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Ao problematizar na escola (Caso Exemplar), a relação Pedagogo e equipe pedagógica, resolvemos buscar o entendimento de como a própria equipe pedagógica compreendia seu trabalho no ambiente escolar. Para tanto elaboramos primeiramente um questionário composto de quatro perguntas abertas relacionadas às dificuldades encontradas pela equipe pedagógica, em seu ambiente de trabalho.

Ao reservarmos um momento de reflexão apenas com a equipe pedagógica da escola entendida como Caso Exemplar, esclarecemos que a atividade tinha o objetivo de avaliar como cada membro da equipe pedagógica, entendia o trabalho do Pedagogo na escola.

Um dos dados coletados através das respostas às perguntas do questionário, permitiram perceber a dificuldade de comunicação que ainda ocorre entre esses profissionais em determinadas escolas. Segundo respostas dos membros da equipe, a boa comunicação pode ser entendida como ponto fundamental para que o trabalho em equipe se desenvolva de forma satisfatória. A dificuldade de comunicação no ambiente de trabalho foi apontada como fator relevante para o agravamento de situações de conflito, que acabam por repercutir nos vários segmentos internos, bem como no desenvolvimento das atividades propostas pela equipe pedagógica.

Foram apontadas questões pessoais e profissionais que atualmente afligem os profissionais tais como; (...) baixa auto-estima, frustrações, questões relacionadas à avaliação, indisciplina”, etc. No entanto, (...) “não há abertura para comunicação dessas aflições no espaço escolar, devido à carga excessiva de cobranças referentes a questões burocráticas”. Em uma das respostas do questionário uma participante concluiu que, dependendo do momento, uma palavra ríspida, obscurece a alegria do outro.

Ainda de acordo com os dados coletados, a comunicação que muitas vezes acaba se estabelecendo é a de recados, geralmente de forma hierarquizada, técnica e, muitas vezes, sem muita clareza ou objetividade, permitindo a interpretação errônea de fatos, acontecimentos ou decisões. Ao analisar essa falta de comunicação percebemos que isso acaba gerando conflitos que podem influir negativamente no desempenho das atividades profissionais.

Os dados coletados salientaram também a importância do trabalho em grupo. Pode-se observar o fracasso de certos projetos desenvolvidos nas escolas as quais, apesar de disporem de instalações, materiais ideais, pessoal habilitado, não conseguem fazer que seus membros atinjam o espírito de equipe. Dados comprovaram que as dificuldades de ordem pessoal, os desentendimentos, a falta de disciplina, o ciúme e o descumprimento de regras nem sempre são superados durante o desenvolvimento do trabalho em equipe.

Esse primeiro momento mostrou a carga de situações conflituosas que afetam a comunicação, levando o grupo a buscar subsídios que o auxiliassem a entender a importância da comunicação no espaço escolar. O seu real valor para o bom andamento das relações interpessoais no ambiente escolar. A comunicação pode ajudar os profissionais a externar suas ansiedades, angústias, conflitos e desconforto, bem como a restabelecer a harmonia necessária ao bom funcionamento da escola e à vida em geral.

Segundo Paulo Freire (1987), a comunicação autêntica existe quando se experimenta a empatia, entendida como capacidade de identificar-se com a outra pessoa, de sentir o que ela sente, de ver o mundo e as coisas como ela os vê, observando reações e interpretando-as. Paulo Freire (1987) pondera que não se trata de perder a própria identidade, mas de colocar-se no lugar do outro para poder compreender suas atitudes e reações.

As pessoas sabem que a comunicação exerce influência sobre o bem-estar ou o mal-estar geral e que suas atitudes otimistas, confiantes e positivas ou agressivas e depressivas refletem positiva ou negativamente no meio em que estão inseridas.

A partir dessas reflexões pode-se dizer, então, que o ser humano, essencialmente comunicativo, expressa continuamente para o outro a sua forma de ser, pensar e agir de diversas formas, porém nem sempre convencionais. A comunicação independe de palavras, visto que há formas variadas e inusitadas de comunicação e é necessário conhecer os diversos tipos de comunicação para que haja bom relacionamento entre as pessoas.

Em suma a comunicação é um instrumento indispensável, um facilitador nas relações interpessoais. No entanto, ainda não se alcançou nível satisfatório, de comunicação, visto que ainda é comum a emergência de situações constrangedoras, nas quais a comunicação não se estabelece de forma clara, objetiva e democrática, o que acaba gerando a permanência de um certo mal-estar que por vezes se reflete nas relações interpessoais e consequentemente no desempenho dos profissionais.

Como respostas aos questionários, quando perguntadas acerca de que atitudes podem gerar conflitos ou exercer influência negativa no ambiente de trabalho as participantes destacaram: a falta de diálogo, de transparência, de

paciência, de solidariedade e afetividade. Destacaram também o autoritarismo, a competição, a rispidez nas palavras, comentários ou fofocas na ausência das pessoas, o “estrelismo”, a falsidade, o desrespeito e, ainda, a falta de humildade, de conhecimento, a resistência a mudanças, a falta de afinidade entre professores e equipe administrativa e o adiamento de reuniões.

