Nas Figuras 7 a 31 mostra-se, por intermédio de documentação fotográfica, como vem ocorrendo o uso e ocupação do solo na área da Vila Passo Feliz e do seu entorno, num raio de 2,0 Km, desde o ano de 2008 até o ano de 2013, seguida de análises sucintas da situação apresentada:
As Figuras 7 e 8 mostram a construção de uma barragem e de uma estrada de acesso, iniciando na rodovia CE 385, passando pelo barramento e indo até as margens da barragem Rosário / CE, no mês de fevereiro do ano de 2013; a barragem, com 10,60 m de altura, no seu coroamento e 50,0 m de comprimento, em APP da barragem Rosário / CE, construída sem o Licenciamento Ambiental da SEMACE e sem a Outorga de Execução de Obras e/ou Serviços de Interferência Hídrica fornecido pela SRH. Esta obra foi embargada pela SRH, após comunicação da COGERH e denúncia do Agente de Guarda e Inspeção de Reservatório (AGIR).
A construção desse barramento e da estrada de acesso até as margens da barragem Rosário / CE se contrapõe ao que preceitua o Decreto Estadual Nº 31.076 de 12/12/2012, publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará (D. O. E.) em 17/12/2012, e que regulamentou os artigos 6 a 13 da Política Estadual dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará, Lei Nº 14.844 de 28/12/2, que estabelece, que todas as obras e/ou serviços de interferência hídrica caracterizadas por barramentos, travessias de corpos hídricos, aduções, diques de proteção ou recondução de leito, construção de poços e desassoreamento de corpos hídricos; ou outras interferências que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um sistema hídrico, necessitam da Outorga de Execução de Obras e Serviços de Interferência Hídrica. Devendo o seu empreendedor sofrer as sanções prevista na Lei acima citada e na Lei Ambiental vigente.
Figura 7 - Barragem em construção em Área de Preservação Permanente da barragem Rosário / CE (Ano 2013).
Fonte: COGERH / Bacia do Salgado.
Figura 8 - Estrada de acesso construída, em APP, iniciando na rodovia CE 385, passando pelo barramento,e indo até as margens da barragem Rosário / CE (Ano 2013).
Fonte: COGERH / Bacia do Salgado
A Figura 9 mostra uma barragem construída, no ano de 2011, em APP da barragem Rosário / CE, sem o Licenciamento Ambiental e sem Outorga de Execução de Obras e/ou Serviços de Interferência Hídrica, fornecido pela SRH. Possivelmente essa obra poderá sofrer colapso de sua estrutura, com a
incidência de chuvas intensas. Pois o seu material de construção e sedimentos, poderão ser carreados para dentro da barragem Rosário / CE, vista ao fundo, que será assoreada sofrendo degradação quantitativa e qualitativa de suas águas.
Figura 9 – Barragem, sem nome, construída em Área de Preservação Permanente da barragem Rosário / CE (Ano 2011)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 10 mostra o despejo de lixo às margens da barragem Rosário / CE, o que precisa ser controlado, evitando-se problemas de maus odores, proliferação de moscas, ratos, baratas, que são vetores de doenças, e a contaminação do solo e da água, pela decomposição do lixo orgânico, gerando chorume. Além do aspecto estético desagradável, contribui para alterar a harmonia paisagística do local, pelo acumulo de lixo de difícil decomposição, tais como vidros, plásticos, metais, etc..
Figura 10 - Lixo às margens da barragem Rosário / CE (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 11 mostra a supressão vegetal por terraplanagem do solo para a construção de casa, em área adjacente à barragem Rosário / CE. Pode-se observar que esse terreno está situado em plano topográfico superior ao da barragem e possui declividade direcionada para dentro da bacia do reservatório, o que poderá causar degradação da qualidade da água do reservatório, por efluentes domésticos, após a sua ocupação por residência. A SRH deveria adquirir esse terreno, incorporando-o à APP.
Figura 11 - Supressão vegetal e terraplanagem em área adjacente a barragem Rosário / CE (Ano 2012)
As Figuras 12 e 13 mostram o local de captação e recalque de água bruta da CAGECE, na barragem Rosário / CE, para a ETA, situada à margem esquerda da CE – 385 e da barragem Rosário / CE, para ser aduzida para o Município de Lavras da Mangabeira e o Distrito de Quitaiús, ambos no Ceará,
Figura 12 - Local de captação de água bruta da CAGECE – Abastecimento de Lavras da Mangabeira e Quitaiús / CE, na barragem Rosário / CE (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
Figura 13 - Captação de água bruta da CAGECE, na barragem Rosário / CE (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 14 mostra o abastecimento de caminhões pipa, com água bruta da barragem Rosário / CE, com a finalidade de fornecer água às populações difusas, que residem no município de Lavras da Mangabeira e municípios vizinhos, que sofrem com a estiagem e falta de água, verificada no ano de 2012. Essa operação foi comandada pela Defesa Civil com o objetivo de amenizar os problemas causados pelo fenômeno da seca, que assolou o semi-árido Nordestino no ano de 2012, se repetindo em 2013 .
