• Sonuç bulunamadı

Sanat uygulamalarına dayalı psiko-eğitim programı oturumları

3.4. Veri Toplama Yöntemi ve Süreci

3.4.3. Sanat Uygulamalarına Dayalı Psikoeğitim Programı

3.4.3.3. Sanat uygulamalarına dayalı psiko-eğitim programı oturumları

A Bélgica regulou, em 1972, a matéria de arbitragem dentro do seu Código de Processo Civil (também referido como Código Judiciário), na sua sexta parte (artigos 1676 a 1723), para implementar a Convenção Européia sobre a lei uniforme de arbitragem de 1966,

alterando a legislação anterior de 1806199.

197

POUDRET, Jean-François ; L’originalité du droit français de l’arbitrage au regard du droit comparé. Revue International et de Droit Comparé, 2004, p. 137.Ver também: ROBERT, Jean ; Retour sur l’arrêt Pabalk-Norsolor (Civ. 1re, 9 oct. 1984). Recueil Dalloz, chronique, 1985, p. 83 – 84: “(…), le système français a, pour consacrer l’entrée de la sentence dans l’ordre juridique français, souhaité ne la considérer qu’en elle-même, c’est-à-dire indépendamment de ce qu’a pu être son ‘histoire’ antérieure”.

198

Philippe Fouchard tem posição diversa de Poudret e entende que o sistema francês é coerente na medida em que aplica regras liberais no limite do aceitável pela ordem pública internacional. Além disso, expôs Fouchard que entende que os casos de intervenção abusiva do juiz da sede, seja pela declaração de invalidade da cláusula, seja anulando a sentença, seja ainda admitindo medidas anti-arbitragem, justificam a posição francesa. In: Discussion de l’exposé du Professeur Jean-François Poudret. L’originalité du droit français de l’arbitrage au regard du droit comparé. Revue International et de Droit Comparé, 2004, p. 152, 154. Destaco: “Je suis donc persuadé qu’en raison des tensions et des pressions qui se manifestent dans certains pays du siège de l’arbitrage, il est plus simple et plus sain de laisser les arbitres y rendre leur sentence, les Etats et leurs juges l’annuler (que faire d’autre, d’ailleurs, faute d’harmonisation internationale de leur contrôle?), et les juges des autres pays statuer en toute sérénité sur leur régularité lors de procédure d’exécution dans leur propre pays”.

199

SANDERS, Pieter. The New Arbitration Statute in Belgium. Yearbook Commercial Arbitration, vol. I (1976), p. 173-176.

Em 1985, a Bélgica implementou uma ousada reforma que excluiu a ação de anulação para certos laudos arbitrais internacionais proferidos em seu território, limitando a competência a casos em que houvesse uma pessoa física de nacionalidade belga ou residente na Bélgica, ou uma pessoa jurídica belga ou que tivesse sucursal ou sede na Bélgica.

Em qualquer outro caso em que a sede fosse a Bélgica, restava, a partir de 1985, excluído o remédio da ação de anulação, em virtude da alínea nº 4, inserida ao artigo 1717 do Código Judiciário Belga:

“Les tribunaux belges ne peuvent connaître d’une demande en annulation que lorsqu’au moins une partie au différend tranché par la sentence arbitrale est soit une personne physique ayant la nationalité belge ou une résidence en Belgique, soit une personne morale constituée en Belgique ou y ayant une

succursale ou un siège quelconque d’opération”200.

O legislador ainda declarou que a aplicação da lei seria imediata para todas os laudos arbitrais proferidos a partir da data da publicação da nova norma, apesar da natural crítica de que prejudicava o interesse das partes que participavam de arbitragens com sede na Bélgica até então e que esperavam poder ingressar com uma ação de anulação.

A referida alteração do Código Judiciário Belga foi votada sem muito debate nos órgãos parlamentares e tinha o único escopo de incluir a alínea 4 do artigo 1717. O objeto principal era evitar o corriqueiro expediente da parte perdedora de retardar a execução do laudo – como se dá em grande número de casos -, por motivos frívolos. Sendo as partes estrangeiras, não haveria interesse belga em jogo e, pois, estaria excluída a via da ação anulatória.

200

Código Judiciário – sexta parte, adotado em 1972 e com a emenda de 27 de março de 1985. International Handbook on Commercial Arbitration, suplemento 5, maio de 1986 (versão inglesa). Comentário, ver Matray, Lambert. Belgium, International Handbook on Commercial Arbitration, suplemento 10, outubro de 1995.

Considerou o legislador, ainda, que a alteração seria um atrativo para os operadores do comércio international, na medida em que poderiam evitar as manobras protelatórias do perdedor, caso a sede fosse na Bélgica, deixando o controle, pois, somente no país onde se

pedisse o reconhecimento e execução do laudo201.

Evidente que, se a parte vencedora quisesse executar o laudo na Bélgica, estaria ainda resguardado o direito do perdedor de impugnar o laudo.

Uma grande polêmica surgiu com a nova lei de 1985. Seria o laudo proferido na Bélgica de nacionalidade belga ou “anacional”? Segundo Van den Berg, a Convenção de Nova Iorque não se aplica a um laudo arbitral que não esteja sujeito a controle na sede, o que comprometeria a execução de laudos proferidos na Bélgica pós 1985.

A questão ficou mais acirrada com o caso Gotaverken202, anteriormente mencionado, no

qual a Corte de Cassação francesa entendeu que, pelo fato de que as partes eram estrangeiras e que nenhuma obrigação do contrato havia sido cumprida na França, não tinha a parte direito à propor a ação de anulação.