Segundo resposta de uma das participantes da equipe, é comum surgir conflitos em um grupo de pessoas, sempre que houver ausência de diálogo. Assim, como um componente do grupo pode irritar-se com facilidade, é importante que haja mediadores no grupo, para levar todos à reflexão, atenuando os possíveis confrontos.

Algumas profissionais da equipe pedagógica afirmaram existir preconceito quanto à forma de determinadas pessoas se expressarem. Segundo elas em algumas escolas o Pedagogo demonstra um “ar de superioridade”, que por vezes acaba ocasionando mal-estar na comunicação: “quem domina a norma culta às vezes acaba sendo privilegiado diante da pessoa de classe desfavorecida que tende a ter um vocabulário reduzido”. Há, de certa forma, por parte de algumas pessoas a tendência a não permitir que o outro se expresse, tantas são as interrupções que fazem rebatendo ou discordando. Essa tendência acaba por levar ao fracasso a comunicação oral, visto que as pessoas sentem falta de espaço para expor suas opiniões.

Ao pensar a comunicação como modelo de integração, Paulo Freire (1987, p.127) argumenta que não é falando aos outros, de cima para baixo, como portador da verdade a ser transmitida aos demais, que se aprende a escutar, mas é escutando que se aprende a falar. Segundo seus escritos, somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele. E, ainda, quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar, de desafiar quem escuta para que responda. Escutar significa estar permanentemente disponível para escutar sem abdicar do direito, de discordar ou se posicionar diferentemente.

Ouvir é, pois, uma atitude extremamente delicada e necessária, que pode determinar o bom andamento das relações interpessoais. Por conta disso, algumas atitudes podem ser adotadas para melhorar a qualidade da comunicação em relação ao ouvir, tais como: prestar atenção à fala, não interromper constantemente para opinar, não emitir conclusões precipitadas, aprender a

interpretar a linguagem corporal, manter um bom contato visual, de tal forma que o outro perceba o interesse na sua fala, enfim, agir com bom-senso e refletir primeiro antes de retrucar ou questionar sobre o que ouve.

Ao analisar a ação desenvolvida pela equipe pedagógica, da escola tida como Caso Exemplar, os dados obtidos através da resposta ao questionário permitiram inferir que até então a equipe pedagógica apresentava vários problemas principalmente no que se referia ao relacionamento interpessoal e a falta de comunicação. Pelos relatórios, pode-se perceber que recaia sobre o Pedagogo parte das dificuldades que o professor enfrentava no desenvolvimento de suas práticas, situação sobre a qual ele afirmava não encontrar orientação adequada, daí cada um passar a agir conforme seu método pessoal de ensino.

Ainda encontrava-se registrado nos relatórios a queixa de alguns professores de que a equipe pedagógica valorizava resultados através da inspeção do livro de chamada. Argumentavam que deveria haver, por parte da equipe pedagógica, maior apoio para que o professor pudesse melhorar seu desempenho em sala de aula, deveria haver (...) “maior cobrança quanto à disciplina; maior rigor quanto à cobrança de assiduidade e pontualidade dos professores que faltavam e reposição de aulas quando o professor não apresentava uma justificativa plausível para sua falta”.

Um professor, ao pronunciar-se durante uma reunião, sugeriu existir falta de atenção quando este solicitava a ação do Pedagogo/Supervisor, afirmando que este demonstrava preocupar-se muito mais com os alunos, quando acolhia suas reclamações e buscava ajudá-los. Segundo ele, na maioria das vezes o Supervisor Escolar não atendia as reivindicações dos professores com a mesma atenção, deixando de ser o articulador entre as partes dando mais atenção ao aluno.

Esses dados permitiram-nos avaliar o desempenho da atividade do Pedagogo através do olhar do outro. Pôde-se deduzir que a realização de algumas práticas atuais desenvolvida por este profissional, que ocupava, até então, a função, ainda encontra resquícios da prática desenvolvida em anos anteriores a 1980. Mesmo desejando mudança, em muitas de suas atitudes ainda subsiste o modelo burocrático. Outras atitudes consistem em mero discurso justamente por se estar em um período de transição.

Isso tornou-se claro diante das respostas apresentadas em outros questionários, quando ao apoiar-se as novas mudanças registravam-se também a necessidade de maior atenção, de providências concretas acompanhadas da exigência de um certo caráter de autoritarismo em alguns casos, diante de determinadas falhas de alguns professores.

Finalizando esta etapa, nos relatórios constavam ainda, que professores ressaltaram a importância de grupos de estudo e reuniões pedagógicas para o planejamento das ações a serem desenvolvidas posteriormente na escola. Segundo eles, à medida que esses momentos vão sendo estabelecidos, tornar-se-ia possível explorar a comunicação dentro do grupo, possibilitando trocas interpessoais, através das quais os padrões e normas de convivência vão sendo incorporados por todos os integrantes, facilitando a escuta, a expressão, o comprometimento e a colaboração.

Após análise dos dados registrados até então, vimos consolidar-se a afirmação de Medina (1995) segundo o qual a escola atual, necessita de Pedagogo que organize em conjunto as ações a serem desenvolvidas valorizando-se o potencial de cada membro do grupo ao mesmo tempo em que assuma a liderança das ações de forma democrática e comprometida.

Benzer Belgeler