• Sonuç bulunamadı

Este estudo apresenta algumas limitações. Por se tratar de um estudo transversal, não é possível inferir a natureza temporal de algumas das associações observadas. O tamanho da amostra não foi planejado para testar diferenças entre os grupos quilombolas e não quilombolas, logo, pode não ter havido suficiente poder amostral para algumas variáveis, definida a priori. Por outro lado, não é aceitável supor que esse fato tenha comprometido as diferenças observadas e descritas.

A metodologia empregada para análise dos dados não contemplou a abordagem da vulnerabilidade e distinções culturais dos grupos de adolescentes, também não abordou questões estruturais, que afetam a produção de alimentos nas regiões rurais e que incidem tanto na disponibilidade dos alimentos como na variação de preço em períodos de estiagem. Os instrumentos de coleta de dados não contemplaram todos os aspectos previstos de acordo a literatura, como religião e estruturas físicas que envolvem a variável tempo regular em frente

à TV. Além disso, não haviam perguntas diretamente relacionadas com a satisfação com o peso, bem como sobre como eles gostariam de ser. Esse fato limitou a comparabilidade com outros estudos.

8 CONCLUSÃO

Em comparação com os comportamentos, hábitos, percepções e estado nutricional dos adolescentes da zona urbana, os adolescentes do campo demonstraram hábitos alimentares mais saudáveis, menores prevalências de relação sexual, de sedentarismo no lazer, de sobrepeso e obesidade e a prática de atitudes extremas e prejudiciais à saúde foi menos comum.

Entretanto, observou-se precocidade no início das relações sexuais, uso de álcool associado ao comportamento sexual, baixo consumo de frutas, hortaliças, leite e o consumo regular de marcadores de alimentação não saudável e percepção imprecisa do seu peso e/ou atitude relacionada com o peso inadequado. Acrescenta-se a esse achado a desigualdade econômica entre os grupos, evidenciando que as iniquidades sociais estão presentes na população rural estudada.

Essa condição pode, portanto, violar o direito fundamental de acesso à saúde, comprometendo a assistência adequada e influenciando os indivíduos à busca por cuidados em saúde em outros níveis de assistência, que não a atenção primária. A falta de acesso aos serviços de saúde ou a carência de informações podem comprometer as ações de atenção à saúde e expor o adolescente às condições adversas.

Na zona rural estudada, a atenção à saúde sexual e reprodutiva do adolescente deve compreender um conjunto de ações que tenha na atenção primária um lócus privilegiado. Entre estes adolescentes existem situações que fragilizam o exercício autônomo e saudável da sua sexualidade, além de exposição a comportamentos desfavoráveis, como o uso de álcool, que necessitam ser contemplados nas estratégias de promoção de saúde e prevenção de agravos.

Neste contexto, os principais desafios a serem superados pelas as equipes de ESF do território estudado são o elevado número de famílias em suas respectivas áreas e a grande demanda por serviços que, muitas vezes, ultrapassa a capacidade de resposta da equipe. Dentre as limitações do sistema, destacam-se: a sobrecarga de trabalho; a dificuldade de operacionalizar de forma consolidada o planejamento e a programação local em saúde; a necessidade de redirecionamento do modelo de cuidado, sobretudo o de educação em saúde, com priorização dos grupos mais vulneráveis como adolescentes; o incentivo à participação social para corresponsabilização do cuidado; e o aperfeiçoamento das ações intersetoriais.

As ações de educação em saúde são fundamentais para esta população, para além do espaço da escola e da Unidade Básica de Saúde, principal porta de entrada para o sistema. A

proximidade com as famílias e o melhor conhecimento da cultura e das vulnerabilidades do território possibilita o desenvolvimento de ações que tenham maior efetividade para a população. O setor saúde precisa atuar mais ativamente em parceria com o setor educação, potencializar os espaços já disponíveis e desenvolver estratégias para a priorização de espaços de cuidado não ocupados, até então, visando alcançar os adolescentes não escolarizados. O reconhecimento de outros espaços na comunidade e atuação desses adolescentes, com vistas à corresponsabilização e empoderamento desses sujeitos, podem possibilitar a formação de multiplicadores, distribuindo o conhecimento para toda a comunidade.