A doutrina majoritária discorre, de maneira sensata, que, apesar do título da Convenção de Nova Iorque, o seu artigo 1º claramente demonstra que, além de laudos estrangeiros, o fato de a convenção se aplicar a laudos que não sejam considerados nacionais pelo país onde se busca o reconhecimento, eliminaria o problema aventado por Van den Berg. Segundo van

201

A exposição de motivos no Senado Belga dá bem conta do interesse em promover a arbitragem naquele país, Doc. Parlamentaire Sénat (1980-1981) , 582-1- “Nous proposons une réforme analogue por la Belgique, en vue de faire notre pays, à l’instar d’Etats comme la Grande-Bretagne et la Suisse, un siège important des arbitrages Internatiaux”. In: Documento Eletrônicos on-line via World Wide Web: <URL:

http://www.senate.be/www/?MIval=/index_senate&MENUID=12410&LANG=fr>, acesso em 01.08.2007. Ver também, no mesmo site, doc. Parlamentaire Sénat (1982 -1983), 513-1.

Ver também: HOUTTE, H. Van. La loi belge du 27 mars 1985 sur l’arbitrage international. Revue de L’Arbitrage, 1986, nº 1, p. 29 a 32: “Les motifs du projet de loi se retrouvent dans les travaux préparatoires. Le législateur prit conscience que la Belgique était devenue un centre important pou l’arbitrage par sa situation géographique et les larges connaissances linguistiques de sa population (...). L’exclusion du recours en annulation devrait encore accentuer l’attrait d’y établir le siège arbitral. Le rapporteur parlementaire constata que le contrôle judiciaire est souvent utilisé aujourd’hui à des fins purement dilatoires”.

202

General National Maritime Transport vs Gotaverken Arendal A.B, Corte de Apelação de Paris, 1ª. Câmara Civil, julgado em 21.02.1980, in Revue Critique de Droit International Privé, 1980, nº 3, tomo 69, p. 763 a 775.

Houtte, a referência à ação de anulação no artigo v.1.(e) é simplesmente uma das hipóteses

de recusa e não condição de aplicação da Convenção de Nova Iorque203.

Jan Paulsson204 bem concluiu o que representava a nova e revolucionária legislação belga:

se as partes realmente quisessem um foro neutro, sem qualquer tipo de controle pós-laudo, a Bélgica seria o paraíso; por outro lado, caso as partes tivessem receio de que um laudo pudesse violar direitos básicos atacáveis via ação de anulação e quisessem evitar ter o perdedor que se defender em várias tentativas de reconhecimento e execução em outros países, realmente a Bélgica não seria o local adequado. Enfim, a Bélgica em 1985 acabou por representar uma opção viável com a qual os partidários da teoria autonomista sonhavam.

Tudo que é radical demais tende a não se sustentar. Diante das críticas da doutrina, treze anos depois, em 1998, o Código Judiciário Belga sofreu várias alterações e, dentre elas, foi dado novo tratamento ao controle do laudo entre estrangeiros lá proferido, alterando-se a exclusão imposta pela lei, mas permitindo às partes que o fizessem, ou seja, o chamado sistema opting out.

A doutrina defende que, salvo raras exceções, como o caso Eurotúnel, o sistema de 1985

parece que dissuadiu as partes de procurarem a Bélgica como sede de arbitragem205.

A exposição de motivos da nova alteração de 1998 também justifica a alteração pela perda de casos de arbitragem internacional: “La Belgique perd un certain nombre d’affaires en matière d‘arbitrage international, étant donné que les entrepreises ne souhaitent pas se

hasarder dans des modes de règlement de litiges excluant a priori tout recours”206.

Herman Verbist chegou a apurar que poucos foram os casos em que as partes e, especialmente, a CCI, escolheram a Bélgica como sede nesse período em que perdurou a

203

Op. Cit. p. 36 a 38.

204

Paulsson, Jan. Arbitration unbound in Belgium. Arbitration International. Vol. 2, nº 1 (1986), p. 68-72.

205

HANOTIAU, Bernard; BLOCK, Guy. The Law of 19 May 1988 Amending Belgian Arbitration Legislation. Arbitration International, vol. 15, nº 1 (1999), p. 97-100, especialmente página 99.

Ver também: BECHET, S. Le Lieu de L’Arbitrage. Revue de Droit International et de Droit Comparé, 1o. trimestre, 2007, p. 88 ; HANOTIAU, Bernard ; CAPRASSE, Olivier. L’Annulation des Sentences Arbitrales. Journal des Tribunaux, 24.04.2004, p. 415.

206

KEUTGEN, Guy. La Nouvelle Loi Sur L’Arbitrage. Journal des Tribunaux, 21 de novembro de 1998, p. 770.

exclusão do controle na sede. No ano de 1994, por exemplo, em nenhum caso foi fixada

uma cidade da Bélgica pela Corte de Arbitragem da CCI207.

O novo artigo 1717.4, inspirado no exemplo suíço, passou a ter a seguinte redação em 1998:

“4. Les parties peuvent, par une déclaration expresse dans la convention d’arbitrage ou par une convention ultérieure, exclure tout recours en annulation d’une sentence arbitrale lorsqu’aucune d’elle n’est soit une personne physique ayant la nationalité belge ou une résidence en Belgique, soit une personne morale ayant en Belgique son principal établissement ou y

ayant une succursale”208.

O retrocesso belga serve de ótimo exemplo para mostrarmos os perigos do exagero, do radicalismo.