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4. BULGULAR VE YORUM

4.2. Samsun İl ve İlçelerinde Geleneksel Kadın Giyimine Ait Bilg

Neste estudo tive como referência que o espaço da sala de aula se constitui como determinada cultura que se consolida e se estrutura nas práticas diárias em que participam determinado grupo social (COLLINS; GREEN, 1992). Castanheira (2004, p. 43-44) apresenta

 

a noção de cultura como “conhecimento aprendido e utilizado pelas pessoas para interpretar a experiência e para orientar sua participação como membros de grupos sociais”. Assim, é possível “compreender a cultura como um sistema de significados dinâmico e compartilhado”. Com base nas observações e análises, foi possível perceber e caracterizar determinados padrões, como o modo de organização das crianças para a realização das atividades definido pelas professoras, o modo de encaminhar determinadas propostas metodológicas, várias ações e discursos que se mostraram recorrentes ou não, diversificados ou mesmo similares nas duas turmas. Retomo aqui uma concepção presente nos estudos etnográficos de que a sala de aula é uma “comunidade culturalmente constituída” da qual diferentes sujeitos participam com diferentes papéis no processo de ensino e aprendizagem. (COLLINS; GREEN, 1992; CASTANHEIRA, 2000)

A observação em sala de aula assumiu um lugar importante na investigação proposta. O princípio é a busca da compreensão do objeto, tendo como referência a prática cotidiana desenvolvida pelas professoras. A análise da observação possibilitou-me a interlocução com as entrevistas realizadas. A observação feita por mim tem como princípio a necessidade de articulação entre as entrevistas e as gravações em áudio e vídeo, de modo sistemático.

A pesquisa teve início no mês de fevereiro de 2006, após os três primeiros dias letivos, tão logo autorizada minha entrada na sala de aula pelas professoras. No contato inicial com a professora Júlia, ela me solicitou que aguardasse os três dias da primeira semana de aula para que ela tivesse mais contato com a turma; além disso, havia a possibilidade de haver crianças novatas chorando nos primeiros dias. Essa situação exigiria maior atenção para questões de adaptação e a criação de um vínculo entre professora e crianças. Na sala 10, a entrada aconteceu na semana seguinte, após ter sido iniciada a observação na sala 9. Procurei estabelecer certa rotina de freqüência entre as crianças, já que seria mais um membro presente nas turmas.

Fui apresentada às crianças de forma natural, como alguém que estaria presente no grupo ao longo do ano para a realização de uma pesquisa. Houve oportunidade para que eu falasse sobre o trabalho e sobre minha presença ora na sala 9, ora na 10. Tão logo fui apresentada, as crianças fizeram diversas perguntas sobre minha permanência na sala, o que faria, o envolvimento nas atividades e, também, sobre minha presença, ou não, no turno da tarde. Interessaram-se pelo meu trabalho como professora, ficaram curiosas para saber em que

 

escola eu trabalhava e que idade tinham meus alunos. Procurei responder a todas as perguntas, e, após a conversa inicial, as atividades ocorreram tal como planejadas pelas professoras.

Na sala 9, as crianças iniciaram a atividade do dia cantando uma música com nomes próprios, incluindo o meu nome, que posteriormente foi afixado no painel de nomes da turma. As crianças sempre foram muito receptivas e expressaram com espontaneidade carinho e atenção por mim. Abraços e beijos foram comuns nos momentos em que eu estava na sala e ao chegar ou sair. Quase sempre pediam que eu ficasse também no outro horário ou mesmo que permanecesse todos os dias até o final da aula.

Nos momentos da coleta dos dados, posicionava-me ao lado esquerdo da sala, sempre próxima das mesas das crianças ou da roda. Nunca participei ativamente das atividades propostas ou intervim nelas e só interagia mais diretamente com a turma quando solicitada pela professora ou pelas crianças. Estas, em muitos momentos, quiseram incluir-me nas atividades ou nos diversos assuntos da roda, o que ocorria de forma tranqüila. Uma pergunta muito comum no início da coleta se referia aos meus registros. As crianças ficavam curiosas para saber se eu anotava tudo o que elas falavam; isso ocorreu também no início das gravações, e sempre se certificavam se estavam sendo filmadas.