Do mesmo modo, são necessárias ações de educação alimentar e nutricional, com a promoção de políticas públicas de incentivo à agricultura familiar e segurança alimentar, assim como o fortalecimento dos programas de transferência de renda, priorizando a população quilombola. Entende-se, que a atenção a este grupo é uma ação fundamental para a prevenção de comorbidades futuras nessa população, haja vista que foram identificados comportamentos associados ao lazer sedentario, já evidenciados por outros estudos, tais como: o hábito regular de comer enquanto assiste TV, o consumo regular de salgadinho de pacote e o excesso de peso.

Logo, o panorama descrito nesse estudo evidencia uma demanda de estratégias de enfrentamento do problema, principalmente, com o estímulo à prática de atividade física regular e outras modalidades de lazer, incluindo atividades extraclasse. Para isso, a atuação da ESF, com o apoio de profissionais do NASF, é uma importante ferramenta de incentivo às mudanças de hábitos e comportamentos desses adolescentes, especialmente entre as meninas.

As ações propostas devem colaborar à diminuição do tempo em frente à TV e, paralelamente, à redução do sobrepeso/obesidade. Os achados reforçam a importante influência dos fatores sociais e culturais, sob a percepção exata do próprio peso e comportamentos de controle deste. Como já mencionado, mostra-se relevante a intersetorialidade efetiva entre os campos da saúde e da educação, com vistas à inserção de temáticas que tratem de comportamentos e hábitos saudáveis para a manutenção da saúde e da qualidade de vida no projeto pedagógico das escolas. Ademais, são necessárias práticas que estimulem a participação dos pais nas discussões sobre saúde no ambiente escolar.

De modo geral, observou-se demandas do setor saúde, educação e setores sociais quanto aos condicionantes envolvidos na vivencia da adolescência rural, haja vista que, foi evidente a falta de informações sobre questões diversas e acesso escasso a bens e serviços de saúde, principalmente na atenção primária. Embora o município de Vitória da Conquista possua 100% de cobertura da ESF na zona rural, ainda é necessário minimizar as barreiras de

acesso e produzir o cuidado mais equânime e condizente com as demandas de saúde individuais e coletivas.

Há ainda um desafio para o século XXI e a Atenção Primária a Saúde no Brasil, quanto à inserção efetiva do adolescente nas ações da ESF e NASF, apoiados na construção de vínculos entre os trabalhadores e profissionais de saúde com os adolescentes. Para as próximas décadas, recebemos o desafio de integrar as redes de atenção à saúde, existentes e futuras, os dispositivos sociais e programas educacionais e ministeriais, para que estes adolescentes tornem-se adultos mais saudáveis, com uma boa qualidade de vida e conscientes moral, cultural e politicamente.

Este trabalho abre novas perspectivas de pesquisas, apoiadas por metodologias, qualitativas e antropológicas, que avaliem as dimensões de saúde de grupos tão específicos como os quilombolas, cabendo ainda à necessidade de discussões que abordem questões de gênero.

9 ARTIGOS RELACIONADOS À TESE

TÍTULO REVISTA AUTORES ANO SITUAÇÃO

1

Comportamento sexual e fatores associados em adolescentes da

zona rural Pública Saúde

Sousa, B.C.; Medeiros,D.S.; Santos, R.S.; Santana,K.C.; Souzas,R. Leite,A.J.M. 2016 Aceito/ Prelo 2 Hábitos alimentares de adolescentes quilombolas e não

quilombolas da zona rural do semiárido baiano Ciência & Saúde Coletiva Sousa, B.C.; Medeiros,D.S.; Curvelo,M.H.S.; Silva,E.K.P.; Teixeira,C.S.S.; Bezerra.V.M.; Souzas,R. Leite,A.J.M. 2017 Aceito/ Prelo 3

Sedentary lifestyle and associated factors among rural adolescents

from southwestern of Bahia

Rural and Remote Health Sousa, B.C.; Sousa,M.S.; Teixeira,C.S.S.; Bezerra.V.M.; Leite,A.J.M Medeiros,D.S.

2017 correção pelos Em fase de coautores

4

Autoimagem corporal, estado nutricional e comportamentos em

relação ao peso de adolescentes, quilombolas e não quilombolas, de

uma zona rural do Nordeste brasileiro Cadernos de Saúde Pública Sousa, B.C.; Lima,G.P.; Teixeira,C.S.S.; Bezerra.V.M.; Leite,A.J.M Medeiros,D.S. . 2017 Submetido

Benzer Belgeler