1.2 Bölmeden Çıkarma
1.3.4.4 Sabit Taşıyıcı Kablo İçeren Vinçli Hava Hatları
Dada a abundância de estudos sobre inovação no setor privado e a sua relativa escassez no setor público, não há como evitar as tentativas de comparações entre esses diferentes contextos. O setor público é diferente do setor privado? Em que medida eles se diferenciam e quais os pontos de diferenciação entre eles? A compreensão das diferenças entre os setores público e privado é importante para estabelecer em que medida é possível a transferência de práticas de gestão de um setor para outro. Tal questão é fundamental na abordagem da nova gestão pública, na qual o setor público deve incorporar práticas atribuídas ao setor privado, a fim de alcançar maior eficiência. Essas diferenças também têm algumas implicações imediatas para as estruturas de incentivo para atividades inovadoras.
De acordo com Mulgan e Albury (2003), enquanto que uma quantidade substancial de pesquisa surgiu nas últimas quatro décadas, em inovação no setor privado, uma lacuna de conhecimento significativo existe no que diz respeito à inovação no setor público, onde a pesquisa de qualidade sobre o assunto é bastante limitada.
Críticos da Nova Gestão Pública argumentam que as diferenças entre organizações públicas e privadas são tão grandes que as práticas empresariais não deveriam ser transferidas para o setor público (BOYNE, 2002). Segundo essa visão, técnicas de gestão não podem ser exportadas com sucesso a partir de um setor para outro, tendo em vista as diferenças nos ambientes organizacionais, metas, estruturas e valores gerenciais. Essas contingências exigiriam diferentes abordagens para a gestão em órgãos públicos e empresas privadas (BOYNE, 2002). Boyne (2002) testou 13 hipóteses sobre as diferenças entre as empresas privadas e órgãos públicos, concluindo que apenas três destas hipóteses eram suportadas pela maioria dos estudos empíricos: as organizações públicas são mais burocráticas e os gestores públicos são menos materialistas e menos comprometidos do que os seus pares do setor privado.
Halvorsen et al. (2005) argumentam que as organizações públicas são tipicamente fornecedores primários de serviços e não competem a fim de maximizar lucros. Para os autores, na literatura da área, essa falta de concorrência é amplamente reconhecida como uma falta de incentivos para a inovação. Entretanto, os autores relativizam tais diferenças ao taxar como demasiadamente simplista a
noção de que o comportamento inovador das empresas tem origem na racionalidade econômica e chamam atenção para o mito racional da inovação. Nesse mesmo sentido, DiMaggio e Powell (2005) propõem que a mudança estrutural acontece, hoje, não por razões de eficiência ou da necessidade de enfrentamento da concorrência, mas em razão de outros processos que tornam as organizações mais semelhantes sem necessariamente fazê-las mais eficientes.
Quadro 6 - Diferenças de contexto e de pressões nos setores público e privado
Público Privado
1. Regulação estatutária e parlamentar; códigos de conduta
2. Necessidades da gestão da economia nacional
3. Relativa abertura do governo e da tomada de decisão; pressão sobre os representantes
4. Públicos atentos; ampla base de
stakeholders, impacto de corpos
reguladores subsidiários 5. Múltiplos valores e objetivos
• serviço
• interesse do público • equidade
• profissionalismo
• participação dos consumidores • trocas complexas
6. Base primária de recursos advinda de impostos
7. Accountability ampla
8. Capacidade de resposta a políticos influentes e políticas de curto horizonte temporal
9. Objetivos sociais primários, por exemplo, ruas seguras, saúde, sem custo para o usuário
10. Indicadores de desempenho complexos e questionáveis
11. Orientações políticas mais mal
definidas; complexidade de
implementação de políticas
Conselho de Administração;
quadros de planejamento da empresa Sinais de mercado, por exemplo, a taxa de empréstimo
Sigilo relativo; pressão por confidencialidade
nos negócios
Foco principal nos acionistas e dirigentes
Relativamente restrito
Base primária de recursos advinda dos resultados operacionais e empréstimos
Accountability restrita
Não existe uma verdadeira sobreposição com políticos; limitações de tempo menos artificiais
Metas de lucro primário
Medidas financeiras quantitativas
Políticas relativamente menos ambíguas
Harrow e Willcocks (1990) relatam que o trabalho dos gestores públicos enfrenta menor exposição ao mercado e maiores restrições formais do que do seus pares do setor privado, maior diversidade e intensidade de influências externas informais, maiores expectativas do público quanto à probidade e ao controle de suas ações e maiores imprecisão e intangibilidade dos objetivos. O gestor público tem comportamento mais cauteloso e rígido, exibindo menor comprometimento organizacional que os seus congêneres do setor privado. Há dificuldade de gestão estratégica do setor público, uma vez que os gestores públicos experimentam orientações políticas mais mal definidas do que os seus equivalentes do setor privado, maiores restrições sobre sua ação causadas por uma maior abertura na tomada de decisões, contato mais direto e constante com grupos de interesse que procuram influenciá-los e mais restrições artificiais de tempo sobre suas ações. Essas e outras diferenças significativas nos fatores ambientais e de coligação dominante estão resumidas no Quadro 6.
No contexto da Criminalística da Polícia Federal, Melo (2012) questiona quanto à presença das condições necessárias para a implantação efetiva de um processo de planejamento estratégico institucional no ambiente considerado, tendo em vista sua natureza de organização pública. Ressalta o autor que, por ser o planejamento estratégico uma atividade insólita na organização, está sujeito a uma série de riscos e ameaças, concluindo que a falta de um senso comum sobre a direção a ser seguida pela organização, associada ao baixo envolvimento dos servidores, constitui um fator condicionante do sucesso do planejamento estratégico na Criminalística da Polícia Federal.