KOŞULLARI Yapısal:
2.10. Sarkopeni Sonuçları
“Devemos buscar mais que a redução do risco (...) precisamos avançar para a busca do benefício (...) isto é civilização.”
Gonzalo Vecina Neto - 2002
A construção de um sistema hospitalar com base apenas em critérios de acesso e interesses econômicos compromete a assistência com segurança, qualidade e resolubilidade. A revisão do modelo atual de prevenção de infecções hospitalares, em parceria com gestores estaduais e municipais de saúde, prestadores, sociedade organizada e usuários é uma necessidade premente para a incrementação dessas qualidades ao sistema hospitalar.
Os resultados desse estudo apontam a necessidade de rever, após vinte anos de implantação, o atual modelo de organização das ações de controle de infecção hospitalar pelo Ministério da Saúde e Anvisa, que foi construído com base em estruturas e não em processos e resultados.
Entretanto, é essencial estarmos preparados para rever a estruturação das ações de controle de infecção com base na formação de comissões. A utilização de comissões como forma participativa de solução de problemas e planejamento não faz parte da cultura do país. Pelo contrário, o conceito de comissões nos remete a uma estrutura temporária e à fragilidade de sua existência, demonstrada na gestão estadual de saúde, possibilitando interrupção de projetos e atividades, com grande esforço para sua retomada, quando ocorre. A gestão hospitalar precisa incorporar o conhecimento do controle de riscos em todas as etapas da administração.
Ilustrando esta assertiva, observa-se que nos maiores hospitais brasileiros, onde o controle de infecções é realizado com efetividade, as ações não decorrem das atividades de comissões, e sim, de serviços, departamentos, estruturas com pessoal contratado e capacitado para as atividades que irão exercer em caráter permanente, com a autoridade e a responsabilidade definidas.
Cabe salientar que a própria legislação vigente (Portaria GM/MS 2.616/98) utiliza 200 leitos ou fração como ponto de corte para definir a estrutura dos membros executores das CCIH. Desta forma, é exigido que hospitais com menos de 50 leitos (53,2% dessas instituições) possuam dois
profissionais dedicados ao controle de infecções, sendo um deles enfermeiro e exclusivo para estas atividades. Ocorre que, muitas vezes, estes hospitais de pequeno porte dispõem apenas de um profissional enfermeiro para responder por todas as atividades assistenciais. A impossibilidade de atender à primeira premissa da legislação, que é a constituição da estrutura da CCIH, contribui para que todas as atividades de prevenção deixem de ser implantadas, sem buscar outras formasa de organização, com objetivo da prevenção das infeções.
Na gestão pública da saúde, a descentralização das ações de assistência hospitalar para os municípios procurou aproximar a oferta de serviços às necessidades locais. No entanto, a descentralização sem a incorporação dos preceitos de segurança do paciente, levou à uma fragilidade na assistência de maior complexidade, com aumento dos riscos e pior, produzindo uma falsa sensação de segurança.
Gestores estaduais e municípais necessitam reforçar a incorporação das ações de controle de infecção nos serviços de saúde, priorizando atividades de importância reconhecida na literatura especializada e apoiando os serviços de saúde na aplicação dessas medidas, dentro da realidade local.
Neste aspecto, as adequações em relação ao monitoramento de infecções relacionadas à atenção à saúde devem ser enfatizadas, com indicadores padronizados e ajustados às necessidades locais. A vigilância epidemiológica das infecções não pode ser realizada como um fim em si, mas como um instrumento para o gestor e o serviço de saúde “enxergarem” suas necessidades e medirem o impacto de suas ações de controle e prevenção.
A reestruturação dos laboratórios de microbiologia no país necessita ser iniciada o quanto antes, com ênfase na padronização de técnicas de identificação de microrganismos e de determinação da sensibilidade. O fortalecimento do laboratório de microbiologia como parceiro na assistência médica deve ser reforçado para benefício do paciente e da população.
O fortalecimento das interfaces do controle de infecções com as ações de prevenção de outros eventos adversos e de promoção da qualidade na atenção à saúde como um todo deve ser visto como estratégia principal para maximização dos resultados na redução de riscos em serviços de saúde. Com esta finalidade, é importante estimular a auto-avaliação e a acreditação como forma de impulsionar a busca contínua da qualidade.
O direcionamento de políticas de financiamento da atenção à saúde, vinculadas à adoção de medidas de controle e prevenção de riscos em
serviços de saúde parece ser o caminho mais objetivo para estimular a busca pela qualidade da atenção.
Desta forma, vincular a adoção de políticas de melhoria de qualidade na atenção e de aumento de resolubilidade a modalidades de financiamento diferenciado, que tem sido usado com sucesso por gestores de saúde públicos e privados em todo mundo, deve ser vista como estratégia de importância maior na gestão da saúde no Brasil.
A agência reguladora dos serviçoes de saúde, a Anvisa, vem incorporando, em suas resoluções direcionadas ao funcionamento de todos os serviços de saúde, e não apenas hospitais, a obrigatoriedade de se trabalhar com indicadores de processo e de resultado que também medem a incorporação de ações específicas para o controle de infecções e de eventos adversos. Ou seja, para cada novo tipo de serviço regulamentado, já estão sendo previstas ações de proteção ao paciente, apesar de ainda estarem baseadas na formação de comissões.
A incorporação de ações de proteção ao paciente, profissionais de saúde e ambiente, em todos os serviços de saúde é um caminho a ser reforçado no campo da regulamentação e da gestão da assistência e precisa ser construído com a participação de todo o sistema de saúde e a população.