A forma de organização textual e de todos os recursos do telejornal varia de um a outro telejornal. Começando pelo cenário do Jornal Nacional, o início da
Como elemento que autoriza os outros a tomarem decisões, encontram-se elementos enteressantes como por exemplo decisões de autorização improvisada apesar de se usar o orçamento programado mas existem situações e projetos que não podem esperar e ainda pouco interferem no orçamento.
Os executivos são obrigados a considerar o impacto de cada decisão sobre outras decisões sem deixar de lado emissão tem como imagem o globo em cor azul, que gira em torno do seu eixo enquanto o apresentador lê as manchetes, que são breves, em torno de três ou quatro. A câmera faz um movimento de abertura do geral para o particular e vai fechando o foco paulatinamente no apresentador.
Fig 1: Quadro que apresenta a vinheta do jornal Fig 2:Durante a apresentação do telejornal
Essa posição inicial do apresentador do Jornal Nacional enfatiza o logotipo do jornal, em contrapartida enfraquece a autoridade da figura do apresentador que não cumprimenta o público de frente como faz o apresentador do Jornal da Noite.
Como painel de fundo, atrás do apresentador estão fixas duas telas de televisão fazendo uma simetria com a cabeça do apresentador. Nelas são transmitidas algumas imagens que fazem parte do noticiário do dia. A posição dessas telas, pouco acima da cabeça do apresentador é péssima, pois, além de dispersar a atenção do telespectador, muitas vezes, as imagens que nelas são passadas em simultâneo com a fala do apresentador nem sempre coincidem com o que este diz no momento. (ver figura 2 acima).
O cenário do Jornal da Noite é um mapa-mundi de cor azul. No início do jornal, a câmera abre em close no apresentador que cumprimenta o telespectador, e gradualmente a imagem se amplia para mostrar todo cenário com o continente africano no centro como se pode ver nessas figuras abaixo.
Fig 3: Quadro que acompanha a vinheta do Jornal Fig 4: Durante apresentação do Jornal
A vinheta de apresentação do telejornal identifica-o dos outros programas. Em seguida o apresentador anuncia as manchetes de forma rápida. O recurso de movimento de câmera, do plano particular ao geral, dá a sensação de proximidade entre o apresentador e o telespectador. Nesse sentido, é interessante perceber como cada emissora trabalha o aspecto de credibilidade através de slogans para reforçar a imagem de seriedade.
A Soico Televisão apresenta na tela: “STV, onde a gente se vê”. Sem dúvida essa expressão nos remete às relações sociais, se considerarmos a emissora STV como espaço de encontro dos amigos, dos sujeitos que compartilham um mesmo repertório cultural e realizam suas trocas simbólicas diariamente ao assistir ao telejornal da STV. E, muito mais do que isso, pois, o slogan “STV, onde a gente se vê” nos remete à criação de um lugar privilegiado de visibilidade midiática.
O slogan “STV, onde a gente se vê” nos remete ao da Rede Globo de televisão que diz e mostra: “Globo, a gente se vê por aqui”. Essa proximidade entre a STV e a Rede Globo, sem dúvida, traz benefícios para ambas. A primeira ganha na imagem que ela mesma quer vender de uma emissora moderna, equipada, conectada com a atualidade. Já a TV Globo ganharia mais visibilidade no exterior e conseqüentemente mais telespectadores e fãs compradores de seus produtos simbólicos como novelas, filmes, música, programas informativos, entre outros.
Mas, ao mesmo tempo, essas estratégias são questionáveis uma vez que são previsíveis mais perdas do que ganhos para a própria STV se comparado com a Rede Globo que já se firmou no mercado tanto nacional quanto internacional. É assim que nos indagamos sobre questões ligadas à identidade de cada emissora, a criação de sua própria marca que seja única.
Ao primar por esse tipo de paráfrase, parece-nos que a STV está mais interessada pelo viés comercial do que pela criação de sua própria identidade, enquanto operadora local que pretende “ser o principal grupo de comunicação social na África Austral”, de acordo com os objetivos expressos em seus documentos oficiais.
Na emissora pública, o slogan da TVM realiza uma função apelativa: “TVM, a nossa televisão. Estamos todos aqui”. O sentido dessa expressão é reforçar a idéia de emissora pública, sugerindo assim uma pertença ao mesmo país. Com essa
estratégia, a TVM busca convencer o telespectador a acreditar nela e a vê-la como espaço comum que pertence a todos os moçambicanos, por serem cidadãos de um mesmo Estado-nação, evocando assim o direito de todos à informação, preconizado pela constituição da república.
Os dois textos “TVM, a nossa televisão, estamos todos aqui” e “STV, onde a gente se vê” são slogans que buscam construir um discurso de inclusão de todos, com intuito de levar o telespectador a se identificar com a emissora. Através de seus
slogans, ambas as emissoras procuram reforçar o aspecto de lugar de possíveis
interações sociais entre os telespectadores.
Essa nova configuração da vida social induz-nos também a refletir sobre a noção de lugar, enquanto espaço comum. O espaço sugerido pela televisão e, neste caso, pelos slogans das duas emissoras, não se limita apenas à dimensão física, à telinha. Trata-se de um espaço midiático de articulação das idéias, e também de possíveis interações sociais através do qual é possível estar a par dos acontecimentos do país e do mundo.
Não se pode negar que a televisão possibilita um fluxo contínuo de informações e de imagens que fazem parte de um cotidiano vivido pelos telespectadores. Por isso, os slogans “TVM, estamos todos aqui” e “STV, onde a gente se vê” remetem-nos a pensar no aspecto do estar junto, do compartilhamento do mesmo conteúdo simbólico, do país. Apesar da diversidade cultural, étnica e lingüística, existem aspectos comuns que interessam a todo moçambicano, a saber: “os mitos de origens, os rituais e os símbolos, a orientação a valores, a história partilhada, que são elementos constitutivos de auto-referência identitária”. (Santos, 2006:314).
A análise das edições dos noticiários de ambos os telejornais possibilita-nos compreender as tendências marcantes de cada um, em que se busca, entre outras coisas, evitar conflito, silenciar pontos de vista contrários aos das emissoras e aos daqueles que exercem alguma influência nos meios de comunicação. Essas vozes seriam capazes de orientar as maiorias para uma postura mais crítica em relação à realidade construída e sustentada pelos telejornais, e pela mídia em geral que é mostrada como verdade absoluta e irrefutável.
A naturalização do discurso é outro aspecto que aparece com freqüência em ambos os telejornais, pois, muitas vezes, as tensões sociais não são mostradas e, quando o são, não recebem o destaque que mereceriam. Com essas estratégias,
parece que os objetivos do Jornal Nacional e do Jornal da Noite passam pelo estabelecimento de uma certa ordem política, social e comercial. Disso resulta uma certa exacerbação das tensões sociais que se mostra através da organização textual dos telejornais.
Por isso, o público telespectador precisa estar atento para saber identificar qualquer tipo de manipulações presentes nas construções discursivas dos telejornais, e não se conformar com o que é dito e à forma como é dito.