As professoras se reportavam a mim como um membro do grupo. Era comum fazerem comentários sobre algumas crianças, também mostravam dados, desenhos e atividades escritas quando queriam chamar atenção para determinado fato ou situação relativa à criança. A professora Júlia sempre se voltava para mim quando queria enfatizar algo recorrente no grupo: Tá vendo, Kely, essa turma é joinha; você não acha que daqui uns dias

tá todo mundo lendo? Você nunca viu uma turma bacana como essa, já? Nesses momentos,

eu apresentava uma postura positiva e me integrava à situação, concordando com o posicionamento da professora.

Durante as atividades de escrita e de desenho, sempre andava entre as mesas olhando as produções. Era comum as crianças mostrarem as atividades e falarem sobre os desenhos delas. Eu também era solicitada para apontar os lápis ou ajudá-las nas atividades de cópias e, quando percebiam que eu não fazia registros ou filmagens, eram comuns os pedidos de ajuda.

As filmagens, feitas em filmadora portátil analógica, ocorreram de forma intensa no início do ano letivo de 2006, em março, no início de abril e, com menor intensidade, ao longo de todo o ano letivo. A coleta seria feita de modo mais sistemático no mês de novembro, tal como ocorreu no início ano, o que não pôde ser feito em razão da licença

 

médica concedida à professora Júlia, acometida por calos e nódulos nas cordas vocais. O afastamento da professora alterou a rotina das duas turmas em que a pesquisa foi realizada. Outra organização de trabalho incluindo os professores da escola garantiu a substituição dela. Essa situação provocou mudanças na sistemática do trabalho da professora Stela, pois, para cobrir os horários da professora Júlia, todos os professores do Primeiro Ciclo foram envolvidos. A pedido de Stela, as filmagens foram interrompidas.

As estratégias para o posicionamento da filmadora foram variadas em razão da dinâmica das aulas e da necessidade de coletar dados mais precisos que pudessem compor o

corpus dessa pesquisa. Em determinados momentos, eu conduzia a filmadora e acompanhava

todos os movimentos das professoras, garantindo, assim, a captação das falas e intervenções. Pretendia, também, visualizar as crianças e a participação de cada uma nos momentos de suas falas. Em outros momentos, a filmadora ficava imóvel sobre as mesas, na bancada da sala ou mesmo no chão, dependendo do meu interesse pela imagem a ser captada. Dada a freqüência com que as professoras alteravam a dinâmica das aulas, num mesmo período de filmagem era comum a mudança da posição da filmadora, bem como a utilização do recurso do zoom.

É importante ressaltar que a posição estática da câmera impediu, em diversos momentos, a identificação das crianças que comumente participavam ativamente das aulas. A não-identificação dos nomes delas não comprometeu o corpus, tendo em vista que o foco de observação e análise foram as propostas metodológicas e as intervenções das professoras. No texto da transcrição, utilizei as iniciais Cr, para se referir a uma criança não identificada, e Crs, quando muitas crianças falavam ao mesmo tempo. Ainda que não identificadas, as falas dessas crianças compõem o texto da transcrição; quando identificadas, foram utilizadas as três letras iniciais do nome da criança.

Do conjunto das aulas observadas foram selecionados os eventos que melhor representam o objeto de investigação. Esses eventos são organizados em quatro categorias nos capítulos 3 e 4: a apropriação do sistema de escrita, a produção de textos, a leitura e a oralidade. Os estudos de Ochs (1979) contribuíram de forma significativa para a realização das transcrições. O princípio defendido pela autora é de que o trabalho da transcrição reflete teorias, definições e conceitos que são previamente definidos pelo pesquisador. Os dados transcritos estabelecem uma correlação e são orientados por princípio e objetivos traçados na pesquisa. Nesse sentido, são sempre selecionados pelo pesquisador, com um olhar voltado para aquilo que se quer compreender.