Figura 14 - Abastecimento de caminhões pipa, na barragem Rosário / CE (Ano 2012).
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 15 apresenta imagem do projeto de piscicultura da Associação dos Aquicultores do Açude Rosário – AAQUIAR, instalado na barragem Rosário / CE, desde o ano de 2005, produzindo tilápia nilótica em tanques rede, possibilitando a melhoria da renda de seus associados. Pode-se ver macrófitas margeando os tanques rede, indicando possível eutrofização por poluição da área.
Figura 15 - Piscicultura da Associação dos Aquicultores do Açude Rosário AAQUIAR, na barragem Rosário / CE, (Ano 2008).
Fonte: COGERH / Bacia do Salgado (2013).
As Figuras 16 e 17 mostram a proliferação de macrófitas e algas na barragem Rosário / CE, indicando que a barragem está recebendo nutrientes ricos em nitrogênio (N) e fósforo (P), o que poder indicar a eutrofização do reservatório, afetando a qualidade da água. Necessário se faz investigar o aporte de efluentes, enriquecidos nesses nutrientes, pois a eutrofização está diretamente relacionada à poluição da água, que pode ter origem natural ou antrópica.
Figura 16 - Proliferação de macrófitas e algas, na barragem Rosário/CE (Ano 2012)
Figura 17 - Proliferação de macrófitas e algas, na barragem Rosário / CE (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 18 mostra a supressão vegetal em APP da barragem Rosário / CE. Em área com declive acentuado, foi plantado capim que serve de pastagem para a criação de bovinos. Tal prática, além de ilegal, a luz do Código Florestal (Lei 12.651/2012), deve ser combatida por causar impactos negativos, tais como: degradar o solo provocando erosão e o assoreamento do reservatório, compactar o solo impedindo o ressurgimento e a recuperação da vegetação nativa e afetar a qualidade da água do reservatório pelo carreamento dos excrementos dos animais, podendo causar contaminação e eutrofização.
Figura 18 - Supressão vegetal / pastagens / criação de bovinos, em área de Preservação Permanente, da barragem Rosário / CE (Ano 2012).
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 19 mostra o cultivo orgânico e irrigado de banana, mamão, maracujá e goiaba, em área adjacente à barragem Rosário / CE e a Vila passo Feliz, utilizando água do reservatório. Isso têm proporcionado emprego e renda ao seu empreendedor e a trabalhadores locais. Tal prática poderia ser replicada e estimulada na região, pois a agricultura é a vocação primordial dessa população, desde que seja feita observando as técnicas e os modelos agronômicos de agricultura orgânica, ondenão é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco à saúde humana e meio ambiente.
Figura 19 - Cultivo irrigado de banana, mamão, maracujá e goiaba, em área adjacente ao reservatório Rosário / CE (Ano 2012).
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 20 mostra a supressão vegetal e pastagens em APP da barragem Rosário / CE.Essa prática é ilegal conforme preceitua o Código Florestal,
(Lei 12.651/2012). A área pode ser recuperada através do reflorestamento com plantio de essências florestais, nativas da região.
Figura 20 – Casas / Supressão vegetal / pastagem, em Área de Preservação Permanente, da barragem Rosário / CE (Ano 2008)
A Figura 21 mostra a casa destinada ao Agente de Guarda e Inspeção do Reservatório (AGIR), construída conjuntamente com a barragem Rosário, e que, após o enchimento do reservatório e a formação do lago, verificou-se que a mesma está situada em APP da barragem Rosário / CE.
Figura 21 - Casa do Agente de Guarda e Inspeção do Reservatório (AGIR), situada em Área de Preservação permanente da barragem Rosário / CE (Ano 2012).
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 22 mostra casas, área de pastagem, plantio de milho e feijão em APP da barragem Rosário / CE. Essa prática é ilegal, conforme preceitua o Código Florestal, Lei Nº 12.651/2012. Essa situação deve ser revertida para evitar a possível contaminação da água do reservatório, por dejetos domésticos, fertilizantes e defensivos químicos e orgânicos. A área poderá ser recuperada com a desocupação e a demolição das casas, o plantio de essências florestais nativas da região e a reposição de espécies vegetais da mata ciliar.
Figura 22 - Casas / Pastagem / Plantio de milho e feijão, em Área de
Preservação Permanente da barragem Rosário / CE (Ano 2008).
Fonte: COGERH / Bacia do Salgado, (2008).
A Figura 23 mostra alguns aviários, localizados em área adjacente a Vila Passo Feliz, destinados à criação e venda de galinha caipira, pertencente a moradores da Vila Passo Feliz, o que lhes aufere renda.
Figura 23 - Avicultura – Criação de galinha caipira, em área adjacente a Vila Passo Feliz (Ano 2012).
