Segundo Oliveira (2006), o SCM pode ser entendido como a integração dos diversos processos operacionais existentes ao longo da cadeia de suprimentos, desde o fornecedor até o consumidor final, que objetivam a agregação de valor14 ao cliente final.
Segundo Slack et al. (1996), o Supply Chain Management pode ser compreendido como o gerenciamento simultâneo de diversas etapas interligadas no processo de administração dos estoques e da informação dentro da empresa. Desta forma, o SCM pode ser definido como a interligação das diversas etapas relacionadas à distribuição existentes na gestão da cadeia de suprimentos. Assim, podemos ter que a gestão da cadeia de suprimentos pode ser definida como a agregação das diversas fases operacionais, conforme a figura 3:
Figura 3 – Interação das etapas componentes de uma cadeia de suprimentos Fonte: Slack et al. (1996)
Desta forma, o êxito do princípio do Supply Chain Management está, em parte, nos ganhos advindos na esfera das compras realizadas pela empresa. Assim, ele destaca a importância que o departamento de compras passa a possuir dentro deste modelo de gestão operacional.
Na busca pela competitividade e fidelidade do consumidor, as empresas componentes da cadeia de suprimentos devem buscar integração de suas atividades. Desta forma o SCM tem como princípio básico a integração de informações entre a indústria, os fornecedores, os distribuidores, os atacadistas, os varejistas e o consumidor final,
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ordenando de forma racional a produção e o escoamento dos produtos (ZILBEM e FISCHMANN apud REIS, 2001).
Slack et al. (1996) enfatizam a importância exercida pelo departamento de compras para o êxito do SCM. Segundo estes autores, ao estabelecer contatos com os fornecedores, o departamento de compras necessita compreender os processos da empresa e a capacidade de abastecimento dos fornecedores. Sob esta nova filosofia o departamento de compras apresenta objetivos específicos denominados “cinco corretos da compra”. Neste modelo a melhor compra é aquela feita:
• Ao preço correto (vantagem em custos); • Para entregar no momento correto;
• Com produtos e serviços da qualidade correta; • Na quantidade correta;
• Da fonte correta.
Segundo Slack et al. (1996), o Supply Chain Management pode ser estabelecido a partir de diferentes formas de relacionamento inter-empresas, sem envolver caráter de propriedade. Este autor coloca ainda que a natureza dos relacionamentos entre as empresas componentes da cadeia de suprimentos pode ser analisada em termos dos fluxos existentes entre as empresas envolvidas. Assim, pode haver os seguintes tipos de relacionamentos possíveis existentes na cadeia de suprimentos:
Hierarquia integrada: Ocorre quando uma empresa é totalmente integrada verticalmente, englobando todas as atividades da cadeia de suprimentos até o cliente final. Neste caso toda a cadeia encontra-se sob o poder de uma única empresa. Esta característica faz como que cadeias deste tipo sejam casos raros de se presenciar.
Semi-hierarquia: Neste tipo as empresas componentes da cadeia de suprimentos são propriedades de uma holding, sendo partes de um mesmo grupo empresarial que opera unidades de negócios separadas.
Co-contratação: Neste tipo de relação, as empresas apresentam alianças de longo prazo, chegando até a compartilhar insumos e mão-de-obra entre si; conseqüentemente estreitando as fronteiras existentes entre elas. Neste caso elas buscam integrar os resultados almejados, dividindo possíveis resultados negativos ou positivos.
Contrato coordenado: Nesta modalidade, uma empresa contratante fornece as especificações técnicas acerca dos produtos requisitados a uma (ou várias) empresa subcontratada que serão responsáveis de entregar o produto ou serviço dentro das especificações requisitadas.
Elos de receita coordenados: Esta modalidade é utilizada especialmente em sistemas de licenciamento e franquia, onde a empresa transfere propriedade para outra empresa menor, mas mantendo ainda uma garantia de receita vinda do licenciado.
Comprometimento comercial de médio/longo prazo: Neste tipo de
relacionamento, as empresas envolvidas estabelecem um relacionamento que supera o simples papel do fornecimento. Formar-se-ão vínculos entre ambas as empresas que promoverão o desenvolvimento de relações especiais entre as elas. Comprometimento comercial de curto prazo: Neste caso, ocorre apenas uma
transação comercial rápida entre as partes envolvidas, onde, uma vez realizado o pagamento e efetuada a entrega, ocorre a possibilidade de não haver mias nenhuma transação entre elas.
A partir destes novos vínculos empresarias surge a oportunidade de redefinir os procedimentos operacionais entre as empresas envolvidas, o que conduzirá à supressão de etapas ou processos existentes, com impacto sobre o volume do emprego e sobre as forma de desenvolvimento do processo de trabalho nas empresas participantes.
Conforme visto, a necessidade de atingir objetivos mútuos conduz à formação de relacionamentos entre as empresas participantes. O estabelecimento de tais vínculos pode proporcionar a formação de estruturas de cooperação mais robustas, definidas como alianças estratégicas.
Apesar da divergência existente em torno do conceito de aliança, pode-se interpretar aliança estratégica como sendo o relacionamento entre empresas no qual se estabelecem metas, obrigações e padronização da distribuição dos resultados obtidos. Na formação de uma aliança buscam-se mais do que o simples e mero resultado imediato, mas trabalha-se todo o processo de distribuição na procura de resultados futuros mais significativos. O resultado final deste processo colaborativo conduzirá a alterações na postura adotada pelos parceiros; saindo de uma filosofia baseada em relações com negociações constantes e com muitos fornecedores para uma estrutura fundamentada em
poucos (mas fieis) fornecedores onde imperam relações com negociações estáveis (Campos, L. H., 2000).
Embora apresente um aspecto extremamente complexo no seu funcionamento, o SCM tem uma função muito simples na prática, conforme destaca a ABRAS: “O Supply Chain (gerenciamento da cadeia de abastecimento) tem como função tornar a cadeia de suprimentos eficiente, reduzir perdas, evitar a burocracia, garantir o abastecimento e diminuir o preço final do produto” (ABRAS, 2006b, p.150). Tais resultados comprovam que as técnicas de SCM são eficazes e úteis nos processos de gestão supermercadista.
As práticas citadas anteriormente referem-se aos procedimentos operacionais relacionados à circulação de bens e serviços dentro da cadeia de suprimento. Entretanto, a condução do SCM necessita de ferramentas que possibilitem a captação e o compartilhamento das informações, geradas ao longo das operações existentes na cadeia, entre os seus componentes. Neste sentido, faz-se necessário o desenvolvimento e aplicação da informática como ferramenta de operação dentro deste novo âmbito operacional.