 

Nos momentos das filmagens, o caderno de campo foi utilizado como recurso auxiliar. Nele foram registrados aspectos importantes que chamaram a atenção nos momentos de observação. A retomada desses registros e a visualização das imagens serviram de referência para determinar a importância deles e compor o material para a análise. Esses registros orientaram a escolha de trechos das aulas avaliados como mais significativos. Assim, esse foi um primeiro movimento de seleção dos dados. Após essa primeira seleção, retomava toda a atividade filmada para a verificação do material coletado e a decisão final do que seria analisado.

As primeiras quatro horas de filmagens, duas de cada uma das turmas, foram transcritas integralmente. Meu objetivo era tentar verificar todo o material e identificar os problemas encontrados tanto no processo de filmagem como no da transcrição. Questões relativas à identificação das crianças, problemas de audição de determinadas falas, deslocamento e registros da professora no quadro e outros aspectos foram detectados. Esses dados possibilitaram a reavaliação do lugar ideal para a filmadora na sala de aula e a criação de estratégias para a transcrição que pudesse garantir maior visibilidade das situações observadas. Após esse estudo, transcrevi apenas os dados previamente selecionados para a análise, identificados com base nos registros do caderno de campo e da retomada das gravações. O QUADRO 2 mostra o código utilizado para a transcrição.

Em relação à transcrição dos dados filmados em sala de aula e das entrevistas, foi utilizado o seguinte código:

 

QUADRO 2

Quadro dos nomes e símbolos utilizados nas transcrições

Ícone/Nomes Significado/Referência

Júlia Professora da sala 9

Stela Professora da sala 10

Márcia Professora da regência compartilhada/compõe o reagrupamento

Cr Fala de uma criança não identificada.

Crs Crianças falando juntas, ao mesmo tempo. Fala simultânea. ... Pausas

( ) Observação e comentários da pesquisadora – referência aos movimentos e ou atitudes da professora e das crianças.

[...] Marcação dos fragmentos de citações e entrevistas

Letras maiúsculas. Escrita da professora no quadro e destaque para as letras, sílabas e falas relativas ao sistema de escrita. Ênfase me determinadas palavras, sons ou sílabas

Min, S. Duração da atividade e duração da gravação.

Três letras iniciais Iniciais do nome próprio da criança identificada na gravação. Criança solicitada pela professora para falar ou responder algo. Ex: Pab. Pablo

K Kely

 

O quadro foi elaborado considerando os estudos desenvolvidos por Marcuschi (2000). Os critérios foram utilizados tendo em vista as reais necessidades desta pesquisa, o interesse em melhor visualizar e compreender determinados dados e alcançar os objetivos propostos. Esses critérios foram utilizados tanto nas transcrições das aulas, com base em imagens feitas em filmadora portátil modelo analógico, como nos dados das entrevistas, registrados em gravador cassete comum.

A transcrição dos vídeos ocorreu de forma bastante criteriosa. Minha atenção voltou-se para as falas, as intervenções e a interação da professora com as crianças. A posição ocupada pela professora na sala de aula, os deslocamentos dela e a organização que ela propôs para o desenvolvimento das atividades foram enfocados à medida que puderam ser visualizadas nas imagens. Esses dados, que contribuem para a melhor compreensão das práticas desenvolvidas, foram colocados entre parênteses no texto da transcrição.

Para o desenvolvimento desta pesquisa, utilizei as contribuições dos estudos etnográficos. Esse referencial serviu como facilitador no processo de seleção e organização dos dados, bem como no trabalho de análise e interpretação. Destaco, aqui, os trabalhos de Heath (1982) que considera não somente os fatores internos ao ambiente de observação, mas os valores e as crenças que nele incidem. Nesse sentido, as aulas observadas e gravadas

 

aliaram-se aos outros diversos registros no período de observação, o que me possibilitou ampliar a compreensão do objeto delimitado.

No mês de fevereiro, período de maior observação, foram gravadas 14 horas na sala 9 e 16 horas na sala 10. O total de aulas compreendeu 81 horas, sendo 41 horas na sala 9 e 40 horas na sala 10.

