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―No campo da saúde mental e atenção psicossocial se tem utilizado falar de sujeitos ―em‖ sofrimento psíquico ou mental, pois a ideia de sofrimento nos remete a pensar em um sujeito que sofre, em uma experiência vivida de um sujeito‖. (AMARANTE, 2007, p.68)

Neste tópico, situo a Rede de Atenção Psicossocial do Amapá (RAPS-AP), antes de me debruçar, especificamente, sobre o meu contexto empírico de investigação, a Casa do Professor, que se localiza dentro da lógica dessa Rede, a atenção psicossocial. Também apresento dados sobre a saúde mental no estado do Amapá, como forma de caracterizar os aparelhos de cuidados às pessoas em sofrimento psíquico, e falo, brevemente, sobre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e suas articulações, tendo presente que o meu objeto de investigação trata de pessoas em sofrimento psíquico e que alguns dos professores em atendimento na Casa do Professor também estão sob os cuidados de dispositivos médico-psis de atenção psicossocial vinculados à RAPS-AP.

A RAPS-AP integra a Rede de Atenção à Saúde (RAS)57 do Sistema Único de Saúde (SUS), em âmbito nacional. A implantação das RAS segue a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde (MS) de implantar as Redes Temáticas nas regiões metropolitanas58.

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Esta é representada por um conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da assistência à saúde. Foi instituída por meio da Portaria nº. 3.088 de 23 de dezembro de 2011 e tem como objetivos: ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral; promover a vinculação das pessoas em sofrimento psíquico/transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção e garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do acompanhamento contínuo e da atenção às urgências. Além da Portaria nº. 3.088, de 23 de dezembro de 2011, tem-se o Decreto nº. 7.508, também de 2011, que regulamenta a Lei nº. 8.080, de 19 de setembro de 1990, a qual considera que para dispor sobre a organização do SUS, são necessários o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa dentre os diversos dispositivos que compõem a Rede de atendimento do SUS (BRASIL, 2015, p. 9).

58A partir da Portaria GM/MS nº. 4.279/2010, que organiza no SUS as RAS, cinco redes temáticas prioritárias

foram pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), no período de junho de 2011 a fevereiro de 2013, para serem implantadas nas regiões de saúde do país: Rede Cegonha, por meio da Portaria nº. 1.459, de 24 de junho de 2011, Rede de Urgência e Emergência (RUE), por meio da Portaria GM/MS nº. 1.600, de 7 de julho de 2011; Rede de Atenção Psicossocial para as pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas (Raps), pela Portaria GM/MS nº. 3.088, de 23 de dezembro

Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2015), o movimento de implantação das RAS prioritárias vem acontecendo em todo o país. Essas Regiões de Saúde são assim definidas:

Espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde (BRASIL, 2011, p. 18).

As RAS devem ser instituídas pelo Estado, em articulação com os Municípios, conforme o Art. 4º do Decreto nº. 7.508/2011 que preconiza no Art. 5º que: ―para ser instituída, a Região de Saúde deve conter, no mínimo, ações e serviços de: atenção primária; urgência e emergência; atenção psicossocial; atenção ambulatorial especializada e hospitalar; e vigilância em saúde‖ (BRASIL, 2011, p.19).

As ações das Regiões de Saúde devem ser integradas à Rede de Atenção à Saúde59, como preconizam suas diretrizes: ―a Rede de saúde mental integrada, articulada e efetiva nos diferentes pontos de atenção para atender as pessoas em sofrimento e/ou com demandas decorrentes dos transtornos mentais e/ou do consumo de álcool, crack e outras drogas‖ (BRASIL, 2011, p. 3).

Entre as diversas ações e serviços de atenção à saúde, promovidas pela Rede, encontram-se os cuidados de atenção psicossocial. Esses serviços, segundo as diretrizes instituídas (BRASIL, 2011) devem ter uma estrutura bastante flexível60 e não se tornem espaços burocratizados, mas que desenvolvam atitudes que ponham em foco as pessoas e não a doença, como defendia Basaglia (2000, p. 34): ―a doença deve ser colocada entre parênteses‖, para dessa maneira, conduzir condutas e práticas de cuidados às pessoas em

de 2011; Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiências (Viver Sem Limites), Portaria GM/MS nº. 793, de 24 de abril de 2012; Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas, no âmbito do Sistema Único de Saúde, Portaria GM/ MS nº. 483, de 1º de abril de 2014 (BRASIL, 2015, p. 10).

59As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes

densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010. Portaria nº. 4.279, de 30/12/2010).

60Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das pessoas; Promoção da equidade,

reconhecendo os determinantes sociais da saúde; Combate a estigmas e preconceitos; Garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar; Atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas; Diversificação das estratégias de cuidado; Desenvolvimento de atividades no território, que favoreçam a inclusão social com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania; Desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos; Participação dos usuários e de seus familiares no controle social; Organização dos serviços em rede de atenção à saúde, com estabelecimento de ações Inter setoriais para garantir a integralidade do cuidado; Promoção de estratégias de educação permanente; Desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas, tendo como eixo central a construção do projeto terapêutico singular, conforme (BRASIL, 2011).

sofrimento psíquico conforme foram estabelecidas nos referenciais normativos (BRASIL, 2011).

Para se compreender o funcionamento e as articulações da RAPS-AP com outros dispositivos médicos, apresento o Quadro 1, a seguir:

Quadro 1 - Articulações da Rede de Atenção Psicossocial

Fonte: Brasil (2011, p. 30).

Entre os dispositivos apresentados situo o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e suas diferentes modalidades.

Benzer Belgeler