A Figura 24 mostra baias que servem para a criação de suínos, em área da Vila Passo Feliz. O empreendimento está desativado e melhor seria se não voltasse a funcionar, pois essa é uma atividade que pode produz elevada carga de poluentes oriundos dos excrementos desses animais. Se o tratamento desses excrementos for mal conduzido, se tornará um vetor de contaminação do solo da Vila Passo Feliz e da água da barragem Rosário / CE. Por se localizar em área adjacente ao reservatório Rosário / CE, e estar num plano topográfico superior, haverá o arraste desses excrementos para dentro da barragem Rosário.
Figura 24 - Baias para a criação de suínos, na Vila Passo Feliz – Desativada (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 25 mostra a criação de animais em APP; uma antiga estrada vicinal, ainda em uso, situada dentro da bacia hidráulica da barragem rosário e a degradação das margens da barragem Rosário / CE, por erosão e supressão da vegetação nativa e da mata ciliar.
Figura 25 - Criação de animais / Estrada vicinal / Degradação das margens em área de Preservação Permanente, da barragem Rosário / CE (Ano 2012).
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 26 mostra a deposição de matéria orgânica em decomposição, às margens da barragem Rosário / CE, o que contribui para a contaminação da água, favorece a eutrofização, por disponibilizar nutrientes, afetando a qualidade da água do reservatório.
Figura 26 - Matéria orgânica em decomposição e mata ciliar degradada, na barragem Rosário / CE (Ano 2012).
A Figura 27 mostra o local de captação de água bruta, na barragem Rosário / CE, para o abastecimento da Vila Passo Feliz. Ressalte-se que a água utilizada pela população da Vila não recebe qualquer tratamento, o que pode ser causa de diversas doenças, principalmente as de veiculação hídrica, que podem acometer a população. A água bruta captada é aduzida para uma caixa d’água, localizada na Vila, e dela é distribuída para todas as residências.
Figura 27 - Captação de água bruta na barragem Rosário / CE para o abastecimento da Vila Passo Feliz, (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
Na Figura 28, pode-se observar algumas casas da Vila Passo Feliz, situadas à margem da Rodovia CE 385, dispondo de energia e iluminação pública.
Figura 28 - Residências da Vila Passo Feliz (Ano 2012)
Na Figura 29 pode-se observar uma residência situada em área vizinha à Vila Passo Feliz, mostrando a ocupação imobiliária da área. Pode-se ver a ocupação irregular da área, pois ela avança sobre a faixa de domínio da Rodovia CE 385.
Figura 29 - Residência ao lado da Vila Passo Feliz / Rodovia CE 385 (Ano 2012)
Fonte: Elaborada pelo autor (2013).
A Figura 30 mostra duas casas construídas e uma casa em construção, em área pública, de uso coletivo, da Vila Passo Feliz. Isso precisa ser alvo de controle e fiscalização do órgão responsável pelo uso e ocupação do solo do Município de Lavras da Mangabeira, evitando-se a ocupação desordenada da área.
Figura 30 - Casas construídas e em construção, dentro da área de expansão da Vila Passo Feliz (Ano 2012)
A Figura 31 mostra a Rodovia Estadual CE 385 – Rodovia Padre Cícero. Com a pavimentação asfáltica dessa rodovia, no ano de 2011, situada em área adjacente da margem esquerda da barragem Rosário / CE, houve a impermeabilização da área, modificando o regime de escoamento das águas pluviais, implicando em um aumento do escoamento superficial (“runoff”), na diminuição da infiltração, e no carreamento de resíduos sólidos para dentro da bacia hidráulica da barragem Rosário / CE.
A Rodovia CE – 385, situada num plano topográfico de nível mais elevado em relação à área da bacia hidráulica e APP da barragem Rosário, comporta-se como um divisor de águas, agravando a poluição do reservatório devido ao aumento da erosão e arraste dos solos situados na faixa de terra compreendida entre a margem direita da rodovia e a APP, contribuindo para o seu possível assoreamento, eutrofização e contaminação. A situação é agravada pelo lançamento de lixo na margem da estrada, pelos que utilizam a rodovia, sendo o mesmo carreado para dentro do reservatório.
Figura 31 - Rodovia Padre Cícero - CE 385 / Divisor de águas de parte da margem esquerda reservatório (Ano2012).
A área compreendida entre a Rodovia Padre Cícero - CE 385 e a APP da barragem Rosário / CE, e entre o eixo do barramento e a Vila Passo Feliz, está passando por processo de ocupação desordenada. Por ter relevo ondulado e pontos com média a alta declividade, sofre degradação e erosão do solo, devido aos processos manuais e mecânicos de movimentação de terra, para nivelamento dos terrenos (corte e aterro), e a consequente implantação de empreendimentos privados (residências, garagens, currais, pequenos açudes e outros). Grande parte do material erodido é carreada e depositada no reservatório, que está situado num plano topográfico inferior à área citada, potencializando os impactos de ordem quantitativa e qualitativa na água do reservatório: aceleração do assoreamento; aumento da turbidez; salinização; eutrofização.