Na sala 10, no mês de fevereiro, a professora Stela ficou responsável pela realização do diagnóstico das salas 9 e 10, atividade também filmada. Nesse período, outra professora, Márcia, que também atua nas turmas, assumiu o trabalho. Os encaminhamentos para a realização do trabalho foram discutidos em reunião. O nível de desenvolvimento das crianças em relação ao processo de apropriação da escrita dessa turma foi definido por meio do diagnóstico. As sínteses do diagnóstico, bem como levantamento de dados de escrita das crianças realizadas por mim, no meio e no final do ano, encontram-se no APÊNDICE A e permite visualizar os conhecimentos das crianças no Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental.

O objetivo com o diagnóstico foi definir a composição das turmas, que foram reagrupadas pelo nível de conhecimento. O trabalho pedagógico desenvolvido ao longo do ano foi estruturado em razão dessa enturmação, o que refletiu no modo de organizar a prática pedagógica. Há que se destacar que a sala 9, da professora Júlia, foi organizada com as crianças que apresentaram maior nível de desenvolvimento sobre a língua escrita e a turma 10, com crianças que demonstravam poucos conhecimentos sobre o sistema escrito. Destaco, aqui, que essa diferença reflete no tempo gasto para a realização das atividades na sala 10 que envolviam a apropriação do sistema de escrita, o conhecimento das letras, os sons e a exploração de gêneros. Um trabalho intenso e sistemático ao longo de todo o ano letivo.

A pedido das professoras, a coleta de dados encerrou-se no início do mês de novembro e se justifica pela licença médica da professora Júlia, o que acarretou em mudanças na dinâmica do trabalho das turmas. A licença se deu em razão de problemas nas cordas vocais.

2.4.3 As entrevistas, o contexto de produção e o referencial para análise

O objetivo com as entrevistas foi investigar as concepções em relação à teoria e às práticas desenvolvidas e a trajetória profissional e de formação das professoras. Para a

 

elaboração do roteiro da entrevista, foram abordados diferentes aspectos constituintes do processo da alfabetização com letramento. Considerei que os conteúdos de fala, necessariamente, deveriam abordar: processos de apropriação do sistema de escrita, estratégias metodológicas, material didático, bem como as experiências profissionais e de formação vivenciadas como professoras. O APÊNDICE D apresenta o roteiro das entrevistas.

Atribuí à entrevista a possibilidade de ocorrer de forma estruturada e semi- estruturada. Para tanto, foi elaborado um roteiro prévio que alcançasse dados outros que pudessem contribuir para a melhor compreensão do objeto em questão. Esses dados emergiram na interação com o entrevistado, o que me possibilitou ampliar o olhar sobre o objeto da investigação. Preocupei-me em elaborar um roteiro que buscasse assegurar a objetividade na tentativa de captar as informações que melhor contribuíssem para a compreensão do objeto delimitado. As informações explicitadas na interlocução com os sujeitos constituíram a base dos dados para que eu pudesse compreender as relações entre as concepções e os processos de formação inicial, continuada e em serviço desses sujeitos e estabelecer as relações com a prática observada na sala de aula.

Entrevistas foram realizadas com o secretário escolar, a vice-diretora e as duas professoras.

No início do mês de março, entrevistei o secretário escolar. O objetivo foi coletar os dados relativos à estrutura física e de funcionamento da escola, enfatizando aqueles referentes às crianças das salas 9 e 10. Algumas questões foram previamente organizadas com a intenção de captar dados referentes à definição e aos critérios quanto: à entrada de alunos; à enturmação; ao nível socioeconômico e aos bairros de origem das crianças; à ficha de matrícula e aos documentos dos alunos; à entrada de novatos; e à organização do quadro de funcionários e professores para o funcionamento da escola em tempo integral. A entrevista semidirigida permitiu-me organizar os dados para melhor compreender a estrutura da escola e o contexto em que se inserem as professoras alfabetizadoras, bem como captar outras informações pertinentes ao trabalho pedagógico.

No mês de maio, foi realizada uma entrevista com a vice-diretora, com a intenção de conhecer a proposta da escola de tempo integral. Dados relativos ao funcionamento, à organização e à proposta pedagógica da escola foram explicitados nessa entrevista.

