde se tem uma “legalização” e “aceitação” do graffiti, o oposto se dá com a pixação que cada vez mais, passa a ser encarada como um ato de vandalismo,

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sofrendo uma rejeição por boa parte da população que a encara como algo negativo, que denigre e suja o espaço urbano.

Os indivíduos praticantes tanto da pixação como os do graffiti vão se comunicar entre si e com a sociedade, é por meio de suportes não convencionais, alheios, que eles transmitem as suas mensagens para toda a sociedade pessoense. Seja por meio da imagem figurativa, como no grafitti, ou por meio de um rabisco mais rústico como no caso da pixação, eles buscam formas de democratizar e expandir a arte e os meios de comunicação na cidade, utilizando métodos informais que não se prendem a regras ou estilos previamente estabelecidos pelo mercado ou por alguma “autoridade competente”. É por meio de suas intervenções que eles expressam seus sentimentos, suas reivindicações, é por meio dos “muros” que eles se mostram para toda sociedade pessoense afirmando sua presença, suas demandas e revoltas e suas compreensões particulares da beleza da cidade.

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FOTO: PAULO SERGIO

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