Trata-se de representações visuais de dados quantitativos, representados em sua maioria por gráficos de “pizza”, linhas, barras ou áreas. No primeiro exemplo da figura 8, é possível comparar a distribuição quantitativa de elementos de uma amostragem entre determinados países pela área de cada “fatia”. No segundo exemplo, o comportamento de um determinado fenômeno foi projetado em um gráfico a partir da comparação de seus estados em duas variáveis, velocidade e tempo, representadas como os eixos verticais e horizontais. A figura 9 também representa outro fenômeno de maneira semelhante, estabelecendo um modelo de visualização por pontos gerados a partir da comparação de duas dimensões.
FIGURA 8: Exemplos de gráficos de pizza e linhas.
FIGURA 9: Exemplo de gráficos de pontos. 2.4.2 Visualização de informação
São representações visuais estruturalmente mais complexas, que transformam dados em imagens e são capazes de amplificar a cognição. Exemplos dessa categoria incluem alguns tipos de diagrama, como os de fluxo, de entidade-relacionamento e as linhas de tempo. Nos diagramas de fluxos12 ilustrados na figura 10, há uma ordenação de conceitos que segue uma evolução linear em fases. Cada conceito evolui para o estágio seguinte no sentido indicado pelas flechas. Nos diagramas de fluxos, é comum perceber conceitos que geram
12 Os exemplos de diagramas de fluxos estão disponíveis em
http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Diagrama_de_flujo_del_consenso.svg e
bifurcações de caminhos ou mesmo retorno cíclico à origem. Devido a essas propriedades, os diagramas de fluxos são utilizados para documentar processos que necessitam de delimitação precisa em fases sucessivas, como por exemplo fluxos de navegação em sites de comércio eletrônico ou algoritmos computacionais.
FIGURA 10: Exemplos de diagramas de fluxo.
As linhas de tempo exemplificadas nas figuras 11 e 12 trazem diferentes vetores horizontais, delimitados em seu início e fim e deslocados, uns em relação aos outros, de acordo com uma escala linear de tempo. Nota-se também o uso de cores para representar outras variáveis, adicionando-se uma nova camada de complexidade à visualização.
FIGURA 11: Exemplo de linha de tempo. A Specimen of a chart of Biography.
FIGURA 12: Exemplo de linha de tempo. Archaeopteryx timeline
O diagrama da figura 13 proporciona uma visualização comparativa entre três entidades, cujas interseções indicam o surgimento de propriedades relacionais. No caso, as quatro áreas de interseção evidenciadas no diagrama (A+B, A+C, B+C e A+B+C)
representam informações cromáticas que surgem a partir da combinação de cores primárias distintas.
FIGURA 13: Exemplo de diagrama de Venn. 2.4.3 Visualização conceitual
São representações de conceitos qualitativos, idéias, planos e análises, geralmente representados por caixas ou círculos e conectados por outros elementos, de maneira a estabelecer um relacionamento mais semântico. Nesta categoria estariam incluídos os mapas mentais e conceituais e os gráficos de camadas.
O mapa mental da figura 14 representa uma estrutura conceitual hierárquica. O conceito principal é representado no centro, de onde derivam os conceitos secundários, terciários e quaternários sucessivamente. A espessura e as cores das linhas também auxiliam na diferenciação dos elementos do mapa mental.
FIGURA 14: Exemplo de mapa mental. 2.4.4 Visualização metafórica
São representações que se apropriam de metáforas visuais para apresentar um conjunto de informações complexas de modo organizado e estruturado. As metáforas visuais estabelecem conexões semânticas entre conceitos que, a princípio, não possuem qualquer proximidade.
O mapa geográfico foi utilizado, na figura 16, como metáfora para representar as redes sociais da Internet. Cada comunidade foi representada como um país, cujo área representa o número estimado de seus membros (à época da criação do mapa). As formações geográficas escolhidas também sugerem interpretações sobre as características dessas comunidades, como por exemplo o “arquipélago dos blogs” e o “estreito da Web 2.0”.
FIGURA 15: Exemplo de visualização metafórica. Online communities 2.4.5 Visualização estratégica
São representações visuais próprias para a análise, comunicação e desenvolvimento de estratégias em organizações.
2.4.6 Visualização composta
São representações que contém um ou mais modelos identificados nas categorias anteriores.
O quadro a seguir resume as categorias de visualização deLengler e Eppler:
Categorias de visualização Descrição Exemplos
De dados Representações visuais de dados
quantitativos
Gráficos de pizza e de linhas
De informação Representações visuais
estruturadas e processuais
Diagramas de fluxo e linhas do tempo
Conceitual Representações de conceitos
qualitativos com
relacionamentos semânticos
Metafórica Representações que criam metáforas para estabelecer relações entre conceitos distintos.
Online communities
Estratégica Representações visuais
específicas de empresas e organizações
Diagrama de ciclo de vida ou de cadeia de valor
Composta Representações híbridas -
Quadro 1: Resumo das categorias de visualização de Lengler e Eppler
A classificação sugerida por Lengler e Eppler abrange os modelos de visualização de maneira generalizada. Por outro lado, os autores não diferenciam com precisão os termos “dado”, “informação” e “conceitos qualitativos”, o que torna tênue a fronteira entre os agrupamentos. Além disso, à medida que avançamos na tabela em direção aos métodos mais complexos, os exemplos apresentados acabam por se tornar muito particulares ao contexto em que foram aplicados. Algumas vezes, também é possível perceber que alguns elementos classificados de maneira distinta possuem praticamente os mesmos componentes visuais, tal como no “diagrama de dilema” e os “encadeamentos de causa-e-efeito”. Porém, ainda que estejam focados em soluções para o universo corporativo, seus exemplos são agrupados como um rico catálogo, cujas referências podem ampliar o potencial criativo dos designers na concepção de representações visuais.
Tais estudos aprofundam, portanto, questões relevantes sobre a visualização que se aplicam tanto ao suporte plano do papel, como também à plataforma multidimensional do ciberespaço. Porém, haveria outras especificidades próprias desse ambiente, capazes de promover novas abordagens para a representação visual da informação? Haveria novas categorias de visualização que possam refletir as mudanças promovidas pela plataforma digital? Quais os novos desafios que o ciberespaço apresenta para o designer da informação?