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3.2 Sınıflandırma

3.2.5 Saklı Markov Modelleri (Hidden Markov Models (HMM))

Administração escolar, como conceito, é uma expressão tradicionalmente ligada aos princípios e atos referentes à ação de planejar o trabalho, os procedimentos e as ações da escola. Esse termo transitou por mudanças profundas em sua concepção, especialmente da década de 1980 em diante, com o surgimento da expressão gestão educacional. É possível encontrar na literatura grande quantidade de trabalhos sobre o assunto (BARROSO, 2006, LIBÂNEO, 2001; LUCK, 2005, 2006; FERREIRA, 2003, 2004) destacando mudanças processuais significativas no entendimento desses dois termos. Segundo esses estudiosos, a mudança de nome deverá implicar mudanças reais, novas idéias e orientações transformadoras no contexto da organização educacional.

Tais mudanças foram tentativas de avançar em procedimentos tradicionais baseados em práticas corporativistas e centralizadoras, avançando para um movimento que busca a democratização e a participação em todos os aspectos da (hoje denominada) gestão escolar.

Em relação às mudanças no termo administração e na extensão para gestão escolar, Bordignon e Gracindo (2001:147) assim se posicionam:

Os termos gestão da educação e administração da educação são utilizados na literatura educacional ora como sinônimos, ora como termos distintos. Algumas vezes gestão é apresentada como um processo dentro da ação administrativa; outras vezes seu uso denota apenas intenção de politizar a ação administrativa; noutras apresenta-se como sinônimo de “gerência”, numa conotação neotecnicista dessa prática e, em muitos momentos, gestão aparece como a “nova” alternativa para o processo político-administrativo da educação. O que se percebe é que há uma reação (por vezes muito forte) ao termo administração da educação, como conseqüência da forma descomprometida, “neutra” e tecnicista como ela se desenvolveu na década de 70, trazendo conseqüências muito negativas à prática social da educação e gerando todo um movimento de reação e de mudanças em sua concepção e prática.

De modo geral, a administração escolar é entendida como processo racional, linear e fragmentado de organização das instituições educacionais, estabelecida de fora para dentro das unidades escolares, geralmente de forma mecanicista e utilitarista. Portanto, a utilização dos vocábulos gestão escolar não corresponde à substituição terminológica simples, mas à implementação de novo entendimento de organização educacional e de seus processos, sem desmerecer a importância da administração, mas, sim, a superação das limitações do enfoque fragmentado e reduzido, situando-a a serviço da gestão.

Para se compreender essa unidade de idéias, recorremos a Luck, (2005:35) que se expressa dessa maneira:

A expressão gestão educacional comumente utilizada para designar as ações dirigentes surge, por conseguinte, em substituição à administração educacional (ou escolar). Diferentemente de administração educacional, abrange uma série de concepções não abarcadas pela administração. Pode-se citar a democratização do processo de determinação dos destinos do estabelecimento de ensino e seu projeto político pedagógico, a compreensão da questão dinâmica e conflitiva das relações interpessoais da organização como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma atuação de liderança; o entendimento de que a mudança dos processos pedagógicos envolve alterações nas relações sociais da organização.

Essa autora defende ainda o argumento de que a mudança de denominação só é significativa se representar uma mudança de concepção da

realidade e do significado de ações, com base em uma posição e atuações diferentes. Em vista disso, a discussão terminológica se explica no sentido de compreender melhor o que representa para orientar de maneira adequada a ação, caso contrário, consta apenas jogo de palavras e exercício no plano das idéias, sem compromisso com a ação e com os resultados.

De acordo com essa autora (2006), o conceito gestão educacional está relacionado à gestão com substratos nos órgãos superiores dos sistemas de ensino, e, em âmbito micro, a partir das escolas. Sendo assim, a expressão gestão educacional diz respeito à gestão de sistemas de ensino e a gestão escolar. Para ela,

O conceito de gestão, tendo em vista seu caráter paradigmático, não se refere a este ou aquele segmento, mas ao sistema de ensino como um todo, tanto horizontal como verticalmente, e, portanto, não se constitui em uma função circunscrita a quem detém o cargo/função maior de uma unidade de trabalho (LUCK, 2006:37).

Nesse sentido, a idéia da gestão está associada ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, entendida como participação de todos nas decisões e na sua efetivação. Esse processo enseja um aprendizado político que contribui para uma prática social e busca de autonomia favorável à reflexão crítica das práticas educativas. Supõe, de saída, que o êxito de uma organização social depende da mobilização da ação construtiva conjunta de seus componentes em prol de objetivos compartilhados e comuns.

Ferreira (2004) apresenta a gestão como tomada de decisão,

organização, direção. Para essa autora, o papel da gestão relaciona-se com a

atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, cumprir sua função e desempenhar seu papel. Destaca ainda que a gestão se constitui de princípios sociais destinados à promoção humana.

