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Umas das características mais relevantes da pesquisa-ação é que ela busca trazer melhorias para a sala de aula e é realizada pelos próprios professores regentes, não precisando, necessariamente, de um pesquisador externo (MATTOS, 2004). A pesquisa- ação, portanto, busca tentar solucionar problemas específicos em sala de aula com intervenção direta do pesquisador (COURA SOBRINHO; SILVA, 1998).

Griffee (2012), destaca as vantagens desse método e defende que a pesquisa- ação:

1. Encoraja professores a refletirem sobre sua prática. O que poderia, portanto, levar a uma mudança;

2. Empodera professores, distanciando-os de ideias e experiências já arraigadas anteriormente;

3. Permite a professores receberem ideias de pesquisadores e outros formadores e implementá-las. Isso contribui para que os professores sejam responsáveis por suas próprias ideias e as coloquem em prática, ao invés de serem meros receptores passivos de ideias e práticas externas (p. 116).

A pesquisa-ação, portanto, poderia ser uma prática constante para professores, o que contribuiria para melhores resultados em sala de aula. Uma das desvantagens da pesquisa-ação é a impossibilidade de generalização, conforme mencionado anteriormente com relação à pesquisa em sala de aula, pois envolve fatos sobre os quais não se pode ter controle (COURA SOBRINHO; SILVA, 1998).

Griffee (2012) apresenta sete etapas para a pesquisa-ação, mas explica que essa quantidade pode variar dependendo da perspectiva de cada autor. Mattos (2004), por exemplo, utiliza em sua pesquisa outra organização das etapas da pesquisa-ação, mas

segue o mesmo princípio apresentado por Griffee (2012): “problema-plano-ação- reflexão constante” (MATTOS, 2004, p. 5).

A figura abaixo ilustra como Griffee organizou as etapas da pesquisa-ação:

Figura 1 – Etapas da pesquisa-ação

Fonte: GRIFFEE, 2012, p. 112. Nota: Tradução minha.

Para Griffee (2012), a conscientização inicial sugere o reconhecimento de alguma situação problemática, enigma ou desafio que esteja interferindo na sala de aula.

Segundo o autor, a etapa de exploração é onde os fatores internos e externos daquele problema ou desafio precisam ser entendidos e aprofundados. É necessário, em seguida, uma decisão de se fazer algo em prol da situação vigente, levando em consideração os princípios éticos.

A fase da resposta inicial, conforme o autor resume, consiste em pensar em qual decisão tomar, apontar as possibilidades de se resolver os problemas encontrados, sugerir pessoas que possam se envolver nesse processo, levantar algumas hipóteses, começar a planejar a coleta de dados antes que comece alguma alteração do ambiente e iniciar a organização da revisão da literatura.

Na etapa de elaboração de plano, segundo Griffee, é preciso ter em mente que um planejamento para uma pesquisa-ação em sala de aula precisa ser aberto e flexível; é preciso delimitar uma hipótese e/ou pensar em perguntas para a pesquisa; apontar os desafios encontrados e as possíveis soluções pensadas em um primeiro momento;

Conscientização inicial Exploração Resposta Inicial Elaboração do plano Execução do plano Avaliação Relatório

aprofundar na revisão da literatura; definir os instrumentos de coleta de dados; além de escrever um memorando para contribuir com a escrita do plano.

As etapas de execução do plano e avaliação, conforme explica o autor, consistem em aplicar o plano que já deve possuir uma estrutura adequada e suficiente para ser executado. O plano, dentre os aspectos mencionados acima, já deve conter o processo de avaliação, explicando como se pretende avaliar o plano de ação e, se preciso, reestruturá-lo após uma reflexão. Um cronograma é também importante e, nele, deve conter uma previsão para se criar um relatório de resultados. Executar o plano e refletir de maneira crítica sobre essa execução também é muito importante.

A etapa final, ou seja, o relatório é onde se apresentam os resultados de maneira oral e escrita, de acordo com Griffee (2012). Para o autor, é importante que os resultados sejam socializados com os outros professores e grupos interessados, considerando a possibilidade de uma nova investigação. Entretanto, o autor afirma que “o processo da pesquisa é mais importante do que o produto” (p. 118), ou seja, não somente o resultado deve ser divulgado e compartilhado, mas também os caminhos que foram necessários para se chegar até ele. Griffee (2012) defende também que as resoluções dos problemas e as teorias precisam ser compartilhadas.

A pesquisa-ação aparece como um método de pesquisa em sala de aula (COURA SOBRINHO; SILVA, 1998) e como um tipo de estudo de caso (NUNAN, 1992), chamado também de “estudo de caso escolar” (p. 77). Por esse motivo, antes de aprofundarmos as discussões sobre pesquisa-ação, discutimos também a pesquisa em sala de aula e o estudo de caso, uma vez que esta pesquisa é considerada um estudo de caso de um contexto específico, que é uma sala de aula. A pesquisa-ação foi o método escolhido, pois parece-nos que é o que melhor se relaciona com a situação e o contexto da pesquisa: uma sala de aula onde o professor é o pesquisador, que detecta dificuldades em sala de aula, elabora seu planejamento, aplica-o e reflete sistematicamente sobre os resultados obtidos visando a um novo planejamento. Sabe-se que nem todo estudo de caso investiga uma sala de aula, e que nem toda pesquisa em sala de aula precisa utilizar a pesquisa-ação como método, mas esses métodos foram relacionados e conjugados a fim de se melhor atender aos objetivos desta pesquisa.

Abaixo, a Figura 2 demonstra as relações estabelecidas entre os métodos utilizados para condução desta pesquisa. A pesquisa em sala de aula e o estudo de caso contribuem para maior compreensão do cenário investigado, bem como suas possíveis contribuições para outras pesquisas e a pesquisa-ação busca sugerir procedimentos e

uma organização para delimitar trabalhos como este, onde o professor identifica algum tipo de problema, planeja procedimentos que possam solucioná-lo, executa o plano e reflete sobre seus resultados, o que pode ainda apresentar um novo problema, voltando ao início do processo novamente.

Figura 2 – Organização metodológica desta pesquisa

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como mencionado anteriormente, a pesquisa-ação pode estar relacionada tanto a uma pesquisa em sala de aula, quanto a um estudo de caso, o que nos permite fazer as relações acima. Dessa maneira, foi necessária a junção desses métodos para delimitar a natureza desta pesquisa e, assim, contribuir para que ela fosse conduzida de maneira adequada, levando em conta o contexto, os participantes e os instrumentos de coleta de dados, que serão discutidos nas próximas seções.

Benzer Belgeler