O instrumento proposto para essa pesquisa foi um questionário online com perguntas abertas e fechadas elaborado com o recurso para criação de formulários do Google Docs - pacote gratuito de serviços online integrado ao serviço de e-mail do Google – que permaneceu disponível para acesso durante os meses de fevereiro e março de 2016. Este questionário, cujo roteiro está apresentado em apêndice (APÊNDICE B) podia ser acessado e preenchido eletronicamente pelo computador ou
smartphone dos participantes através do link a eles enviado via e-mail e/ou WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas para smartphones.
O questionário é um instrumento de coleta de dados composto por perguntas ordenadas que devem ser respondidas pelo participante, sem a presença do pesquisador. A linguagem utilizada deve ser simples e direta, para que o respondente compreenda com clareza o que está sendo perguntado (LAKATOS; MARCONI, 2000).
Os questionários online vêm sendo cada vez mais utilizados pelos pesquisadores em virtude de suas vantagens como: baixo custo; capacidade de atingir populações específicas e respondentes geograficamente distantes; agilidade na aplicação, controle e retorno das respostas; simplicidade na tabulação dos dados, reduzindo erros e custos de digitação e, por tudo isso, facilidade de uso em grandes amostras. Para os respondentes deste tipo de questionário também são apontadas vantagens como a possibilidade de respondê-los de acordo com sua conveniência e tempo; a facilidade de preenchimento; a “limpeza” do instrumento, pela ausência de rasuras e a atratividade propiciada pela interatividade (AZEVEDO; MIAZAKI; PORFÍRIO, 2014; VIEIRA; CASTRO; SCHUCH-JÚNIOR, 2010; WALTER, 2013).
Porém, ao escolher esse método para coleta de dados é necessário estar atento a suas possíveis limitações, buscando formas de minimizá-las. Os autores apontam a dificuldade de recrutar os participantes, a preocupação destes com a transmissão de vírus através dos e-mails; a probabilidade de ser percebida como uma mensagem massificada não solicitada (SPAM); a impessoalidade; a necessidade de acesso e familiaridade com o uso da internet; e a taxa de respostas inferior a de outros meio de coleta de dados como limitações ao uso de questionários online (VASCONCELOS; GUEDES, 2007; VIEIRA; CASTRO; SCHUCH-JUNIOR, 2010; WALTER, 2013).
Buscando minimizar algumas limitações apontadas acima, a pesquisadora realizou contato prévio com os coordenadores de saúde bucal e com os técnicos responsáveis pelo PSE em cada uma das SRs de forma a apresentar o estudo proposto e solicitar apoio na divulgação do mesmo junto aos profissionais envolvidos no programa.
Os contatos telefônicos dos participantes, em sua maioria, foram obtidos nos grupos de cirurgiões-dentistas de Fortaleza organizados e previamente existentes no aplicativo de mensagens WhatsApp, dos quais participa a pesquisadora. Outros
contatos telefônicos ou endereços de e-mail foram conseguidos informalmente através dos próprios colegas cirurgiões-dentistas.
De forma a evitar, por parte dos participantes, a percepção do questionário como vírus ou marcação como SPAM foi utilizado o perfil de WhatsApp/número telefônico e endereço de e-mail pessoais da pesquisadora para o envio do convite para participação na pesquisa, com uma mensagem introdutória contendo informações sobre a pesquisadora e objetivos da pesquisa.
Percebendo dificuldades de manuseio dessas ferramentas online relatadas por alguns participantes e também, a partir da constatação do número de devoluções dos questionários preenchidos estar aquém do desejado, optou-se, no segundo mês de coleta de dados, por complementar esta coleta com o uso do questionário sob a forma impressa tradicional, apresentado aos participantes durante visita às unidades de saúde de lotação dos profissionais que ainda não haviam registrado suas respostas no instrumento online.
O questionário eletrônico não solicitava identificação dos respondentes, mas, a pedido da pesquisadora, muitos dos participantes emitiram feedback posterior informando que haviam preenchido o instrumento. Aqueles que não se posicionavam espontaneamente quanto à participação na pesquisa eram procurados pela pesquisadora por meio de mensagem no WhatsApp ou ligação telefônica; dessa forma foi possível identificar aqueles profissionais que ainda não haviam registrado suas respostas no questionário online.
Previamente à coleta dos dados, foi aplicado um teste-piloto com o objetivo de verificar a adequação do instrumento de pesquisa antes de ser aplicado definitivamente, conforme recomendam Lakatos e Marconi (2000).
O teste-piloto foi realizado também de forma online com três cirurgiões- dentistas também alunos do Mestrado Profissional em Saúde da Família, participantes da ESF e que atuam no PSE em municípios do interior cearense. Também participaram do teste-piloto dois cirurgiões-dentistas da ESF do município de Fortaleza que conhecem o PSE, mas que não estão, no momento, em equipes vinculadas ao programa. Este teste-piloto foi utilizado para avaliação do instrumento de pesquisa em si, como também para avaliação da forma de apresentação do mesmo através da ferramenta online.
Depois de responderem ao questionário, os participantes do teste-piloto foram consultados acerca das dificuldades encontradas durante seu preenchimento, como
orienta Gil (2008), compartilharam suas impressões sobre o manuseio do instrumento online e deixaram sugestões para aprimoramento do mesmo.
Após a análise do teste-piloto, o questionário inicial sofreu reformulações, alguns itens foram excluídos e outros, que geravam dúvidas, tiveram sua redação modificada. A apresentação do instrumento na ferramenta online também sofreu leves alterações de forma a facilitar o preenchimento de algumas questões. Esta etapa foi importante para a construção de um instrumento definitivo mais simples, claro e objetivo, contribuindo para uma melhor condução da coleta de dados.