Ferreira (2003:113) considera ainda que um processo de gestão que

construa coletivamente um projeto pedagógico de trabalho tem já, na sua raiz, a potência de transformação. Essa construção coletiva formadora resultará no

desenvolvimento de profissionais da educação e alunos fortes intelectualmente,

ajustados emocionalmente, capazes tecnicamente e ricos de caráter (2003:113).

Libâneo (2001) refere-se à unidade de idéias organização escolar como mais apropriado para atender as especificidades das instituições educacionais, entendendo que esses espaços se diferenciam das empresas convencionais em virtude do seu caráter fortemente interativo, baseado em um sistema de relações. O autor destaca o sentido amplo do termo organização como unidade social que reúne pessoas interagindo e operando por meio de estruturas e processos organizativos próprios, a fim de alcançar os objetivos da instituição. Para que as organizações funcionem e atinjam seus objetivos, exigem-se a tomada de decisões, a direção e o controle dessas decisões, processo que o autor denomina gestão. Assim, para Libâneo, o termo organização e a expressão gestão da escola se apresentam como mais abrangentes e se exprimem como substitutos de administração escolar.

Na compreensão de Luck,

Uma forma de conceituar gestão é vê-la como um processo de mobilização das competências e da energia das pessoas coletivamente organizadas para que, por sua participação ativa e competente, promovam a realização, o mais plenamente possível, dos objetivos de trabalho (2006:21).

Para assegurar a gestão democrática da escola, é necessária criação de estruturas e processos que permitam o envolvimento de todos os segmentos na tomada de decisões e na organização e funcionamento da escola. Isso está intimamente ligado à formação de uma cultura de participação, entendida como o reconhecimento, por todos os membros da organização e pelos seus dirigentes, da participação como um valor essencial que deve orientar todas as suas práticas.

Na visão de Barroso (1996:7), o conceito gestão participativa corresponde a

Um conjunto de princípios e processos que defendem e permitem o envolvimento regular e significativo dos trabalhadores na tomada de decisão. Este envolvimento manifesta-se, em geral, na participação

dos trabalhadores na definição de metas e objetivos, na resolução de problemas, no processo de tomada de decisão, no acesso à informação e no controle da execução. Ele pode assumir graus diferentes de poder e responsabilidade e afetar quer a organização no seu conjunto, quer cada trabalhador e o seu posto de trabalho, embora esteja sempre orientado para a realização das finalidades da organização.

Nessa linha de raciocínio, entendemos a participação como o principal instrumento de ação para que se possa atingir os objetivos da escola. A organização e os processos da gestão, dentro de uma vertente participativa, contribuirão para melhorar a qualidade pedagógica e aumentar o profissionalismo dos professores. Luck (1996) evidencia que a participação se caracteriza por uma força de atuação consciente, pela qual os membros de uma unidade social reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na determinação e dinâmica dessa unidade social, de sua cultura e de seus resultados, poder esse resultante de sua competência e vontade de compreender, decidir e agir em torno de questões que lhes são próprias. Barroso (1996:5) refere-se a quatro princípios fundamentais para a organização da escola dentro dos moldes de uma gestão participativa, a saber:

• Descentralizar, atribuindo poderes de decisão e meios às autarquias, em colaboração com outros parceiros educativos locais, para definirem e executarem uma política local de educação, comum às escolas da sua zona de influência, nos domínios da adequação local do currículo, da integração com outros equipamentos sociais, da organização de atividades de extensão curricular, na gestão da rede escolar, na construção de equipamentos e na afetação e manutenção de outros recursos.

• Transformar cada escola, ou conjunto de escolas afins, numa unidade

autônoma de gestão concedendo poderes e meios para os seus órgãos

próprios definirem convergências, dos pais, dos professores e dos outros trabalhadores da escola.

• Instituir e desenvolver nas escolas estruturas e processos da gestão participativa que permitam o envolvimento dos seus «trabalhadores», incluindo, como tais, não só o pessoal docente e não-docente, mas também os alunos e outros elementos que contribuem igualmente para a produção do trabalho escolar, na tomada de decisão sobre a organização e execução das atividades necessárias à realização das finalidades e objetivos da escola.

• Preservar para o Estado, e em particular para a sua administração central

a função de regulação, necessária para garantir a unidade e a qualidade

do serviço público nacional de ensino e para corrigir as assimetrias.

Com efeito, para que a gestão escolar possa contribuir verdadeiramente para a transformação social, é preciso perseguir de maneira efetiva os objetivos e propósitos comprometidos com tal transformação. Esse processo não ocorre espontaneamente, mas com assento na vontade e organização coletiva em torno de objetivos comuns. É importante levar em consideração, contudo, as condições concretas e as possibilidades de a escola realizá-los. Além disso, a forma de reger a escola deverá estar longe do modelo tradicional de concentração de autoridade nas mãos do diretor, evoluindo para formas coletivas que facilitam a distribuição do poder e da liderança de maneira adequada, tendo como meta os objetivos identificados com a transformação social.