 

As entrevistas com as professoras foram realizadas em momentos distintos ao longo do ano. Em seguida, foram evidenciadas as condições de produção delas e o referencial utilizado para as análises.

As entrevistas com as professoras ocorreram em dois momentos e com objetivos distintos. No primeiro momento, no início do ano, as questões concentraram-se nos processos de formação e nas experiências profissionais delas; no segundo momento, ao final do ano letivo, o foco foi a explicitação sobre o planejamento do trabalho referente às atividades já realizadas pelas professoras e previamente selecionadas para compor o corpus da pesquisa. Foram realizadas cinco entrevistas no primeiro semestre, duas delas com a professora Júlia e três com a professora Stela. Ao final do ano, no mês de novembro, foi realizada uma entrevista com cada professora. Nesse momento, as perguntas foram organizadas com base em algumas atividades por mim selecionadas para análise. Na ocasião da entrevista, apresentei o registro das aulas às professoras e alguns aspectos foram retomados para investigar-lhes a proposta da atividade de modo mais global, os objetivos, a forma de organização e o material utilizado. Também fiz, nessa ocasião, uma investigação sobre a forma como planejam o trabalho, se há uma seqüência e como é estabelecida e o que priorizam no processo de alfabetização. Questionei-as sobre o livro didático, sobre os métodos e as metodologias que utilizam. Por último, elaborei duas questões específicas, voltadas para o momento em que tomaram conhecimento sobre os conceitos de alfabetização e de letramento e como isso ocorreu; o objetivo foi investigar o processo de apropriação desses conceitos e o entendimento que têm sobre eles.

Todas as entrevistas foram agendadas previamente e ocorreram no turno da manhã ou da tarde, conforme a disponibilidade das professoras. Utilizei o espaço da biblioteca nos momentos em que não havia movimentação de crianças e o espaço da sala de aula quando as crianças estavam nas aulas especializadas.

O material coletado nas entrevistas foi utilizado nos momentos de discussão das práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula e também ao evidenciar os processos de formação das professoras. Os dados foram analisados à luz dos teóricos da sociologia da linguagem, da filosofia da linguagem, da análise do discurso e da análise de conteúdo. O referencial usado foram os estudos de Bardin (1977), Bakhtin (1979, 1997), Bourdieu (1986, 1997), Chartier (1998), Certeau (1994) e Pêcheux (1988, 1990). Teóricos brasileiros que têm desenvolvido estudos na área também foram utilizados, dentre os quais se destacam Brandão

 

(1991), Orlandi (2002), Possenti (1993) e outros que podem contribuir para a melhor compreensão da aplicação da abordagem da prática da Análise do Discurso.

Ao analisar os dados das entrevistas, tem-se como princípio considerar as reais condições em que o discurso foi produzido. Nesse caso, os textos produzidos e transcritos foram considerados como discursos carregados de um sentido ideológico e correspondendo a uma realização simbólica que se instaura no momento de interação face a face, em que ambos, entrevistador e entrevistada, ocupam lugares institucionais distintos e carregados de significação. Considera-se, então, quem é esse sujeito que fala, o que ele fala, para quem fala e como fala. Uma fala dirigida a alguém que representa um lugar diferente marcado por inúmeras representações, um processo de subjetivação e de construção de realidades. As relações construídas nos momentos da entrevista são relações entre sujeitos e possuem sentidos e efeitos múltiplos que, para a melhor compreensão, se apóiam em teóricos da Análise do Discurso. Considero que, ao ocupar esse lugar de pesquisadora, devo estar atenta ao referencial que amplia a visão do trabalho da investigação e da pesquisa e que, no processo de interpretação, faz-se necessário ultrapassar o sentido expresso da materialidade dos textos, que passam a ocupar a dimensão discursiva.

Há, para mim, um dilema que se instaura, pois, ao ocupar o lugar de pesquisadora neste momento, torna-se difícil não retomar o passado e a minha trajetória como professora

Benzer Belgeler